POMBO
CORREIO
E continua o problema da ausência de fotos e desenhos e ilustrações.
Perdão, leitores!
TRIBUNAU
CONDENA: (2) O rei está nu
Carnaval nota 10
2011, o Carnaval cai em março, de 05 a
08.
Rio de Janeiro, cidade maravilhosa,
cheia de encantos mil.
O carnaval de rua voltou para sempre,
com os blocos, suas criativas fantasias e nomes divertidos, além dos mijões dos
quatro sexos.
Na Sapucaí, o de sempre.
Uma rede de televisão comanda o
espetáculo, com seus medíocres comentaristas e as famosas raras exceções, não
escondendo suas preferências. Mesmices, erros de concordância e poucas
novidades.
Se o Carnaval é uma arte, poucos
duvidam disso, e arte cinematográfica, o que parece que virou, então os que se
interessam, e são muitos, vão poder se deliciar, entra ano, sai ano, com uma
seqüência (com trema, revisor) de repetições, à exaustão, como se fosse uma
novela sem fim, até que umas três ou quatro Escolas Tradicionais resolvam se
unir e partam para um desfile de Escolas de Samba, daquelas em que o Samba é a
razão maior e única de ser.
Entre os diferentes interesses, os
confessáveis e os inconfessáveis.
Entre os primeiros, os daqueles que
confessam seu amor e sua paixão por sua Escola preferida, geralmente escolhida
desde que, ainda crianças, ensaiavam os primeiros passos e rodopios. Dependendo
da idade, os passos de samba foram ganhando velocidade, passaram a passos de
marcha (nada contra as deliciosas marchinhas carnavalescas, mas seu lugar é
outro, era nos corsos e nos clubes, agora é nos blocos), até que resolvam todos
ir para Pernambuco, pois é lá que se dança o verdadeiro Frevo, a dança de velocidade
máxima, que parece ser o ômega das atuais escolas de samba.
Entre os que professam os interesses
inconfessáveis, além daquela rede de televisão e suas duas agremiações
coligadas preferenciais, destaques para os criminosos de colarinho branco,
disfarçados pelos colares havaianos coloridos, que dão um ar de
respeitabilidade que não possuem quando vestem a verdadeira fantasia do resto
do ano e vão desfilar suas verdadeiras vocações nas devidas instituições
públicas e privadas, sustentados por nós, os eternos otários.
E ainda, as celebridades sem talentos,
que tiram a roupa para mostrar seus verdadeiros dotes artísticos, seios e
bundas no atacado e no varejo.
E, ainda, ainda, os jogadores de
futebol, que se arrastam pelos gramados durante o ano, mas esbanjam invejáveis
preparos físicos nas escolas de marcha.
E ainda, ainda, ainda, os criminosos
agraciados com a alcunha eufemística de contraventores, que se associam em
bandos para fazer a maior festa do planeta, muitos dos quais carregando nas
costas uma sacola cheia de inumeráveis processos que nunca se transformam em
sentenças de prisões. Isso sem falar nos patrocinadores que devassam os
camarotes vendendo cervejas de qualidades duvidosas, com uma devassinha
anunciando, com carinha de virgem, dizendo que detesta gosto de qualquer
cerveja.
Outra grande curiosidade do desfile são
as notas, de oito a dez, com intervalos decimais, para dar uma sensação de
equilíbrio que nunca existirá. Nesse ano de 2011, o fogo queimou as notas de
três agremiações, que não concorreram, com a garantia de não caírem para a
segunda divisão. Das que concorreram, seria fácil deduzir que São Clemente e
Porto das Pedras ficariam com os últimos lugares disputados, e a tradicional
Acadêmicos do Salgueiro, depois do mico kingkonguiano, como estampou em
manchete apropriada um jornal carnavalesco local, bem perto das últimas.
O Cristo crítico do Joãosinho Trinta
não pôde, anos atrás, obrigado a desfilar oculto sob uma capa plástica preta,
mas o Cristo Pai do rei pode, afinal rei é rei e pode usar qualquer símbolo
para santificar sua pretensa e pretensiosa majestade.
