segunda-feira, 27 de maio de 2013

EDIÇÃO Nº 38: O CAÇADOR DO PANTANAL



O autor, indeciso perante uma oferta de injeção de
recursos do Eike Batista, antes que (ele) acabe de quebrar.
Só resiste em mudar o nome do blog para Paux Comeux.




A PROPAGANDA É O NEGÓCIO DA ALMA


No afã de apoiar, em azul e amarelo, o PSDB nas próximas eleições, na sua infatigável busca pela verdade e pela resposta absolutamente certa e, last but not the least, por recursos financeiros capazes de complementar sua aposentadoria totalmente diferente das dos políticos em geral, o autor do Pau Comeu, eu, acabou (ei) de fechar contrato com o POSTO IPIRANGA.

Primeira inserção:

O povo pergunta: De que morreram os donos do Estadão (Mesquita) e da Abril (Civita)?

Pau Comeu responde: É melhor o Senhor perguntar lá no Posto Ipiranga...!!!



O FEIJÃO E O SONHO


Pois é, graças às marotas propostas de governo dos desnorteados tucanos, predadores pela própria natureza, entre as quais a volta do arrocho salarial como solução técnica para combater a inflação (já vimos esse filme antes), o povo brasileiro vai poder exercer sua opção preferida: sonhar!

Afinal, já disse o carnavalesco, sonhar não custa nada...

A plataforma? Ah!  É cínica!  Das Neves!

Promete que o povo brasileiro vai poder voltar a sonhar!

Que, assim procedendo, trocará o emprego pelo sonho do emprego.

O trabalho pelo sonho de não precisar trabalhar.

A possibilidade de ascensão social pela realidade de saber o seu devido lugar, ou seja, nas proximidades de onde nunca deveria ter saído. Lá mesmo onde você está pensando, estimado leitor... na classe Z.

Com uma placa em cada esquina: É PROIBIDO COMPRAR!

Trocará o feijão pelo sonho.

O feijão da realidade pelo sonho da novela.

 

O DNA E O PESADELO


E não é que o eterno adolescente Aécio das Neves foi lançar sua candidatura no Programa do Ratinho? Foi, sim.

E não é que ele disse pro Ratinho que, se pesquisar o DNA do programa Bolsa Família, vai achar o gene do Fernando Henrique Cardoso? Disse, sim.

E se der outro resultado o exame?

Que nem o que aconteceu com o filho da jornalista que a Rede Globo exilou na Europa...

Esse tal de DNA é um perigo... Cuidado!

 

BOOMERANG ELEITORAL


>>>>>  Coordenando o apoio de outros seis governadores tucanos ao senador mineiro, declarou o governador de Goiás: "Farei campanha pelo Aécio como faria para mim mesmo".

(Marconi Perillo)

<<<<<Carlinhos Cachoeira, o empresário zoológico descendente do Barão de Drummond e de Castor de Andrade, será o tesoureiro da campanha? E Demóstenes Torres, que posição irá ocupar, além de Ministro da Hipocrisia?

(Pau Comeu)


BOOMERANG JORNALÍSTICO-ECONÔMICO-ELEITORAL


>>>>> Situação do Brasil é caótica, dizem os jornais e televisões da grande imprensa brasileira, em plena campanha para eleger qualquer  impoluto liberal conservador do PSDB e adjacências. Em tom catastrófico, segundo ela, apenas 197 mil empregos foram criados no último mês...

(Grande Imprensa em geral)

<<<<< Mesmo na próspera Alemanha, de pouco desemprego, entre os de menos de 25 anos (e 18 ou mais) o desemprego é de 7,9%. No restante da Zona do Euro: Áustria, 9,9%; Holanda, 10,3%; Malta, 16%; Luxemburgo, 18,5%; Estônia, 19,4%; Finlândia, 19,5%; Bélgica, 19,6%; França, 26,9%; Eslovênia, 27,1%; Chipre, 28,4%; Irlanda, 30,9%; Eslováquia, 35,9%; e agora os campeões – Portugal, 38,6%; Itália, 38,7%; Espanha, 55,5% e Grécia, 59,4%.

Enquanto isso, no Brasil arruinado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira que o desemprego em abril caiu para 5,8%. É a menor taxa desde 2002.

 (Da Internet diretamente para o Pau Comeu)


A solução tucana para tirar o Brasil do caos, além do desemprego, passa pelo aumento da taxa de juros e cortar direitos adquiridos pelos trabalhadores. Justamente o que a Europa fez, obedecendo a receita da Dra. Margareth Thatcher, A Enferrujada, e que deu no que deu...

E viva o reizinho espanhol, Don Juan Carlos de Bourbon, El Corruptón!

Continua calado, calado, calado... Morreu?

 

ABRINDO O BAÚ

De um livro não publicado, intitulado “O Ruminar do Dinossauro – crônicas lítero-jurássicas”, em que o autor se expõe em 51 passos bêbados entre a Academia e o Botequim. Segue uma das crônicas...

