terça-feira, 27 de novembro de 2012

EDIÇão Nº 15: O REI ESTÁ NU


POMBO CORREIO

E continua o problema da ausência de fotos e desenhos e ilustrações. Perdão, leitores!

TRIBUNAU CONDENA: (2) O rei está nu

Carnaval nota 10

2011, o Carnaval cai em março, de 05 a 08.

Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, cheia de encantos mil.

O carnaval de rua voltou para sempre, com os blocos, suas criativas fantasias e nomes divertidos, além dos mijões dos quatro sexos.

Na Sapucaí, o de sempre.

Uma rede de televisão comanda o espetáculo, com seus medíocres comentaristas e as famosas raras exceções, não escondendo suas preferências. Mesmices, erros de concordância e poucas novidades.

Se o Carnaval é uma arte, poucos duvidam disso, e arte cinematográfica, o que parece que virou, então os que se interessam, e são muitos, vão poder se deliciar, entra ano, sai ano, com uma seqüência (com trema, revisor) de repetições, à exaustão, como se fosse uma novela sem fim, até que umas três ou quatro Escolas Tradicionais resolvam se unir e partam para um desfile de Escolas de Samba, daquelas em que o Samba é a razão maior e única de ser.

Entre os diferentes interesses, os confessáveis e os inconfessáveis.

Entre os primeiros, os daqueles que confessam seu amor e sua paixão por sua Escola preferida, geralmente escolhida desde que, ainda crianças, ensaiavam os primeiros passos e rodopios. Dependendo da idade, os passos de samba foram ganhando velocidade, passaram a passos de marcha (nada contra as deliciosas marchinhas carnavalescas, mas seu lugar é outro, era nos corsos e nos clubes, agora é nos blocos), até que resolvam todos ir para Pernambuco, pois é lá que se dança o verdadeiro Frevo, a dança de velocidade máxima, que parece ser o ômega das atuais escolas de samba.

Entre os que professam os interesses inconfessáveis, além daquela rede de televisão e suas duas agremiações coligadas preferenciais, destaques para os criminosos de colarinho branco, disfarçados pelos colares havaianos coloridos, que dão um ar de respeitabilidade que não possuem quando vestem a verdadeira fantasia do resto do ano e vão desfilar suas verdadeiras vocações nas devidas instituições públicas e privadas, sustentados por nós, os eternos otários.

E ainda, as celebridades sem talentos, que tiram a roupa para mostrar seus verdadeiros dotes artísticos, seios e bundas no atacado e no varejo.

E, ainda, ainda, os jogadores de futebol, que se arrastam pelos gramados durante o ano, mas esbanjam invejáveis preparos físicos nas escolas de marcha.

E ainda, ainda, ainda, os criminosos agraciados com a alcunha eufemística de contraventores, que se associam em bandos para fazer a maior festa do planeta, muitos dos quais carregando nas costas uma sacola cheia de inumeráveis processos que nunca se transformam em sentenças de prisões. Isso sem falar nos patrocinadores que devassam os camarotes vendendo cervejas de qualidades duvidosas, com uma devassinha anunciando, com carinha de virgem, dizendo que detesta gosto de qualquer cerveja.

Outra grande curiosidade do desfile são as notas, de oito a dez, com intervalos decimais, para dar uma sensação de equilíbrio que nunca existirá. Nesse ano de 2011, o fogo queimou as notas de três agremiações, que não concorreram, com a garantia de não caírem para a segunda divisão. Das que concorreram, seria fácil deduzir que São Clemente e Porto das Pedras ficariam com os últimos lugares disputados, e a tradicional Acadêmicos do Salgueiro, depois do mico kingkonguiano, como estampou em manchete apropriada um jornal carnavalesco local, bem perto das últimas.

O Cristo crítico do Joãosinho Trinta não pôde, anos atrás, obrigado a desfilar oculto sob uma capa plástica preta, mas o Cristo Pai do rei pode, afinal rei é rei e pode usar qualquer símbolo para santificar sua pretensa e pretensiosa majestade.

Uma medida para aumentar a sensação de equilíbrio seria colocar Cristo em todas as escolas, aí teria que haver empate nesse quesito, pois estaria garantida a onipotência, onisciência e onipresença, resultando em uma desejável equivalência.

Assim o Filho de Deus não interferiria no resultado. Também, quem sabe, para reforçar o conceito, toda Comissão de Frente deveria portar uma tabuleta com os dizeres “Jesus Cristo eu estou aqui”. Isso ele disse anos depois de gritar ‘’E que tudo mais vá pro Inferno!”, que positivamente não é o endereço do Avô do rei, rei de que mesmo? Ah... da velha Jovem Guarda, não a Velha Guarda da Portela nem da Mangueira, mas das coroas desesperançadas e das mulheres mal-amadas.

E assim se dispôs o Carnaval de 2011, o Carnaval Nota 10!!!!!!!!

Da realeza dos camarotes, da democracia relativa das arquibancadas, dos confessáveis e dos inconfessáveis, ainda um espetáculo, mais que nunca cinematográfico.

