quinta-feira, 27 de junho de 2013

EDIÇÃO Nº 41: MOVIMENTO CONTRA TUDO

O autor, tomando uma, antes da Polícia de Geraldo, Sérgio,
Antônio e tantos outros adentrar o bar e acabar com a festa...



dia 27 de Junho de 2013




POMBO CORREIO

Um amigo manda um e-mail perguntando o que eu estava achando dessa zorra... Devolvi perguntando a mesma coisa. Solicito a quem estiver entendendo, que envie contribuições para o Pau, através de e-mail para o autor.

Pau continua firme e forte no seu inalienável direito de confessar sua perplexidade, e dá sua cara a tapa, esperando porradas de todos os pontos cardeais.

 

COMEÇO DE CONVERSA

 

Passando em frente a uma banca de jornal em BH, no dia 21 de junho, sexta-feira, um grupo de 4 coroas, e um deles dispara: “é preciso acabar com essa ditadura de esquerda no Brasil!” Mais adiante um pouco, uma senhora também idosa, carregando uma sacola, cantarolava baixinho: “tô nem aí... tô nem aí...

Duas posições tão distintas, a poucos passos de casa, longe do alarido das manifestações. Sigo em frente, pensando como que o Pau Comeu iria abordar esse momento tão peculiar da História do Brasil...

Digo logo, para simplificar, que não participarei desses eventos. De cara, porque detesto violência e tenho muito medo dela. Não adianta eu detestar, se do meu lado tem gente que adora. Gente de tudo que é tipo. Pacíficos e violentos. Pacífico, vou sempre estar em desvantagem. E a corda sempre arrebenta do lado do mais fraco.

 

IMPRESSÕES

 

Começando pelo fim, uma parcela dos manifestantes nunca saiu da rua, os assaltantes que há muito tempo vêm roubando com mais ou menos violência, desde tempos atrás.

No meio, existem vândalos nas ruas e nos palácios. Como classificar a mutilação do Maracanã, tombado pelo Patrimônio Histórico, e, literalmente jogado ao chão, com a conivência dos Poderosos Senhores Federais, Estaduais e Municipais?

No princípio, muita gente de bem e a sensação de que, sim, o País precisa com urgência de Mudanças Estruturais.

Vou tentar alinhavar algumas impressões, enumeradas em ordem caótica, no ritmo do movimento.

  • Aparecia o MPL, Movimento Passe Livre, coisa de estudantes, achava eu. Passe Livre, perguntava para os meus botões: por que não para todos?
  • Aí fui achando tudo muito estranho, pois o que via na TV e lia nos jornais congregava frases de todos os tipos possíveis, que, num primeiro momento, intitulei de MCT. MCT é o Movimento Contra Tudo.
  • Aí vem um monte de cartazes Contra a Corrupção. Perguntei-me novamente: alguém se declara a favor? Pelo que me consta, nem Maluf.
  • A faixa dizendo “Esse protesto não é contra a seleção, é contra a corrupção” apareceu na Globo. A faixa dizendo “Queremos hospitais padrão Fifa” não apareceu na Globo.
  • Confirmei minhas estranhezas quando li matéria de um repórter repetindo o que um manifestante gritava: “Foda-se o Brasil, nacionalismo é coisa de imbecil!” Não gostei, primeiro porque sou brasileiro, segundo porque gosto do Brasil, terceiro porque sou nacionalista.
  • A faixa “Fora políticos!” é de muito fácil concordância, mas é bom lembrar que todos eles foram eleitos. Por todos nós.
  • Não vou comentar o meia-volta-volver do Arnaldo Jabor, porque meu tempo é precioso. Mas vou deplorar, sim, o Ricardo Boechat dizendo que “tem mesmo que quebrar!” Quanto ao Faustão, depois que emagreceu perdeu o ar da graça.
  • O Jornalismo mais uma vez sai diminuído por causa da cobertura que esconde o que os patrões das 4 Famiglias não deixam publicar.
  • Um clamando “Sem vandalismo!”. Outro responde, com pedras na mão: “Sem moralismo!”. Como se o pacifismo fosse moralista.
  • Pela TV, atrás das chamas de um automóvel, uma parede com a inscrição: “Queremos Saúde e Educação!” Perto dali, pais carregando filhos nos colos, entrevistados respondiam que estavam dando aula de democracia para os pimpolhos... Seria aula prática?
  • Essa profusão de temas contrastava com as passeatas de que participei durante alguns anos; contra a Ditadura Militar, nos anos 60; pelas Diretas Já, nos anos 80; pelo Fora Collor, no início dos anos 90. Se tem que haver algum resultado, pela ordem: derrota de goleada, derrota com gol de pênalti roubado, vitória com gol em impedimento. Em comum uma palavra de ordem em cada uma, facilitando o posicionamento político. Outra coisa em comum: sempre, eu estava de um lado e a Rede Globo do outro, o que muito me honra.

