quinta-feira, 28 de março de 2013

EDIÇÃO Nº 32: JANELA INDISCRETA





O autor flagrado na "Janela Indiscreta".
 


POMBO CORREIO

Pau Comeu informa: a partir do mês que vem, abril/2013, as edições estarão disponibilizadas nos dias 07, 17 e 27 de cada mês. Motivo: o blog é grátis e tá sobrando mês no final do meu dinheiro. Preciso caçar recursos para manutenção deste veículo, pois consome muita cerveja.

 
BOOMERANG

>>>>>>>>>>>> O Depufede Pastor Feliciano é contra gays, negros, índios, e um tantão de etc.

<<<<<<<<<<<< O Pau Comeu lembra que o Partido dele é “Social” e “Cristão”.

 

ABRINDO O BAÚ / ESPORTES

Do livro “O Corredor da Morte: Jesus está chamando!”, reunindo crônicas de um bar familiar, na Avenida Prudente de Morais, 666, publicado em 2004 por uma editora underground e que não logrou uma segunda edição. A razão do título vai ficar para outra oportunidade. Uma das crônicas levou o título de...

 

Futebol é Paixão!

É a principal instituição de qualquer boteco. Tá no sangue e na boca de todos. No coração, então, exorbita, domina, provoca emoções que podem levar a arritmias e enfartes.
Em Minas Gerais ocorre um fenômeno peculiar: as torcidas revezam-se em torcer pelo sucesso do seu time e pelo fracasso do adversário. Conforme o caso, mais pelo fracasso que pelo sucesso. Isso pode levar ao acúmulo de fracassos, em vez da coleção de sucessos.
O futebol mudou muito. Claro, o número de jogadores continua o mesmo. A bola continua redonda, embora grande parte dos “craques” inventados pela mídia preferisse a bola quadrada, por ser de mais fácil domínio. A lei do impedimento mudou para melhor, quando estabeleceu que na mesma linha vale.
A globalização, devoradora de culturas, fomentadora de padronizações, no futebol criou o adultério do torcedor. Tempos atrás, quem trocava de time era vira-folha, vira-casaca, e em geral visto com maus olhos pelos amigos e colegas. Tal procedimento era condenado como prova de falta de personalidade. Alvo de caçoadas, os familiares e os amigos cobravam uma definição: afinal, você é Atlético ou Cruzeiro? Flamengo ou Vasco? Palmeiras ou Corinthians? Quem não passou por isso?
O que nos fazia amar de verdade um time só? Seria como a idéia do casamento indissolúvel, até que a morte nos separe... na vitória-saúde e na derrota-doença? Não, acho que era mesmo o tal de amor eterno. Tem gente que jura que existe.
Seria paixão pelas cores que corriam, velozes, nos gramados, o balé exuberante atrás daquela bola de couro oficial, sonho de todo menino? Claro que também!
Era tudo isso e mais alguma coisa, uma forma de socialização, em que os amigos eram amigos, apesar de torcerem por times diferentes, até que a bola rolasse na saída do jogo... A gozação do vencedor durava só uma semana, até a próxima rodada.
Mais tarde, os filhos daqueles pais, até então inseparáveis, casavam-se e separavam-se, e as separações, mais ou menos traumáticas, ocorriam com frequência cada vez maior, mas a paixão e o amor pelo time do coração pareciam imortais.
A televisão mudou tanta coisa, também esse costume. Hoje os meninos têm um time em cada Estado, e com a globalização, um em cada País.
As cores se confundem e se desbotam, num arco-íris sem sentido para quem teima com uma só combinação, a segunda pele, seja ela preto-e-branca ou vermelho-e-preta, ou verde, ou vermelha ou azul, sem contar propagandas que violentam as gloriosas jaquetas originais, históricas, perenes ao menos nas memórias, nos filmes do Canal 100 e, depois de 1970, nas televisões.
E mais, sem falar nas cores de um mesmo time, que se modificam ao sabor de estilistas que não gostam de futebol, o belíssimo tricolor das Laranjeiras vira alaranjado, o rubro-negro baiano vira amarelo, o Vasco perde a listra diagonal, e por aí vai.
No boteco, em dia de Atlético versus Cruzeiro, as paixões só não superam a ida ao Mineirão. Mas é quase... Os torcedores se misturam num azul misturado com preto e branco, e o resultado é que não há brigas. Dezenas de torcedores se misturam, mais da metade, claro, do lado de fora, de pé na calçada. E tome cerveja, e tome cigarro, e tome uísque e outros líquidos menos votados. E o nervosismo só que aumenta, até que sopra o apito final daquele juiz, geralmente um filho da puta pra quem perde. O futebol é isso...
Minas Gerais é um estado central, dizem políticos e estudiosos que é uma síntese do Brasil. Descontando os interesses eleitoreiros, há fundo de verdade. Suas fronteiras fazem com que influencie e seja influenciado pelos vizinhos. Há mineiros paulistas, Varginha que o diga. Há mineiros cariocas, Juiz de Fora sabe. Os mineiros do leste respiram maresia, o que os diferenciam dos capixabas? Os do Triângulo não são, ao mesmo tempo, goianos? Os do Norte guardam semelhanças atávicas com os baianos, aspiram ares de acarajés, abarás, sarapatéis sensacionais. No futebol as fronteiras também influenciam as simpatias.
Talvez por isso Guimarães Rosa tenha dito, um dia, a frase fatal “Minas são muitas...” E Carlos Drummond de Andrade, ao contrário do que pensam alguns mineiros, tenha morrido com Itabira no coração. Léo Santana, escultor mineiro, imortalizou em bronze o Poeta Maior no calçadão da praia de Copacabana. Ari Barroso, internacional de Ubá, é o autor do verdadeiro hino nacional brasileiro, a Aquarela do Brasil. Milton Nascimento, carioca de origem e mineiro de formação, é personalidade nacional, quem não gosta dele? Vocês sabiam que o Bituca é Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Ouro Preto?
Dizer dos mineiros importantes por suas qualidades e não pelos poderes ou sobrenomes, é elaborar uma enciclopédia. Rosa acertou na mosca. Basta viajar pelo Brasil, é só dizer que é mineiro e as pessoas do lugar se chegam para conversar, trocar uma prosa. E se rolar uma cachacinha com torresmo, então...
Voltando ao futebol, o ideal é que os mineiros esqueçam os fracassos dos outros e se concentrem na busca dos próprios sucessos. Aí vai melhorar, a disputa será pelas conquistas. Agora que a Raposa conseguiu a sonhada estrela amarela, quem sabe o Galo parta para sua segunda.
O boteco, já disse o DATABAR, é na maioria, Galo. Em segundo lugar, Raposa. Se bobear, o Coelho perde para outros bichos de fora. Apesar das estatísticas, o bar é democrático e que continue assim...

