Antônio e tantos outros adentrar o bar e acabar com a festa...

dia 27 de Junho de 2013
POMBO CORREIO
Um amigo manda um e-mail perguntando o que eu estava achando
dessa zorra... Devolvi perguntando a mesma coisa. Solicito a quem estiver
entendendo, que envie contribuições para o Pau, através de e-mail para o autor.
Pau continua firme e forte no seu inalienável direito de
confessar sua perplexidade, e dá sua cara a tapa, esperando porradas de todos
os pontos cardeais.
COMEÇO DE CONVERSA
Passando em frente a uma banca de jornal em BH, no dia 21 de
junho, sexta-feira, um grupo de 4 coroas, e um deles dispara: “é preciso acabar com essa ditadura de
esquerda no Brasil!” Mais adiante um pouco, uma senhora também idosa,
carregando uma sacola, cantarolava baixinho: “tô nem aí... tô nem aí...”
Duas posições tão distintas, a poucos passos de casa, longe
do alarido das manifestações. Sigo em frente, pensando como que o Pau Comeu
iria abordar esse momento tão peculiar da História do Brasil...
Digo logo, para simplificar, que não participarei desses
eventos. De cara, porque detesto violência e tenho muito medo dela. Não adianta
eu detestar, se do meu lado tem gente que adora. Gente de tudo que é tipo. Pacíficos
e violentos. Pacífico, vou sempre estar em desvantagem. E a corda sempre
arrebenta do lado do mais fraco.
IMPRESSÕES
Começando pelo fim, uma parcela dos manifestantes nunca saiu
da rua, os assaltantes que há muito tempo vêm roubando com mais ou menos
violência, desde tempos atrás.
No meio, existem vândalos nas ruas e nos palácios. Como
classificar a mutilação do Maracanã, tombado pelo Patrimônio Histórico, e,
literalmente jogado ao chão, com a conivência dos Poderosos Senhores Federais,
Estaduais e Municipais?
No princípio, muita gente de bem e a sensação de que, sim, o
País precisa com urgência de Mudanças Estruturais.
Vou tentar alinhavar algumas impressões, enumeradas em ordem
caótica, no ritmo do movimento.
- Aparecia o MPL, Movimento Passe
Livre, coisa de estudantes, achava eu. Passe Livre, perguntava para os
meus botões: por que não para todos?
- Aí fui achando tudo muito
estranho, pois o que via na TV e lia nos jornais congregava frases de
todos os tipos possíveis, que, num primeiro momento, intitulei de MCT. MCT
é o Movimento Contra Tudo.
- Aí vem um monte de cartazes Contra a Corrupção. Perguntei-me
novamente: alguém se declara a favor? Pelo que me consta, nem Maluf.
- A faixa dizendo “Esse protesto não é contra a seleção,
é contra a corrupção” apareceu na Globo. A faixa dizendo “Queremos hospitais padrão Fifa”
não apareceu na Globo.
- Confirmei minhas estranhezas quando
li matéria de um repórter repetindo o que um manifestante gritava: “Foda-se o Brasil, nacionalismo é coisa
de imbecil!” Não gostei, primeiro porque sou brasileiro, segundo
porque gosto do Brasil, terceiro porque sou nacionalista.
- A faixa “Fora políticos!” é de muito fácil concordância, mas é bom
lembrar que todos eles foram eleitos. Por todos nós.
- Não vou comentar o
meia-volta-volver do Arnaldo Jabor, porque meu tempo é precioso. Mas vou
deplorar, sim, o Ricardo Boechat dizendo que “tem mesmo que quebrar!” Quanto ao Faustão, depois que
emagreceu perdeu o ar da graça.
- O Jornalismo mais uma vez sai
diminuído por causa da cobertura que esconde o que os patrões das 4
Famiglias não deixam publicar.
- Um clamando “Sem vandalismo!”. Outro responde,
com pedras na mão: “Sem moralismo!”.