 
  • Pra finalizar esta primeira parte, destaque para a palavra de ordem: “O povo unido não precisa de Partido!” Realmente estranho, a Ditadura Militar também dizia mais ou menos isso, tanto que fechou os partidos existentes e permitiu dois: “Partido do Sim” e “Partido do Sim, Senhor”. Que os nossos Partidos são vagabundos e ordinários, não há dúvidas, mas, ruim com eles, pior sem eles. Só votando, para fazer faxina...


Claro que não há mudanças estruturais sem embates, mas ainda consigo separar o que eu sinto do que pensam aqueles que são apenas bandidos, ladrões e saqueadores. Não vou pintar minha cara de verde e amarelo para encobrir a estupidez de facínoras de quaisquer espécies, fardados ou mascarados, executivos e executados, legisladores e legislados, julgadores e julgados.

 


CHEIRO DE GOLPE NO AR


A partir do protesto justo contra o transporte público que não é público, seguido das manifestações justas contra os desmandos decorrentes do Efeito Copa do Mundo, a maior burrice que Lula e seus falsos amigos fizeram nos últimos anos... E aproveitando a onda coletiva que não separa o justo do oportunista, adentraram no tapete cinza do asfalto os Golpistas... Que são os de sempre: as quatro famiglias da grande imprensa, manipulando como sempre as manifestações, publicando só o que lhes interessa...

Sugestão do Pau Comeu: unificação das bandeiras desfraldadas em torno de uma só reivindicação, talvez a única que poderia atender aos reclamos das referidas quatro famiglias: FORA DILMA! Porque ABAIXO A CORRUPÇÃO, por exemplo, essas corrompidas famiglias não teriam a cara-de-pau de proclamar...

 

CARTAZES

Não aconteceu até agora Concurso de Cartaz, mas até que podia ter.

Sugestão do Pau Comeu:

 
HÁ MAIS COISA NO AR ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA...
Barão de Itararé

 


DITADO POPULAR

“Tigamente” minha mãe costumava dizer, quando diante de uma discussão que parecia interminável, um ditado popular: “Em casa que não tem pão, todo mundo reclama e ninguém tem razão.

“Tualmente” seu filho é obrigado a mudar a frase: “Em casa que tem pão ou não tem pão, todo mundo reclama ou não reclama e todo mundo tem razão ou não tem razão”.

 

ELE NÃO COMPARECEU

Procurei, de lanterna na mão, o líder juvenil, expert em baladas, conduzindo a passeata dos seus coleguinhas de faixa etária, do centro ao Mineirão. Não achei... Se foi, tava usando máscara...

 

EM TEMPO

Sempre fui contrário à realização da Copa do Mundo no Brasil. Por quê? Por que temos bandidos demais, EM TODAS AS ESFERAS... Executivos, legislativos, judiciários e o escambau!

Nunca gostei de fardas, nem quando me fantasiaram de marinheiro quando eu tinha dois anos de idade...

 

TRILHA SONORA


De paixões confundidas quem é que tira a moral?

Fiquei pensando qual seria uma trilha sonora que retratasse com mais fidelidade os acontecimentos. Claro que Hino Nacional fica de fora, pois prefiro cantá-lo em ocasiões mais propícias. Meu patriotismo não combina com o patriotismo da Globo, por exemplo.

A profusão de ideias, muitas delas desencontradas, lembrou-me uma suruba, quase todo mundo sabe o que é, tendo participado ou não de alguma. Segundo Mestre Aurélio, há vários significados, então escolha o seu preferido. Prefiro o Sexual. Mas com Arte.

Foi então que me lembrei de um xaxado, entra no you tube que tem, letra de Aldir Blanc, melodia de João Bosco, música intitulada “Foi-se o que era doce”, que dizia assim, sobre a festa na casa do Ribamar:

 
Me descaderei de tanto xaxá
No bobó de noivado da fia do Ribamar
Vi quando cheguei as moça de lá
Cuzinhando uns inhame com os óio de arrevirá
Buzanfã de flor, chulapa de mel
E a covanca soprando um sussurro descido do céu
Tinha gago, anão, gente de azar
Com a espinhela caída
Pedindo pro inhame estalá

Jabaculê, virge, espetacular
Assunto assim às veis é mió calar
Mas des´que eu provei do bobó
Eu to roxo pra comentar
Sanfona, guitarra, batuque, berreiro e veja você
O vira-desvira, o caminho da roça e o balancê
Inhame e bobó, frango asado, cus-cus e maracujá
Puçanga, cobreiro, retreta, jarguete e tamanduá
Foguete beijando as estrêla e as moça lá

Zé Pinguilim, Chico do Pincel,
Paqueraro Lazinha que era muié de Xexéu
Serafim Três Perna resolveu chiá
Pois muié não é farinha que vai pra onde ventá
Deu-se um sururú de saculejá
Tudo dando e levando
Enquanto sem se mancar
Pedro Gargarejo com a mão no manjar
Preparava um caldinho pra  noiva gargarejá

Jabaculê,...

Fui acudi um que tava no chão
Tomei uma no ouvido de adevorvê o pirão
Foi um cimitério, foi um carnaval
De paixões confundidas quem é que tira a moral?
Pra ser sem-vergonha, basta ser decente
E quem vende saúde, possivelmente é doente
Foi-se o que era doce, ninguém quer contar
Quanto macho afinou-se na festa do Ribamar.

