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O Autor, pensando em como é bom contar com amigos que aceitam colaborar com esse pobre blog sujinho, melhorando o nível sem cobrar nenhum tostão.
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07-11-2013
POMBO CORREIO
Esta edição não poderia começar sem a secção de cartas dos
leitores, afinal de contas recebemos (o autor e o Pau, longe de nós o plural
majestático) a seguinte mensagem, que não será identificada para que não sejam
alimentadas fofocas biográficas sem prévia autorização:
“Paulinho, como sempre, seu PAU está ótimo. Gostei! Bjs.”
Na edição anterior, contamos com a colaboração da professora
Vera Lígia Westin.
Na presente edição, nº 54-B, contamos com a estreia do “repórter
policial” Lucas Tofolo Macedo, o popular LTM.
Na próxima edição, de nº 55, apresentaremos uma crônica de
Sebastião Cardoso, o já consagrado escritor Tiãozito, intitulada “AIDS MIM”.
CARDÁPIO
- DEU NO JORNAU DO PAU
- DICA DE FILME
- DICA DE BLOG
- PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE
CÃES
- CRUZ NA ESTRADA
DEU NO JORNAU DO PAU
Ahhh...bom!
As notícias do dia anterior no
jornal eram tenebrosas, embora isso já fosse normal na vida da cidade:
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JORNAU DO PAU
-UM JORNAU NACIONAU EVENTUAU-
-- SECÇÃO POLICIAU --
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Dia 07-11-2013
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REDATOR-CHEFE:
Lucas Tofolo Macedo (LTM)
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No centro, após assaltarem uma
casa lotérica, três ladrões foram perseguidos por policiais e, para se
livrarem da perseguição, entraram num ônibus. O ônibus foi cercado pela
Polícia e, para fugirem do cerco policial, se jogaram pela janela de trás do
veículo, deixando de presente uma granada engatilhada que estourou logo em
seguida, matando quatro passageiros e ferindo outros dezessete.
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Mataram o marido de uma
policial, colocaram a cabeça numa mochila sem a língua e os olhos, e
entregaram a mochila no portão da casa da família.
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Três adolescentes da Rocinha
(um casal de namorados, ela já grávida, e um amigo) foram ao Morro do Banco,
no Itanhangá, tomar banho de cachoeira. Quando voltavam, foram abordados por
traficantes locais que, ao saberem que o grupo era da Rocinha, onde atua uma
facção rival, entenderam que se tratava de X-9 e trataram de fazer logo o
serviço: estupraram a moça, quebraram os braços dos rapazes e deixaram o
grupo amarrado no meio do mato.
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Patrocínio
RHUM CREOSOTADO
Veja ilustre passageiro o belo tipo
faceiro que o senhor tem ao seu lado...
E, no entanto, acredite, quase morreu
de bronquite...
Salvou-o o RHUM CREOSOTADO!
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Como já estava acostumado com
essas desgraças, fechou o jornal um tanto indiferente, embora não conseguisse
parar de imaginar o sofrimento das vítimas em cada um dos casos.
Sentia-se muito assustado com o
alto grau de maldade que imperava na bandidagem. Aquilo não era coisa de seres
humanos, mas de monstros, pessoas absolutamente irrecuperáveis.
Resignado, sentou-se e
preparou-se para checar seus e-mails no computador, quando ouviu os gritos
vindos da rua.
Valdeir Souza Cruz tinha uma voz
um tanto esganiçada. Era fácil reconhecê-lo pela voz quando ele passava na sua
bicicleta cumprimentando as pessoas em alto e bom tom, quebrando o silêncio do
lugar. Ia entregar as marmitas do almoço ao pessoal de obra que trabalhava nas
muitas reformas de casas daquele condomínio de luxo, na Barra da Tijuca. “Muito
bom dia, Senhor! Tenha um excelente dia!”, era sua marca de sociabilidade, além
é claro do manto rubro-negro que, este sim, parecia ser mesmo a sua pele, pois
nunca vestia outra.
“Eles bateram demais, machucaram
muito. Ninguém queria acreditar em mim”, gritava Valdeir, enquanto pedalava
apressadamente.
Quando chegou à janela, já não
conseguiu mais avistar Valdeir, mas continuava escutando seus gritos
estridentes.