Como se o pacifismo fosse moralista.
- Pela TV, atrás das chamas de um
automóvel, uma parede com a inscrição: “Queremos Saúde e Educação!” Perto dali, pais carregando filhos
nos colos, entrevistados respondiam que estavam dando aula de democracia
para os pimpolhos... Seria aula prática?
- Essa profusão de temas contrastava
com as passeatas de que participei durante alguns anos; contra a Ditadura Militar, nos
anos 60; pelas Diretas Já, nos
anos 80; pelo Fora Collor, no
início dos anos 90. Se tem que haver algum resultado, pela ordem: derrota
de goleada, derrota com gol de pênalti roubado, vitória com gol em
impedimento. Em comum uma palavra de ordem em cada uma, facilitando o
posicionamento político. Outra coisa em comum: sempre, eu estava de um
lado e a Rede Globo do outro, o que muito me honra.
- Pra finalizar esta primeira
parte, destaque para a palavra de ordem: “O povo unido não precisa de Partido!” Realmente estranho, a
Ditadura Militar também dizia mais ou menos isso, tanto que fechou os
partidos existentes e permitiu dois: “Partido do Sim” e “Partido do Sim,
Senhor”. Que os nossos Partidos são vagabundos e ordinários, não há
dúvidas, mas, ruim com eles, pior sem eles. Só votando, para fazer
faxina...
Claro que não há mudanças estruturais sem embates, mas ainda
consigo separar o que eu sinto do que pensam aqueles que são apenas bandidos,
ladrões e saqueadores. Não vou pintar minha cara de verde e amarelo para
encobrir a estupidez de facínoras de quaisquer espécies, fardados ou mascarados,
executivos e executados, legisladores e legislados, julgadores e julgados.
CHEIRO
DE GOLPE NO AR
A partir do protesto justo contra o
transporte público que não é público, seguido das manifestações justas contra
os desmandos decorrentes do Efeito Copa do Mundo, a maior burrice que Lula e
seus falsos amigos fizeram nos últimos anos... E aproveitando a onda coletiva
que não separa o justo do oportunista, adentraram no tapete cinza do asfalto os
Golpistas... Que são os de sempre: as quatro famiglias da grande imprensa,
manipulando como sempre as manifestações, publicando só o que lhes interessa...
Sugestão do Pau Comeu: unificação das
bandeiras desfraldadas em torno de uma só reivindicação, talvez a única que
poderia atender aos reclamos das referidas quatro famiglias: FORA DILMA! Porque
ABAIXO A CORRUPÇÃO, por exemplo, essas corrompidas famiglias não teriam a
cara-de-pau de proclamar...
CARTAZES
Não aconteceu até agora Concurso de Cartaz, mas até que podia
ter.
Sugestão do Pau Comeu:
|
HÁ MAIS COISA NO AR
ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA...
Barão de
Itararé
|
DITADO POPULAR
“Tigamente” minha mãe costumava
dizer, quando diante de uma discussão que parecia interminável, um ditado
popular: “Em casa que não tem pão, todo mundo reclama e ninguém tem razão.
“Tualmente” seu filho é obrigado
a mudar a frase: “Em casa que tem pão ou não tem pão, todo mundo reclama ou não
reclama e todo mundo tem razão ou não tem razão”.
ELE NÃO COMPARECEU
Procurei, de lanterna na mão, o
líder juvenil, expert em baladas, conduzindo
a passeata dos seus coleguinhas de faixa etária, do centro ao Mineirão. Não
achei... Se foi, tava usando máscara...
EM TEMPO
Sempre fui contrário à realização
da Copa do Mundo no Brasil. Por quê? Por que temos bandidos demais, EM TODAS AS
ESFERAS... Executivos, legislativos, judiciários e o escambau!
Nunca gostei de fardas, nem
quando me fantasiaram de marinheiro quando eu tinha dois anos de idade...