 

O CAÇADOR DO PANTANAL

Nós, os Dinossauros

O dinossauro era antes de tudo um forte, que nem o jequitibá antes da tormenta. Ao contrário deste, que sobrevive por ter deixado raízes e sementes, aquele já morreu. Seu cadáver pode ser apreciado em museus dos três mundos, sendo que, nos do terceiro, aos pedaços ou com o esqueleto incompleto amarrado com arame e barbante. De vez em quando reaparece no cinema, local onde costuma fazer algum sucesso quando produzido no Primeiro Mundo.

Espécie de fóssil de réptil marinho (atenção, Redação!) da era mesozóica, de dimensões gigantescas, viveu no período jurássico caracterizado pelo aparecimento de animais de transição entre répteis e aves.

Tal definição, aplicada à política e modernizada pelos modernos modernizadores, os neoliberais, devidamente coadjuvados pelos social-democratas, classifica como dinossauros os animais políticos, extintos ou em extinção, que teimam em defender teses obsoletas referidas em palavras como nação, soberania, independência e autodeterminação.

Eles, os Predadores

Falar em dinossauros sem citar seus predadores seria como viajar com a sensação de ter ficado. O mais notável dos caçadores de dinossauros que viceja(ra)m em plagas tupis nasceu, por acaso e contra a vontade, num lugar cujo nome é Mato Grosso: Roberto de Oliveira Campos, um dos mais importantes economistas que os EUA já produziram, apelidado carinhosamente de Bob Fields pelos seus patrões.

Genial, imortal, conseguiu escrever um livro de 1.417 páginas (1) e, resumindo o cálculo, 3.647.358 caracteres, ou 3,65 km, fora os espaços.

O leitor deverá estar-se perguntando aonde o escriba quer chegar com o objeto dessas reflexões, já que são muitos caracteres para tão pouco caráter. Explico: quero ver se acho traços de natureza humana em tão formidável compêndio.

O nome do livro é “A Lanterna na Popa”, o que deve ser uma tradução infeliz, pois a verdadeira deveria ser “A Vela no Rabo”, em cujo prefácio (2) Bob reconhece que:

“(...) nunca tive profundidade, inteligência ou poder para erguer um farol que lançasse um facho de luz para as futuras gerações. Estas memórias são apenas uma Lanterna na Popa de um pequeno barco. Como dizia Samuel Taylor   Coleridge, “a luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que   ilumina apenas as ondas que deixamos para trás” (...)”

Como pensar nas gerações futuras é próprio de Estadistas, o que nunca foi o caso do Dr. Roberto Nãomarinho, seu prólogo não apresenta novidade, por isso é honesto. O autor prega no rabo – do barco – 3,65 km de caracteres de ferro, como que formando os elos de uma corrente, cuja ponta termina numa âncora que vai jazer no fundo do pantanal... Enroscando-se naquilo que o fez viver seu tempo todo: no lodo de sua profunda aversão às coisas brasileiras.

Mestre Campos é uma espécie de avô dos liberais brasileiros, um megalib que se caracteriza por reunir os seguintes predicados: aversão à soberania, aversão à independência, aversão à autodeterminação, aversão à nação brasileira.

O carreirismo de Mr. Bob

Uma das características mais interessantes dos megalibs, em geral, e do nosso eterno embaixador dos EUA no Brasil, em particular, reside na imensa capacidade de usufruir das benesses do Estado que pretendem minimizar, seja direta ou indiretamente. No caso em questão, direta: dos 20 capítulos de sua extensa memória, apenas um faz referências a atividades privadas, quando se licenciou do serviço público (3).

Trabalhou o ilustre no sistema financeiro privado por pouco tempo, mas protegeu-o o todo o tempo em que trabalhou no setor público. É claro que poderão ser feitas objeções quanto à classificação aqui proposta, pois exerceu atividades de articulista em jornais que abrigam megalibs, e que no Brasil são todos, e também, e mais importante, quanto ao espírito com o qual se imbui ao desempenhar as tarefas públicas: é comum, enfadonho, repetitivo, um aborrecimento até, lembrar que, no Brasil, pública e privada são esferas que se confundem nas mentes megalibs, bem como nas de seus papagaios.

Por falar em Brasil, o nome aparece em algumas páginas, geralmente como adjunto adnominal do tipo “embaixador do Brasil”, “Banco do Brasil”, etc. O nome Brasil, assim secundariamente citado, surge como uma referência que perturba, mosca zumbindo para ser espantada com um simples peteleco: xô! Encontrar, em seus escritos, palavras amistosas, generosas, amorosas, em relação às coisas e gentes brasileiras, é querer muito do Dr. Roberto. Ele não veio ao mundo para isso. Mais uma vez há que se reconhecer sua honestidade.

Os vestígios humanos

Procurei, em vão, vestígios humanos nas memórias de Mr. Bob, só encontrando as seguintes...

No início, ao revelar sua iniciação sexual com uma prostituta, o que não depõe contra sua pessoa, pois era fato corriqueiro na formação das gerações passadas. O referencial humano era justamente a prostituta.

