quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

EDIÇÃO Nº 64: CARTEIRINHA DE TUCANO


 
 
 
 
O Autor, aquecendo as turbinas para a comemoração dos 50 anos do Golpe Milico-Empresarial de 1964...
Como será a cobertura da Grande Imprensa? Saudosa? Envergonhada?
Pau Comeu bememora, com a bandeira a meio mastro, tarja preta, e a inscrição:
TORTURA NUNCA MAIS!
 

29-01-2014

 

CARDÁPIO

  • CAMPANHA DE FILIAÇÃO
  • OS PORTAIS DA IMORTALIDADE
  • O VERBO SONEGAR
  • OSTRACISMO
  • DIREITO DE RESPOSTA
  • DA ARTE DE ENGOLIR SAPO – Terceiro Ato

 

CAMPANHA DE FILIAÇÃO

 
Pau Comeu, o arauto das causas perdidas, está lançando uma campanha de filiação partidária ao PSDB do B, Partido dos Senhores Definitivamente Blindados do Brasil, para todos aqueles que queiram delinqüir (com trema, revisor, muito trema) sem serem incomodados pela Justiça.

O chamado mensalão original, tucano às claras, mineiro da gema, está caminhando a passos largos para a prescrição total.

Saudades de Stanislau Ponte Preta, cujo brado retumbante, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, mais ou menos na época em que Ninguém começava a cheirar talco Ross, passou para a História:


OU TODOS NOS LOCUPLETEMOS...
OU RESTAURE-SE A MORALIDADE!

 
PS: a inscrição dá direito a portar uma carteirinha que permite roubar sem receio de ir para a cadeia, habeas corpus automático e transferível para herdeiros, além de muitos outros benefícios, como dar rolèzinho em shopping e terem seus bens preservados pelos black blocs.

 

OS PORTAIS DA IMORTALIDADE

 

É o título de uma coluna de Mauro Santayana, publicada em 16-01-2014 no seu blog, e da qual extraímos uma lição:


“(...) Navegantes do tempo, temos singrado, por milhares de gerações, as águas do receio e da ignorância, abraçados uns aos outros, no início e fim de nossas vidas, frágeis e impactados por imensa vulnerabilidade, tremendo ante a perspectiva da dor e a proximidade da morte”.

E o imortal Merval se diz filósofo...

 

O VERBO SONEGAR

O verbo sonegar, segundo a Rede Globo de Sonegação de Impostos. No presente do indicativo, eu só nego, no pretérito perfeito, eu só neguei, no futuro eu só negarei...

 

OSTRACISMO

Segundo o site Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, por Revenger:

Rouberto Geferçon está condenado ao ostracismo, ao lagostismo e ao salmonismo!”


DIREITO DE RESPOSTA

Neste ano do cinqüentenário (com trema, revisor, com muito trema) do malfadado e escrachado Golpe Milico-Empresarial de 1964, de quem os fascistas tupiniquins morrem de saudades, Pau Comeu, da cova de sua insignificância, levará aos poucos leitores, que ainda investem seu precioso tempo em procurar informações mais sérias, várias contribuições que julga importantes para clarear as mentes embotadas pela Grande (?) Imprensa (?) em relação  ao evento e seus desdobramentos históricos.

Não haverá preocupação com a ordenação cronológica, nem com a importância que cada tema terá nesta retrospectiva, espécie de minissérie randômica sem patrocínio.

Para começar, Pau Comeu recupera, da Rede Globo de Sonegação de Impostos, defensora confessa daquela agressão à Democracia brasileira, para refrescar a memória, o mais famoso Direito de Resposta (*) que aquela organização teve de engolir, após tentar difamar um brasileiro polêmico, porque enaltecido e odiado, ilustre, verdadeiro e saudoso, já na época da retomada do proceso democrático.

 Em 1992, o magnata das comunicações Roberto Marinho (1904-2003), em um editorial no jornal ‘O Globo’ e no Jornal Nacional (JN) da TV Globo, dirigiu-se ao então governador do Rio de Janeiro, Leonel de Moura Brizola (1922-2004), chamando-lhe de “senil”.

