segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

EDIÇÃO Nº 24: DJANGO COM "D" MUDO

O autor, antes de parar de fumar...


Cumprindo o prometido, segue esta edição do dia 28 de Janeiro de 2013.
Lembrando que os dias marcados são 07,14,21 e 28 de cada mês.
Bom proveito! Aguardo críticas...



DICA DE BLOG

Pau Comeu provou do blog do Luis Antonio Simas:

                                                                       http://hisbrasileiras.blogspot.com.br/

e achou ducaralho! Olha só esse pedacinho, sobre o Carnaval...

 
“É apenas a impressão, particularíssima, de um folião que continuará adepto da anárquica aventura do bloco do “eu sozinho”; se comoverá com uma marcha-rancho velha de marré-de-si; cantará, depois de alguns chopes, a Jardineira; descerá o malho nos sambas de enredo acelerados, evocando um lalalaiá do velho Silas de Oliveira; e procurará, com a leve desesperança dos pierrôs tristes, algum bloquinho de rua vagabundo, com suas fanfarras desafinadas, ciganas desvalidas, 
colombinas assanhadas e ébrios faraós, onde possa experimentar a pequena morte de três dias; aquela que torna suportável o intervalo entre um carnaval e outro.”



DICA DE FILME

Por solicitação de um amigo, prometi dar minha opinião sobre o filme “Django Livre”, de Quentin Tarantino, aqui no blog.
 
Fico à vontade para opinar sobre um filme que trata do assunto do preconceito racial, pois tenho opinião formada desde muito cedo e não a modifiquei porque a situação básica não mudou, mesmo passados tantos anos.

Não sou, nem pretendo ser crítico de cinema, não tenho capacidade para tal empreitada. Assim, escrevo minhas impressões após ver o filme apenas uma vez, sem ter lido nada antes além do nome do filme e do diretor, escrevo sob a emoção que me causou de cara.

Quanto ao filme em si, achei espetacular em vários sentidos. Impressiona pela fotografia, pela trilha sonora fantástica, pelos desempenhos magistrais dos atores, pela competência da direção, a câmera nada registra em vão, a dosagem alternando humor e tragédia é adequada, não contraria a proposta.

Em relação ao tema, Tarantino consegue colocar o dedo no cú (*) da ferida da cultura norte-americana no que ela tem de mais deplorável, ou seja, cultuar as armas de fogo como forma preferencial de comunicação (que prevalece até hoje), o racismo mais escroto sob a forma de humilhações, a hilariante passagem sobre a Ku Klux Klan (**), a condenação dos negros ao trabalho duro de quebrar pedras nas minerações de então (1858)... a crueldade, enfim.

E ao colocar um negro (crioulo é a palavra mais usada nos diálogos do filme) sendo pago para matar brancos, tendo como companheiro de empreitada um alemão e como heroína uma negra que fala alemão, realmente, foi de arregaçar...

É filme para se ver mais de uma vez, e na tela grande... É o que eu vou fazer.

(*) cú que se preza tem que ter acento e assento... nota da redação.

(**)que não tem graça nem como bloco de carnaval... nota de folião.

 
BOOMERANG 1
>>>>>>>>>>>>>>>João Leite, deputado estadual PSDB-MG:
“Conversando com os amigos e ex-craques Nelinho, Eder e Heleno, concluímos que nunca se fez tanto pelo futebol como Aécio Neves e Antonio Anastasia. Investiram na reforma do Mineirão e do Independência, no trevo de acesso à Cidade do Galo, etc. Prepararam a capital para ser sede da Copa do Mundo.”
<<<<<<<<<<<<<<<Pau Comeu, sem partido:
“Conversando com a História do Futebol Brasileiro, concluímos que nunca se fez tanto pelo futebol como Garrincha, Pelé, Didi, Nilton Santos e Tostão, por exemplo. Foram jogadores campeões do Mundo.
 
E por falar em João Leite, sua Igreja Batista no Luxemburgo está esculhambando o trânsito nas apertadas ruas locais, porque conseguiu, sabe-se lá como, criar um espaço enorme sem dotá-lo de estacionamento suficiente. Resumindo: avacalhou com o sossego dos moradores das proximidades.
Parabéns, João Leite... Deus lhe pague!
 
 
BOOMERANG 2
>>>>>>>>>>>>>> Duke é um político metido a chargista que adora meter o cacete no governo federal, pois no estadual ele não encontra nenhum motivo, ou coragem, para criticar. Seu desenho não acrescenta nada ao que escreve. Sua última façanha (24-01-2013) coloca um cidadão, em frente a um guichê de Tesouraria do Governo Federal, que afirma ao atendente: “Quero sacar 100 milhões!” Eis que o atendente responde com uma pergunta: “Em notas de cem ou em cargos no Governo?”
<<<<<<<<<<<<<<Pau Comeu não acha graça em político metido a chargista cujo desenho não significa nada. Então devolve a frase, sem desenho porque não precisa, com o seguinte conteúdo, colocando-se no lugar do atendente: “Em notas de cem ou em Títulos da Privataria Tucana?”
 