 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

EDIÇÃO Nº 40: LIBERADO O ACARAJÉ NO “NEW BRAZIL”...

O autor, fiscalizando o concurso "Acarajé no Rabo",
em Salvador, na Copa das Confederações...







POMBO CORREIO

Às mensagens enviadas pelos prezados leitores, maioria com elogios não merecidos, os agradecimentos.

Pau Comeu antecipa o lançamento desta Edição nº 40, que deveria acontecer no dia 17 de Junho. Motivo: essa sacanagem apelidada de Copa das Federações, véspera de Copa do Mundo, dando voz aos pilantras municipais, estaduais e federais, além dos internacionais, está causando vômitos incontroláveis no autor. Voltamos depois de passar essa esculhambação, no dia 27 de Junho próximo.


DOMÍNIO DO FATO:  O  RÉU  DOS  RÉUS


Como dizia José Saramago, com outras palavras mais competentes, é claro, esse tal de twitter, como instrumento de comunicação, é deveras perigoso, podendo ir na contramão do desenvolvimento da afetividade humana, encaminhando-nos de volta à caverna. De onde alguns de nós, diga-se de passagem, nunca deveria ter saído. Em mãos despreparadas, então, o twitter pode ser um desastre.
Parece que a frase do neto de Dona Josefa foi mais ou menos assim: o twitter é a antessala (prefiro ante-sala) do grunhido. Faz todo sentido quando, por exemplo, Dona Luzia Ferreira, deputada estadual do PPS-MG, cometeu a seguinte tuitada:

@LuziaFerreira23
“As obras da BR-381 foram anunciadas e adiadas várias vezes. Descaso do governo federal com Minas Gerais. Nos seis meses deste ano, morreram 124.”

Pau Comeu solicita de Dona Luzia que acione sua assessoria para preencher a seguinte tabelinha:

Período de Governo
Nº de Mortos
na  BR-381
Dilma
124 + ...
Lula
...
Fernando Henrique Cardoso
...
Itamar
...
Collor
...
Sarney
...
Ditadores Militares
...
Jango
...
Jânio
...
Juscelino Kubitscheck
...
Outros anteriores
...
Deus
Todos

 

MONTANDO O MINISTÉRIO TUCANO

Depois de Demóstenes Torres para o Ministério da Hipocrisia e Roberto Gurgel para o Ministério da Prevaricação, Carlinhos Cachoeira para o Ministério das Apostas de Alto Risco.



POLÍTICA URBANA EM BELO HORIZONTE? COMO ASSIM?

 
Pau Comeu abre espaço para acolher a manifestação dos professores João Tonucci e Daniel Medeiros, intitulada “política urbana às avessas em BH”, da qual extraiu o seguinte trecho que, mesmo retirado de um contexto mais amplo, mantém vida própria:


“(...)  Na perspectiva neoliberal da atual gestão municipal, o planejamento urbano não busca mais conduzir ou coordenar o mercado, mas se subordina ao mesmo ao criar as condições para a realização exclusiva do capital. É a política urbana às avessas, é a anti-Reforma Urbana mobilizada não apenas para desconstruir os direitos e as conquistas de anos de luta democrática, mas para aprofundar um modelo de cidade no qual não há espaço para o pobre, para o outro, para a diferença. Tal política urbana, que passa longe das prementes questões que atravessam nossa fraturada e injusta cidade, precisa ser discutida e questionada. Nesse sentido, o recente surgimento de movimentos plurais e coletivos organizados em torno da luta pelo direito à cidade – ocupações por moradia, Fora Lacerda, Fica Fícus, Praia da Estação, Atingidos pela Copa, Duelo de MCs, etc. – insere possibilidades concretas de enfrentamento potente ao projeto da cidade neoliberal em Belo Horizonte, projetando no nosso horizonte uma outra cidade possível.(...)”


A integra do texto, publicado em 12/06/2013, está disponível no seguinte endereço:

https://olhorua.wordpress.com/2013/06/12/politica-urbana-as-avessas-em-bh/


ESPORTES

1.Alguns números atrás,  minha “flamenguice” dizia que seria ótimo ficar em terceiro no Campeonato Carioca e não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro... A primeira parte cumpriu-se, a segunda não tá com cara de dar certo...
Pelo jeito, a promessa de acabar com a gastança irresponsável está com seus dias contados... É uma pena, pois se já foi verdade que no Flamengo craque se fazia em casa, o correto seria apostar em técnicos feitos em casa, vide os exemplos bem sucedidos dos funcionários Carlinhos e Andrade.

2.E não é que a Dona Fifa resolveu “permitir” o acarajé nos jogos de Salvador? É o fim da picada precisar do “favor” de uma quadrilha internacional para exercer uma manifestação cultural. Mas só pode para meia dúzia de baianas...
Rodando a baiana, Pau Comeu lança o Concurso “Acarajé no Rabo” dos digníssimos senhores Joseph Blatter (coleguinha do João Havelange e do Ricardo Teixeira), Jerome Valcke (que adora dar pontapé em traseiros brasileiros) e José Maria Marin (amigão do torturador Sergio Fleury). Ganha aquela que enfiar o maior número de acarajés, mas tem que ser fervendo, recém-tirados da panela para os objetivos...

