quinta-feira, 14 de março de 2013

EDIÇÃO Nº 30: HUGO DI BOURBON



O ÍNDIO E O REI

De cara, antes do apito inicial dessa peleja, declaro que nunca gostei do jeitão do Hugo. Talvez por uma questão até de preconceito, que me foi inflado no período educacional mais primário. Já disse em crônica, ainda não publicada no Pau Comeu, da minha falta de costume com as coisas da América Latina.

Vou lembrar agora... Trata-se de quando escrevi “Um olhar sobre Argentina”, que relata um conjunto de impressões sobre aquele país antes, durante e depois de uma viagem a Buenos Aires, dizendo que antes,

“ (...) o que colecionei sobre a Argentina, ao longo de toda a vida, mesclava tragédias e paixões arraigadas em todos os sentidos. Desde menino, sabia de Peron e Evita. Adolescente, do tango e Gardel. Adulto, de Piazzola e Maradona. Agora, na tal de “terceiridade”, aprendi que antes, sobre a história do país, tinha apenas informações esparsas, como se fosse um álbum sempre incompleto, no qual faltavam figurinhas importantes e para mim desconhecidas.
Aqui no Brasil, de certa forma, fomos educados em uma cultura histórica separada da América Latina, como se o Tratado de Tordesilhas nos impusesse desde cedo um olhar enviesado e até mesmo preconceituoso sobre nossos vizinhos. (...)”

Se isso valia para a Argentina, imagina muito mais sobre os demais países sudamericanos, como a Venezuela, por exemplo, na pauta depois da morte do seu “ditador” eleito pelo voto direto dos cidadãos aptos de seu país.

Que a imprensa branca de olhos azuis da cor do céu e do mar detestava Hugo Chávez, isso não é nenhuma novidade. Quem sabe ler sabe disso. Quem só vê a Globo, não entende porque o índio Hugo não tinha sido condenado à morte, tamanhas suas culpas, ou à fogueira da Idade Média, tamanhos seus pecados mortais, veniais e existenciais.

Mas o ódio parece não ter fim com a morte do índio.

Vale tudo na Grande Imprensa Brasileira e Internacional para sacanear a imagem do ditador eleito pelo voto direto dos cidadãos aptos do seu país. Fiquei implicado com a unanimidade com que ela o tratava mal...

Entonces fiz a pergunta que não queria calar:

O que fez Hugo Chávez para merecer tal unanimidade contra?

Aí fui buscar as razões e achei as seguintes:

1.Desde sua chegada ao poder em 1999, Hugo Chávez ganhou 15 das 16 eleições na Venezuela, entre as quais a última, no dia 7 de outubro de 2012, sempre derrotando seus rivais com diferenças entre 10 a 20 pontos percentuais. Eleições que foram reconhecidas por todas as instâncias internacionais, desde a União Europeia até a Organização dos Estados Americanos, passando pela União de Nações Sul-Americanas e pelo Centro Carter.

                                   Uma lástima...

2.Em dezembro de 2005, a Unesco decretou que o analfabetismo na Venezuela havia sido erradicado. O número de crianças na escola passou de 6 milhões em 1998 para 13 milhões em 2011, e a taxa de escolarização agora é de 93,2%. A taxa de escolarização no ensino secundário passou de 53,6% em 2000 para 73,3% em 2011. O número de estudantes passou de 895.000 em 2000 para 2,3 milhões em 2011, com a criação de novas universidades.

                                   Que horror...

3. Entre 2005 e 2012, foram criados 7.873 centros médicos na Venezuela. O número de médicos passou de 20 por 100 mil habitantes, em 1999, para 80 em 2010, ou seja, um aumento de 400%. Cerca de 17 milhões de pessoas puderam ser atendidas, enquanto que, em 1998, menos de 3 milhões de pessoas tinham acesso regular à saúde. A taxa de mortalidade infantil passou de 19,1 a cada mil, em 1999, para 10 a cada mil em 2012, ou seja, uma redução de 49%. A expectativa de vida passou de 72,2 anos em 1999 para 74,3 anos em 2011.

                                   Que absurdo...

4.  De 1999 a 2011, a taxa de pobreza passou de 42,8% para 26,5%, e a taxa de extrema pobreza passou de 16,6% em 1999 para 7% em 2011. Na classificação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Venezuela passou do posto 83 no ano 2000 (0,656) ao 73° lugar em 2011 (0,735), e entrou na categoria das nações com o IDH elevado. O coeficiente Gini, que permite calcular a desigualdade em um país, passou de 0,46 em 1999 para 0,39 em 2011, ostentando o coeficiente Gini mais baixo da América Latina, e é o país da região onde há menos desigualdade. A taxa de desnutrição infantil reduziu 40% desde 1999.

                                   Esse cara tá de sacanagem...