ELOGIANDO ARNALDO JABOR
Conforme anunciado na edição anterior, Pau Comeu esquece por momentos seus cuidados para elogiar Arnaldo Jabor, que trocou por instantes seu histérico histrionismo televisivo globalizado e conseguiu fazer um filme bom, “A Suprema Felicidade”, cujo ponto alto é Marco Nanini dançando...
O grande amor de Jabor é o cinema, mas parece que o autor não é correspondido, o cinema não gosta dele. Então desiste do cinema e embarca na canoa furada da TV Globo, escondido na madrugada, falando para aquela meia dúzia que já vota em quem ele vota, ou seja, não faz diferença nenhuma... E isso ele não tolera, não fazer a diferença... Ele não se conforma com isso... E sofre demais com isso... Daí o sangue nos olhos...
Esse elogio no Pau Comeu só será repetido se o elogiado fizer outro filme bom... Mas parece que isso não ocorrerá.
Li por aí não sei onde que Jabor, então atual articulista do Instituto Millenium, teria reclamado que apenas 250 mil espectadores foram ver o seu filme. Queria atingir milhões...
Se achou pouco, por que não tenta atuar como artista no BBB? Bial iria adorar...
Ou, em último caso, por que não troca de lugar com o Louro José...? Ana Maria iria amar...

ABRINDO O BAÚ

 
Pau Comeu mete o nariz na “coisambiental”.

Família grande com casa na roça, em dias de festas reúne o pessoal em torno da mesa que fica perto do fogão de lenha, é um cenário do livro “Artimanha de Emaranhar”, fracasso literário retumbante do produtor de idéias desse pobre e amulambado blog.

No Capítulo 28, intitulado “Não suja não, sô!”, acontecem os dois textos seguintes... em itálico...

 

(1)
Nos momentos de tempestade cerebral, ou de vômitos criativos, proliferam, nas conversas, fontes de horas de consultorias remuneradas em dólares ou euros, pagas por Ministérios e Empresas. Honestamente, diga-se de passagem, devidas ao elevado nível das ideias revolucionárias que sempre surgem nos colóquios, em assuntos mais diversos, desde a maneira ideal de usar o dedal no processo de alinhavo, passando pelos aconselhamentos psicológicos, ao aproveitamento de fontes renováveis de energia, para não dizer das impressões sobre a lei do impedimento no ludopédio.

Por exemplo, outro dia mesmo estando reunidos na beirada do fogão de lenha, na casa da vovó, com o habitual lenço vermelho no pescoço, naquela cozinha com chão de terra batida, alguém, que não me lembro quem, puxou de um assunto falando de um causo acontecido lá perto da casa da roça onde cresceu, lá pelas bandas de Ouro Preto.Dizia que tinha uma vizinha que era meio descansada e não gostava muito desse tal de serviço de casa, afinal toda dona-de-casa, atriz-do-lar, tá cansada de saber que esse trem de arrumar casa é um enjoamento todo dia, todo dia a mesma coisa, eu não agüento mais, era tempo em que agüento ainda tinha trema, e não é que ela não lavava prato, garfo e colher e faca depois das refeições, colocava tudo em cima de um pano estendido lá no meio da horta e deixava embaixo do sol forte umas horas, e depois que os restos dos alimentos ficavam secos, ela pegava um outro pano, esfregava prato por prato, colher por colher, faca por faca e garfo por garfo, e ficava tudo limpinho e pronto para guardar no etàjer, um armário metido a francês que ficava na copa, antes da cozinha, esperando a janta, e era assim todo dia que tinha sol forte lá fora e antes da chuva que caía de quando em quando e tirava o pano pra não molhar e isso tudo acontecia lá.

Estava inventada a máquina solar de lavar e esterilizar pratos e demais artefatos de cozinha, que pelo que se sabe não foi patenteada por ninguém até hoje, e que certamente representa um avanço decisivo em termos de cuidado ambiental.

Essa coisa de meiambiente, todo mundo suja, mas acha que entende. O sujo que não pode é o do outro, o nosso tem sempre uma desculpa.

Quando o aparelho humano, essa máquina fenomenal, foi projetado pelo Arquiteto-Cientista-de-Cem-Nomes, ficou previsto um meio de eliminaras coisas que não seriam aproveitadas pelo organismo, e aí o primeiro animal dito racional, mesmo condenando os coirmãos irracionais quando faziam essas coisas, produziu o cocô, o primeiro resíduo mais para o pastoso, e o xixi, o primeiro efluente líquido.