A ação de direito de resposta, obra do advogado Arthur Lavigne, foi ajuizada em fevereiro de 1992, em função da matéria ofensiva da Rede Globo a Brizola.

O Tribunal de Alçada Criminal do Rio de Janeiro, por unanimidade, confirmou sentença da 1ª Instância, determinando que a TV Globo veiculasse no Jornal Nacional o “Direito de Resposta”.

O texto foi preparado pelo jornalista Fernando Brito, Secretário de Imprensa de Brizola, com a colaboração dos jornalistas Luiz Augusto Erthal e Osvaldo Maneschy, que também trabalhavam na Secretaria de Imprensa.

Coube a Leonel Brizola a revisão final.

Finalmente, dois anos depois da ofensa global, em 1994, a resposta de Brizola foi lida por Cid Moreira, âncora do JN na TV Globo.

Eis a íntegra do texto:

Todo sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça.
Aqui, citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro.
Ontem, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar o editorial de O Globo, fui acusado na minha honra e, pior, chamado de senil.
Tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho. 
Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que use para si.
Não reconheço na Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e, basta, para isso, olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura que por 20 anos dominou o nosso país.
Todos sabem que critico, há muito tempo, a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações.
Mas a ira da Globo, que se manifestou ontem, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípio.
É apenas o temor de perder negócio bilionário que para ela representa a transmissão do carnaval.
Dinheiro, acima de tudo.
Em 83, quando construí a Passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar, de todas as forma, o ponto alto do carnaval carioca.
Também aí, não tem autoridade moral para questionar-me.
E mais: reagi contra a Globo em defesa do Estado e do povo do Rio de Janeiro que, por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.
E isto é o que não perdoarão nunca.
Até mesmo a pesquisa mostrada ontem revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado.
Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade.
Seria, antes, um dever para qualquer órgão de imprensa.
Dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção
Quando ela diz que denuncia os maus administradores, deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante de seu poder.
Se eu tivesse pretensões eleitoreiras de que tentam me acusar não estaria, aqui, lutando contra um gigante como a Rede Globo.
Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado.
Quando me insultam por minhas relações administrativas com o Governo Federal, ao qual faço oposição política, a Globo vê nisso bajulação e servilismo.

É compreensível.

Quem sempre viveu de concessões e favores do poder público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo.
Que o povo brasileiro faça seu julgamento, e, na sua consciência lúcida e honrada, separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis e gananciosos”.

LEONEL DE MOURA BRIZOLA

(*)A cara de bunda do apresentador (buggio branco) Cid Moreira, “pai” do Sergio Chapelin e “avô” do William Bonner, foi imortalizada no Jornal Nacional lendo a íntegra do documento: (http://www.youtube.com/watch?v=udqva2sZHIQ)

Poste Escrito: Na próxima Edição, lembranças sobre a cobertura da Globo sobre as Diretas Já, nos estertores da DME-64 (Ditadura Milico-Empresarial de 1964).

 

 

DA ARTE DE ENGOLIR SAPO

-Odisséia de uma espécie difamada-

(Opereta em quatro atos)

Terceiro Ato

 

No Primeiro Ato (Edição nº 61) vimos que o problema da expressão “engolir sapo” não é o “sapo”, é o “engolir”. No Segundo Ato (Ediçãonº 62), confirmamos a máxima de que sapo não pula por boniteza, mas por precisão.

 

Muitos bichos entraram

Em processo de extinção:

O sapo pulando cerca

Cresceu em população.

            Resistiu ao fogo e ao gelo

            Enganou cometa errante

            Na Arca foi marinheiro

            Mas era pra ser Almirante.

                        Se alimentava de lodo

                        Veja só que beleza:

                        Seu verde é ecológico

                        Pela própria natureza.

                                   Quando rapaz paquera

                                   Como todo adolescente,

                                   Namora rãs, pererecas,

                                   Fica todo saliente.

                                               O girino vira adulto,

                                               Sai da água pra terra

                                               Deixa na mão Rei Netuno

                                               E sua pureza se encerra.

                                                           Atacado por peçonha,

                                                           Mostra o seu outro lado:

                                                           Ficou cheio de veneno

                                                           Em príncipe transformado.