Ainda no princípio, quando descreve seu casamento, enfatiza os 53 anos de duração (4), que considera algo digno de figurar no Guiness Book of Records. Também acho, daí porque lanço seu nome como candidato a figurar em tão formidável compêndio, digno do FEBEAPÁ-I (Festival de Besteiras que Assola o País) Internacional, como diria Stanislaw Ponte Preta, nosso saudoso crítico de costumes.

No final resume sua vida de alcova com a frase: “Não fui veado”; e numa nota de rodapé: “Nem atleta sexual”. (5)

 

Brincando de Boomerang

Não resisto à tentação de brincar de uma espécie de boomerang post-mortem com Little Robert, devolvendo alguns de seus mais escrotos arremessos:

>”Há países naturalmente pobres mas vocacionalmente ricos. Há outros que têm riquezas naturais porém parecem ter vocação de pobreza. Às vezes fico pensando, com melancolia, que talvez estejamos neste último caso.”

Bob Fields, no livro já citado, “Á Guisa de Prefácio”, pág.22.

< A melancolia é pungente. Ele sabe o que diz. Colaborou para perpetuar a pobreza entre nós.

Pau Comeu

>>”Conciliar o mercado, que é o voto econômico, com a democracia, que é o voto político, eis a grande tarefa da era pós-coletivista- o século XXI.”

Bob Fields, no livro já citado, “Á Guisa de Prefácio”, pág.21.

< O voto econômico é unitário e igualitário tendo o mesmo peso para todos. Me engana que eu gosto, Bobby.

Pau Comeu

>>”Como Souza Costa era patrioticamente abstêmio em relação a línguas estrangeiras, a atuação principal, em nome do Brasil, cabia a Gudin. Mestre Gudin impôs-se logo naquele cenário. Além da flexibilidade linguística – tratava-se de uma conferência dominada por economistas anglo-saxões, monoglotas impenitentes -desfrutava Gudin de excelente capacidade expositiva e invejável erudição em problemas cambiais e monetários (...)”

Bob Fields, no livro já citado, pág.69, durante o convescote de Bretton Woods.

< O brasileiro é patrioticamente abstêmio em relação a línguas estrangeiras, enquanto os anglo-saxões são monoglotas impenitentes: a ironia do Doutor Robertinho não consegue ocultar o servilismo. Depois de Gudin impor-se naquele cenário, a Europa e os EUA se curvaram diante do Brasil... e fomos felizes para sempre.

Pau Comeu

>>”Em nenhum momento consegui a grandeza. Em todos os momentos procurei escapar da mediocridade. Fui um pouco um apóstolo, sem a coragem de ser mártir.”

Bob Fields, no livro já citado, “Á Guisa de Prefácio”, pág.20.

< Foi, sim, um apóstolo dos banqueiros internacionais. Mártir foi o povo brasileiro para suportar seu entreguismo. Medíocre, sim, sempre. Grandeza, concordo, foi nenhuma.

Pau Comeu

>>”Lutei contra o monopólio da Petrobrás (...) contra a Lei de Informática (...) contra  a exigência de maioria de capitais nacionais na exploração mineral (...) Em todos os três casos fui derrotado. Em todos os três casos, estava redondamente certo. Em escala mirim, poderia dizer o que, com sua invejável megalomania, dizia De Gaulle: -estive certo quando tive todos contra mim.”

Bob Fields, no livro já citado, “Á Guisa de Prefácio”, pág.21.

< Descoberto o lado humano de Bob Fields: em seu peito bate um megalomaníaco coração norte-americano.

Pau Comeu

 

The End do Filme

Nosso caçador é assim: aristocrático, pragmático, cheio de ossos, carne pouca, sangue azul adquirido com o tempo, emoção quase zero. Por falar em ossos (6), os do ofício para ele foram as cassações de direitos políticos e a paranóia -com acento agudo- inquisitorial dos primeiros tempos do Golpe de 64, do qual foi fiel servidor e serviçal.

Impressiona a forma absolutamente distanciada com que se refere ao assunto, no que diz respeito às sujeiras cometidas, com as quais concordou, pois quem cala consente. Interessante observar como os técnicos acham que não são cúmplices dos governos a que servem, parece que só fazem as contas e não têm nada a ver com as conseqüências com trema. Mas isso é outra história...

Para poupar sacos e sacolas dos leitores e leitoras, deixo para Luís Fernando Veríssimo um texto mais elegante para essas poucas lembranças e muitos esquecimentos (7):

Nem o Delfim, nem o Roberto Campos, nem o ACM, nem qualquer dos pro-homens daquele tempo aprovariam a tortura e os excessos da repressão se tivessem lhes perguntado, e pode-se concluir que os escrúpulos de consciência que o então ministro Passarinho mandou às favas voltaram das favas a tempo de salvar sua biografia (...) Não há porque ficar discutindo , agora, sangue derramado há tanto tempo. Nenhum deles torturou pessoalmente ninguém. (...) O sonho inconfessado de toda mente aristocrática impaciente com a ética dos meios, quando o fim é tão mais importante. (...) Ali estava o Delfim, com a faca numa mão e o queijo na outra, e licença para ser aético à vontade. Depois, como estamos no Brasil, todos puderam ir às favas catar seus escrúpulos, reconstruir suas consciências e terem uma longa e proveitosa vida pública.”