Essa coisa da sujeira de um incomodar o outro é mais velha que a bisavó de Matusalém, aquele coroa que, dizem as escrituras, foi o primeiro aposentado. Mas, se antes o espaço era muito grande e os sujões eram poucos, o aparelho reprodutor do macho, acionado pelo cio da fêmea, cuidaram de multiplicar produtores de sujeira, e o espaço continuou o mesmo. O que significa, em linguagem da física clássica, que a densidade merdológica só vem aumentando...

OOO

(2)
Desde 1500, ponto de congruência entre os Séculos XV e XVI, vive-se aqui dos recursos da terra abençoada por Deus e bonita por natureza. Desde que o PVC (Pero Vaz de Caminha), repórter de D. Manuel, correspondente internacional para assuntos coloniais, vaticinou na primeira carta que “a terra é boa, e em se plantando tudo dá”, quando aproveitou o ensejo para pedir um emprego para um parente, tudo isso se dá.

A parte da terra boa para cultivo aninha em seu ventre as sementes que irão frutificar e saciar primeiro a fome dos nativos, para então exportar o excedente... não, não é assim que funciona, vale o inverso, primeiro se exportar eo que sobrar a gente come. A parte da terra ruim para cultivo também pode ser muito boa, às vezes até melhor. Parte dessa parte, se não é capaz de receber sementes, já vem prenha de minérios que são retirados também para exportação. Pois exportar é o que importa...Para gerar divisas que vão pagar os juros e os principais das dívidas contraídas dos empréstimos desde... desde sempre.

O começo oficial da dívida, aquele registrado em papel, surgiu logo depois do sete de setembro, aquele evento às margens do Ipiranga, aquele Corguinho do Virundum. Ao desligar a colônia do Reino, D. Pedro I inaugurava solenemente a conjugação do verbo “empinar um papagaio”, passando a dívida a ser cobrada pela então poderosa Inglaterra, na época conhecida como o Império onde o Sol nunca se punha.

Depois os papagaios ganharam voo próprio, aprenderam a navegar os ventos, chegaram em outros continentes, de modo que há muito tempo o brasileiro já nasce devendo a Deus e Todo Mundo. O que isso tem a ver com o tal meiambiente? Tudo.

Cada vez que se fura um buraco, cada vez mais se desmata mais e assim, depois do pau-brasil, árvore-mito, outras espécies vão caminhando para a extinção... Tem gente que não pode ver uma árvore em pé que pensa logo em derrubar, parece que fica inconformado com aquela coisa estranha, antiga, até ancestral, fora de moda, verde, que vive sujando o caminho jogando folhas no chão, ocupando o espaço do aço, do concreto e do asfalto... Tem gente assim.

 PS: essas coisas foram escritas em 2004,
e de lá pra cá não  se fala mais em dívida externa...  
Será que pagamos tudo? Será que houve calote? 
Será que mudou de forma? Será que mudou de nome?
 

NOTA DE ASSASSINATO
Pau Comeu acha que é assim que deve ser chamado o que aconteceu em Santa Maria, na boate Kiss. Pra começo de conversa, quem solta e deixa soltar fogos em ambientes fechados comete tentativa de assassinato. A tentativa teve sucesso, matando mais de duzentas pessoas. Que os culpados sejam punidos. Todos os culpados.



 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

EDIÇÃO Nº 23: A MUSA DO SARNEY


Foto Oficial do Blog



ESPORTES


Nenhum jogador de futebol é mais digno de um poema do que Garrincha, pois ele próprio foi um poema ao jogar.

Lembrando Garrincha, no 30º aniversário de sua morte, uma homenagem que lhe foi dedicada por Carlos Drummond de Andrade:

                   "Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber  sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho".


E no poema “O Anjo de Pernas Tortas”, de Vinícius de Morais:

                   A um passe de Didi , Garrincha avança

                        Colado o couro aos pés, o olhar atento

                        Dribla um, dribla dois, depois descansa

                        Como a medir o lance do momento.

                        Vem-lhe o pressentimento; ele se lança

                        Mais rápido que o próprio pensamento

                        Dribla mais um, mais dois; a bola trança

                        Feliz, entre seus pés -- um pé-de-vento!


FECHANDO UMA SECÇÃO : MINUS(RIDI)CULARIZANDO

 
Foi uma secção elaborada para:

            -homenagear os desafetos com letras minúsculas

e

            -RECONHECER OS AFETOS COM LETRAS MAIÚSCULAS...

