quinta-feira, 21 de março de 2013

EDIÇÃO Nº 31: A COPA DO MARADUNGA



POMBO CORREIO

Por motivo de agenda cheia de atividades extra-blog, a presente edição não irá comentar assuntos recentes, só compartilhando...

...A PIADA DO SÉCULO

Após a escolha do Papa Francisco I, manchete-bomba de um jornal provocador:

FINALMENTE

UM ARGENTINO

INFERIOR A DEUS!

 

ABRINDO BAÚ

Pau Comeu resgata, da última Copa do Mundo, um personagem híbrido argentino-brasileiro...

 
Maradunga é o nome da Copa – Volume 1

Mãe é mãe, o resto é pai.
As mães, por princípio, os acolhem na barriga, engordam, deformam-se e, num belo dia, cospem fora os filhos, que escorregam através dos canais competentes.

O peito é dado com prazer pra quem tem muito leite, ou com dor pra quem pouco tem. É o que dizem as mães, nunca fui mãe, não posso confirmar, mas acredito.

Mães dão educação exemplar aos filhos, com algumas ressalvas que servem para confirmar as regras e causar danos irreparáveis até para os psicanalistas, seres que enganam, cobram caro e quase nunca resolvem, mesmo porque quase sempre não entendem suas próprias vidas.
Assim como não gosto que falem mal da minha mãe, Deus a tenha em bom lugar, não vou falar mal da mãe de ninguém. Mas...

Acredito piamente que a mãe do Dunga e a mãe do Maradona foram perfeitas como mães. Como conheço razoavelmente a língua pela qual tento me expressar, não usarei, no fim da frase anterior, a forma “foram perfeitas enquanto mães”, pois isso seria, além de um grave erro de escritura, um absurdo, porque mãe é para sempre, mesmo depois que morre.
O problema das mães são os filhos, que tão logo largam os peitos acham que podem fazer qualquer coisa que lhes venham às respectivas cabeças.

Assim, a mãe do Dunga foi exemplar, além de mãe foi professora de história e geografia, menos de português, e ensinou-lhe tudo que sabia de bom e de bem. O problema é que a mãe dá educação, acha que a educação que deu foi o bastante para que o filho se desenvolvesse, mas...
A mãe esquece que não pode acompanhar, porque lhe foge à alçada, se a educação entrou no filho. Geralmente, não entra. Isto vale para as mães da Europa e para as mães do Mercosul. Não entrou na cabeça do Dunga, não entrou na do Maradona. No Dunga, porque fala palavrão, coisa feia que a mãe nunca lhe ensinou, por supuesto. No Maradona, porque usou drogas além daquelas da farmácia que o curou de suas febres terçãs, por causa das más companhias não orientadas.

As mães ficaram para trás, sina de todas as mães.
Os filhos amados cresceram, foram ser jogadores de futebol, foram campeões.

O Dunga veio ao mundo para ser um jogador medíocre. E foi campeão.
O Maradona veio ao mundo para ser um jogador espetacular. E foi campeão.

Ambos venceram.
Suas mães devem estar, onde, não sei, orgulhosas.

Mas... Como todas as mães... Não têm nada a ver com o que veio depois... Ou têm?
Ainda bem que sus hijos não foram juízes... Já pensaram nisso?

Mesmo não sendo juízes, seus frutos foram xingados, um mais, outro menos.
Não me importa o resultado final da Copa do Mundo de 2010. Os grandes personagens não foram os jogadores, como de hábito, foram os denominados treinadores. Dentre eles Dunga e Maradona, os filhos das mães.

Dunga porque acha que, por ter sido campeão apesar do seu futebolzinho de quinta categoria, sabe das coisas do futebol. Seu temperamento de milico lembra demais o Sargento Tainha.
Maradona porque acha que, por ter sido campeão através do seu futebol de primeira categoria, sabe das coisas do futebol. Seu temperamento de rebelde lembra demais o Recruta Zero.

Se as atuais gerações não conhecem Tainha e Zero, que, do alto de suas pretensões intelectuais, entrem na internet e procurem saber quem são tais personagens. E depois recorram às fontes originais e leiam. Sim, porque as atuais gerações ainda vão descobrir que a fonte de saber, além das ruas, está nos livros, nem que seja em revistas de quadrinhos também.
Os dois fracassaram em seus objetivos como treinadores. Não foram campeões.

As diferenças de educação, porém, se insinuaram e se manifestaram.
Enquanto Dunga diz que não sabe se foram boas ou ruins a ditadura e a tortura porque não viveu nenhuma, Maradona é solidário às mães e avós da Plaza de Mayo.

Enquanto Dunga, na derrota derradeira, ao ouvir o apito final foi embora pro vestiário, Maradona ficou no campo e recebeu seus pupilos com abraços e os consolou, embora ele mesmo se mostrasse inconsolável.
Enquanto Dunga foi despedido humilhantemente, Maradona foi recebido com aplausos pelo povo argentino.

Cabe dizer que dizem que Dunga foi aplaudido em Porto Alegre. Se foi mesmo, foi por ser gaúcho. Se desembarcasse em Belo Horizonte, Rio de Janeiro ou São Paulo, sei não.
Parece que Maradona deixou as drogas. Parece que Dunga aprimorou os palavrões.