Voltando às notas, uma contradição, pois se é arte, se arte se admira e se arte não se compara, ou não deveria ser objeto de comparação, aconteceram coisas mirabolantes e que merecem uma abordagem mais minuciosa.

Por exemplo, das 450 notas válidas, incluindo-se as descartadas, 36% foram nota 10 (dez), 20 % foram nota 9,9 e 20 % foram nota 9,8, totalizando 76 %. Se adicionarmos os 12% de notas 9,7 e os 5% de notas 9,6 restariam apenas 7% para notas de 9,5 para abaixo. Por que, então, não aumentarem a falsa sensação de equilíbrio, colocando o mínimo em 9,6 e o máximo em 10? Ou então 5, 4, 3, 2, 1? Quem sabe zero para quem tirasse 9,5  ou menos? Não, não pode, não é a mesma coisa, o locutor oficial tem que poder berrar Deeeeeeez!!! Nota Deeeeeeez!!! Assim, tonitruante ou tronitoante, causará orgasmos múltiplos  nas galeras das arquibancadas e nas mesas das elites presidenciais.

Se no total 36% foram de notas 10, a vencedora, quase à imagem e semelhança da perfeição, teve 86% de nota máxima. É a escola que não erra, ninguém atravessa o desfile, não há claros entre as alas, o samba é sensacional, produzido por 8 parceiros, cada um contribuindo com 3,375 versos. Tudo isso, claro, sob as bênçãos do Pai do rei, do Filho do Avô do rei.

Em tempo, o melhor verso foi o primeiro: “A saudade”. O segundo melhor foi o último: “E mostrar pro mundo essa simplicidade”. Genial! O primeiro verso rimando com o último, com outros 25 no meio, o samba deve ser candidato à melhor letra de todos os tempos. Quem é “Tira o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor”, frase de Guilherme de Brito e Alcides Caminha, musicada pelo homenageado pela Escola que ganhou medalha de bronze, perto daquela obra-prima? Mas o recorde de parceiros foi da última colocada, com 14 compositores para a elaboração de 30 versos, com 2,142 versos per capita. Que teve apenas uma nota dez.

Vejamos a principal discrepância entre as notas dos jurados em um dos quesitos mais importantes, a mais escandalosa, no julgamento da Bateria: Beija-Flor (Máx=10, mín=9,9); Unidos da Tijuca (Máx=10, mín=9,8); Mangueira (Máx=10, mín=9,0). Fiquemos por aqui, pois todas as demais tiveram discrepâncias menores que a da Estação Primeira, nesse quesito específico, Estação Última. Os entendidos em bateria disseram que a “paradona” de 20 segundos, usada pela primeira vez na História das Escolas de Samba, foi uma ousadia absolutamente inovadora, surpreendente, e que “caiu bem” na composição, sem atravessar o samba. Pois bem, dois jurados deram nota 10, concordando com os entendidos, dois jurados ficaram “levemente incomodados”, tirando um décimo, e um, que deve ser um gênio da raça, ficou deveras puto com aquele silêncio ensurdecedor, pois tirou um ponto.

Poderia parar por aqui. Mas, vejamos a principal coincidência: a vencedora, em 5 dos 10 quesitos, obteve a concordância de todos os jurados, que foram perfeitamente coincidentes em observar a perfeição da nota 10. Enquanto isso, a segunda colocada só em 1 dos 10 quesitos (Comissão de Frente, reconhecida como novidade) obteve tal louvor, e a terceira em dois quesitos foi tida como perfeita (Enredo e Samba-Enredo, dois dos três mais importantes em se tratando de samba).

O festival de notas 10 da vencedora do desfile foi obra de Deus, ou de seu Filho, ou de seu neto, o rei vestido de azul. Vestido de azul?

O abraço unindo o rei da velha jovem guarda e o rei da contravenção foi esclarecedor.

Alguém, na multidão, com certeza viu que o rei estava nu.

Belo Horizonte, 11 de Março de 2011.

Paulinho Pavaneli, um sambófilo.


ESPORTES

 
Os pagadores da promessa

 
Uma das principais provas de amor que um filho pode dar ao pai é segui-lo, sem contestação, na escolha do time de coração.

É clássico o exemplo de um pai, flamenguista, dispor sobre a cama, ao filho nem bem recém nascido, duas camisas, uma de fundo branco, com duas faixas horizontais, uma vermelha e outra preta, e outra vermelha e preta em listras horizontais intercaladas, dizendo para que o guri escolha, livremente, qual das duas prefere. O menino escolhe a segunda, porque chama mais atenção, e só depois de alguns aniversários vai perceber que ambas traziam no peito o mesmo distintivo.

Esse exemplo cabe para todos os pais, todos os filhos e todos os times, só variando as cores dos idolatrados pavilhões.

Não submeti nenhum dos meus três filhos a tal processo democrático de escolha, o que deve explicar meus dois fracassos compensados pelo único sucesso.

Entre os fracassos, o do filho mais novo, por influências dos amigos de escola, um dia chegou em casa, esperou o momento mais apropriado e declarou, respeitosamente, que era atleticano. Não tive um ataque cardíaco, senão não estaria aqui escrevendo essas lembranças.