Pensava que, com isso, estabeleceria diferença logo de cara, no visual, sem precisar de maiores esclarecimentos...

Aí surgiu um escritor angolano, valter hugo mãe, que tinha chamado minha atenção em reportagens de jornais com seu nome grafado em minúsculas.

Pensei... Esse cara quer aparecer...

Até que me emprestaram um livro dessa entidade que escrevia em minúscula, mas que era MAIÚSCULA na escrita, intitulado “a máquina de fazer espanhóis”.

Então aconteceu de eu adquirir o entendimento de o porque da minuscularidade... daí a decisão de fechar a secção.

Doravante, lembrando Dora Avante, personagem de  luís fernando veríssimo tia, a secção deixará de existir.  E me deu uma puta vontade de grafar meu nome assim: paulinho pavaneli avó.

 

DICA DE LIVRO

aproveitando a oportunidade, extraí do livro de valter hugo mãe a seguinte passagem, didática e esclarecedora, que fala do amor e da morte, na página 21:


“(...)

            com a morte, também o amor devia acabar. acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir. pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade. e não é compreensível que assim aconteça. com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder.

(...)”


DICA DE BLOG

 
O Pau Comeu saúda o nascimento do co-irmão Papo de Escritório, cujo endereço é:

                                      http://papodeescritorio.blogspot.com.br/

Declaro, sem a devida licença dos autores, muitos dos quais com quem tive o prazer de bater altos papos no escritório, que me considero uma espécie de “padrinho de crisma” do novo blog, ao qual desejo longa vida... e Boa sorte!

 

ABRINDO O BAÚ:     A MUSA DO SARNEY

 

            O livro intitulado “Artimanha de Emaranhar” concorreu ao Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo  Horizonte, no ano de 2008. Foi mais um rotundo fracasso do autor do “Pau    Comeu”.

            Resultou de uma incursão pelas terras de José Sarney e de seu grande amigo e não mais poeta Ferreira Gullar, no ano de 2004, nas poucas horas vagas depois  de exaustivos trabalhos ambientais no Porto da Ponta da Madeira.

            Segue o capítulo 18, intitulado “Uma lagoa chamada Jansen”, no qual algumas             passagens foram extraídas do livro “Ana Jansen, Rainha do Maranhão”,      coletânea de diversos autores, organizada por Jomar Moraes, Ed. Alumar   Cultura, segunda edição, 1999. Dá para perceber a imensa influência desta       mulher no comportamento dos seus conterrâneos até hoje... O texto segue em itálico:

 

Matias com Catarina gerou Pedro que cruzou com Josefa criando Henrique que trepou com Joana Micaela e oriiginou Teodoro que se apaixonou por Maria e daí nasceu Rosa Maria que deu para Vicente e assim veio ao mundo Ana Joaquina. Tantos anos se passaram até aparecer a figura controvertida de Ana Joaquina Jansen Pereira Leite, a famosa e famigerada Ana Jansen, a Donana. O tronco da árvore genealógica fincou raízes na Inglaterra, com Matias e, por artes do destino e das ondas do oceano, foi parar lá no São Luís do Maranhão.

Essa mulher nasceu em 1787 e morreu em 1869, com 82 anos de idade, atingindo, pois, idade bastante avançada para os padrões da época, bem superior à expectativa de vida de uma brasileira nesse ano de 2004, que beira os 73 anos.

Por que viveu tanto assim, Ana Joaquina?

Por acaso, coincidência, nada mais, diriam os apressados ou distraídos. Por ter sido muito rica, responderiam os pragmáticos, mas sabe-se de muito milionário por aí que morreu cedo. Prefiro lançar mão da explicação que aprendi com minha mãe, a Dona Irene, que dizia que vaso ruim não quebra, ou custa a quebrar.

Não se pretende esgotar aqui a saga da enérgica, voluntariosa e riquíssima mulher. Figura histórica e lendária, sua biografia apresenta nuances a favor e contra, conforme o olhar do discípulo e do desafeto. Energia máscula, vontade imperial, herdou fortuna que só fez aumentar.

Intitulada “Rainha do Maranhão”, dominou a política entre 1830 e 1860, criou matriarcado, seu partido político apenas ampliou seu poder. Imprimiu na direção o mandonismo, dava banquete aos correligionários, diziam até que “(...) candidaturas de senadores, deputados e conselheiros municipais, escolhas e demissões de funcionários públicos, remoções e derrubadas de magistrados, tudo se discutia e era assentado nos conciliábulos dirigidos por aquela valorosa matrona”.

Seus opositores diziam que ela “(...) estava transformando São Luís em uma senzala”. E que nunca pôs os pés no chão, pisava sobre as costas dos escravos. Seus seguidores teciam loas à sua capacidade gerencial e política alegando que “(...) ela não fazia nada diferente do que faziam os homens da época”.