5. Em 1999, 82% da população tinha acesso a água potável. Agora, são 95%. Durante a presidência de Chávez, os gastos sociais aumentaram 60,6%. Antes de 1999, apenas 387 mil idosos recebiam aposentadoria. Agora são 2,1 milhões. Desde 1999, foram construídas 700 mil moradias na Venezuela.

                                   Não acredito que seja tão vil...

6. Desde 1999, o governo entregou mais de um milhão de hectares de terras aos povos originários do país. A reforma agrária permitiu que dezenas de milhares de agricultores fossem donos de suas terras. No total, foram distribuídos mais de 3 milhões de hectares.

                                   Que nem no Brasil...

7. Em 1999, a Venezuela produzia 51% dos alimentos que consumia. Em 2012, a produção é de 71%, enquanto que o consumo de alimentos aumentou 81% desde 1999. Se o consumo em 2012 fosse semelhante ao de 1999, a Venezuela produziria 140% dos alimentos consumidos em nível nacional. Desde 1999, a taxa de calorias consumidas pelos venezuelanos aumentou 50%, graças à Missão Alimentação, que criou uma cadeia de distribuição de 22.000 mercados de alimentos (MERCAL, Casa da Alimentação, Rede PDVAL), onde os produtos são subsidiados, em média, 30%. O consumo de carne aumentou 75% desde 1999. Cinco milhões de crianças agora recebem alimentação gratuita por meio do Programa de Alimentação Escolar. Em 1999, eram 250 mil. Segundo a FAO, a Venezuela é o país da América Latina e do Caribe mais avançado na erradicação da fome.

                                   Tinham que matar esse ditadorzinho...

8. Desde 1999, foram criadas mais de 50.000 cooperativas em todos os setores da economia. A taxa de desemprego passou de 15,2% em 1998 para 6,4% em 2012, com a criação de mais de 4 milhões de postos de trabalho. O salário mínimo passou de 100 bolívares (16 dólares) em 1998 para 2.047,52 bolívares (330 dólares) em 2012, ou seja, um aumento de mais de 2.000%. Trata-se do salário mínimo mais elevado da América Latina. Em 1999, 65% da população economicamente ativa recebia um salário mínimo. Em 2012, apenas 21,1% dos trabalhadores têm este nível salarial.

                                   O povo venezuelano é uma besta...

9.Os adultos com certa idade que nunca trabalharam dispõem de uma renda de proteção equivalente a 60% do salário mínimo. As mulheres desprotegidas, assim como as pessoas incapazes, recebem uma ajuda equivalente a 70% do salário mínimo. A jornada de trabalho foi reduzida a 6 horas diárias e a 36 horas semanais sem diminuição do salário.

                                   Hugo bebeu...

10.A dívida pública passou de 45% do PIB em 1998 a 20% em 2011. A Venezuela se retirou do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, pagando antecipadamente todas as suas dívidas. Em 2012, a taxa de crescimento da Venezuela foi de 5,5%, uma das mais elevadas do mundo. O PIB por habitante passou de 4.100 dólares em 1999 para 10.810 dólares em 2011.

                                   A VENEZUELA SOB A TIRANIA DE HUGO CHÁVEZ

                                   FOI UMA MERDA TOTAL...

 
Pau Comeu está estarrecido...
Pau Comeu não entende porque Joseph P. Kennedy II, filho mais velho de Robert Kennedy, ex-membro da Câmara de Representantes de EUa, fundador de Ciitizens Energy Corporation (Corporação de Energia para os Cidadãos) e diretor geral da companhia desde 1998, depois de 12 anos de serviços como representante do 8º Distrito Congressionak de Massachusetts, ao inteirar-se do falecimento do Presidente Chávez, emitiu a seguinte declaração:
“Cerca de dois milhões de pessoas nos Estados Unidos receberam calefação grátis, graças à liderança do presidente Chávez. Nossas orações acompanham a família do presidente Chávez...”

Nunca pensei nesse Pau Comeu em citar Rubens Ricúpero, ministro da Fazenda em 1994, e deposto pelo Presidente Itamar Franco depois de declarar ao vivo para todo o Brasil que “o que é ruim a gente esconde, o que é bom a gente divulga”, foi capaz de dizer o seguinte:

“(...) Não compreender por que milhões de venezuelanos rezam por Chávez é repetir a experiência narrada por Ernesto Sabato sobre a queda de Perón em 1955. O escritor comemorava com amigos intelectuais e profissionais liberais o fim do ditador que envergonhava a Argentina até que, em certo momento, teve de entrar na cozinha. Lá, todos os empregados choravam...”

Estamos realmente divididos para sempre: os poucos ricos contra os muitos pobres.
Não vou perder meu precioso tempo em dizer algumas palavras sobre o reizinho corruptão de Espanha, famoso, não só por suas roubalheiras abissais, mas por ter mandado Hugo se calar, o que foi repercutido pela Grande Imprensa Golpista Nacional e Internacional.
O reizinho corruptón Juan di Bourbon está condenado ao silêncio para sempre, pelos milhões de espanhóis desempregados que não votaram nele, ao contrário dos venezuelanos que tantas vezes elegeram Hugo.
Hugo foi calado pela morte.
O reizinho de mierda, ainda em vida, calado pelo escarro do seu povo.