                                               Deu de cara com o Homem,

                                               Esse animal assassino,

                                               Inventor da caça ao sapo

                                               Que mudou o seu destino.

                                   A pele ficou rugosa,

                                   A face causa repulsa:

                                   Vive vida perigosa

                                   Causa nojo mete medo.

                        “O homem é o lobo do homem”

                        Diz o autor consagrado;

                        O sapo é o homem do sapo

                        Digo eu, pobre letrado.

            O lado humano do sapo

            Só lhe criou confusão,

            Quero o sapo feito sapo,

            O resto não quero, não.

Por ele tenho simpatia,

Não acredito em boato,

Não cabe naquela frase

Que só suja o seu retrato.






sexta-feira, 24 de janeiro de 2014



EDIÇÃO Nº 63: O INFERNO DE DANTE E O CÉU DE DANTAS


 
 
 
O Autor, em mais uma incursão sobre a Tucanolândia e seus personagens inigualáveis...
 
 
 

 
 
 
 
23-01-2014

 

CARDÁPIO

 

  • O INFERNO DE DANTAS
  • NEVES SOBRE AS MONTANHAS
  • CONSTANTE DESATINO
  • PASSANDO A RÉGUA NO ROLÉ




O INFERNO DE DANTAS
 
Fora, antes da última reforma, podia ser fóra ou fôra.
Pode ser do lado de fóra. Grifava-se fôra (aspecto verbal) com esse elegante chapéu no ô, dando uma dentro para (preposição) não confundir com o lado de fóra (advérbio).
Essa digressão inicial surgiu para dizer que...
Não fôra, com chapéu no ô, o Google, e sua prestimosa Wikipédia, não saberia este literalmente pobre blogueiro iniciar coluna tão trágica.
 
Já que é de domínio público, esse blog, além de sujo, cara de pau, não usará aspas para copiar:
 
O Inferno é a primeira parte da "Divina Comédia" de Dante Alighieri, sendo as outras duas O Purgatório e O Paraíso. Está dividido em trinta e quatro cantos (uma divisão de longas poesias), possuindo um canto a mais que as outras duas partes, que serve de introdução ao poema. A viagem de Dante é uma alegoria através do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, guiada pelo poeta romano Virgílio. No poema, o inferno é descrito com nove círculos de sofrimento localizados dentro da Terra. Foi escrito no início do século XIV. Os mais variados pintores de todos os tempos criaram ilustrações sobre esta obra, se destacando Botticelli, Gustave Doré e Dalí.
 Pronto. Crime cometido, réu primário, vamos em frente.
Muitos anos depois, um filósofo, chamado Jean-Paul Sartre, que felizmente viveu antes que sua profissão de fé fosse vilipendiada por exemplares penetras, disse uma frase crucial:  o inferno são os outros”.
Pois é, moçada, não resisti à tentação -quase ridícula- de misturar o Inferno de Dante com o Céu de Dantas.
Se o Inferno Dantesco promete nove vezes mais sofrimento, sofrimento que quase não tem fim, e situa-se aqui na própria Terra, o Céu Dantástico promete o quê?
Promete ao seu amo e senhor, o “empreseiro finançário”, nove vezes o Céu depois do Céu, também aqui mesmo na Terra.
Se o Inferno é para todos, o Céu é só para um. Para quem?
Dantas. Daniel Dantas.
O único problema do Dantas é o Dante.
Estamos aqui, Os Outros de Dante, para vigiá-lo, Dantas, e não deixá-lo dormir em paz.
Somos seu Inferno.
Poste Escrito:
Por falar nisso, Pau Comeu sugere a leitura do livro a seguir:
Operação Banqueiro: as provas secretas do caso Satiagraha
Coleção:
História Agora – Vol.10
Autor: Rubens Valente
Categoria: Reportagem
Formato: 16×23
Páginas: 464
Peso: 641g
ISBN: 9788581302089
R$ 44,90
E-book
ISBN:
9788581302096
R$ 21,90
Resumo: A incrível história de como o banqueiro Daniel Dantas escapou da prisão com apoio do Supremo Tribunal Federal (Nota do Pau: graças a Gilmar Mendes) e virou o jogo, passando de acusado a acusador.
 