Vendia água abastecida por pipas carregadas por muares, todo o serviço feito porcamente por escravos imundos, não havia nada com menos higiene que aquela água bebida pelos maranhenses, até o ano de 1856. Chega então, formado em Paris, um engenheiro maranhense que compreendeu logo a necessidade da canalização da água que São Luís consumia. Levantou capital, depois de um certo tempo inaugurou-se a Companhia, água boa e limpa, dizia o povo... Quando apareceu um gato morto, já em estado de putrefação, boiando nas águas do depósito. Os carros de pipa de Ana Jansen salvaram a situação. Quem mandou matar o gato continuou vendendo água até 1874, quando nasceu a Companhia das Águas de São Luís, sem o dinheiro da poderosa.

A gráfica de um jornal inimigo, “A Revista”, funcionava no primeiro andar de um sobrado na Rua Grande. Donana alugou o andar de cima. Num domingo, os aposentos que ficavam em cima das oficinas tiveram os betumes da tábuas retirados e dezenas de escravos jogaram água pelos buracos, e assim ocorreu o criativo empastelamento do jornal, não pelo fogo mas pela água.

Um desafeto “(...) importou da Inglaterra algumas centenas de urinóis, tendo, no fundo da parte interna, o retrato de Donana Jansen, sentada num andor, carregado por quatro fortes escravos, e os expôs à venda no seu armazém”. Vendeu tudo. Ela comprou todos os exemplares por intermédio de terceiros. Não se sabe se fez uso.

Mulheres fortes e poderosas houve lá e houve cá. Joaquina do Pompéu é o mais célebre exemplo mineiro, deixando uma herança de assassinatos violentos que perdura até os dias atuais. Lá no Maranhão, Ana Jansen reinou absoluta, tão absoluta que até hoje seus efeitos são sentidos.

Algum governante poderoso deu seu nome à lagoa mais imponente de São Luís. Cumpre o papel de servir como área de lazer. Cocôs e xixis não perdoam, ameaçam a especulação imobiliária em sua volta, seu cheiro vai acabar espantando os moradores. A lagoa Jansen fede... muito.

Não cabe julgar quanto foi virtuosa ou pecadora, mas não dá para esconder que, depois de morta e enterrada, tantos anos depois, sua contribuição aromática ao meio ambiente é tristemente célebre.

Depois de morta, a Jansen ainda peida.

Deve ser praga do gato.

 


FISCALIZANDO AS NATUREZAS

Segundo estatísticas aparentemente confiáveis, a taxa brasileira de suicídios, que mede o número de mortes a cada 100 mil habitantes, é considerada baixa se comparada a outros países. Se aqui esse índice é de 4,5, há países em que chega a passar de 30.
No Brasil, entre as mulheres, a taxa oficial é de 1,9. Já entre os homens é de 7,1. Com relação à faixa etária, o grupo que apresenta as taxas mais altas são os idosos. Para os que têm 75 anos ou mais, o índice passa dos 15.
Segundo a pesquisadora Cecília Minayo, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), as taxas elevadas entre os mais velhos ocorrem no mundo todo. Há vários fatores associados ao evento, dos quais destaca: perda de parentes referenciais, sobretudo do cônjuge, solidão, existência de enfermidades degenerativas e dolorosas, sensação de estar dando muito trabalho à família e ser um peso morto, abandono e outros.
O leitor deve estar achando estranho esse assunto aqui no Pau Comeu, mas justifica-se. A morte do ator Walmor Chagas desencadeou uma série de manifestações sobre natureza do fato suicídio. Dentre elas, as mais desprovidas de sentido, geralmente ligadas a razões religiosas, dizem respeito ao fato de o suicídio ser considerado um ato de covardia. Nesse espaço, não. Nesse espaço, o suicídio é visto como um ato doloroso, mas de livre arbítrio.

Covardia é militares sanguinários assassinarem pessoas, querendo impor versões de que as pessoas vitimadas cometeram suicídio, vide Vladimir Herzog e tentos outros. Isso é covardia.

 

BOOMERANG:

 
            >>>>>  Ali Kamel (?), o Globoçal (!), escreveu (?) um livro (?) negando o racismo                                   no Brasil...

            <<<<<  Darcy  Ribeiro ensina:

"Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda.
Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e nos punhos, era arrematado. Outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito                                                horas por dia todos os dias do ano. No domingo,podia cultivar uma rocinha, devorar faminto a parca e porca ração de bicho com que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte, até à exaustão.”

                                                           (E ainda tem gente que não aprende...