Preocupado, ligou para a portaria
e foi logo dizendo: “venham depressa aqui que está acontecendo um crime”. Ligou
em seguida para a redação do jornal e contou rapidamente o ocorrido, dando o
endereço. Correu para o armário e buscou a pistola nos fundos de uma prateleira
na parte superior. Desceu as escadas da casa às pressas, e saiu esbaforido pelo
portão, tremendo, pronto para entrar em ação. Pensou que ia acabar
protagonizando a página policial do jornal no dia seguinte e o pavor tomou
conta de sua mente. Naquele exato momento chegavam dois seguranças vindos lá da
portaria.
Olharam para o resto da rua e
viram a bicicleta de Valdeir jogada no chão em frente a uma das casas em obra.
Aproximaram-se cuidadosamente ouvindo sempre a voz alta e esganiçada de
Valdeir, falando coisas ininteligíveis. Ele e um dos seguranças postaram-se em
cada lado do portão improvisado da casa em obras, enquanto o outro, num arroubo
digno dos melhores filmes de aventura, saltou sobre o projeto de portão,
jogando-o no chão e caiu em pé do lado de dentro, com a arma apontada, pronto
para apertar o gatilho, ao mesmo tempo em que os outros dois avançavam na sua retaguarda.
Dentro da casa, os peões,
assustados, correram pra trás da escada da obra e um deles foi logo dizendo:
“Não atira, chefia, por favor, aqui é tudo trabalhador. Pergunta ao dono da
casa”. Valdeir parecia o mais assustado e, num movimento instintivo, levantou o
manto para cobrir o rosto, como se pretendesse se defender de um tiro.
“O que está acontecendo? Quem
está sendo espancado aí?” perguntou o segurança que ia na frente. “Espancado?
Não tem ninguém esculachando aqui não, chefia. Tamo só trocando assunto, ué!”
“Conversa? Como é que você estava
reclamando que bateram muito, machucaram demais? O que era aquilo?”, ele
perguntou transtornado.
“Não dotô, eu só tava zoando os
cara aqui com os 4 x 0 ontem do Mengão em cima do Bota. Aqui é tudo
preto-e-branco”.
“Ahh...bom!”
DICA DE FILME
Nesses tempos em que bandido mascarado vira herói sensual,
ou, como já dizem as más línguas, “black
bloc is beautiful”, bom assistir algo que ajuda a pôr alguns pingos nos
“is”.
O filme é “Verdade
12.528”, dirigido e produzido por Paula Sacchetta e Peu Robles.
O
recado é o seguinte:
“Não nos importamos com os mortos e
desaparecidos políticos? Hoje somem Amarildos. Não nos importamos com a tortura
de presos políticos? Hoje jovens negros, pobres e da periferia são torturados,
todos os dias, da mesma forma. O que
buscamos mostrar no filme é exatamente isso: que a impunidade do passado dá carta branca à impunidade
do presente.” O depoimento é de Paula Sacchetta, co-diretora do documentário
“Verdade 12.528″, que trata da importância da Comissão Nacional da Verdade,
através de depoimentos de vítimas da repressão, ex-presos políticos e outras
pessoas afetadas direta ou indiretamente pela Gloriosa entre 1964 e 1985. O doc
estreia na 37a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo neste sábado (19).”
Bom pra essa moçada,
que acha que vive em uma ditadura, conhecer uma verdadeira, com direito a
pau-de-arara, cadeira-de-dragão, choque elétrico, solitária e julgamento por
delito de opinião. Para que esses falsos anarquistas, bobalhões mascarados,
muitos dos quais pagam impostos e vivem com empregos públicos, saibam quão
serão ridicularizados pela realidade e pela História.
“(...)
Que a história da violência sob responsabilidade do Estado durante
a ditadura seja conhecida e contada até entrar nos ossos e vísceras de nossas
crianças e adolescentes a fim de que nunca esqueçam que a liberdade (ainda que
precária e incompleta) do qual desfrutam não foi conquistada de mão beijada.
Mas custou o sangue, a carne e a saudade de muita gente. E que falta muito para
que a dignidade seja percebida como algo que precisa ser protegida e garantida
pelo poder público.”