Entre os que mais o influenciaram na traição, um permaneceu na condição de grande amigo, mesmo depois de seguirem cursos e vidas diferentes, levando nos respectivos corações, como denominador comum, a paixão pelo Galo.

Entre as maiores curiosidades dos torcedores de Minas Gerais destaca-se o ódio pelo adversário, cuja derrota causa mais prazer que uma vitória do próprio time.

Um dia esse meu filho traidor telefona para aquele amigo, aquele que foi o responsável pela traição, para convidá-lo para uma festa na casa de não sei quem, para encontrar os amigos comuns.

A resposta negativa causou estranheza em princípio, transformando-se em clareza total após a explicação.

A resposta foi a seguinte: que ele e o pai, atleticano que teve sucesso em todas as três tentativas que fez, estavam viajando para Aparecida do Norte, para agradecer uma graça alcançada.

Com que finalidade? Agradecer uma doença curada em pessoa da família? Agradecer o prêmio ganho na loteria? Agradecer o emprego com carteira assinada obtido pelo filho? Agradecer a dádiva de ter uma família unida durante tantos anos?

Nenhuma das perguntas-respostas anteriores.

A viagem estava sendo feita para agradecer a intervenção miraculosa de Nossa Senhora da Aparecida, a padroeira do Brasil, pela derrota do rival, aquele time de azul, na Copa Libertadores da América, para um time argentino.

Promessa feita, promessa cumprida.


Belo Horizonte, 01 de Maio de 2010.
Paulinho Pavaneli.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

EDIÇÃO Nº 14: " A COR DE DEUS"


FISCALIZANDO AS NATUREZAS

Aposentado mal remunerado  fica andando a pé e filosofando...

Depois que descobri que para ser filósofo no Brasil basta escrever um monte de merdas, vide Merval Pereira em “O Globo”, me animei e, tentando manter o bom-humor, sempre que possível, o que é um exercício difícil, afinal o adversário está sempre querendo sacanear a gente o tempo todo...

Resolvi assumir meu lado filósofeérico e proclamo minha primeira frase original:
“A aposentadoria tem duas faces. Uma ótima e outra péssima. A ótima é que todo dia tem cara de sábado! A péssima é que é muito sábado pra tão pouco dinheiro...”       

 

ESPORTES

A COR DE DEUS

É uma dúvida transcendental.

Sendo um Espírito, não deveria ter cor, nem sexo, nem imagem.

Mas tem gente que teima em fazer Deus à sua imagem e semelhança.  

Que Deus tem cor branca, sexo masculino e imagem parecida a de artista de cinema, com olhos azuis, pois seu DNA certamente impregnou seu filho Jesus, assim representado por belos artistas americanos, loiros, naqueles filmes épicos que nos impressionaram em nossas infâncias. Filmes que nos fizeram chorar tantas culpas que não tínhamos.  Com orações que pagamos de castigo... justo na hora do pique-esconde ou da pelada com bola-de-meia...

Como é que as cores dos países do mundo, que Ele criou, O representam?

O vermelho é comum a ricos e pobres, deve ser por causa do sangue que uns e outros verteram ao longo dos séculos, uns entrando com a espada e outros com os respectivos pescoços.

A julgar pelos mais bem aquinhoados, azul e branca seriam as cores preferenciais. Encaixam-se nesse modelo os americanos, os franceses e os ingleses, por exemplo. Não por acaso, eméritos colonizadores. O preto e o marrom, nem pensar. Não por acaso, colonizados.

Os países africanos, em sua grande maioria, são verdes, vermelhos e amarelos. Não são azuis, vermelhos e brancos.

O Brasil, como é do conhecimento até do Dunga e do Zagalo, tem as cores: verde, amarelo, azul e branco. Fica no meio do caminho, com o azul e branco no camarote e o verde e amarelo na geral. O Brasil não tem vermelho. Quer dizer, não tem na sua bandeira, mas nas de alguns dos seus times, bem como no sangue dos pescoços dos menos aquinhoados.

A transposição da conversa para o futebol faz sentido quando se observa que, ao fazer um gol, o atacante invoca Deus. Ao fazer uma defesa, o goleiro invoca Deus.

Deus joga? Ao que se saiba, não.

Não há nos antigos e novos Testamentos nenhum Ricardo Teixeira nem Galvão Bueno, ainda bem, né? Afinal, Deus é justo e verdadeiro, além de brasileiro...

Por Seu espírito de justiça, igualdade, fraternidade e liberdade, todos os jogos terminariam empatados e todos os clubes e seleções seriam campeões, nenhum ficaria em último lugar.

Assim, no futebol, uma brincadeira que Deus inventou para Seus filhos passarem a maior parte do tempo e não se preocuparem com coisas mais sérias, Suas cores abrangeriam todo o espectro... e aí incluiria entre Seus diletos, todo o arco-íris, os gays, por que não?

Com Deus fora do jogo, senão teríamos uma série interminável de empates, resta o ser humano com todas as suas minúsculas pretensões, resumidas em duas palavras, vitória e derrota.