Com esse livro, Sir Roberto Campos (só faltou ganhar esse título...) foi eleito imortal pela Academia Brasileira (?) de Letras. Foi mais um imortal que morreu, sendo substituído por outro imortal que vai morrer.

POMBO CORREIO

Direto de Belo Horizonte para Madri, Barcelona e outros arraiais espanhóis.

Ida:

De Ernani Pavaneli para Paulinho Idem...

Só prá te dizer que vc está escrevendo bem prá caralho. Gostaria um dia de ler algo que vc escreva sobre vc mesmo, suas experiências pessoais, seu modo de ver a vida, algo assim. Beijão e vou continuar a ler seu blog em plagas espanholas.

Volta:

De Paulinho Pavaneli para Ernani Idem...

Grato pelas palavras que sei sinceras e boa viagem, melhor estadia e excelentes vendas pictóricas!!! Beijos.


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Notas:

(1)Com uma média de 39 linhas cada uma, totaliza 55.263 linhas. Cada linha contendo em média 11 palavras, são 607.893 palavras. Com uma média de 6 caracteres por palavra, resultam 3.647.358 caracteres. Tais cálculos minuciosos tomam por base a linha 25 da página 95 como exemplo, adotada como padrão. Se cada um mede 1 milímetro de largura, temos 3,65 quilômetros de caracteres na obra, fora os espaços. A quem ousar criticar a metodologia adotada, lembro apenas que é de qualidade infinitamente superior quando se compara com 99,99% das adotadas por economistas de quaisquer procedências.

(2) Campos, Roberto de Oliveira; “A Lanterna na Popa”; Topbooks; 1994, pág.22.

(3) Idem, págs.879 a 926.

(4) Idem, pág. 14, “Amor à Primeira Vista”.

(5) Idem, pág. 1283, “O Sonho Frustrado da Juventude”.

(6) Idem, pág. 725, “Os Ossos do Ofício”.

(7)Veríssimo, Luis Fernando, in Jornal do Brasil, 10-12-1998.

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sábado, 18 de maio de 2013

EDIÇÃO Nº 37: HUMOR DE MAU HUMOR


 

 

O PIOR E O MELHOR DO MAU HUMOR

 

Tem gente confundindo agressão, estupidez, grosseria, com humor. Entre tantos, vale ressaltar, com sinal de menos, dois Marcelos, um Tas e um Madureira que não honra o simpático bairro homônimo.

O humor com ódio não é nem mau humor nem humor negro, é apenas humor sem humor, humor rico de pobreza de espírito.

Para desanuviar o ambiente carregado sem perder a piada, vamos citando aos poucos alguns ditos colhidos por Ruy Castro sobre o que denominou “o melhor do mau humor”.

De Vinícius de Moraes, em um de seus raros momentos de torcer o nariz para as nossas coisas: “Avião: é mais pesado do que o ar, tem motor a explosão e foi inventado por um brasileiro. Não pode funcionar.”

Do Planeta Diário, jornal mensal de humor criado em 1984 pelos humoristas cariocas Hubert, Reinaldo e Cláudio Paiva, egressos do Pasquim, do qual felizmente Madureira não fez parte: “A Bolsa de Valores é algo assim como uma suruba em que você entra com a bunda.

De Kin Hubbard, humorista, cartunista e jornalista norte-americano: “Amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito e, mesmo assim, ainda gosta de você.

De Abraham Lincoln, cujo filme mostra que a democracia, desde seu nascimento, não passa de um grande balcão de negócios: “É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do quer falar e acabar com a dúvida.

Do Barão de Itararé, quase inventor do humor brasileiro, patrono dos blogueiros sujos e inspirador-mor do Pau Comeu: Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse a você.

De Georges Brassens, poeta, compositor e poeta francês: “Ao saber que sua mulher não apenas tinha um amante, como também cozinhava para ele em seu sacrossanto lar: Corno, tudo bem, mas não anfitrião!

De Mae West, norte-americana, atriz, cantora, escritora, além de  símbolo  sexual,: “Ao ser perguntada, por um amante, se ele podia confiar nela: Claro. Centenas já confiaram.

De Aldous Huxley, famoso escritor inglês, autor de “Admirável Mundo Novo”, que merece figurar com a frase: “A castidade é a mais anormal das perversões sexuais.

Paulo Francis, controvertido jornalista, brasileiro contra a vontade, entra com duas frases, uma muito engraçada: “Sobre qualquer filme do Cinema Novo: o filme é uma merda, mas o diretor é genial.“ E outra muito reveladora de seu preconceito: “A descoberta do clarinete por Mozart foi uma contribuição maior do que toda a África nos deu até hoje.

De Rupert Hughes, sobre o qual não me interessei em saber que apito toca, entra para ser apedrejado pelo sexo feminino: “A intuição feminina é o resultado de milhões de anos sem pensar.