Paulinho Pavaneli)

 

ARTEFATOS

 
Mais um não-samba do autor, Perdidos na noite” segue a linha de samba-canção ou bolero, quem define o que é o quê?

Olha nublado a garrafa

bate papo com a bebida

garrafa cheia...vazia...

conversa fiada, vadia,

luz fria, sangue quente,

vida errante, boemia.

 

Olha nublado a garrafa

nem a bebida responde

não entende o que pensa

aquela cabeça confusa

perdida na luz difusa

de vida sem recompensa.

 

Vida, estrada de curvas

de mulheres vadias

nas calçadas das ruas

nem vestidas nem nuas

mulheres que viu em sonhos

loucos sonhos estranhos.

 

A  PRÓXIMA EDIÇÃO
Vai ser quase uma edição extra!
Pau Comeu enlouqueceu: fará um elogio histórico ao histérico Arnaldo Jabor!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

EDIÇÃO Nº 22: CÂNCER AINDA NÂO MATOU CHAVEZ


 O título completo da Edição nº 22 é o seguinte: CÂNCER AINDA NÃO MATOU CHAVEZ, LULA E DILMA... QUE INCOMPETENTE ESSE CÂNCER!

POLITICANALHAGEM

 
O Brasil é um país sul-americano, bonito por natureza, que em fevereiro tem Carnaval, segundo o poeta precursor do samba-afro e do hip-hop, meu querido colega de bairro Rio Comprido e adjacências, Jorge Ben, que depois virou Benjor, por artes que vem do além... Mais precisamente do excelente guitarrista George Benson em meio a atlânticas confusões e desvios de direitos autorais... é o que dizem.

O problema do Brasil sempre foi a tal da Democracia, que, por definição, parece que só no dicionário, “é o governo do povo, pelo povo e para o povo”.

Toda vez que acontece de essa máxima ameaçar se concretizar, dizem que a Democracia se encontra em perigo. Assim, os “constitucionalistas paulistas”, em 1932, depois de se lambuzarem com as benesses da República do Café, juntos com os não menos calhordas mineiros, da República do Leite, acharam de bom tom barrarem a Revolução de 1930, que ao contrário do Golpe de 1964, foi Revolução sim. Os mineiros tiraram a escada e deixaram os paulistas com a broxa na mão...

E os Golpes sucederam-se. Enfadonhamente, digo eu, titular do Pau Comeu. O primeiro foi de Vargas, que foi polêmico o suficiente para até hoje dar pano pra mangas de diversas cores e sabores dos historiadores...

Depois apareceu o Pai dos Golpes, o grande amado das mal-amadas de então, Carlos Lacerda, por volta daqueles anos cinqüentas (com trema, revisão), que simplesmente declarou, em 1º de junho de 1950, no jornal Tribuna da Imprensa:

 "O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à                        Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse.
Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar."
                       

Sen-sa-cio-nal, não?
Que clareza, que objetividade, que democrata!

E Golpes e tentativas sucederam-se, Jango, JK, até veio 1964, Lacerda à frente de suas mal-amadas marchadeiras, bundas vagas da elite de então, com terços nas mãos contra o comunismo e a corrupção... para elas Lacerda era o maior tesão!

Simplificando, pra não perder muito tempo com esses canalhas, citamos palavras de Eliane Catanhêde, do jornal Folha de São Paulo, Musa da Massa Cheirosa do PSDB e Miss Febre Amarela, num belo dia de outubro de 2012:
"Não é com a democracia que vamos abater o Lula"


Sen-sa-cio-nal de novo, não?
Que clareza, que objetividade, que democrata!

 
Entre os Golpistas de plantão, ninguém supera o pessoal da chamada Grande Imprensa, das quatro famiglias irmãs: Folha de São Paulo, Globo, Estadão e Abril da Veja ou Veja da Abril...

Lembro que, naqueles idos dos (50-60-70)as, dizia-se que não se fazia um bom jornal de direita sem jornalistas de esquerda... sim, era verdade... pois não havia vida inteligente na direita que soubesse escrever, raríssimas eram as exceções...  E os patrões da direita, para venderem seus jornais, abriam seus espaços para os operários intelectuais de esquerda ganharem seus salários... e melhorar a qualidade dos seus produtos.

Tempos depois, não há mais jornalistas de esquerda (com raríssimas exceções...) em jornais da direita, assim como não há jornais na esquerda a não ser nos túneis internéticos onde ainda vicejam alguns blogueiros... ditos sujos pela imprensa da direita dominante...

Na chamada Grande Imprensa, expoentes exponenciais expõem suas hidrofobias nazi-fascistas, tais como Merval Pereira, o filósofo imortal, e Arnaldo Jabor, o cineasta pornochic de outrora...