3. O Povo Baiano proibiu a caxirola. Viva!

4. Haiti perdeu de 2 a 1 para a Espanha e empatou em 2 a 2 com a Itália. O Haiti é aqui!

5. América de Minas voltou a ser time grande: fez um gol de mão que não foi anulado.



BOOMERANG DA IMPRENSA LIVRE


>>>>> “Hoje (ontem) é o dia nacional da liberdade de imprensa. Parabéns aos profissionais da comunicação de todo país.”

Romero Jucá, senador PMDB-RR.

<<<<<< Agradecemos e dividimos os parabéns com as empresas Globo, Estadão, Folha de São Paulo e Abril-Veja, os verdadeiros baluartes da liberdade de imprensa no Brasil Varonil.

Pau Comeu

 

BOOMERANG DA ENTREGA


>>>>> “A solução, ao que parece, é arrendar o país; talvez encontremos locatários mais zelosos.”

Heron Guimarães, jornalista mineiro.

<<<<<< Sugerimos uma doação pura e simples, nos moldes do que fizemos com a Copa do Mundo da Fifa. E se não gostarem, podem devolver que a gente paga tudo e ainda acha “danadibão”. Só precisamos manter um mínimo de dignidade, senão nada mais restará para entregar... E assim, os tucanos, os fundadores e futuros redentores do “New Brazil”, não irão gostar...

Pau Comeu


ABRINDO O BAÚ: PROFISSÃO É O QUE NÃO FALTA!

 
Do livro “Vagabundo é o cacete! - Sugestões para trabalhar honestamente evitando assim a tentação de entrar para o Crime Organizado ou para a Quadrilha do Colarinho Branco”...

A Europa mergulhando em crise de emprego... E o Brasil criando profissões.
Seguem quatro exemplos para exportar.
Afinal, já diziam que exportar é o que importa...

 

O COMPOSITOR DE PAGODE

Trata-se de um personagem que nasce em qualquer lugar do país, pois o ritmo de origem, o samba, é patrimônio nacional, é um bem intangível, é o espírito que anda. Bem que não demora e vai ser tombado. Já foi.
Só que para fazer sucesso, o compositor de pagode vai se esquecendo do samba e vai inventando uma música que, por coincidência, parece que é uma só, e as letras acompanham, são muito parecidas umas com as outras.
Isto faz com que, ao comprar um CD de compositor de pagode, o consumidor leva uma música pelo preço de quinze, e não precisa passar da primeira faixa, o que é uma vantagem, pois, economizando as demais, perpetua a obra do (s) autor (es).
Os parênteses cumprem uma importante função, pois o plural indica que vários compositores contribuem para a elaboração da obra de arte.
Uma música de pagode com seis frases costuma ser composta por seis compositores, cada um faz uma frase e, assim, mais uma vez, o criativo povo brasileiro vai distribuindo a renda.
Pois um pobre ajuda outro pobre até melhorar.
Ou até um deles ficar rico.

 

O AMIGO DA CELEBRIDADE

Geralmente são amigos de infância de jogadores de futebol bem sucedidos. Amizades que nasceram das dificuldades nas vacas magras e que continuaram depois da engorda.
Assim, o amigo da celebridade-atleta, ao ser perguntado pelo nome ou profissão, responde que sou amigo do Fulano de Tal, que joga na lateral-esquerda do Time Xis, que está com uma proposta para jogar num clube do Azerbaidjão.

E se ele for eu vou junto pra fazer companhia. Para que o craque possa suportar a saudade do Brasil, já que eu sei fazer uma caipirinha como poucos, e encaro bem uma cozinha na hora de fazer uma feijoada com aquele feijão que o Beltrano de Tal trouxe lá da terrinha.
Serei uma espécie de secretário-geral, pau pra toda obra, quebra-galho, guarda-costas, office-boy e o escambau, para que o craque possa desempenhar bem suas funções dentro das quatro linhas, sempre jogando com muita raça e determinação, pois enquanto ele se der bem eu vou garantindo o meu bico.

Quanto às tietes, serei o responsável pelo controle de qualidade e, se Deus quiser, da natalidade, para que não corram demandas judiciais indesejáveis. Em tempo: aprendi e ensinei pra ele usar camisinha. Não sei se ele aprendeu.

 

O FLANELINHA

Munido de tantos aparatos, multidisciplinar: lava, toma conta, quebra-galho.
Sem título de posse, é dono de um pedaço da rua, geralmente um quarteirão onde ainda dá para estacionar o carro.  Se não ganha uma gorjeta, vira policial e multa o motorista, não com boleto, mas com arranhões na lataria.