Do eterno jovem comedor internacional Mick Jagger, quase genro por tabela do eterno velho comedor nacional Jece Valadão: “Algumas das garotas com quem transo hoje tinham três anos quando as conheci. Não tenho culpa se elas estão envelhecendo.

 

Ao mergulhar no tema para publicar essa pesquisa, Pau Comeu descobriu que as frases sobre os chatos são todas anônimas... Será por quê? Vejam só:

Chato é aquela pessoa que você pergunta: Como tem passado? E ele conta.”

Há várias maneiras de ser chato, mas o chato escolhe a pior.”

Chato só não ronca quando dorme sozinho.”

 O chato quando está com tosse, em vez de ir ao médico, vai ao teatro.”

Se o chato se cala de repente, é porque morreu.”


E para finalizar, algumas frases preferidas desse sujo blogueiro.

De J.R.Oppenheimer:

 

O otimista acha que este é o melhor dos mundos. O pessimista tem certeza.

 

De John O’Hara:

 

Os Estados Unidos  são um país que passou da barbárie à decadência sem um estágio intermediário de civilização.”


De Adlai Stevenson:

 

Um editor de jornal é alguém que separa o trigo do joio – e imprime o joio.”


De Luis Fernando Veríssimo:

 

 Viva todos os dias como se fosse o último. Um dia você vai acertar.





BOOMERANG HISTÓRICO-ECONÔMICO

 

>>>>>>> “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.”

(marxista-leninista tradicional, usando um pensamento universal)

 

<<<<<<< Mais valia um bando de pássaros voando do que um na mão.

(Pau Comeu imagina um marxista-leninista  arrependido,

 atualmente militando no capitalismo financeiro)

 

 

BOOMERANG HISTÓRICO-POLÍTICO

 

>>>>>>> “Estou preparado para iniciar um novo tempo no Brasil”

(O eterno adolescente Aécio Neves,

futuro presidente de alguma república  ,

exclusivo na capa da revista Veja,

uma espécie de Diário Oficial do PSDB)

 

<<<<<<<  O que ele quis dizer com isso?  Vai se mudar para Minas Gerais?    

(Pau Comeu)

 

BOOMERANG POLÍTICO-ECONÔMICO

>>>>>>> ”Considerando que a renda do capital segue estratosfericamente maior que a do trabalho e os recursos usados para o pagamento de juros são bem maiores que os aplicados em programas sociais (em todos os governos, de FHC a Dilma), fico extremamente incomodado quando ouço ou leio pessoas reclamando que “dar dinheiro aos pobres os torna vagabundos”.”

(Leonardo Sakamoto, em seu blog)

<<<<<<< Incomoda mesmo, Sakamoto, a Quadrilha Capitalista-Financeira e Midiática não aceita dividir nem as migalhas...

(Pau Comeu)

 

 

 

BOOMERANG ANGLO-FRANCÊS OU FRANCO-INGLÊS

>>>>>>> Depois da Revolução Francesa e Antes de Margareth Thatcher: Liberté, Egalité, Fraternité.

(algum francês antes da Internet e antes da Margareth)

<<<<<<< Depois de Margareth Thatcher: Austerité, Précarité, Compétitivité.

(depois da Internet e depois da Margareth, para o Pau Comeu)

 

UM ESCULACHO BRILHANTE

Não posso deixar passar em branco ...

Tomo emprestado do Eduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania (13 de maio) o final da sua coluna intitulada  “Os defensores da ditadura militar:

Envergonhar os defensores da ditadura perante suas famílias, filhos, netos, amigos, colegas de trabalho etc. será imprescindível para que este país nunca mais sofra um golpe igual.

Além disso, a exposição adequada da desumanidade dos crimes da ditadura deixará qualquer pessoa decente literalmente perplexa e, assim, poderá permitir que a Lei da Anistia seja revista e os criminosos sobreviventes paguem por seus crimes
.”


Pau Comeu já manifestou sua admiração pela juventude que criou o movimento do Esculacho como forma de lembrar os malfeitos dos canastrões da ditadura militar.

Pois bem, surge em cena um candidato brilhante, o coronel que torturou mas esqueceu... Fica para a próxima edição.

Vou tomar algumas doses de desangustiol para poder enfrentar o tema.

 

 

ESPORTES

1.O ex-goleiro Rogerio Ceni fará uma sugestão à FIFA: barreira nos pênaltis na risca da pequena área. Assim, poupará o trabalho de se adiantar no momento da cobrança.

2.O referido jogador vai solicitar sua inclusão no quadro de árbitros da FIFA, pois vem aperfeiçoando cada vez mais sua arte de apitar os jogos de seu time, mesmo sem apito e debaixo dos paus.

3.Mais sobre o mesmo, outra alternativa é suceder Juvenal Juvêncio (Juju) na presidência do São Paulo Futebol Clube. Juvenal Juvêncio, para os menos informados, é um cartola ridículo e patético: mandou embora 7 jogadores, sendo que nenhum deles teve a ver com as derrotas e a eliminação para o Galo. Nei Franco, liga seu mineiro desconfiômetro e sai fora antes que se instale de vez o hospício no Morumbi.