Uma medida para aumentar a sensação de
equilíbrio seria colocar Cristo em todas as escolas, aí teria que haver empate
nesse quesito, pois estaria garantida a onipotência, onisciência e onipresença,
resultando em uma desejável equivalência.
Assim o Filho de Deus não interferiria
no resultado. Também, quem sabe, para reforçar o conceito, toda Comissão de
Frente deveria portar uma tabuleta com os dizeres “Jesus Cristo eu estou aqui”.
Isso ele disse anos depois de gritar ‘’E que tudo mais vá pro Inferno!”, que
positivamente não é o endereço do Avô do rei, rei de que mesmo? Ah... da velha
Jovem Guarda, não a Velha Guarda da Portela nem da Mangueira, mas das coroas
desesperançadas e das mulheres mal-amadas.
E assim se dispôs o Carnaval de 2011, o
Carnaval Nota 10!!!!!!!!
Da realeza dos camarotes, da democracia
relativa das arquibancadas, dos confessáveis e dos inconfessáveis, ainda um
espetáculo, mais que nunca cinematográfico.
Voltando às notas, uma contradição,
pois se é arte, se arte se admira e se arte não se compara, ou não deveria ser
objeto de comparação, aconteceram coisas mirabolantes e que merecem uma
abordagem mais minuciosa.
Por exemplo, das 450 notas válidas,
incluindo-se as descartadas, 36% foram nota 10 (dez), 20 % foram nota 9,9 e 20
% foram nota 9,8, totalizando 76 %. Se adicionarmos os 12% de notas 9,7 e os 5%
de notas 9,6 restariam apenas 7% para notas de 9,5 para abaixo. Por que, então,
não aumentarem a falsa sensação de equilíbrio, colocando o mínimo em 9,6 e o
máximo em 10? Ou então 5, 4, 3, 2, 1? Quem sabe zero para quem tirasse 9,5 ou menos? Não, não pode, não é a mesma coisa,
o locutor oficial tem que poder berrar Deeeeeeez!!! Nota Deeeeeeez!!! Assim,
tonitruante ou tronitoante, causará orgasmos múltiplos nas galeras das arquibancadas e nas mesas das
elites presidenciais.
Se no total 36% foram de notas 10, a
vencedora, quase à imagem e semelhança da perfeição, teve 86% de nota máxima. É
a escola que não erra, ninguém atravessa o desfile, não há claros entre as
alas, o samba é sensacional, produzido por 8 parceiros, cada um contribuindo
com 3,375 versos. Tudo isso, claro, sob as bênçãos do Pai do rei, do Filho do
Avô do rei.
Em tempo, o melhor verso foi o primeiro:
“A saudade”. O segundo melhor foi o último: “E mostrar pro mundo essa
simplicidade”. Genial! O primeiro verso rimando com o último, com outros 25 no
meio, o samba deve ser candidato à melhor letra de todos os tempos. Quem é
“Tira o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor”, frase de
Guilherme de Brito e Alcides Caminha, musicada pelo homenageado pela Escola que
ganhou medalha de bronze, perto daquela obra-prima? Mas o recorde de parceiros
foi da última colocada, com 14 compositores para a elaboração de 30 versos, com
2,142 versos per capita. Que teve apenas uma nota dez.
Vejamos a principal discrepância entre
as notas dos jurados em um dos quesitos mais importantes, a mais escandalosa,
no julgamento da Bateria: Beija-Flor (Máx=10, mín=9,9); Unidos da Tijuca
(Máx=10, mín=9,8); Mangueira (Máx=10, mín=9,0). Fiquemos por aqui, pois todas
as demais tiveram discrepâncias menores que a da Estação Primeira, nesse
quesito específico, Estação Última. Os entendidos em bateria disseram que a
“paradona” de 20 segundos, usada pela primeira vez na História das Escolas de
Samba, foi uma ousadia absolutamente inovadora, surpreendente, e que “caiu bem”
na composição, sem atravessar o samba. Pois bem, dois jurados deram nota 10,
concordando com os entendidos, dois jurados ficaram “levemente incomodados”,
tirando um décimo, e um, que deve ser um gênio da raça, ficou deveras puto com
aquele silêncio ensurdecedor, pois tirou um ponto.