 
NEVES SOBRE AS MONTANHAS
 
Todos sabem que o Brasil é um país ensolarado. Para o bem e para o mal. Para o bem com a produção de vitamina D e seus inegáveis benefícios. Para o mal, com a seca assolando regiões mais pobres.
Pois bem. Pois mal.
Neves caem sobre Minas Gerais, que inaugurou uma Estação de Esqui... Esquisitice. Que também quer dizer extravagância, excentricidade, singularidade.
Deve ser por isso que o Neves não sai do Rio de Janeiro, deixando a Neves controlando a imprensa daqui.
Conforme...
no site  Minas Sem Censura saiu a seguinte matéria:
 
PRISÃO DE JORNALISTA EM MG: A FACE CRUEL DO ESTADO DE EXCEÇÃO
A prisão do jornalista Marco Aurélio Carone, diretor proprietário do NOVO JORNAL, ocorrida hoje revela a face mais cruel do “Estado de Exceção” implantado em Minas Gerais desde 2003.
A prisão realizada estaria “amparada no requisito da conveniência da instrução criminal, já que em liberdade poderá forjar provas, ameaçar e intimidar testemunhas, além de continuar a utilizar o seu jornal virtual para lançar informações inverídicas”, segundo trecho do despacho da juíza Maria Isabel Fleck.
Ora, afirma-se que um dos motivos da prisão seria evitar que ele utilizasse de seu jornal virtual para veicular supostas informações inverídicas. Se isso não for censura prévia, o que mais será? E o que é pior: a arma para se efetivar essa ação preventiva seria a prisão do acusado? Logo, todo e qualquer profissional de imprensa que ousar veicular informações previamente consideradas inverídicas pela Justiça ou pelo Ministério Público estão sob ameaça concreta em Minas Gerais. (...)”
Segundo o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG):
“(...) Quem é amigo de Aécio, pode absolutamente tudo, com helicóptero ou sem helicóptero. Aos outros, cadeia, cassação de mandato… É importante o que está ocorrendo com o Carone para mostrar ao Brasil inteiro o estado de exceção que Minas vive.”
Conclusão do Pau: Minas Gerais está cheirando mal...
 