TRILHA
SONORA
De paixões confundidas
quem é que tira a moral?
Fiquei
pensando qual seria uma trilha sonora que retratasse com mais fidelidade os
acontecimentos. Claro que Hino Nacional fica de fora, pois prefiro cantá-lo em
ocasiões mais propícias. Meu patriotismo não combina com o patriotismo da Globo,
por exemplo.
A profusão
de ideias, muitas delas desencontradas, lembrou-me uma suruba, quase todo mundo sabe o que é, tendo participado ou não de
alguma. Segundo Mestre Aurélio, há vários significados, então escolha o seu
preferido. Prefiro o Sexual. Mas com Arte.
Foi então
que me lembrei de um xaxado, entra no you
tube que tem, letra de Aldir Blanc, melodia de João Bosco, música
intitulada “Foi-se o que era doce”, que dizia assim, sobre a festa na casa do Ribamar:
Me descaderei de tanto xaxá
No bobó de noivado da fia do Ribamar
Vi quando cheguei as moça de lá
Cuzinhando uns inhame com os óio de arrevirá
Buzanfã de flor, chulapa de mel
E a covanca soprando um sussurro descido do céu
Tinha gago, anão, gente de azar
Com a espinhela caída
Pedindo pro inhame estalá
No bobó de noivado da fia do Ribamar
Vi quando cheguei as moça de lá
Cuzinhando uns inhame com os óio de arrevirá
Buzanfã de flor, chulapa de mel
E a covanca soprando um sussurro descido do céu
Tinha gago, anão, gente de azar
Com a espinhela caída
Pedindo pro inhame estalá
Jabaculê, virge, espetacular
Assunto assim às veis é mió calar
Mas des´que eu provei do bobó
Eu to roxo pra comentar
Sanfona, guitarra, batuque, berreiro e veja você
O vira-desvira, o caminho da roça e o balancê
Inhame e bobó, frango asado, cus-cus e maracujá
Puçanga, cobreiro, retreta, jarguete e tamanduá
Foguete beijando as estrêla e as moça lá
Assunto assim às veis é mió calar
Mas des´que eu provei do bobó
Eu to roxo pra comentar
Sanfona, guitarra, batuque, berreiro e veja você
O vira-desvira, o caminho da roça e o balancê
Inhame e bobó, frango asado, cus-cus e maracujá
Puçanga, cobreiro, retreta, jarguete e tamanduá
Foguete beijando as estrêla e as moça lá
Zé Pinguilim, Chico do Pincel,
Paqueraro Lazinha que era muié de Xexéu
Serafim Três Perna resolveu chiá
Pois muié não é farinha que vai pra onde ventá
Deu-se um sururú de saculejá
Tudo dando e levando
Enquanto sem se mancar
Pedro Gargarejo com a mão no manjar
Preparava um caldinho pra noiva gargarejá
Paqueraro Lazinha que era muié de Xexéu
Serafim Três Perna resolveu chiá
Pois muié não é farinha que vai pra onde ventá
Deu-se um sururú de saculejá
Tudo dando e levando
Enquanto sem se mancar
Pedro Gargarejo com a mão no manjar
Preparava um caldinho pra noiva gargarejá
Jabaculê,...
Fui acudi um que tava no chão
Tomei uma no ouvido de adevorvê o pirão
Foi um cimitério, foi um carnaval
De paixões confundidas quem é que tira a moral?
Pra ser sem-vergonha, basta ser decente
E quem vende saúde, possivelmente é doente
Foi-se o que era doce, ninguém quer contar
Quanto macho afinou-se na festa do Ribamar.
Tomei uma no ouvido de adevorvê o pirão
Foi um cimitério, foi um carnaval
De paixões confundidas quem é que tira a moral?
Pra ser sem-vergonha, basta ser decente
E quem vende saúde, possivelmente é doente
Foi-se o que era doce, ninguém quer contar
Quanto macho afinou-se na festa do Ribamar.