PAU COMEU E O PAPA

Ainda bem que tem um “E” no meio, senão a oposição iria aproveitar e “debrancar” o autor destas palavras dizendo que disse que a manchete pretendida seria PAU COMEU O PAPA.
Em primeiro lugar o PAPA não faz o tipo do PAU COMEU.... E diz debrancar por razões óbvias... É racista contra brancos do tipo Ku Klux Klan.
Em segundo lugar, o nome Francisco é simpático. E deveria ser Francisco I sim, sem essa frescura de que porque é o primeiro tem que esperar morrer para o próximo ser o Francisco II.
Em terceiro lugar, segundo a capa de um jornal de BH, “(...) o religioso é um forte defensor da justiça social, contrário à legalização do casamento gay, crítico ao governo Kirchner- de quem já recebeu os cumprimentos oficiais – e foi acusado de apoiar o regime militar nos anos 70.”
Em quarto lugar, segundo um teólogo progressista, José Oscar Beozzo “(...) Ele escolheu o nome Francisco pela identificação com os pobres”; segundo outro opinante, Julio Gambina, Doutor em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, “(...) a Igreja lança em cena o símbolo de um chefe nascido no Sul, mas comprometido com o projeto do Norte.”

Pelo visto nas primeiras impressões, poderá passar à História como FRANCISCO I, O CONTRADITÓRIO.

Pau Comeu declara seu espanto com a frase inaugural do atual Papa: “Vocês devem saber que o dever do conclave era dar um bispo para Roma. E parece que os cardeais foram buscá-lo no fim do mundo.”
Um argentino chamar a Argentina de “fim de mundo” é não gostar da Argentina ou não ser argentino... é uma contradiçao total.

E tem mais... já estão dizendo que só tem metade de um pulmão...

Conclave à vista!


ARTEFATOS

Em homenagem ao Dia das Mulheres, dedico às que se comovem com Josefa, avó de José Saramago e presenteada pelo neto com essas belíssimas palavras, nunca antes ditas por nenhum poeta ou prosador...

“Tens noventa anos.

És velha, dolorida.

Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo - e eu acredito.

Não sabes ler.

Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados.

Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água.

Viste nascer o sol todos os dias.

De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal.

Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los.

Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte.

Trave da tua casa, lume da tua lareira - sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

 

Não sabes nada do mundo.

Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião.

Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar.

Com isto viveste e vais vivendo.

És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha.

 

Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma.

Vives.

Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio.

Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?)

 

Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses.

E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre.

O teu riso é como um foguete de cores.

Como tu, não vi rir ninguém.

 

Estou diante de ti, e não entendo.

Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo.

Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo.

Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, umas coisas que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro.

Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos - e continuo a não entender.

Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente.

Por que foi então que te roubaram o mundo?

Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender.

Já não vale a pena.

O mundo continuará sem ti - e sem mim.

Não teremos dito um ao outro o que mais importava.

Não teremos realmente?

Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido.

Fico com esta culpa de que me não acusas - e isso ainda é pior.

Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!".

É isto que eu não entendo - mas a culpa não é tua.

Zé”

 

POLITICANALHAGEM

Enquanto Dilma Roussef é lançada candidata à reeleição, Aécio Neves é lançado candidato à reejeição. Simples diferença de uma letra. De um L de Luís para um J de José...

 

PRÓXIMA EDIÇÃO

Existe coisa mais atrasada do que monarquia?

Um comentário:

  1. Paulinho, depois de descobrir seu blog é que percebei o quanto estou atrasado no entendimento do mundo, infelizmente não posso mais me colocar no lugar da avó de Saramago, preciso enfrentar as verdades e me preparar. Não sei exatamente para o que. Até pouco tempo tinha algumas convicções, mas começo a perceber o quanto eram ingênuas. Do tempo que eu era um católico, ouvi muitas vezes que era preciso separar o joio do trigo, mas atualmente é difícil separar o álcool da gasolina. Preocupa saber que enquanto um alimenta, o outro é veneno, que te mata lentamente sem deixar evidencias. Menos mal saber que a primeira etapa para vencer um vício é reconhecer o quanto está envolvido. A caminhada é longa, porém menor do que ficar andando em círculos. Tenho três perguntas: 1- do ponto de vista do Pau Comeu, o que o Hugo deixou a desejar? 2- é possível acreditar em um Hugo brasileiro ou esse buraco Brasil é sem fundo? 3- o tema monarquia da próxima edição tem alguma relação com um tópico do feiici? Abraço. ps: espero melhorar minha escrita com o passar dos tempos, são anos que tenho dedicado muito aos cálculos e deixado a leitura de lado.

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