CONSTANTE DESATINO
 
1.Introdução
A chamada Grande Imprensa tem revelado uma inesgotável capacidade de contratar colunistas que dizem amém aos seus proprietários. Tais escrevinhadores, numa demonstração de cabotinismo e servilismo poucas vezes vistas na história, acham-se maravilhosos, importantes e inigualáveis. Inigualáveis, com certeza.
Depois que a Veja, aquela revista muito consumida em consultórios odontológicos da classe média, contratou Reinaldo Azevedo e Lobão, tudo o mais se revela recorrente.
O Globo não fica atrás. A mais nova estrela da constelação globástica tem por nome Rodrigo Constantino. É o mais novo gênio da raça, depois de Arnaldo Jabor, Nelson Motta e Merval Pereira.
Para escrever sua última coluna (21-01-2014), citou um personagem (*), chamado Joaquim, que deve ser um dos milhares de amigos seus que trilharam o caminho da verdadeira ascenção social, isenta de protecionismos cotistas ou assemelhados.
2.Princípio
Vamos à história:
Joaquim era um menino muito pobre, que estudava em uma escola pública e morava na periferia.”
É uma introdução de levar o leitor às lágrimas... Faltou só o “Era uma vez”. 
Prosseguindo:
“Cansado de tanta greve, resolveu dar um rolezinho em uma biblioteca. Ele não sabia ainda, mas aquilo iria mudar sua vida (...)”
Segue-se uma brilhante demonstração de erudição de orelhas de livros por parte do contador da história, citando uma frase de cada um dos pensadores que diz terem sido lidos e absorvidos por Joaquim, tais como:
“(...) Sófocles, Shakespeare, Kafka, Dostoiévski, Camus, Machado de Assis, Roth, Conrad, Adam Smith, David Ricardo, Popper, Bastiat, Tocqueville, Jean-François Revel, Lord Acton, Menger, Bohm-Bawerk, Mises e Hayek, Burke, John Adams, Russell Kirk, Oakeshott, Isaiah Berlin, Irving Babbitt e Theodore Dalrymple, Benjamin Constant, Montesquieu, Schumpeter, Milton Friedman, Thomas Sowell, Orwell, Huxley, Ayn Rand. Koestler, Paul Johnson... “
3.Meio
Nessa altura do campeonato, o locutor que vos fala, humilde e sujo blogueiro, maravilhado, imaginou Joaquim como um filósofo do naipe dos maiores de toda a História da Humanidade... Com tal currículo, como pensar diferente?
Aí vem o primeiro pulo do gato de Constantino: Joaquim não é filósofo.
Prosseguindo:
“(...) Joaquim tinha um espírito empreendedor, e desejava muito melhorar de vida. Foi com sua bagagem cultural para os Estados Unidos, tentar a sorte. Eram os anos 1980, a era Reagan, com mais oportunidades. Sempre olhara para os melhores com admiração, nunca inveja. Eram uma meta para ele, um exemplo a ser seguido. Hoje ele é um empresário de sucesso e vive em Boston.”
Não ficou esclarecido se Joaquim abriu uma empresa de formação intelectual de empresários, não há referência sobre seu ramo de atividade.
4.Fim
E aí vem o segundo pulo do gato de Constantino: Joaquim finalmente encontrou sua turma.
“(...) Em sua velha comunidade, é acusado de “traidor”. Por ser negro, acusam-no de se comportar como um “branco” e ignorar sua raça. Mas ele jamais entendeu dessa forma. Para ele, o normal é desejar crescer na vida, aprender com a civilização, e não desdenhar dela. Até hoje ele é muito grato pelo rolezinho que decidiu dar na alta cultura quando jovem.”
Dedico esta referência aos futuros participantes dos rolezinhos. Sigam o exemplo de Joaquim, e, nas visitas aos shoppings da vida, em vez de comprarem tênis e camisetas de marcas, comprem os livros dos autores lidos por ele, passagem para Boston e transformem-se em empresários de sucesso. Ou, quem sabe, peçam emprego ao Joaquim. Ele vai adorar.
Quanto ao Rodrigo, ler as orelhas não deve ter sido suficiente. Afinal, não consta que seja empresário de sucesso e nem que viva em Boston.
É pouco provável que Joaquim tenha lido Celso Furtado, Milton Santos, Abdias Nascimento e Darcy Ribeiro. Certamente não fazem parte da extensa coleção de Rodrigo.
O autor do Pau Comeu jura ser esta a primeira e única edição em que tal Rodrigo será citado, pois não tem saco para os constantes desatinos do fabuloso Constantino.
 
 
PASSANDO A RÉGUA NO ROLÉ
Pau Comeu, com esse título, espera dar um tempo, quiçá longo, na temática do rolézinho. Optamos por esta grafia porque o problema é agudo, em vez de rolêzinho, pois o pessoal usa boné em vez de chapéu.
O sociólogo potiguar Jessé Souza, doutor pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, autor da obra “A Ralé Brasileira”, prefere a grafia rolezinho, sem chapéu e sem acento agudo, e declarou em recente entrevista (*) que “(...) rolezinhos são vistos como tão ameaçadores porque rompem a demarcação do apartheid social”.
Sua última sentença é fulminante:
A classe média verdadeira, “europeizada” — que se percebe como estrangeira na própria terra — se sente ameaçada pelos “bárbaros” das classes populares, em um fenômeno que tende a ter diversos novos capítulos no Brasil daqui para a frente.”
(*) http://www.viomundo.com.br/politica/jesse-souza-o-role-da-rale-ameaca-a-  fronteira-de-classes.html, em 18 de janeiro de 2014.
Poste Escrito Um: só voltaremos ao tema se os black blocs esculhambarem o movimento, já apelidado carinhosamente de rolê da ralé.
Poste Escrito Dois: está caindo, definitivamente, a máscara da democracia racial no Brasil. A democracia brasileira tem preço. E não é barato.
Poste Escrito Três: a expressão Poste Escrito é uma homenagem ao Jornal do Poste, de São João D’El Rey, terra natal do Neves, avô do Neves e da Neves.