4.Segundo Mestre Aurélio, perpétua, além do fato de que se cheirasse seria a rainha das flores, significa coisa que dura sempre, é eterna. Tem gente que adora contrariar significados. O último exemplo desse fenômeno foi o de um gênio da raça,  secretário da Casa Civil do governo do estado do Rio de Janeiro, chamado Régis Fitchner, que declarou que as cadeiras perpétuas do Maracanã não serão  perpétuas na Copa do Mundo. Não consta que o referido tenha se pronunciado pela mudança da natureza dos jazigos perpétuos dos cemitérios.

 

SETE PEREIADAS TUITEIRAS

De Paulo Cesar Pereio, a fina flor do mau humor:

“1.pq o galvão não aproveita e se aposenta junto com o ronalducho?

2.politicamente correto é o cancer do nosso tempo, gente 'do bem' é o cacete. saudades do milani.

3.q vontade agora de ser casado, ter 3 filhos, 2 cachorros e 1 passarinho. só pra colar um adesivo de família no carro q eu nao tenho… passou.

4.eu só participo se for ativamente, se é que vc me entende…

5.Pça de alimentação de shopping é DEPRIMENTE, quanta gente idota comedo mal, pagando caro e fazendo cara importante. A humanidade me deprime.

6.Entrei nessa bagaça de twitter pra nego não me torrar o saco. E não me segue que eu não sou novela, porra.

7.se bulling desse cadeia, eu pegava perpetua.”

 

PODRES  PODERES

Pau Comeu sugere, ao Executivo e Legislativo, que cada um cuide dos seus próprios problemas, e que já são tantos, e se esqueçam de invadir as searas dos outros. Afinal, se não obedecem à Constituição, que obedeçam pelo menos ao Mestre Aurélio, que diz: Executivo está encarregado de executar as leis, Legislativo está encarregado de formular as leis.

Quanto ao Judiciário, pode continuar usando capas pretas, aparecer no Jornal Nacional, ser capa da Veja e passar por cima dos outros dois.

 

POMBO CORREIO

Estreando essa secção como local de troca de mensagens, aproveito uma intervenção que fiz no facebook, compartilhando uma crônica do jornalista e historiador Lúcio de Castro (ESPN) sob o título “Mataram meu Maracanã. Podem chamar de Estádio Justo Veríssimo”.

No compartilhamento citei: “Concordo em gênero, número, grau e o escambau! Tanto fizeram que houve a separaçaõ: nunca mais ponho os pés em estádios de futebol... Arena Maracanã é o cacete!

Em resposta, um leitor, ao qual não pedi autorização para publicar, por isso guardo seu anonimato, observou que o texto tem muito de saudosismo.

Taí, uma discussão é boa quando puxa outra. Saudosismo ou saudade? Pau Comeu promete estudar a diferença entre os dois conceitos e publicar sua opinião em uma próxima oportunidade.

Por enquanto fiquemos com a resposta ao saudosismo, com as seguintes palavras:

Aceito sua opinião, mas não tenho nenhuma vergonha de me chamarem  saudosista. Pelo contrário, tenho muito orgulho de lembrar da minha infância e mocidade, que foram vividas em grande parte no Maracanã. Nascido mineiro, com quatro anos conhecí o Maraca... e foi aquele susto! Comparável ao que o Lúcio de Castro sentiu.

Vivia naquele campo de futebol, que era a extensão da minha casa. Ia sozinho torcer para o meu time de coração, o Flamengo! Vi Garrincha, Didi, Nilton Santos, Castilho, Joel, Moacir, Rubens, Dida, Pelé, Pepe, Coutinho e, só muito tempo depois, Zico e sua geração...

Não sinto mais nada que lembre o futebol que aprendi a amar... Inda mais agora que o povão mal pode entrar nos estádios, pois os preços são proibitivos para as classes menos aquinhoadas. E, sem elas, o futebol perdeu a graça... Obrigado pela leitura e atenção, e pela sua opinião, que respeito. Abraços.”

Completando, acho que os dois clones, do Obama na torcida do Flamengo, e do Ronaldinho na torcida do Atlético, são dois derradeiros exemplares de uma espécie em extinção...

 

ARTEFATO

Pra mim é saudade.

Aproximando-se o dia 16 de maio, lembrança do aniversário da morte  do meu pai que,  se vivo fôsse, estaria caminhando para completar 110 anos. Por coincidência, 16 de maio é a data comemorativa da nossa terra natal, São João Nepomuceno, para onde o velho queria voltar e morar, mas não deu tempo.

Há 20 anos, nos 90 anos, a coincidência me fez escrever essa prosa versada chamada...

Herança

Dia sim, dia não, meu pai dizia que eu teria o mundo na mão. Não sabia como, quando, porque, vivendo ali, de pé no chão, lápis sem ponta, papel de pão, mundo girando mistérios demais, mares, oceanos, países, capitais, e o nome da cidade eu não via jamais.