Mas... Falta um terceiro filho da mãe nesse projeto de crônica. O treinador da Alemanha que, nesse momento, antes do jogo contra a Espanha, ainda pode ser campeão. Que coisa mais feia tirar meleca do nariz, que coisa horrível fazer bolinha com a meleca, que coisa pavorosa comer meleca... Sua mãe certamente ficou desapontada.
Belo Horizonte, terça-feira, 06 de julho de 2010.

Maradunga é o nome da Copa – Volume 2

Craque é craque, o resto é perna-de-pau.
Exagerei de cara. Além de poucos craques, poucas centenas de bons jogadores, alguns milhares de jogadores razoáveis e milhões de pernas-de-pau, entre chineses e não-chineses.

O craque, antigamente, era aquele cara que fazia coisa diferente dos outros. Fazia quase sempre, não era só de vez em quando, não.
Atualmente, qualquer um que faz gol de canela é proclamado craque pela imprensa cabeça-oca.

Aí fica difícil falar dos pais que tentam descrever aos filhos o que fazia Garrincha, eles não acreditam e chamam seus pais de loucos varridos, malucos, que viam coisas em sonhos, que contavam histórias da carochinha para fazer os filhos dormirem o sono em paz, sem temores do escuro e do tal do bicho-papão, que pode ser aquele zagueiro botinudo ou aquele famigerado “volante-de-contenção”.
Então, o que fazer?

Continuar dizendo verdades, que Garrincha era uma doce ilusão, ou mentir aos filhos, dizendo que sim, somos pais loucos varridos, que aquilo era apenas sonho de uma tarde de verão.

Tal dilema prova que os pais, esses velhos, são loucos também.
Procurar psicanalistas, que não viram Garrincha jogar, não resolveria o problema, pois eles iriam confirmar as impressões dos filhos, e quem sabe receitarem camisa-de-força para os delirantes. Pior que um psicanalista jovem é um psicanalista velho. O primeiro porque aprendeu e não viveu, o segundo porque viveu e não aprendeu. Corro, conscientemente, o risco da generalização, há menos psicanalistas competentes do que craques de futebol.

Então, fazer o que?
Simplesmente morrer abraçado no sonho. E deixar pra lá a cruel realidade de quem não sonhou.

Pra quem foi mal acostumado a ver alguns verdadeiros craques, fica difícil aturar essas invenções proclamadas pelos jornais e televisões, geralmente por pessoas que ganham os tubos para dizerem baboseiras aos nossos filhos e desfilarem sua, digamos, prepotência e ignorância do verbo ignorar.
Tive a oportunidade de ver Garrincha jogar e, como flamenguista, sentir na pele e nos ossos o verdadeiro estrago que sepultava, a cada jogo, minhas ilusões de ver meu time campeão. Era doloroso, mas, como apreciador das belezas e artimanhas do futebol, era obrigado, pela realidade, a admirar o que aquele doce demônio fazia com a bola, escrava que não largava dos seus pés.

O futebol mudou, sim, é o que todos podemos perceber. Já estou cansado de ouvir os donos da verdade dizerem que Garrincha não seria o mesmo se jogasse hoje. Sou obrigado a concordar. E arrisco uma projeção sobre o que aconteceria com ele, se tal coisa fosse possível.
Garrincha não pedalava, driblava.

No primeiro drible levaria uma porrada que o jogaria pela lateral. Cartão amarelo? Não! Jogada normal do futebol moderno.
No segundo drible levaria, dentro da área, outra porrada. Penalti? Não! Seria advertido com cartão amarelo, por simulação.

Na terceira jogada, após driblar oito adversários, e levar porradas, voltaria com a bola para o meio do campo e driblaria mais oito adversários, levaria mais algumas porradas e não faria o gol, pois ficaria com pena do goleiro, sendo expulso, cartão vermelho, por ter debochado do adversário.
Sangrando, de maca, não aquela de carrinho, mas de quatro braços carregando, o exame médico constataria que suas pernas tortas enfim se endireitaram, operado que foi pelos marcadores adversários. E, com isso, Garrincha virou um jogador normal, como tantos outros, perdeu seu encanto, bebeu cachaça e morreu.

E os demais craques? Só tinha Garrincha?
Para o meu rigoroso paladar, quase.

Tinha o Pelé, também. Para vê-lo, gastei minha mesada, chupei o dedo o resto do mês, resultado Santos 7 x 1 Flamengo.
Tinha, só no meu time, desde menino, Dida, Dequinha e o Doutor Rúbis.

Adolescente, Espanhol (que depois virou Ufarte na Europa) e Carlos Alberto, também ponta-direita, cuja breve carreira um troglodita tratou de encerrar, quebrando-lhe a perna.
Ambos foram discípulos de Garrincha, mantidas as abissais diferenças e proporções.

Já maduro, a geração liderada por Zico, tinha Leandro, Adílio e Júnior.
Hoje, ninguém. No meu time, ninguém.