 
ARTEFATOS

Nesse cantinho destinado aos eventos e fatos artísticos, incluindo contribuições dos leitores, o escriba do Pau Comeu revela uma faceta desconhecida do seu pequeno público, qual seja a de fracassado produtor musical.
Algum tempo depois de dissolvido o grupo vocal “De Voz Em Quando”, magistralmente regido pelo Maestro Hudson Brasil, quatro de seus participantes tentaram, com mais uma pessoa, formatar um quinteto para apresentações destinadas a pessoas interessadas, em ambientes pequenos.
Os cumprimentos do baixo Paulinho à contralto Pretinha, ao tenor Zé Rogério e à soprano Cássia, além de Lúcia, violonista. Dedico esta “leitura” especialmente à cantora e violonista Suzana Alvarenga, para que, lá nas lonjuras da Austrália, inclua em seu repertório de festas. Sei que ela saberá interpretar, entende do riscado.
Entre os projetos, um foi denominado “Cantando e andando”, cujo objetivo foi garimpar coleções de músicas em pequenos volumes, com a intenção de contar histórias, desvendando vertentes temáticas na música popular brasileira.
Foi muito interessante descobrir que pessoas de tempos diferentes desenvolveram visões semelhantes ou complementares, ou às vezes deliciosamente contraditórias, em relação a um determinado tema, resultando numa espécie de diálogo entre gerações de músicos e letristas.
Mesmo não tendo saído do papel, vale a pena resgatar um momento do primeiro tema proposto, “Encontros e desencontros”.

É notável a simbiose entre “Jura”, composição de Sinhô feita em 1928, e “Aos pés da santa cruz”, de Marino Pinto e Zé da Zilda, de 1942. Nas duas músicas, fundidas em uma só, a ordem proposta descobre uma continuidade entre as letras e as melodias, como se a que veio depois dialogasse com a anterior, 14 anos depois.


Jura aos pés da santa cruz

“Pa-pa
Pa-ra-pa-ra-pa
Pa-ra-pa-ra-pa
Pa-ra-pa-ra-pa-ra-pa-ra-pa-ra-pa
Pa-pa
Pa-ra-pa-ra-pa
Pa-ra-pa-ra-pa-pa-pa-ra-pa...pa!