Pau Comeu dedica essa lembrança aos que não tem coragem de
mostrar as caras, quebram bancos no apagar das luzes das manifestações
pacíficas, e no dia seguinte vão a outras agências com seus cartões magnéticos
sacarem suas economias que possibilitam a compra de novas máscaras e apetrechos
para as depredações seguintes.
DICA DE BLOG
Pau Comeu sugere aos leitores o blog do Professor Hariovaldo Almeida Prado
no endereço: http://www.hariovaldo.com.br
Um exemplo característico do talento do mestre:
“No combate ao
comunismo ateu e na defesa da família cristã
Mais uma vez a nação periga ante a
intentona comunista perpetrada por Dilma e seus asseclas. Não podemos nos
olvidar jamais que Che Guevara também era médico, assim como os quatro mil guerrilheiros comunistas que a búlgara pretende
importar da ilha da fantasia socialista, para por em prática um dos planos mais
maléficos de seu desgoverno, que é levar assistência médica para a gentalha
ignara dos grotões do país. Um absurdo, absurdo! Não aceitaremos calados
e bradaremos em alto tom a vinda da IV Frota para nos socorrer do mal.
Somente elementos comunistas da pior
espécie aceitariam se fixar nas mais distantes localidades do interior,
recebendo um reles salário de dez mil contos, para atender a gente infecta
desses lugarejos, as quais foram colocadas lá pela vontade divina, para que no
sofrimento encontrassem a morte como libertação. Tratar desse povo, portanto, é
uma insolência dos médicos marxistas ateus e um acinte maior do ministério da
saúde. A guilda dos médicos está certa em se levantar contra essa ofensa aos
direitos humanos dos homens bons, a ONU deverá ser comunicada de mais essa
terrível ação bolchevista nacional contra seu próprio povo.”
PS: os crônico-direitistas sem talento, tipo Merval Pereira, Reinaldo Azevedo,
Arnaldo Jabor, e mais alguns, morrem de inveja do Professor Hariovaldo de
Almeida Prado.
PRA NÃO DIZER QUE NÃO
FALEI DE CÃES
Como não entendo nada de cães, só quando assumem ares humanos
e arreganham dentes hidrófobos, e então são combatidos nesse blog, passo a
palavra a um leitor de internet que não declinou seu nome e postou o seguinte
comentário, com desculpas por esquecer-me de pegar o endereço:
“Também sinto
vontade de libertar os cachorros quando os vejo tão descaracterizados de sua animalidade, e tão
domesticados a serviço do homem, no colo das madames.
Sinto muito vê-los
vestidos, como nós precisamos e eles não, (seriam mais livres, como nós
gostaríamos), cheios de laçarotes, alguns com unhas e pelos pintados, tão
diferentes de seu estado natural.
Já
não andam mais soltos em redor dos donos, mas sempre em coleiras ou nos carros.
Alguns
vivem em espaços de minúsculos apartamentos, onde não tem mais a terra que
tanto gostavam de cavar e esconder os ossos, e não podem correr como gostam.
São
empregados ou adereços de seus donos.
São
tratados como uns bibelôs ou crianças, muitos servindo para mera exibição.
Pouca
diferença têm de pássaros presos em gaiolas.”
Se
não entendo nada de cães, gosto da discussão e achei de bom tom mostrar um
outro lado, meio escondido. Quem esconde porque não sabe, precisa saber pra
deixar de esconder…
CRUZ NA ESTRADA
Cantiga do autor, inspirada em uma cruz fincada numa curva
de estrada, denunciando uma morte inesperada:
Caminheiro que passas pela
estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.
(Castro Alves)
Sol pegajoso, inclemente,
vai em frente na estrada,
pisa terra fatigada
de seca, fogo, enchente.
Alma, pasto de traças
roendo dores antigas,
vai ajuntando desgraças,
perdas, tristes despedidas.
Imitando galhos secos,
mãos suplicam, crispadas,
pés em bolhas vermelhas
apertam sandálias surradas.
Rosto cheio de traços
talhados em pó e vento,
corpo tombado em pedaços
ao peso de desalento.
Olha pro chão não vê nada...
olha pro céu nada vê...
olha pra frente, pra trás...
nem Cristo, nem Barrabás.
(Paulinho Pavaneli)