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O Autor, em abril, fica na moita. Mês difícil,
tanta coisa ruim... A última edição foi na transição 31-03/01-04, 50 anos de
trágica memória do Golpe Milico-Empresarial.
A de hoje é para, apesar das cinzas, abril não
passar em branco.
Tivemos ainda a farsa do 21 de Abril, comemorando
a liberdade sem povo em Ouro Preto, sob a batuta do candidato que promete
afundar a Petrobras e fundar a Petrobrax.
E também a farsa da comemoração da
Rede Globo no dia 25, 40 anos das Diretas Já, que a emissora boicotou na
época. Sua cara-de-pau só não é maior porque não cabe na telinha.
Mês de farsas...
E os pilantras nem disfarçam...
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CARDÁPIO
1)
A
ESCOLHA DE AÉCIO
2)
AS
GALINHAS DO FUX
3)
REI
MOMO
4)
21
DE ABRIL
5)
ÁLCOOL
EM PÓ
6)
ESTADO
DE DIREITA
7)
SOCIALISMO
ARIANO
8)
QUESTÃO
DE QUANTIDADE
A ESCOLHA DE
AÉCIO
À procura de uma mulher, o candidato da
Petrobrax...
Vice para enfrentar uma mulher, outra mulher, para
dizer ao eleitorado feminino, maioria, que também tem mulher na chapa.
Só falta esquentar. Alguns nomes já foram
ventilados: a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP) e a senadora Ana Amélia
de Lemos (PP-RS). A primeira é da terra de Serra, maior colégio eleitoral, e
além dos votos femininos poderia atrair os dos deficientes, sua área de
atuação. A segunda, por ser do PP, para enfraquecer a base da atual presidenta.
Parece que a tendência é paulistar... Uma terceira via é a ex-ministra do STF,
Ellen Gracie, recém-filiada ao tucanato carioca.
Bem, para reforçar o leque de possibilidades, Pau
Comeu, da cova de sua insignificância, sugere outros quatro nomes de altíssimo
grau de importância para valorizar o palanque tucânico.
A primeira, Raquel Sheherazade, que vem mostrando,
através de suas aparições na TV do SBT, estar afinadíssima com o pessoal da
massa cheirosa que pendura a não-cheirosa nos postes disponíveis. A segunda é
plural populacional, Márcia Milhomens, promotora que propôs monitorar os
telefones do Planalto via coordenadas geográficas, mais uma novidade na nossa atualmente
criativa Justiça. A terceira, Ana Maria Braga, é a encarnação da vigilância
sobre a inflação: quando um produto encarece, ela aparece na TV com um colar
denunciando o vilão. Sorte dela que a melancia não resolveu inflacionar. E, last but not the least, Ivete Sangalo,
que dispensa apresentação, por sua imensa popularidade junto às massas de todos
os cheiros.
Entre os homens já foram ventilados três
apaulistados (não são a pau listados,
revisão): Fernando Henrique Cardoso, mentor e guru do candidato da Petrobrax,
Serra, ex-inimigo quiçá futuro, e Aloysio Ferreira, ex-comunista arrependido de
seus arroubos juvenis.
Pau Comeu prefere as mulheres.
AS GALINHAS DO
FUX
Bons tempos de criança e adolescente: eu era feliz,
Ataulfo, e também não sabia. Lá no Rio Comprido do Rio de Janeiro, no sopé do
Morro da Liberdade, a rua vendo passar o bonde que ia para o centro da cidade. Primeira tarefa era a adaptação ao linguajar. Do
mineiro uai para o carioca xis.
Um verbo novidade para mim era o afanar. Sinônimo de surrupiar. O
carioca adorava nomes diferentes. No futebol, Arquibaldo era o torcedor da arquibancada, Geraldino o da geral. No crime desorganizado, mais para o informal,
Afanásio era o nome que batizava
esse tipo de ladrãozinho também conhecido como descuidista, amigo do alheio,
batedor-de-carteira, por aí...
Outro dia lembrei-me disso, pois um cidadão de nome
Afanásio, preso por roubar galinhas, ganhou as páginas dos jornais por ter seu
delito chegado ao Supremo Tribunal Federal para julgamento, percorrendo todas
as instâncias inferiores e não sendo nem condenado nem absolvido em nenhuma.
Realmente, esse fato diz bem da original Justiça
Brasileira, novidadeira como ela só.