Quando você precisa, nunca está. Às vezes você chega, não está lá. Quando volta, está e cobra pelo que não fez. Você paga para não ver o seu carro ser mutilado da próxima vez, porque o flanela tem uma memória privilegiada, decora a marca, a cor, a placa e a sua cara fechada.
A profissão congrega um exército de deserdados, sintoma visível da criatividade do brasileiro sem-teto, sem-carro, sem-merda-nenhuma.

A atividade, cada vez mais promissora, rende mais do que ganharia em ocupação legalizada remunerada pelo salário mínimo, aquela coisa que, se tiver um aumento justo, causará a hecatombe da economia nacional.
Aquela coisa que inviabilizará a Previdência, aumentará o déficit público, o dólar e a taxa de juros, derrubará o Presidente, quem sabe a própria Democracia, essa tenra plantinha que não resiste nem a um mero e mínimo regador.

Democracia que um otimista incorrigível definiu como o governo do Povo, pelo Povo e para o Povo. Que vem aí com maiúscula por evidente descuido. Ou sacanagem mesmo.
A impressão que se tem é que não resta mais nenhum espaço na cidade sem que haja pelo menos um flanelinha exercendo sua atividade.

É mais uma forma de privatização da propriedade pública, pois, nesse país, propriedade privada é privada mesmo. Ninguém tasca. Ái de quem tascar...
Quando apropriada pelo rico, quase sempre pode, pouca gente reclama.

Quando quem invade é o pobre, dá manchete de jornal, pois o dono do jornal é dono de terra quase sempre. Para um país que nasceu tendo por forma jurídica, e conteúdo legal, original, a tal de “capitania hereditária” como base para a posse territorial, criaram-se os cartórios e então toda terra tem dono.
Viajando de avião, cruzando o Brasil, olhando de cima para baixo, custa crer que todos aqueles espaços tenham dono. É a prova cabal e definitiva de que a única instituição que deu certo na história do Brasil foi a tal do cartório, prova de que o sistema deu certo para os que chegaram primeiro e conseguiram o carimbo.

Poucos ousam contrariar tal veredicto. Os traficantes de drogas, sem título de posse, dominam morros e periferias, quando não cidades inteiras. Flanelinhas, menos belicosos, dominam quarteirões. A extorsão não precisa ser violenta, basta ser extorsão, basta apenas ameaçar.
Posse. Essa é a palavra. Sem título. Só com a presença.  E com o sentimento de que, quem paga o pedágio, pode até ser mais poderoso, pode até ganhar mais, pode até comer três vezes por dia e cagar quatro, mas na quinta... Caga de medo!!!

 

O MOTOBOY

Contorcionista do trânsito leva a vida levando coisas valiosas que certamente não serão aquelas que mudarão sua vida. Pelo contrário, estarão felizes o remetente e o destinatário, ou apenas um dos dois, porque essa história de que negócio bom é bom para os dois não explica muito bem o desenrolar da história da humanidade.  Assim como não existe almoço grátis, em qualquer transação alguém come e alguém paga a conta.
Ele, o motoboy, certamente continuará na merda, levando as coisas. Avança sinal, pára (com acento agudo mesmo) em fila dupla, não dá seta, faz tudo errado, de vez em quando é atropelado... e morre, às vezes atropela... e mata.

Motociclista, involuiu da bicicleta, veículo ideal para trabalho e lazer, próprio de cidades avançadas tecnologicamente, que já descobriram que o combustível só causa problemas.
Em tempos de comunicação via satélite, custa crer que o motoboy seja útil para levar um documento. A pergunta principal é por que a preciosidade tem que chegar antes de o expediente fechar, numa correria louca. Deve ser falta de planejamento, podia ter ficado pronto ontem, podia ir de ônibus, seria mais barato e ambientalmente mais correto.

São úteis, sim. Entregam pizzas, claro. E refrigerantes e cervejas, também. Talvez camisinhas para quem esqueceu ou não teve tempo de providenciar esse veículo de controle da natalidade, e de repente a secretária resolveu aceitar aquela cantada que já fazia aniversário, cansada de esperar o aumento prometido e sempre negado pelo chefe-gavião, que foi esperto o suficiente para não ser enquadrado no quesito “assédio sexual”.

Os motoboys são muito úteis também quando entregam remédios delivery, expressão da futura língua pátria que na língua moribunda deveria significar “entrega em domicílio”.
A profissão cresceu tanto que não demora e os engarrafamentos de trânsito, hoje de automóveis, serão protagonizados pelos motoboys.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

EDIÇÃO Nº 39: CADA BOTECO COM SUA FAUNA



O autor, fã de Nelson Gonçalves, na mesa da zona,
ouvindo Amado Batista, o torturado que virou
torturador...


07-06-2013

 
ESPORTES

1) Agora é saudosismo mesmo. Já pensaram num poderio ofensivo formado por Manuel Santos, Valdir Pereira, Edvaldo Neto, Edson Nascimento, José Macia, Arthur Coimbra e Eduardo Gonçalves?

Com a “morte” do Maracanã e do Mineirão, com a globalização das Arenas, todas iguais e frias, shoppings centers onde também se joga futebol, com o fim do “churrasquinho de gato” no Rio e do “tropeirão” em BH, além do acarajé proibido pela Fifa em Salvador, foi-se também o tempo em que jogador de futebol tinha apelido: Garrincha, Didi, Vavá, Pelé, Pepe, Zico e Tostão.