Na vitória, Deus foi justo para quem venceu e injusto para quem perdeu. Justo, mesmo permitindo a entrada no Céu daquele juiz safado que não marcou aquele impedimento escandaloso que definiu uma vitória injusta. Na derrota, Deus foi justo porque aquele pênalti não existiu e o juiz, Seu representante nas quatro linhas, achou por bem se arvorar em deus e dane-se o time derrotado, porque o pênalti foi convertido.

Deus joga?
Ao que se saiba, não.
Ainda bem que não.
Deus?
Deus tem mais o que fazer...

 

                                                                               Paulinho Pavaneli, Maio de 2010, Ano da Copa XIX.

 

 

NOVA COLUNA

O PAU COMEU tem o prazer e a satisfação, além do regozijo, de inaugurar, em efeméride, uma coluna denominada:

“PAU COMEU É TRIBUNAU”.

 Com isso, vamos considerar criminosos todos os que o Tribunal Oficial não considera como sendo. Estamos aproveitando a liberdade de imprensa que premia as 4 Irmãs: Globo, Veja, Folha e Estadão, e demais congêneres PIG”s... Somos “PIGmeus”.

Como parte integrante da Grande Imprensa Tupiniquim, vamos deitar e rolar, nadando de braçada, porque sabemos assim nunca seremos condenados... podemos falar qualquer coisa sem ter que provar coisa nenhuma... Ninguém poderá nos condenar... Nem Joaquim Barbosa...

O nome da coluna será: O TRIBUNAU DO PAU COMEU CONDENA....

Para inaugurar, considerem-se condenados:

...Fulano de Tal, por falsidade ideológica...

...a mulher do Fulano de Tal, por não declarar com quem se casou...

...Fulaninho de Talzinho, por não possuir certidão de nascimento...

...e coisas do gênero, número e pessoa...

 

TRIBUNAU CONDENA: (1) As Globesteiras

Alvo de ofensas generalizadas quanto ao seu poderio econômico, a Rede Globo, maior organização de comunicação do país vem sendo, injustamente, acusada de parcialidade em suas notícias veiculadas nos jornais e nas suas emissoras de televisão.

Somos, todos, testemunhas de que a Rede Globo vem trilhando uma trajetória isenta em termos de conteúdo de suas informações.

Sua História não mente.

Basta ver a lisura com que se comportou durante a eleição para governador do Rio de Janeiro, na década de 1980, quando não tomou partido de nenhum dos candidatos e defendeu, com unhas afiadas e dentes rangentes, o tratamento igualitário entre os postulantes, oferecendo oportunidades semelhantes em espaço e tempo a todos. A apuração, em si, foi um espetáculo, teimando em confrontar o resultado das urnas.

Também se notabilizou pela excelente cobertura que fez da campanha das “Diretas Já”, sintonizada com os ideais democráticos dessa sofrida nação brasileira.

Para não dizer da verdadeira Escola de Âncoras de seus jornais televisivos, principalmente esse verdadeiro baluarte, o Jornal Nacional, que ficará para a eternidade: Cid Moreira, múmia consagrada, Sergio Chapelin, em pleno processo de mumificação, e o atual mumificante William Bonner, cara metade do primeiro casal de futuras múmias. Não é uma simples Escola, é uma Universidade Arqueo-paleontológica...
Ultimamente, no segmento jornalístico, vem aparecendo o extraordinário, fora do normal, espantoso Alexandre Garcia, o maior porta-voz de ditadores de todos os tempos. Se o sentido aurelibuarquiano de porta-voz significa “pessoa que fala, não raro oficialmente, em nome de outrem”, quer dizer também “instrumento semelhante a uma trombeta, usado para reforçar a voz de quem fala por ele”. Qualquer que seja a acepção escolhida, o porta-voz não fala por si.  Ao posar seminu em revista de grande credibilidade, que faz jus ao nome porque tem pouquíssima coisa para ler, quem sabe estaria tentando uma carreira de modelo, pena que fracassada, pois continuamos condenados a ouvir sua voz falando em nome de outros, incapaz de emitir uma opinião própria. Opinião imprópria, sempre.

Não menos fundamental para os interesses culturais do país é sua Escola de Narradores Futebolísticos. Galvão Bueno, insuperável na arte de preencher o saco dos telespectadores, vem tentando criar sucessores, como, por exemplo, Cleber Machado e Luís Carlos Júnior. É páreo duro, sem favoritos, qual o mais chato dos três. E os comentaristas de arbitragem que comentam após a repetição do lance? São sensacionais! Não por acaso foram árbitros de desempenhos discutíveis. Os narradores ignoram que a televisão permite ao telespectador ver e enxergar o que está acontecendo.

Ao contrário do rádio, cuja narração apaixonada faz de qualquer pelada um clássico inesquecível, e por isso o rádio continua sendo maravilhoso em sua proposta, o problema da televisão é que a gente vê. Esses narradores deveriam pelo menos conhecer a história da televisão e se espelharem no exemplo de Rui Viotti, que, ciente da inteligência do telespectador, limitava-se a narrar quem estava com a bola, quem passou pra quem, quem fez o gol. Era, sobretudo, um narrador que respeitava quem estava vendo e ouvindo.