Depois dos últimos atos do STF, em que alguns
exemplares da espécie humana só tiveram direito à instância superior, para que
não houvesse qualquer tipo de contestação, Afanásio e suas penosas conseguiram
chegar lá.
Seu delito vai ser julgado pelo excêntrico
humorista Ministro Fux. Atenção, revisão, não é Fucks não!
Corre-se sério risco de condenação das galinhas, à
revelia e post-mortem, por terem sido
comidas antes do julgamento final.
REI MOMO
Distraído, pensava que Rei Momo era uma figura
simbólica exclusiva do Carnaval, a maior festa da Cristandade depois do Natal,
do Reveillon e da Semana Santa.
Ledo Ivo engano, assim gostavam de escrever os
jornalistas de antanho, lembrando e homenageando o estimado escritor.
Tem Rei Momo fora de época e em outras festas. Vez
em quando surge um espécime.
O último apareceu nesse abril despedaçado.
Trata-se de um vereador tucano de Salvador, Bahia,
presidente do Sindicato dos Policiais Civis (?)(Militares não se sindicalizavam...)
de nome Prisco, se não me engano.
Se for prisco mesmo, é relativo ao passado. O que
não combina com o Partido de origem, que desde que fundado nunca viu um representante
ser encarcerado.
Temos afirmado, à exaustão, aqui nessa tribuna: a
experiência mostra que lugar de tucano não é na cadeia, em priscas eras
denominada xilindró.
Jaulas, sim. Gaiolas, idem. Cadeias, never.
Até aí morreu o Neves...
E por que Rei Momo?
Periga ser o Primeiro e Único.
21 DE ABRIL
As festividades desse dia sempre foram estranhas
para o locutor que vos fala.
Menino de primário, aprendi na escola pública
municipal que era para homenagear Tiradentes, o brasileiro herói da
Inconfidência Mineira.
Mais pra frente cantarolei o samba que dizia “Joaquim
José/ da Silva Xavier/ morreu a 21 de Abril/ pela Independência do Brasil./ Foi
traído/ e não traiu jamais/ a Inconfidência/ de Minas Gerais”.
O estranhamento começa quando adolescente, apresentado
ao dicionário, fiquei sabendo que a palavra “inconfidência” significava traição.
Mais precisamente, “deslealdade”, “infidelidade”, e principalmente, no caso,
“falta de fidelidade particularmente para com o soberano ou o Estado”.
Ora, como é que um herói da Liberdade pode passar à
História como traidor? O Estado era o português, éramos colônia que queríamos
liberta. “Libertas quae sera tamen”, dizia a bandeira de Minas, ainda que
tardia.
Foi assim minha primeira aula prática sobre como a
História é escrita e gravada com ferrete pelos poderosos e vencedores.
Estudante em Ouro Preto, ditador de plantão Costa e
Silva, 1967, Praça Tiradentes, 21 de Abril, povo tangido das ruas, festividades
dos golpistas milico-empresariais, estudantes cultivando ressaca da noite
anterior em meio à invasão de veículos de guerra e botas profanando as ladeiras
históricas, invadindo repúblicas à procura de subversivos, armas, livros. No
palanque do Golpe, as “autoridades” condecorando milicos aéreos, terrestres e
aquáticos, além de dezenas de civis bajuladores.
Parece que os milicos se foram, ficaram os
bajuladores.
Ouro Preto sofria. Ouro Preto sofre.
2014. 21 de Abril. Ouro Preto. Jornais mostram a
Praça Tiradentes novamente sem povo. Parece que foi ontem. Agora, “autoridades”
eleitas por voto direto condecoram novos bajuladores.
Recebo e-mail de um dedicado cidadão ouropretano,
que reproduzo na íntegra:
“Caros amigos,
Como vocês acompanharam, briguei contra o 21 de Abril oficial por muitos
anos. De pouco valeu a indignação dos ouropretanos: o Playcenter da
Inconfidência foi montado de novo na praça Tiradentes, espalhafatoso, caro,
repressor e politiqueiro.
Este ano, vamos fazer algo diferente: um 21
de Abril Popular.
No dia 27, domingo que vem, faremos uma
grande festa na praça Tiradentes para comemorar, ao nosso modo, a Inconfidência
Mineira. Sem cordão de isolamento, sem aparato roliudiano e sem discurso. Não é
uma festa contra ninguém. É a favor da Liberdade, da Alegria e da Cidadania.