No mapa não cabia, tão pequena no tamanho, tão grande no nome, desaparecia, não conseguia vê-la inteira, de sua beleza só eu sabia, e por isso agradecia ter vindo ao mundo em você, bendito chão, mãe primeira, terra amiga, mãe mineira.

Eu era só uma criança, nem sabia que herança não era só ter riqueza, era ter esperança de um dia ser pai, voltar a ser criança e, com você, terra mãe, cultivar essa lembrança.

terça-feira, 7 de maio de 2013

EDIÇÃO Nº 36: GENETON, O REPÓRTER



O autor, depois de esvaziar os copos...



 

POMBO CORREIO

1.Recebí uma mensagem do amigo-leitor Alfredo Costa dizendo: “(...) seu blog é demais. Habilite os comentários lá para os leitores interagirem! Abraços!”

Resposta:  “Alfredo: não sei como fazer para habilitar os comentários. Se souber, favor me ensinar. Grato e abraços.”

2.Gostaria de agradecer ao amigo-leitor Marco Antonio Furtado pela colaboração e pelos compartilhamentos feitos no facebook.

3.Proponho a seguinte solução, enquanto não ocorrer comentários diretos no Pau Comeu. Enviem suas contribuições, observações, críticas e sugestões para o e-mail do autor: paulinhopavaneli@gmail.com; assim, postarei aqui no Pombo Correio e poderemos trocar idéias com acento agudo.

 

SEBASTIÃO NUNES: O ESPAÇO N’O TEMPO

Quem está acostumado a ler o jornal mineiro “O TEMPO”, aos domingos vai direto ao  caderno cultural “Magazine”, na página 2, para conferir a escrita inteligente de Sebastião Nunes. Nome chamado pelos leitores adultos, também conhecido como Sebastião Nuvens, pelo pessoal da literatura infantil.

Destaque neste dia 05 de maio de 2013 para o irretocável texto “Herança e Poder”, que tem vida própria fora do contexto do ensaio original:

Até mesmo a afirmação de que o direito à herança é absurdo será vista com estranheza pela maioria das pessoas. Estamos acostumados e ninguém liga. Filhos de ricos herdam não só a fortuna dos pais como, desde o nascimento, o direito a melhores condições de saúde, alimentação, educação e todas as regalias que o dinheiro pode comprar.

No entanto – e aqui entre nós -, o que é que justifica o direito de herdar? O que é que explica, social e economicamente, que alguns nasçam com mais direitos do que outros?

Na verdade, nada, exceto o fato de que as leis são criadas e impostas pelos poderosos. Exceto pelo fato de que os próprios legisladores são filhos do poder e possuem interesse total em retransmitir sua herança aos filhos e aos filhos dos filhos. O mesmo quanto ao judiciário, cujo papel principal é o de aplicar “corretamente” as leis criadas pelos donos do poder, do qual faz parte. É um circulo vicioso infernal e interminável, tão vicioso que já me repeti aqui dezenas de vezes. Ou seja, democracia continua a ser conversa fiada.”

Claro como água não poluída pelos dejetos dos lamentáveis larápios executivos, legislativos e judiciários... além de banqueiros, grandes empresários  e donos da grande imprensa, naturalmente.



UM EXEMPLO DE JORNALISTA

Pau Comeu homenageia, nessa edição de 07 de maio, o jornalista Geneton Moraes Neto, pelas reportagens espetaculares mostradas no Canal Brasil (programa “Dossiê Globonews”).

Discípulo declarado de Joel Silveira, a quem se referiu com as seguintes palavras:

“(...) tive a chance de conviver intensamente, durante vinte anos, com aquele que é considerado o maior repórter brasileiro. Uma vez, bati na porta do apartamento do ex-correspondente de guerra Joel Silveira, no sexto andar de um prédio da rua Francisco Sá, em Copacabana, em  busca de uma entrevista. Nascia ali uma convivência que se estenderia por exatas duas décadas.”

No seu programa, “Garrafas ao Mar: A Víbora Manda Lembranças”, Geneton entrevistou Joel pouco antes de sua morte. O problema das resenhas publicadas nos aparatos jornalísticos sucursais d’O Globo, como o G1, por exemplo, é que as partes mais deliciosas são cortadas.

Procurei, mas não achei, sobre a pergunta feita por Geneton a Nelson Rodrigues, sobre a derradeira frase que o dramaturgo diria antes de morrer, tendo ouvido como resposta: “Marx foi uma besta!”. Geneton, então, fez a mesma pergunta a Joel Silveira, que respondeu: “Nelson Rodrigues é uma besta! Pois só pode ser uma besta quem disse que Marx foi uma besta!

No programa com o ex-ministro Reis Velloso, uma informação interessante foi publicada: que achava que os militares deveriam terminar com a intervenção armada com o fim do tempo do Castelo Branco e promover eleições diretas, que seriam disputadas por  Lacerda e Juscelino, em 1965. Mesmo assim, o ex-ministro serviu a dois ditadores, Médici e Geisel, inscrevendo seu nome como co-participante da ditadura. A outra informação, estou procurando até hoje: Reis Velloso e o general golpista Golbery do Couto e Silva (o gênio da raça, segundo Glauber Rocha e inspirador do Élio Gáspari) papeavam sentados nos respectivos tronos, vizinhos, no banheiro do Palácio do Planalto, sobre as grandes questões nacionais. Assim, muitas coisas geniais foram verdadeiramente obradas durante os respectivos jorros excrementais.