Meu time virou um deserto povoado por fantasmas que não merecem vestir aquela camisa conhecida antigamente como manto sagrado.
Tostão, Gerson e mais uma dúzia mereceram ser chamados de craques.

Em tempo: segundo Mestre Aurélio, craque é o jogador de futebol famoso por sua grande destreza.
Maradona foi craque, Dunga não.

Belo Horizonte, sexta-feira, 09 de julho de 2010.

 
Maradunga é o nome da Copa – Volume 3

Mãe é mãe, o resto é pai.
Craque é craque, o resto é perna-de-pau.

A Copa sul-africana acabou.
O protagonista da Copa foi Paul, o polvo alemão com nome inglês.

Humilhou a maioria dos comentaristas palpiteiros, deixando de lado as estatísticas, os sistemas táticos, ignorando os erros de arbitragens (ou contando com eles), indo direto aos “finalmentes” e apontando os vencedores, não errando um sequer. Indicou a Espanha, inventaram um passarinho asiático que indicou a Holanda, quem é um simples passarinho asiático comparado com um polvo alemão?
A Copa vem para o Brasil e vai surgir o periquitinho verde, tira a sorte, no realejo, por favor...

Confirmando nossas estatísticas, não menos falsas que as oficiais, alguns bons jogadores, na média um tanto de jogadores razoáveis e um monte de pernas-de-pau. E alguns candidatos a “serial killer”, distribuindo botinadas e tentativas recorrentes de assassinatos, dignos sucessores daqueles que operaram Garrincha, conforme descrito no Volume 2.
E um único craque: Nelson Mandela. Aos 92 anos, continua batendo um bolão. Ídolo de todas as nacionalidades. Sem ele não haveria Copa na África do Sul. E não haveria África do Sul.

As “vuvuzelas” vão dormir.
Em seu lugar, aqui, Hermeto Paschoal ou algum discípulo irá criar uma alternativa para música ambiental nos estádios e nas ruas. Que bom. Menos barulho, mais harmonia. De preferência. Com instrumentos inusitados, baldes, buzinas, todos em perfeita afinação, com muitas saudades do Paulo Moura que só esperou a Copa acabar para morrer.

Já tem gente dando palpite sobre quem será a sucessora da “jabulani”.
Sugiro “bola”.

Quem sabe, assim, os jogadores brasileiros a reconheçam como tal e não maltratem a pelota, o esférico, o balão, a chulipa, tratando-a com a intimidade que merece.
Que até lá o Uruguai encontre um goleiro, deixando no ostracismo aquele caçador de borboletas. Que até lá a Argentina encontre uma defesa e o Maradona, se continuar, que faça um cursinho de técnico de futebol. Que até lá o Paraguai mantenha a garra e melhore um pouco mais. Que até lá o Chile encontre um time capaz de competir.

Que até lá o Brasil forme um time.
Que encontre um treinador, esquecendo no limbo o Sargento Tainha e seu fiel colaborador, o evangélico Jorginho.

Mais ainda, que o Jorginho funde sua própria igreja e deixe o futebol em paz para os não-fundamentalistas. Tenho a certeza de que, mais ridículo que o Dunga, foi seu mentor espiritual. Como é que o Jorginho agüentou tanto palavrão no ouvido? Ou então, na sua religião, pode falar palavrão? E do Dunga ele chamou a atenção?
Ricardo Teixeira não morrerá até lá. Poderá faturar com os estádios reformados e/ou construídos, com as propagandas, mas não será eleito presidente da FIFA. Palavra do periquitinho verde. Morrerá mais rico ainda, depois de 2014, mas frustrado por não imitar o ex-sogro, que também não gostava de futebol.

Continuaremos sendo obrigados a assistir seleções que seriam rebaixadas se atuassem no Campeonato Brasileiro. 32 seleções é muito, é demais para quem gosta do verdadeiro futebol. Mas a FIFA precisa ganhar dinheiro, a CBF também.
E desejo boa sorte aos aquinhoados que terão dinheiro para comprar ingressos para os jogos, que serão caros, muito caros.

O Dunga será comentarista da Rede Globo, tendo licença para falar seus palavrões preferidos, e correrá atrás de exclusividade para as entrevistas.
O futuro treinador?

Não sei...
Qualquer um, menos o Dunga, menos Parreira que já deu cacho, podre, mas deu, vitória em 1994 com gosto de doce de sabão.

E sem Paul.
O polvo alemão, convidado a vir ao Brasil, entrou num boteco, só tinha duas mesas ocupadas. Uma com o Dunga, a outra com o Maradona. Ambos afogando suas tristezas...

Paul estava doido pra tomar uma cervejinha.
Como veio ao mundo pra escolher entre duas alternativas, optou, é claro, pelo argentino.

Já pensou você, caro leitor, sentar numa mesa de bar e ser obrigado a tomar uma cervejinha com o Dunga?
Espero que nunca experimente tal programa...

Belo Horizonte, terça-feira, 13 de julho de 2010.

PS: Como todo escrito datado, o leitor tem a liberdade de escolher entre voltar no tempo e criticar ou descobrir os palpites que falharam e criticar.
À vontade, viva a democracia!
Belo Horizonte, 21 de março de 2013.

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