Mas... História não é bem o forte da Rede Globo. Cultura também não é não.

Basta analisar a grade da programação. Os programas educativos são transmitidos pela manhã cedo, bem cedo, pra ninguém assistir. Os jogos de futebol, para não atrapalharem as educativas novelas globais, são impostos na parte da noite, tarde da noite, talvez para respeitar o sono dos trabalhadores brasileiros, que não costumam levantar cedo. Pronto. No horário da manhã, para distrair as empregadas domésticas e donas de casa, o personagem central é o Louro José. O Big Brother Brasil, povoado de heróis pedrobialinos, isso nem merece mais que uma frase. Ou seja, se a cultura brasileira depender da Rede Globo, está condenada à mediocridade absoluta.

O Jô Soares, intelectual polivalente, entrevista a si mesmo. E faz escola, até no futebol, nos debates quem fala mais é o apresentador, que deveria apenas lançar o tema e ficar atento e interferir apenas para enriquecer a atuação do entrevistado. Não aprenderam nada com o Roberto D’Avila, por exemplo. Claro, não sabem o que é conexão.

O Faustão? Emagreceu.

Como não consegue ser incompetente todo o tempo, embora faça o maior esforço para conseguir tal façanha, as adaptações de clássicos da literatura brasileira são geralmente bem feitas, em suas minisséries.

Suas homenagens aos vultos da música popular brasileira, porém, pecam por esconder os artistas que são declaradamente avessos ao modo global de ser. Chico Buarque não faz parte da sua programação. O especial sobre Elis Regina conseguiu esconder João Bosco e Aldir Blanc. Quem conhece música brasileira sabe o que isso significa.

Os mais importantes fenômenos musicais do país, Chitãozinho e Chororó, Zezé de Camargo e Luciano, entre outros, são presenças constantes no vídeo global. Patativa do Assaré, por exemplo, não existe. Não nasceu nem viveu. Na Rede Globo, não. Cartola, Nelson Cavaquinho, Ciro Monteiro, por exemplo, nem pensar.

Sua cobertura de tragédias é extremamente competente. Parece até que vive disso.

Seu maior programa cultural popular é feito por uma apresentadora, esposa de um apresentador, que faz perguntas fundamentais sobre cenas de suas próprias novelas.

A Rede Globo é o Umbigo da Rede Globo.

Alguém um dia ainda vai perder tempo em calcular quanto tempo ela gasta falando de si própria. Mas aí será tarde demais.

A sina de imbecilizar o povo brasileiro, seu alvo primordial, estará consolidada.

Ou não.

Belo Horizonte, 28 de julho de 2010. Paulinho Pavaneli.

domingo, 25 de novembro de 2012

EDIÇÃO Nº 13: "DARCY RIBEIRO, MEU XODÓ"



BOOMERANG

>>>>>>>>>> O Coronel da Reserva do Exército Brasileiro, de nome Lício Augusto Maciel, declarou, em relação à repressão da ditadura, a seguinte pérola literária: “Os que resistiram, morreram; quem não reagiu, viveu.”

<<<<<<<<<< O Pau Comeu pergunta, ao Coronel Torturador, se Rubens Paiva reagiu, se Vladimir Herzog reagiu... e proclama, em palavras, que o Coronel Torturador, porque conivente, está condenado ao Esculacho e merece que seu nome seja declarado como TORTURADOR EMÉRITO DO GOLPE MILITAR DE 1964. Que seus filhos e netos saibam de quem se trata tal pai e avô.


ABRINDO O BAÚ

O livro “Meu time morreu antes de mim” , que só será publicado se e quando Deus quiser, reúne 11 crônicas. Escalo minha seleção política de todos os tempos, no esquema 4-3-3, que levou o Brasil ao bicampeonato mundial em 1958-1962. Comecei com Getúlio Vargas.

Continuo com DARCY RIBEIRO, que nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, no dia 26 de outubro de 1922.

Só posso recorrer ao grande Joaquim Maria, mais conhecido pelo sobrenome Machado de Assis, nas “Memórias Phostumas de Braz Cubas”, páginas 256, 394 e 186, para relembrar o Grande Darcy, com três frases definidoras:

                                    “Quem escapa a um perigo ama a vida com outra intensidade”.

                                    “(...) um grãozinho de sandice, longe de fazer mal, dava certo                                             pico à             vida”.

                                    “Deve ser um vinho enérgico a política (...)”.

 

Para ajudar um vizinho, naquela altura da vida classificado como um ex-marido-recém-separado-sem-casa-própria-de-volta-para-a-casa-dos-pais, ofereci-me para tomar conta do passarinho, um calopsita, que a ex-mulher não queria no resto de sua casa nada mais que o lembrasse, além das suas duas filhas.

Contrariando minha vocação libertária e ecológica tomei da gaiola e fiz a mudança para o meu apartamento, onde arranjei um lugar de destaque, perto do bar e do som, em cima da geladeira, com vista para a Serra do Curral e Serra da Piedade, cujo relevo majestoso e visual exuberante já estava sendo poluído pelos espigões, o tal progresso.