Já não se fazem repórteres como Joel Silveira, com a honrosa exceção de Geneton Moraes Neto.

Para encerrar, cito a citação de Geneton, sobre o gesto anônimo de um pichador mexicano que, cansado de viver num planeta sem utopias, pediu: “Chega de realizações! Queremos promessas!”. E completou: “Se fosse se ocupar do jornalismo, o pichador bem que poderia dizer: “Chega de objetividade! As notícias já vi na internet e na TV! Quero vivacidade, imaginação, arrebatamento, ousadia!” (...)”

 

FRASES PARA O DISCURSO DE POSSE DE FHC NA ACADEMIA

O DATAPAU saiu às ruas para pesquisar as sugestões da plebe ignara para frases que contemplarão o discurso de posse do ex-intelectual Fernando Henrique Cardoso na Academia Brasileira de Letras. Como os leitores sabem, no DATAPAU não existe margem de erro e todos os percentuais são inteiros.

Entre as mais votadas, surgiram:

1º) “Esqueçam o que escrevi!”, com 60%;

2º) “Todo aposentado é vagabundo!”, com 30%; e

3º) “Sou mulatinho, tenho um pé na cozinha.”, com 10%.

Pau Comeu deseja ao futuro enfardado  ótimos chás-das-cinco, trocando figurinhas com José Sarney e Merval Pereira, além das orações para  Roberto Marinho in memoriam. E que prepare sua vaga para Arnaldo Jabor.

Por falar nisso, segundo Millôr Fernandes, “A ABL nada mais é do que uma sociedade com 39 membros e um morto circulante”.

 

JÓIAS DO PENSAMENTO À MANEIRA DE DANUZA LEÃO

Um amigo meu, que conhece o mundo muito melhor do que eu, disse que, em Tóquio, presidentes de empresas varrem a calçada das ruas em que moram. Em Manhattan (não a Connection, claro) banqueiros usam o metrô para ir para o trabalho. Em muitos países europeus, o que distingue a elite é o conhecimento.

Aqui em Pindorama, os que ocupam o topo da pirâmide acham-se diferentes, especiais, exclusivos, aristocráticos e o escambau. Para os referidos, o que interessa é saber que só poucos, como eles, podem desfrutar de alguns encantamentos especiais. Quando a democracia distributiva de renda permite aos menos aquinhoados a oportunidade de viajar de avião, então aí não vale, acabou a brincadeira, perdeu a graça. O jeito é viajar para outros paraísos, os fiscais de preferência. Para eles, não basta enricar, tem que tripudiar sobre o resto.

Caberia, na cabeça de Dona Danuza Dondoca Leão o seguinte pensamento:

Tenho passado as noites em claro, apavorada, já que sou totalmente dependente de uma ajudante doméstica. Que felicidade entrar numa casa e sentir que por ali passou uma abençoada mão de fada, com aquele toque de talento que Deus não me deu. Troco essa ajuda por qualquer vestido, carro, viagem, jóia... Nada melhor que uma casa bem arrumada e cheirosa.”
 

ABRINDO O BAÚ

No ano de 2005, o autor, atravessando uma fase de mais baixos do que altos, como quase sempre, começou a escrever umas reflexões que, somadas, iriam constituir -se em um livro intitulado “Humores & Rancores Em Doses”, uma espécie de “Balaio de Gatos e Ratos”, do qual fazia parte a crônica seguinte.

OS RATOS

Detesto os ratos, sem exceção.

Nem livro a cara do Jerry, que vive sacaneando o Tom. Reparando bem, o Jerry é um tremendo mau-caráter, quando a coisa engrossa apela para o cão. O cão não tem nome, é o Cão. O Tom apenas cumpre sua natureza de gato que caças ratos.

Além das acepções comuns aos ratos, existem outras mais interessantes quando os humanos metem a colher na briga.

O rato é um mamífero roedor, mama e rói. Entre as várias espécies, tem rato-boiadeiro, branco, calunga, caseiro, catita, coro, d’água, de barriga branca, de casa, de esgoto, de espinho, de paiol, de pentes, do bambu, do mato, doméstico, preto, toró. Dá um time e seis reservas.

Daí que tem rato em todo lugar. Tem rato de hotel, de praia, de sacristia.

O brasileiro batizou de ratos os tratantes e os canalhas. São curiosas as derivações. Ratinhar é economizar exageradamente, regatear. Ratar é morder. Ratuíno é ordinário. Ratuína é prostituta reles.

Todo rato gosta de queijos. Alguns, mais sofisticados, apreciam queijos e vinhos. Por coincidência vestem-se de gravata e colarinho branco.

Quem quiser acabar com a rataria que compre um raticida...