Quem sabe da vida do Jabor é o Nelson Rodrigues, o maior reacionário da imprensa daqueles tempos imemoriais:

“(...) Arnaldo Jabor crescerá de maneira fantástica quando brigar com todas as suas atuais amizades. O Jabor só não é muito maior porque não é reacionário, mas, um dia, ele o será, e nós assistiremos à explosão de seu gênio. Nunca vi ninguém com mais vocação para aristocrata do que o Jabor.”

São palavras de Nelson Rodrigues no livro “Nelson Rodrigues por ele mesmo”, organizado por Sonia Rodrigues, sua filha.

Sábias e proféticas palavras... Tempos se passaram e, cansado de seus fracassos cinematográficos, Jabor cumpre com galhardia a profecia rodrigueana.

 

ARTEFATOS

 

O bolero “Marcas de amor”, de autoria do locutor que vos fala, canta um amor chegando ao fim:

 

Quando o nosso amor entra em conflito,
sempre que o silêncio cala a voz do coração,
sua boca marca minha pele
se o instinto cheira  traição...

 Nos raros momentos de amor inteiro
suas unhas rasgam traços no meu corpo,
me reclamam pleno e verdadeiro,
e seus olhos molham de paixão...

 De primeiro avisa, marca o braço e o peito;
se minha camisa esconde o efeito
o seu coração não fica satisfeito,
morde meu pescoço e desse jeito diz...

 Que está perto de mim,
só e infeliz,
e sem dizer me diz
que ainda está
a fim de mim...



ESPORTES

 
Para a torcida do time mais odiado do Brasil, da qual faço parte, dedico os votos de que permaneça na primeira divisão quando findar o campeonato brasileiro de 2013 e que consiga, quem sabe, um terceiro lugar no campeonato carioca. Explico: pela primeira vez uma diretoria parece que tem a cabeça no lugar e sabe que, sem dinheiro e sem seriedade, não dá para governar uma nação como a rubro-negra.

 

 

FISCALIZANDO AS NATUREZAS


Depois de me informar sobre a “quase-quebra” de Eike Batista e a indigente declaração de bens de Aécio Neves, Pau Comeu só pode condenar a Rede Globo por não instituir os Programas “Ei! Que Esperança!” e “Uma Vaquinha Para O Mineirinho Pobrezinho!”. Colaboramos com R$ 7,00 para cada um.

 

ABRINDO O BAÚ:

 

Histórias de dois personagens do boteco “Guloseimas”, ex- “Lambe-Lambe”, situado na Avenida Prudente de Morais, 666. Tema do livro, lançado em 2004, já esgotado, intitulado “O Corredor da Morte: Jesus está chamando! – Crônicas de um bar familiar”.

1) Guillermo, o chileno mineiro.

Descobriu o bar quando se mudou para o bairro, em 1987, levando a filha para tomar um sorvete ainda no Lambe-Lambe e parava na banca do Zé para comprar o jornal. Gostou e ficou. Chegou ao Brasil em 1980, depois de uma série atribulada de viagens, fugindo do golpe que, em 1973, dizimou o governo eleito de Salvador Allende.

Politicamente se situava no centro do espectro político, cultivava amizades à esquerda e à direita, deixou a terra natal à procura de oportunidade profissional. Perdeu um irmão, Jaime, assassinado pela polícia política de Pinochet, e cujo corpo nunca foi encontrado. A família se espalhou pelo mundo. Perambulou pela Argentina, passando por Mendoza e Córdoba, Uruguai, chegou até na Costa Rica, voltou a Santiago, foi parar em Foz do Iguaçu, daí para São Paulo procurando um amigo que tinha vindo para o Brasil. Não achando, foi para Brasília, onde finalmente o encontrou já estabelecido em seus negócios.

Guillermo atesta que, apesar da Operação Condor estender seus braços por toda a América do Sul, as maiores dificuldades que encontrou foi no Uruguai, que não admitia chilenos em trânsito. A repressão forte na Argentina também o fez acreditar que seu destino final seria o Brasil, onde, afirma, nunca sofreu nenhum tipo de constrangimento.

Depois de uma estadia no Rio de Janeiro descobriu Belo Horizonte, que adotou como sua terra e onde encontrou o sossego que procurava. Um casal de filhos no primeiro casamento, ainda no Chile, casou-se pela segunda vez com uma mineira, Magali, com quem teve aquela menina que levou para tomar o sorvete.