Com uma semana já tinha me afeiçoado ao bichinho: tinha topete, assobiava o Hino Nacional e passava o dia inteiro fazendo fiu-fiu... Batizei-o Darcy. Assim, sem poder preencher o vazio deixado pela enorme ausência, arrumei um jeito pragmático de relembrar, no dia-a-dia, o brasileiro topetudo, o brasileiro-brasileiro, o brasileiro bom-de-mulher. Ao alimentar o passarinho, com a alface verde e a semente amarela do girassol, alimentava em mim um pouco do legado daquele que considero o penúltimo brasileiro.

De qual Darcy lembrar?

(?) Do antropólogo que olhava o país com a visão do seu povo, que vivia em sincronia com a gente que aqui vive, goza e sofre em comum, que refletia com orgulho sua imagem de povo mulato, olhando-o com a ótica do casebre, que discursava mesmo numa simples entrevista com aquele tom candente marcado pela paixão dos proscritos, que dizia não ter compromissos com as próprias ideias e sim com a busca da verdade, que dizia esforçar-se para ser digno do drama do povo brasileiro, que ousou teorizar um país que tem vergonha de si mesmo?

(?) Do agitador cultural criador do Sambódromo?

(?) Do senador das leis da educação, da doação dos órgãos, e outras tantas?

(?) Do educador criador de Universidades e das escolas de tempo integral?

(?) Do ministro que queria reagir ao Golpe?

(?) Do professor que nunca precisou de giz, quadro-negro ou computador para ensinar?

(?) Do romântico admirador, namorando e namorado, comedor e comido, das mulheres brasileiras de todas as raças?

(?) Do amigo dos índios e dos negros, do povo em geral?

(?) Do ser humano que desafiou o câncer, dizendo aos sobreviventes que quase tudo é possível?

Saudades de todos os Darcys...

No Brasil quem morre vira gente boa nos jornais, independentemente do que fez em vida. Costuma-se passar uma borracha nas cagadas obradas, nos êxitos sacanas, fazer assepsia dos erros, essas coisas que transformam os mortos em mitos congelados.

Com Darcy não dá para fazer isso: quente, vivo, calor próprio e verdadeiro, paira na lembrança dos que irão depois ao seu encontro.

O que se escreve logo assim que um homem público parte, eis um tema que merece um estudo mais aprofundado. Confesso: chama-me a atenção esse fenômeno de revelar como os que ficaram viam os que se foram. Isso é História, e como tal deveria ser tratado. Nesses anos vividos lembro-me de quatro mortes de homens públicos que foram sentidas convulsivamente pelas multidões: Vargas, Juscelino, Tancredo e Darcy.

Imagens extraídas dos escritos que brindaram a última viagem do passarinho topetudo ajudarão a compreender o que significou o Professor... De tantas, escolhi oito que julguei representativas.

                        “(...) O seu enterro foi como ele quis – glauberiano, formidável, miscigenado e sincrético, misturando bandeiras, crenças e credos, negros e brancos, Bach e hinos patrióticos, réquiem e hosanas. Nunca se viu um funeral tão festivo e divertido. Nunca se riu, se cantou e se bebeu tanto num cemitério, dentro e em volta”.       Citação de Zuenir Ventura, no JB, 22-02-1997.

                        “(...) Em Campos, a missa de sétimo dia foi vetada pelo bispo Dom Roberto Guimarães, tanto no Campus da Universidade do Norte Fluminense (Uenf), criada por Darcy Ribeiro, quanto na Catedral Diocesana, sob a alegação de que o senador era ateu e votou contra a obrigatoriedade do ensino da religião nas escolas públicas”.  Reportagem no JB, 26-02-1997.

                        ”(...) Agora prestam atenção e me elogiam. Sabe por quê? Por causa    do câncer. O câncer tem um prestígio danado, seu moço.” Citação de Darcy no JB,22-02-1997.

                        “(...) Foi em Montes Claros que encontrei a mulher mais generosa que conheci. Chamava-se Almerinda e era a rainha das putas da cidade. Ela me recebia entre duas e três horas da tarde, que era quando tinha tempo livre e podia fazer de graça, com um menino de 15 anos, o que cobrava dos homens a partir das três e meia. Um belo dia, apareceu uma menina muito bonitinha e a Almerinda percebeu que eu estava interessado. Sem que eu soubesse, combinou uma transa e até   emprestou a cama. Nunca mais ganhei uma mulher de outra mulher, só da Almerinda”. Citação de Darcy no JB, 18-02-1997.

                        “(...) Eu cuido dos filhos dos outros.” Citação de Darcy, no jornal O Tempo, 18-02-1997.

                        “(...) outro orgulho é a beleza da paisagem de Minas, onde o homem não pôs a mão e o pé (...) Mas aí começa o capítulo das minhas tristezas. Os mineiros estão acabando com Minas, até as montanhas  eles conseguem roer (...)” Citação de Darcy, no jornal O Tempo, 18-02-1997.