Jura, jura, jura
Pelo Senhor
Jura pela imagem
Da santa cruz do Redentor
Pra ter valor a tua
Jura, jura, jura
De coração
Para que um dia
Eu possa dar-te o meu amor
Sem mais pensar na ilusão...

O coração tem razões
Que a própria razão desconhece
Faz promessas e juras
Depois esquece
Seguindo esse princípio
Você também prometeu
Chegou até a jurar
Um grande amor
Mas depois esqueceu...

Daí então dar-te eu irei
O beijo puro
Na catedral do amor
Dos sonhos meus
Bem junto aos teus
Para fugirmos
Das aflições da dor...

Aos pés da santa cruz
Você se ajoelhou
E em nome de Jesus
Um grande amor você jurou
Jurou mas não cumpriu
Fingiu e me enganou
Pra mim você mentiu
Pra deus você pecou...

Jura, jura, jura
Pelo Senhor
Jura pela imagem
Da santa cruz do Redentor
Pra ter valor a tua
Jura, jura, jura
De coração
Para que um dia
Eu possa dar-te o meu amor
Sem mais pensar na ilusão...

Pa-pa
Pa-ra-pa-ra-pa
Pa-ra-pa-ra-pa
Pa-ra-pa-ra-pa-ra-pa-ra-pa-ra-pa
Pa-pa
Pa-ra-pa-ra-pa
Pa-ra-pa-ra-pa-pa-pa-ra-pa...pa!”

 


JANELA INDISCRETA

Pau Comeu inaugura esta nova secção, dando a palavra a outras pessoas em situações pouco esperadas e fazendo um comentário no final.

(1)   De João Ubaldo Ribeiro para Fernando Henrique Cardoso:

“25 de outubro de 1998

Senhor Presidente,

Antes de mais nada, quero tornar a parabenizá-lo pela sua vitória estrondosa nas urnas. Eu não gostei do resultado, como, aliás, não gosto do senhor, embora afirme isto com respeito. Explicito este meu respeito em dois motivos, por ordem de importância.

O primeiro deles é que, como qualquer semelhante nosso, inclusive os milhões de miseráveis que o senhor volta a presidir, o senhor merece intrinsecamente o meu respeito.

O segundo motivo é que o senhor incorpora uma instituição basilar de nosso sistema político, que é a Presidência da República, e eu devo respeito a essa instituição e jamais a insultaria, fosse o senhor ou qualquer outro seu ocupante legítimo. Talvez o senhor nem leia o que agora escrevo e, certamente, estará se lixando para um besta de um assim chamado intelectual, mero autor de uns pares de livros e de uns milhares de crônicas que jamais lhe causarão mossa.

Mas eu quero dar meu recadinho.

Respeito também o senhor porque sei que meu respeito, ainda que talvez seja relutante privadamente, me é retribuído e não o faria abdicar de alguns compromissos com que, justiça seja feita, o senhor há mantido em sua vida pública – o mais importante dos quais é com a liberdade de expressão e opinião.

O senhor, contudo, em quem antes votei, me traiu, assim como traiu muitos outros como eu. Ainda que obscuramente, sou do mesmo ramo profissional que o senhor, pois ensinei ciência política em universidades da Bahia e sei que o senhor é um sociólogo medíocre, cujo livro O Modelo Político Brasileiro me pareceu um amontoado de obviedades que não fizeram, nem fazem, falta ao nosso pensamento sociológico. Mas, como dizia antigo personagem de Jô Soares, eu acreditei.

O senhor entrou para a História não só como nosso presidente, como o primeiro a ser reeleito. Parabéns, outra vez, mas o senhor nos traiu. O senhor era admirado por gente como eu, em função de uma postura ética e política que o levou ao exílio e ao sofrimento em nome de causas em que acreditávamos, ou pelo menos nós pensávamos que o senhor acreditava, da mesma forma que hoje acha mais conveniente professar crença em Deus do que negá-la, como antes.

Em determinados momentos de seu governo, o senhor chegou a fazer críticas, às vezes acirradas, a seu próprio governo, como se não fosse o senhor seu mandatário principal. O senhor, que já passou pelo ridículo de sentar-se na cadeira do prefeito de São Paulo, na convicção de que já estava eleito, hoje pensa que é um político competente e, possivelmente, tem Maquiavel na cabeceira da cama. O senhor não é uma coisa nem outra, o buraco é bem mais embaixo. Político competente é Antônio Carlos Magalhães, que manda no Brasil e, como já disse aqui, se ele fosse candidato, votaria nele e lhe continuaria a fazer oposição, mas pelo menos ele seria um presidente bem mais macho que o senhor.