Vendedor, jeitoso, conversa tranqüila e fácil, voz mansa sem elevar o tom, Guillermo já era mineiro antes de se amineirar. Gosta de vinho, mas no bar saboreia mesmo é uma boa cerveja. Que chega na sua mesa, aos sábados e domingos, sempre em mesa do lado de fora, num recipiente diferente dos demais, exclusivo, de um vermelho exuberante, formas curvilíneas de mulher farta em seios e nádegas, apelidada carinhosamente de Tchutchuca, chamando a atenção de todos os demais fregueses, condenados ao isopor tradicional e sem maiores encantos. Os transeuntes da movimentada Avenida Prudente de Morais também reparam no porta-garrafa, que faz o maior sucesso entre os adolescentes, aquela espécie que, nas ruas, só anda em bandos.

Nos primeiros tempos de trabalho no Brasil viajava durante a noite para dormir no ônibus e economizar hotel. Com isso, pôde estender sua clientela por quase toda Minas Gerais. Não fosse o sotaque, passaria por mais um mineiro do interior, daqueles que gostam de uma boa prosa, que se dá amistosamente com todos, enfim integrado à paisagem, uma árvore a mais na floresta de um boteco em Belo Horizonte. Árvore chilena transplantada com sucesso em solo mineiro, já dizia Caminha, a terra é boa...

Em tempo: sua cordialidade e talento político, forjados na busca da sobrevivência em ambiente à primeira vista estranho, o fez optar por torcer pelo América Mineiro. Que não sabia que sua torcida fosse continental. Vai ter que comprar outra Kombi, não é, Luís Cláudio?


2) Luís Cláudio, o coelho exemplar.

O simpático segundo time de todos os mineiros, o América de Belo Horizonte, é uma contradição em termos. Seu mascote é o coelho, número dez no jogo do bicho, dezenas 37-38-39-40.

Por definição, o coelho é um animal mamífero, logomorfo, leporídeo, natural da Europa, que introduzido em outros continentes tornou-se praga importante. Principalmente na Austrália e na Nova Zelândia. Daí, quem sabe, a fama de prolífero, fecundo, com a faculdade de gerar filhotes.

Não se sabe como foi que chegou ao Brasil. Deve ter sido contrabando. Na longa viagem, no meio do caminho, deve ter perdido sua capacidade, chegando em plagas tupiniquins já um tanto combalido, sem a energia necessária para cumprir seu destino de crescer e multiplicar. Dizem que seus exemplares em Minas Gerais cabem numa Kombi. Quem duvidar vá lá, no Estádio Independência. E acompanhe os jogos da segunda divisão, de onde já saiu, mas sentiu saudades e voltou, no ano seguinte. Será que um dia volta para a Primeirona?

O caso é tão sério, e a torcida tão pequena, estimada atualmente em 2.111 indivíduos, que dizem as más línguas que os jogadores é que conhecem a escalação da torcida, espécie em extinção, representada no boteco pelo seu mais destacado componente, o Luís Cláudio. Não por acaso, precocemente, seus cabelos são brancos como a neve.

Torcedor do América Mineiro não pode ser fanático. Essa característica não combina com o nível de educação da torcida, que já foi grande, em meados do século passado, quando chegou a ser decacampeão (dez anos seguidos). Mas faz muito tempo, as testemunhas de tal feito foram desaparecendo, desaparecendo... Pessoas bem formadas, geralmente de famílias tradicionais, a espécie americana mineira sofreu a síndrome da metamorfose, ou da traição pragmática, gerando seres estranhos à forma original, predominando o nascimento de galos e raposas.

O Luís só toma uísque, talvez o último resquício de uma época fausta em que seus pares ocupavam posições de maior destaque no governo mineiro. E o faz com estilo, com muito gelo e o copo protegido por um guardanapo de papel. Tranqüilo, não se envolve em polêmicas nem eleva a voz. Bem humorado, parece conformado com a posição atual do time. Ou se sofre com isso, esconde muito bem.

Tem gente que acredita em Estatística e acha que é uma Ciência isenta de manipulação política, conforme interesses confessáveis e inconfessáveis. É uma ciência “matemágica”, alvo da única frase inteligente proferida pelo eterno embaixador americano no Brasil, Mister Bob Fields, num dia de evidente descuido: “ a Estatística é como o biquini, mostra tudo menos o essencial”.

A duvidosa “ciência” entrou na história do boteco quando Luís, logo ele, testemunho arqueológico da espécie mineiro-americana, e pela lei das probabilidades a salvo, foi a única vítima do único assalto que o boteco vivenciou em sua longa história, três tiros que quase extingüiram o único exemplar da torcida preto-e-verde, a cor do pavilhão.

Deus é justo e verdadeiro. O Luís sobreviveu ao ignóbil atentado.

Pode ocupar qualquer lugar no boteco, mas está proibido de sentar-se naquela cadeira, a tal, a última do Corredor da Morte. Cujo significado será esclarecido em uma futura, mas não tão próxima edição.