                        “(...) A herança de termos sido o último país do mundo a acabar com a escravidão é hedionda. É a herança da capacidade de gastar gente como se queimasse carvão. De queimar negro, jogar no trabalho. Depois, quando estava velho, estava ruim, deixava fugir ou largava ao seu destino. Essa capacidade de tratar pessoas como coisa, essa perversidade intrínseca, que é a capacidade de matar, de torturar. É uma perversidade intrínseca na nossa herança, na nossa classe dominante. Nossa classe dominante está enferma de desigualdade, de descaso.” Citação de Darcy, entrevista a Regina Zappa no JB, 03-11-1996.                   

                        “(...) Que toquem os tambores de todas as tribos – do campo e das cidades. Morreu o grande pajé, foi embora o nosso bom selvagem, subiu aos céus o nosso feiticeiro. A utopia ficou sem sua encarnação. A política, a ética, a erótica e a poética perderam sua rima rica.” Citação de Zuenir Ventura, no JB, 22-02-1997.

Depois de tudo isso, um dia escrevi a seguinte carta.

"Caro amigo Professor.

Aproveito sua partida para mandar lembranças aos outros que estão por aí, você sabe quem.

Aproveito sua presença, ouvindo o assobio do passarinho, para confessar que no dia da sua viagem eu estava meio desanimado: era noite de um dia de segunda-feira, o pior da semana, em que os suicídios mais acontecem pelo menos nas estatísticas, em que os amores desabam, em que os projetos morrem, em que o ânimo de viver se esvai.

Quando cheguei em casa e liguei a tevê, soube da sua morte e, se fiquei sentido e muito, logo deixei o tom aborrecido e lamentoso, saquei na hora que não era bem isso o que você queria das pessoas que você influenciou na vida, daquelas que você fez a cabeça, como se costuma dizer. Senti só um grande vazio, como se um companheiro de conversas imaginárias de repente ficasse mudo, sem responder às dúvidas e indagações cotidianas.

Sabe, Darcy, nessas divagações às vezes era difícil achar um interlocutor que falasse a mesma língua, então o aluguei diversas vezes na tentativa de entender o que estava acontecendo.

Já tive o prazer de apertar sua mão, logo após nossa derrota na eleição para governador do estado do Rio de Janeiro, na sucessão do Brizola, quando eu era professor em Ouro Preto e você foi lá descansar depois da campanha, na casa de uma amiga comum.

Sabe, foi uma conversa rápida e à noite, quando fomos jantar, verifiquei que não entendia quase nada do que você falava, apesar de ter prestado muita atenção.

Não sei se foi só a emoção, não, era a velocidade do seu pensamento, passando de um assunto a outro como se quisesse falar de tudo ao mesmo tempo. Lento, não consegui aproveitar tudo o que gostaria do papo, lamento. Mas foi ali que percebi que você era de carne e osso, não de papel. E minha admiração atingiu o grau máximo no meu admirômetro.

Essas coisas que transcrevi logo acima, você deve saber, algumas você mesmo disse, outras foram ditas por pessoas chegadas. Procurei dar uma ideia do clima do que aconteceu logo após sua partida, os sentimentos que ficaram pairando no ar.

Do que pude perceber, o day after foi, na verdade, um hapenning, como deveria ter sido. Tudo nos conformes.

As mulheres, um caleidoscópio. As que choraram, as que sorriram, as que deram e as que se arrependeram de não ter dado.

Os políticos, da direita à esquerda, todos comovidos. Quais os sinceros, todos sabemos.

Os índios sem o grande pajé, quase foram barrados no baile. Os negros, sem o profeta da mistura. As crianças sem o tiozão, órfãs.

Minas, mais pobre, montes, menos claros, horizonte, menos belo, Brasil, menor...

As esquerdas, sinto muito, jamais se unirão: as vaidades não deixam. Vai faltar você, quem sabe a última liga capaz de fazer o milagre...

A quem não entendeu porque chamei você de “penúltimo brasileiro”, explico que nós, que sobramos, somados, somos no máximo o último inteiro."

...

E assim terminou a carta sem adeus.

 

 (Paulinho Pavaneli, em 1997)

ESPORTES

Se Patrícia Amorim for reeleita presidenta do Flamengo, então vou lançar a proposta de redenominar o clube para CRUBE DE RESGATE DO FRAMENGO.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

EDIÇÃO Nº 12: ESPECIAL "ocaso bruno"



O   CASO   BRUNO

(ocaso bruno)

O que seria dos cronistas sem os dicionários?

Estariam, claro, condenados ao fracasso sem perdão, sob pena máxima e reconhecimento mínimo.

Quando implodiu “O CASO BRUNO” lembrei-me de, numa de minhas freqüentes (trema arcaico) viagens aos dicionários, ter aprendido o significado da palavra BRUNO, adjetivo que significa “escuro, sombrio, ou pardo ou infeliz”.

 

OCASO, juntando artigo definido e substantivo, todo mundo sabe, significa “desaparecimento de um astro no horizonte, ou termo, fim, final, ou queda, ruína, decadência, extinção, morte, crepúsculo”.