Diante de tanto jogadorzinho com nome e sobrenome de candidatos a vereadores, só nos resta desejar boa sorte e sucesso para o Caramelo, que o São Paulo do Juvenal Juvêncio não queria que fosse assim chamado.

Por falar nisso, opinião de Thiago Silva, nome de vereador querendo ser deputado estadual: “Quem jogou no Maracanã, jogou. Agora, parece outro estádio, uma arena europeia. Ficamos satisfeitos com essa evolução no Brasil.” Só resta dizer: então tá!

2)Pau Comeu ficou sabendo que o Maracanã do Século XXI teve até animador de torcida, aquele idiota que fica gritando imbecilidades em jogos de vôlei de praia... Dizem até que a plateia branqueou, raros os negros lá presentes, a maioria nas atividades de limpeza.  O Brasil já viu esse filme antes. Um espectador foi ao Maracanã do Século XXI de trem, aquele da Central, e estava vazio na ida e na volta.

Conclusão: faltou povão!

Pau Comeu mete o nariz onde faz questão de não ser chamado, não admite que tratem o Ex-Maior do Mundo com essa falsa intimidade (Maraca) e propõe que se rebatize o nome do ex-Estádio para...

Arena Maraca...não!”


3) Pau Comeu, atento às manifestações culturais mais inteligentes também sobre o futebol, tem a satisfação de publicar o poema de Manuela Trindade Oiticica, que combina bem com o espírito da coisa:

 The New-Maraca

O Novo-Maracanã é bonito? O antigo também era.

O Novo-Maracanã é bonito? Igual a várias outras arenas.

O Novo-Maracanã é bonito? Deixa eu te mostrar o que faço com mais de um bilhão.

O Novo-Maracanã é bonito? Miami também.

O Novo-Maracanã é bonito? Ficou supernatural de botox e cabelo esticado.

O Novo-Maracanã é bonito? E tem cara de babaca.”

 

4)Sobre a noite do Pânico no alçapão do Independência, a melhor crônica sobre o fantasmagórico jogo foi escrita no site http://impedimento.org/a-meia-noite-no-horto/#comment-220610, conforme sugestão enviada  pelo leitor e jornalista Lucas Pavanelli.

 

CUIDADO COM A MANCHETE DO JORNAL


Deu no jornal que o vice-presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, disse que “O Brasil não é mais um país emergente”.

O Povo ficou com medo de eles afogarem a gente.

Perguntou se era verdade e Pau Comeu respondeu:

- De novo?
 

MONTANDO O MINISTÉRIO TUCANO

Depois de Demóstenes Torres para o Ministério da Hipocrisia, Roberto Gurgel para o Ministério da Prevaricação.



DIA DO TORTURADO

Abrindo alas para Mauro Santayana, no JB de 31/05/2013:

A celebração católica do Corpo de Cristo não faz lembrar apenas a Última Ceia e o rito de fé da Eucaristia. Recorda, à margem da liturgia, os açoites, o corpo agonizante de Cristo preso à cruz e os insultos dos soldados romanos, ao feri-lo com a lança, avinagrar os lábios sedentos e a disputar, nos dados, a túnica do morto. A prisão, o açoitamento, a coroação de espinhos, a escalada do Calvário, são atos continuados de tortura, infligida a um prisioneiro político do Império Romano e, além disso, acusado de heresia diante da religião vigente na Palestina. Não faria mal à Igreja se viesse a considerar esse dia de ofício religioso, também, como o Dia do Torturado.”

ooo

Nelson Gonçalves sempre foi o cantor preferido desse blogueiro nas discotecas da região do baixo meretrício, lugar geométrico da iniciação sexual dos rapazes da primeira metade do século passado. Outro cantor popular da área, que não chega aos pés do acima referido, declarou que no passado foi torturado pela Ditadura Militar.

Bebendo em Urariano Mota, no seu blog “Direto da Redação”, de Recife, sobre as declarações do cantor Amado Batista no programa “De frente com Gabi”, do SBT: “As notícias registram que assim falou o astro da canção brega:

“Eu acho que mereci a tortura. Fiz coisas erradas, os torturadores me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho. Acho que eu estava errado por estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força. Fui torturado, mas mereci”.

ooo

Segundo o blogueiro, “Amado Batista fala como um escravo que saiu da senzala e se vestiu de senhor. Ele fala como um escravo agraciado que acha justo o pelourinho porque alguma coisa de ruim o homem – ou parecido com homem – que sofre a tortura fez. Castigo merecido, ele declara. E nesse particular, Amado Batista é o retrato de um Brasil oprimido que sobrevive.”

ooo

Prosseguindo com Urariano: “E agora comparem, enfim, a justeza e boa ética da tortura, que pune os criminosos na frase de Amado Batista, com as palavras de Dulce Pandolfi:

 “Dois meses depois da minha prisão e já dividindo a cela com outras presas, servi de cobaia para uma aula de tortura. O professor, diante de seus alunos, fazia demonstrações com o meu corpo. Era uma espécie de aula prática com algumas dicas teóricas”.