Poderia parar por aqui. Mas, vejamos a
principal coincidência: a vencedora, em 5 dos 10 quesitos, obteve a
concordância de todos os jurados, que foram perfeitamente coincidentes em
observar a perfeição da nota 10. Enquanto isso, a segunda colocada só em 1 dos
10 quesitos (Comissão de Frente, reconhecida como novidade) obteve tal louvor,
e a terceira em dois quesitos foi tida como perfeita (Enredo e Samba-Enredo,
dois dos três mais importantes em se tratando de samba).
O festival de notas 10 da vencedora do
desfile foi obra de Deus, ou de seu Filho, ou de seu neto, o rei vestido de azul.
Vestido de azul?
O abraço unindo o rei da velha jovem
guarda e o rei da contravenção foi esclarecedor.
Alguém, na multidão, com certeza viu
que o rei estava nu.
Belo
Horizonte, 11 de Março de 2011.
Paulinho
Pavaneli, um sambófilo.
ESPORTES
Os pagadores
da promessa
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Uma das principais provas de amor que um filho
pode dar ao pai é segui-lo, sem contestação, na escolha do time de coração.
É clássico o exemplo de um pai, flamenguista,
dispor sobre a cama, ao filho nem bem recém nascido, duas camisas, uma de fundo
branco, com duas faixas horizontais, uma vermelha e outra preta, e outra
vermelha e preta em listras horizontais intercaladas, dizendo para que o guri
escolha, livremente, qual das duas prefere. O menino escolhe a segunda, porque
chama mais atenção, e só depois de alguns aniversários vai perceber que ambas
traziam no peito o mesmo distintivo.
Esse exemplo cabe para todos os pais, todos os
filhos e todos os times, só variando as cores dos idolatrados pavilhões.
Não submeti nenhum dos meus três filhos a tal
processo democrático de escolha, o que deve explicar meus dois fracassos
compensados pelo único sucesso.
Entre os fracassos, o do filho mais novo, por
influências dos amigos de escola, um dia chegou em casa, esperou o momento mais
apropriado e declarou, respeitosamente, que era atleticano. Não tive um ataque
cardíaco, senão não estaria aqui escrevendo essas lembranças.
Entre os que mais o influenciaram na traição, um
permaneceu na condição de grande amigo, mesmo depois de seguirem cursos e vidas
diferentes, levando nos respectivos corações, como denominador comum, a paixão
pelo Galo.
Entre as maiores curiosidades dos torcedores de
Minas Gerais destaca-se o ódio pelo adversário, cuja derrota causa mais prazer
que uma vitória do próprio time.
Um dia esse meu filho traidor telefona para
aquele amigo, aquele que foi o responsável pela traição, para convidá-lo para
uma festa na casa de não sei quem, para encontrar os amigos comuns.
A resposta negativa causou estranheza em
princípio, transformando-se em clareza total após a explicação.
A resposta foi a seguinte: que ele e o pai,
atleticano que teve sucesso em todas as três tentativas que fez, estavam
viajando para Aparecida do Norte, para agradecer uma graça alcançada.
Com que finalidade? Agradecer uma doença curada
em pessoa da família? Agradecer o prêmio ganho na loteria? Agradecer o emprego
com carteira assinada obtido pelo filho? Agradecer a dádiva de ter uma família
unida durante tantos anos?
Nenhuma das perguntas-respostas anteriores.
A viagem estava sendo feita para agradecer a
intervenção miraculosa de Nossa Senhora da Aparecida, a padroeira do Brasil,
pela derrota do rival, aquele time de azul, na Copa Libertadores da América,
para um time argentino.
Promessa feita, promessa cumprida.
Belo
Horizonte, 01 de Maio de 2010.
Paulinho
Pavaneli.