A manchete do jornal chamou minha atenção para essa infeliz coincidência.

As palavras escondem significados além da imaginação de um pobre escriba.

Não vou tirar uma onda de que tenho apenas dezessete leitores, como alguns cronistas metidos a engraçadinhos gostam de proclamar. Contando comigo, somos dezesseis. Não vou desfilar seus nomes, não vou comprometê-los, quero manter minha seleta clientela. Não seria ninguém sem eles.

O fato é que título e subtítulo guardam entre si uma profunda e verdadeira relação. Deixo aos leitores a tarefa de criarem os vínculos mais adequados ao gosto de cada um.

Cuidarei de tentar estabelecer as minhas observações.

Minha pequena galera sabe que sou torcedor do Flamengo. Segundo alguns amáveis detratores, consideram-se meus amigos apesar de. Sou muito exigente em relação às coisas do Flamengo, acho o time atual um arremedo que às vezes me tira o ar e me causa medo. Sinto arrepios ao assistir um jogo contra qualquer adversário. Nunca sei o que vai dar como resultado, se vai ganhar um clássico ou se vai perder de uma galinha-morta. Nesse sentido, gosto de viver perigosamente.

Tenho um resto de memória ainda, apesar do passar dos anos, seletiva, viva em lembrar as admirações e os desafetos.

Entre as admirações, João Saldanha, técnico em raras ocasiões e sempre jornalista corajoso e competente. Quando técnico, perguntado sobre como lidar com Fulano de Tal, notório mau elemento, respondeu que não escolhia o jogador para se casar com sua filha, mas para jogar e ganhar uma partida de futebol e um campeonato. Com isso, deixava claro seu interesse. Sabia muito, escreveu sobre os subterrâneos do futebol. Se fosse levar em conta o bom comportamento dos seus atletas, será que encontraria onze para escalar?

Entre os desafetos, não vou dar cartaz para quem não merece. No futebol, a maioria dos dirigentes, entre os jornalistas especialmente os hipócritas que se acham os maiorais e que se locupletam com a dinheirama que corre nas veias de interesses inconfessáveis.

Se o goleiro do meu time defendeu pênaltis que deram o título, beleza...

Se ele ganha trocentos mil reais por mês, beleza...

Se ele gasta o dinheiro dele com o que quiser, beleza...

Se ele ganha dinheiro com propaganda, beleza...

 

Na função de jogador, dentro das quatro linhas, deve ser cobrado com vaias quando falha e premiado com aplausos quando acerta. É do jogo. E jogo é jogo...

Quando o goleiro do meu time, ao defender um colega de trabalho que teria batido na mulher, justifica o fato dizendo que é normal, quem nunca de vez em quando não dá umas porradas na mulher, entre outras barbaridades, deixa de ser jogador do meu time e passa a ser uma ameaça à sociedade...

Uma ameaça que, ao que tudo indica, materializou-se.

Isso não é fita, é vida real.

Alguém morreu.

Alguém matou.

Alguém escondeu o cadáver.

Parece que ao menos isso está evidente nesse tal de “O CASO BRUNO”. Ou será que ninguém morreu? Cadê a vítima? Existe um filho. Ainda. É filho de algum pai. Mãe, dizem, só tem uma. Pai pode ser qualquer um. Quem é o pai?

Pode ser dele, que a camisinha furou. E se não for? E se for de outro?

Aí vem a minha birra com isso que chamam de Justiça. Se o principal suspeito tem o direito reconhecido de não produzir provas contra si próprio e se por isso pode se negar a fazer um exame de DNA para provar a paternidade ou não, então, se o cadáver não aparecer, o que resta?

Resta que não houve crime?

Cadê a mãe do filho que ainda está vivo?

Dizem que morreu.

Quem não deve não teme. Ao se negar, o que podemos pensar?

Confissão de culpa?

Artimanha de advogado?

Tudo é possível num país que tem uma Justiça que cada vez mais perde seu valor e se transforma em justiça, ou justiça ou justiça.

 

Exemplos não faltam, seria até enfadonho relacionar, a imensa maioria envolvendo gente endinheirada que não vai  em cana.

Não sei se ele é inocente ou culpado do crime de morte e ocultação de cadáver... Mas de formação de quadrilha e liderança está mais do que evidente, basta ver quem, no meio daquela gente fina, tem mais dinheiro.

Achem ou não o corpo, o crime aconteceu.

Aprendi a duvidar de tudo o que tenha alguma relação com a justiça em meu país.

No que toca ao meu time, outros goleiros surgirão, como sempre, tão bons ou até melhores.

No que toca à sociedade, quem errou que pague, assim deve ser, embora nossa justiça nem sempre faça isso com a simplicidade que deve ter.

Fico por aqui.

No fim, o que resta são as palavras e seus significados.

Trata-se do desaparecimento de um astro no horizonte escuro. No caso, um ex-futuro astro.

Nada mais, nada menos que um final infeliz.

Apenas ruína, decadência sombria.

Um verdadeiro ocaso bruno.

E o Pimenta Neves?

Belo Horizonte, 19 de julho de 2010.

 

Paulinho Pavaneli.