E nas de Lúcia Murat:

“A tortura era prática da ditadura, e nós sabíamos disso pelo relato dos companheiros que tinham sido presos antes. Mas nenhuma descrição seria comparável ao que eu vim a enfrentar. Não porque tenha sido mais torturada do que os outros, mas porque o horror é indescritível”.

E Urariano finaliza: “Tamanha era a dor e destruição que Lúcia tentou se matar duas vezes.”

 


DIA DO TORTURADOR


Diante de tão comovedora demonstração de “seiláoquê”, Pau Comeu dá uma sugestão ao compositor e cantor Amado Batista, para premiar seus corregedores torturadores: que os homenageie cantando apenas três de suas quase quatrocentas músicas, durante vinte e quatro horas por dia, durante o número de dias em que foi torturado pelos seus professores de comportamento.

Começando pela “Alucinação”:

Tentei me proibir de pensar em você mais como desistir do que eu mais quero ter. Não deu certo uma vez e nunca mais vai dar, depois do que me fez não era pra eu te amar. Ahh, meu amor...que raiva que me dá! Madrugada solidão parece estar vindo alguém virou alucinação olho e não vejo ninguem, quanto mais eu tento te odiar mais te quero bem... Dizem que amar é sofrer isso nunca vai mudar, quero algo pra beber pra acabar de arrebentar axo que nasci pra te querer e me machucar... e me machucar...”

Continuando com “Amor a Soco e Pontapé”:

 Às vezes, pergunto a mim mesmo Por que sou assim Tenho sempre que amar alguém Que não gosta de mim Penso até que o mundo Deus fez pra todos Mas não fez pra mim Se vou viver desta maneira  Minha vida inteira Melhor não existir E vou levando a minha vida  Até quando Deus quiser Dizendo às vezes que o amor Foi feito de qualquer jeito A soco e pontapé Eu gostaria de fazer Uma canção para aquela Que eu amo mais que A minha vida e cantar pra ela Mas sei que ela não me ama E maltrata o meu coração Me forçando dizer certas coisas Sem pensar ao menos se é certo ou não E vou levando a minha vida Eu gostaria de ficar Com ela um só instante Queria convencê-la  Ao menos ser minha amante Mas isso é impossível Sem outro jeito eu tenho que aceitar, Só não aceito essa dor no peito  Essa vontade louca de querer amar

E finalizando com “O Julgamento”:

 Silêncio que o réu tem algo a dizer em sua defesa... Sempre quando eu voltava para o lar Ela ia me esperar toda a tarde no portão. E no abraço me beijando com ternura Me apertava com loucura provocando a emoção O nosso quarto se enchia de amor E nos abraços o calor do seu corpo me acendia E de repente sem censura ou preconceito Ela me dava o direito de lhe amar como eu queria Momentos que eu vivi...noites que eu não esqueci  Mas um dia ao voltar pra casa cedo Ao entrar eu tive medo, algo não estava bem Em nossa cama aquela quem eu mais amava Totalmente se entregava nos braços de outro alguém Desesperado pelo golpe que sofri nem sequer eu percebi que atirava sem parar Ao ver os corpos abraçados e sem vida  vi nascer uma ferida no meu peito a machucar Naquela hora como eu sofri... De certa forma eu também morri  Senhor juiz eu peço a sua atenção Para a minha explicação Minha única defesa Naquela hora eu estava inconsciente, mas agora no presente Não suporto essa tristeza
Como agiria cada um que me condena se assistisse a mesma cena Estando ali em meu lugar Por isso eu peço ouvir o grito da razão Ninguém sofre uma traição e se cala pra pensar

ooo

E aí? O que acharam?

Será que eles agüentam?

Pau Comeu aposta que confessam...

Confessam até que torturaram.

 

SONDAGEM POLÍTICA

Sem maiores comentários.

Pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, comparando os governos de FHC com os governos de Lula e Dilma, apresentou os seguintes percentuais do que os entrevistados acharam sobre quem atuou melhor em alguns temas:

Geração de Empregos: FHC = 7%; Lula-Dilma = 75%;

Habitação: FHC = 3%; Lula-Dilma = 75%;

Erradicação da Pobreza: FHC = 4%; Lula-Dilma = 73%;

Educação: FHC = 5%; Lula-Dilma = 63%;

Política Econômica: FHC = 8%; Lula-Dilma = 71%;

Combate à Corrupção: FHC = 8%; Lula-Dilma = 48%;

Ação contra Inflação: FHC = 10%; Lula-Dilma = 65%.

 

ABRINDO O BAÚ

Do livro esgotado “O Corredor da Morte: Jesus está chamando!”, adaptando a crônica intitulada...  A Fauna do Boteco”.


Apito inicial

Conforme diz o irmão do Sérgio e tio do Chico, fauna é o conjunto dos animais próprios de uma região ou de um período geológico. Tal definição se encaixa como uma luva quando adaptada ao boteco, principalmente no que se refere à segunda parte, quando se verifica que a idade média dos freqüentadores (com trema e alguns até um pouco trêmulos com chapéu e tudo) não se conta em anos, mas em eras: era isso, era aquilo.