Às 10h da manhã, faremos uma Mesa Redonda
sobre a Inconfidência, na Câmara Municipal. A partir das 14h, teremos
atividades artísticas, circo, fanfarra, filmes, exposição de fotos,
brincadeiras para crianças, apresentações musicais, homenagens a ouropretanos e
muito mais.
O evento é iniciativa de cidadãos ouropretanos, da Arquidiocese de
Mariana/Paróquia do Pilar e da FAMOP - Federação das Associações de Moradores
de Ouro Preto.
Neste Dia de Tiradentes, a praça vai ser sua
de novo. Participe.
Acompanhe no Facebook: 21 de Abril Popular.
Flávio Andrade – Cidadão”
ÁLCOOL EM PÓ
Trata-se de uma invenção revolucionária, noticiada
na imprensa também nesse mês de abril. Pelo visto, poderá ser dissolvido em
água e ministrado via oral. Ou, se o freguês preferir, aspirado. Tem gente que já
está elogiando o produto na segunda via, pois mata dois coelhos com uma só “pórrada”.
ESTADO DE
DIREITA
Mantida a tendência em vigor, a Grande Imprensa do
Brasil incentiva e aguarda a substituição do Estado de Direito pelo Estado de
Direita, não importa se via oral ou via nasal.
SOCIALISMO
ARIANO
Anos depois do socialismo moreno de Darcy e Brizola,
sepultado junto com os dois personagens, entra em cena o socialismo ariano. Não
se sabe ainda se deve o nome aos olhos azuis do neto de Arraes ou ao até agora inexplicável
apoio de Ariano Suassuna.
QUESTÃO DE
QUANTIDADE
Milicos, empresários, torturadores e simpatizantes
costumam argumentar que a Ditadura brasileira não deveria ter essa denominação.
Já propuseram trocá-la por ditabranda. Pau Comeu sugere ditamole.
Como razão, contabilizaram menos de 1000 mortos,
insignificância perto dos milhares de chilenos e argentinos, hermanos sacrificados na Operação
Condor.
Tomo emprestado um trecho de Luís Paulo Domingues:
“(...)Dizem que o filósofo Ludwig Wittgenstein foi colega de
classe de Hitler (Imagine sentar-se ao lado do Hitler na sexta série!). Mas é
incrível como, da mesma escola, saíram pessoas tão diferentes. Enquanto Hitler
achava que valia pagar o estigma de eliminar os judeus, os ciganos, os
mestiços... Wittgenstein, em um dos seus aforismos, escreveu: “-A dor de uma pessoa
é a dor da humanidade inteira.”
Pois é, ao mesmo
tempo em que afirmam que “Jango e sua camarilha comunista” iriam implantar uma
república anarco-sindicalista, e que possuíam aparatos militares capazes de
atingir tal proeza, a somatória inferior a 1000 cadáveres entre torturados e
abatidos demonstra claramente que não havia condições objetivas para que o
resultado fosse outro que não a dizimação dos que defendiam a legalidade
constitucional. Isso equivale a dizer que não houve resistência, na prática.
Já que insistem
em classificar de ditabranda, então fica combinado assim e para satisfazer o
cinismo dos que adoram rasgar a Carta Magna, ontem, hoje e amanhã, Pau Comeu propõe:
a)
De 1 até 999 mortos
>>>ditamole;
b)
De 1.000 a 9.999 mortos >>>
ditamédia;
c)
10.000 ou mais >>> ditadura;
d)
Acima de 100.000... genocídio.
A edição estava em
forno brando quando saiu a notícia da morte do torturador que confessou prazer
em torturar presos políticos, o coronel reformado do Exército Paulo Malhães.
Com requintes de crueza e frieza, admitiu, além dos métodos já consagrados pela
ciência anti-humana, a utilização de filhotes de jacaré e uma jiboia. Segundo
ele, “os filhotes não mordiam, só faziam um tec-tec com a boca”.
Se continuasse a
confessar outras barbaridades, não se sabe aonde esse soldado dos anos de
chumbo iria parar. Uma versão de seu assassinato é que teria sido objeto de “queima
de arquivo”.
A família, que
não sabia do hobby do patriarca, também não sabe o que pensar sobre o motivo da
sua morte.
A família é a
última a saber.
A do torturado.
E a do torturador.