Aposentados, bicólogos dos mais variados matizes, pequenos empresários de diversos setores, uns poucos ainda empregados portadores de carteiras assinadas, o denominador comum é que todos, sem exceção, são seres que caminham, inexoravelmente, para o desfecho, lugar reconhecido por uma tabuleta hipotética pregada em uma porta imaginária que diz: JESUS ESTÁ CHAMANDO!

No reino animal, a fauna costuma ser dividida em espécies aquáticas, terrestres e aéreas. Os primeiros costumam nadar, os segundos têm a mania de caminhar ou correr e os últimos, os imprudentes de morais, voam. Todos são enquadrados no campo dos irracionais, o que pode ser um equívoco, pois tem muito bicho inteligente por aí...

No campo esportivo a fauna reúne galos, raposas, coelho, bacalhau, urubu. Na ordem, os plurais e singulares resumem o censo demográfico realizado pelo DATABAR, instituição de renomada credibilidade, definindo a distribuição de simpatias e ódios que governam as preferências esportivas dos “halterocopistas” militantes. Anos depois, o DATABAR daria como filhote o DATAPAU, fundado pelo mesmo freqüentador com trema, mas ainda sem tremores.

Na fauna do boteco, a racionalidade nem sempre se faz presente. Palpites furados, chutes da pequena área que vão bater na bandeirinha de escanteio, furadas homéricas debaixo dos paus, são eventos comuns nos papos, pois os atletas fingem que acreditam que seus pares não têm memória. Assim, todos se sentem à vontade para pespegarem suas respectivas barbaridades, sem denúncia, pois amanhã o dedo-duro poderá levar também um cartão amarelo, advertência, vermelho, vê se não volta, ou se continuar bebendo além da conta, cartão roxo, mais conhecido como “Jesus chamou!”

 
No psicológico

Por não reunir cães, gatos, ratos e sim outros animais domésticos, semelhantes a seres humanos, aí complica porque entra no gramado a questão psicológica. E onde essa entra, o resto dança. Qualquer ritmo.

Nesse campo vale tudo: otimistas incorrigíveis, covardes nunca declarados, gente que diz que come todo mundo, gente que já não come mais ninguém. Gente que acha que o boteco é seu teatro e que o resto do mundo tem que ouvir seus discursos proferidos em mais de quinhentos decibéis.

Gente que conta vantagem, dizendo que já foi isso e aquilo outro. Gente que diz que Fulano é veado, gente que diz viado em vez de veado e, opinião unânime, ninguém dá notícia de quem, com e ou i , se arrependeu da opção. Gente que diz que bate na mulher, gente que diz que nunca apanha e, opinião unânime, a mulher é que manda em casa. Tem também o galo-de-briga, que confunde o boteco com sua própria casa e, após acumular suas frustrações, dispara sopapos em quem não tem nada com isso, e tem o gambá, cheirando a álcool, bebido em outras plagas, e que já chega proferindo palavrões completamente fora dos limites. Felizmente, são raras exceções. E um etc-e-tal que não tem fim, essa tal de fauna.

 
Universo em miniatura

É o que parece ser o boteco: sóis, planetas, satélites, cometas. E, de vez em quando, objetos não identificados que, se não raros, não comparecem periodicamente. Além dos vizinhos de outras lojas, com seus uniformes, geralmente simpáticos, ganha destaque a turma que recarrega os venenos, identificados pela barulheira que aprontam ao trocarem engradados cheios pelas garrafas que já cumpriram sua missão de fazerem as cabeças dos atletas.

Outros astros não usam uniformes, são cometas que, caminhando pela avenida, simpatizam com o boteco e fazem pausa para um salgadinho e um refrigerante, e nunca mais voltam.

Os sóis, bem, são sóis ou se acham sóis, mas sabemos que, na Via Láctea, o sol é uma estrela de quinta grandeza, não passa disso. Planetas e satélites cumprem suas missões de girarem, beberem, girarem, beberem, de vez em quando perdem o rumo na volta para casa e, no dia seguinte, por incrível, voltam.

 

Fim de jogo


São numerosos os que criticam qualquer governo desferindo palavrões e impropérios contra quaisquer medidas, alguns revelando um jeito de raposa namorando uvas verdes, pois, com um grama de poder nas mãos, há pessoas que se revelam. Esquecem que, lançadas ao ar, tais formas de críticas costumam se comportar como bumerangues, voam e voltam, algumas diretamente contra a boca de quem as proferiu.

A política não é assumida, a não ser por raros bebedólogos, com espectro diversificado, indo da direita mais radical, com laivos hidrófobos, passando pelo centro, um muro apinhado de gente, e uma esquerda perseverante, minoritária e não muito radical.

O boteco não tem nada de excepcional, é apenas um lugar em que se descansa viajando, uma espécie de táxi que não sai do lugar. O passageiro paga o tempo, em cervejas, uísques e cachaças, para descansar de suas vidas reais.