Não gosto do senhor, mas não tenho ódio, é apenas uma divergência histórico-glandular. O senhor assumiu o governo em cima de um plano financeiro que o senhor sabe que não é seu, até porque lhe falta competência até para entendê-lo em sua inteireza e hoje, levado em grande parte por esse plano, nos governa novamente.

Como já disse na semana passada, não lhe quero mal, desejo até grande sucesso para o senhor em sua próxima gestão, não, claro, por sua causa, mas por causa do povo brasileiro, pelo qual tenho tanto amor que agora mesmo, enquanto escrevo, estou chorando.

Eu ouso lembrar ao senhor, que tanto brilha, ao falar francês ou espanhol (inglês eu falo melhor, pode crer) em suas idas e vindas pelo mundo, à nossa custa, que o senhor é o presidente de um povo miserável, com umas das mais iníquas distribuições de renda do planeta.

Ouso lembrar que um dos feitos mais memoráveis de seu governo, que ora se passa para que outro se inicie, foi o socorro, igualmente a nossa custa, a bancos ladrões, cujos responsáveis permanecem e permanecerão impunes. Ouso dizer que o senhor não fez nada que o engrandeça junto aos corações de muitos compatriotas, como eu. Ouso recordar que o senhor, numa demonstração inacreditável de insensibilidade, aconselhou a todos os brasileiros que fizessem check-ups médicos regulares. Ouso rememorar o senhor chamando os aposentados brasileiros de vagabundos.

Claro, o senhor foi consagrado nas urnas pelo povo e não serei eu que terei a arrogância de dizer que estou certo e o povo está errado. Como já pedi na semana passada, Deus o assista, presidente. Paradoxal como pareça, eu torço pelo senhor, porque torço pelo povo de famintos, esfarrapados, humilhados, injustiçados e desgraçados, com o qual o senhor, em seu palácio, não convive, mas eu, que inclusive sou nordestino, conheço muito bem. E ouso recear que, depois de novamente empossado, o senhor minta outra vez e traga tantas ou mais desditas à classe média do que seu antecessor que hoje vive em Miami.

Já trocamos duas ou três palavras, quando nos vimos em solenidades da Academia Brasileira de Letras. Se o senhor, ao por acaso estar lá outra vez, dignar-se a me estender a mão, eu a apertarei deferentemente, pois não desacato o presidente de meu país. Mas não é necessário que o senhor passe por esse constrangimento, pois, do mesmo jeito que o senhor pode fingir que não me vê, a mesma coisa posso eu fazer.

E, falando na Academia, me ocorre agora que o senhor venha a querer coroar sua carreira de glórias entrando para ela. Sou um pouco mais mocinho do que o senhor e não tenho nenhum poder, a não ser afetivo, sobre meus queridos confrades. Mas, se na ocasião eu tiver algum outro poder, o senhor só entra lá na minha vaga, com direito a meu lugar no mausoléu dos imortais.

            João Ubaldo Ribeiro”

                        (fonte:http://contextolivre.blogspot.com.br/2010/07/carta-de-joao-ubaldo-ribeiro-ao-ex.html)


(2)   Comentário do Pau Comeu, diretamente da Janela Indiscreta:

Quem achava que o JUR só metia o pau no Lula, aqui JUR meteu o pau no FHC.
Se bem que acho que foi no tempo em que JUR bebia...
Pelo final da carta, na verdade quem morreu foi outro imortal, também chamado João... Mas foi o de Scatimburgo.

quinta-feira, 21 de março de 2013

EDIÇÃO Nº 31: A COPA DO MARADUNGA



POMBO CORREIO

Por motivo de agenda cheia de atividades extra-blog, a presente edição não irá comentar assuntos recentes, só compartilhando...

...A PIADA DO SÉCULO

Após a escolha do Papa Francisco I, manchete-bomba de um jornal provocador:

FINALMENTE

UM ARGENTINO

INFERIOR A DEUS!

 

ABRINDO BAÚ

Pau Comeu resgata, da última Copa do Mundo, um personagem híbrido argentino-brasileiro...

 
Maradunga é o nome da Copa – Volume 1

Mãe é mãe, o resto é pai.
As mães, por princípio, os acolhem na barriga, engordam, deformam-se e, num belo dia, cospem fora os filhos, que escorregam através dos canais competentes.

O peito é dado com prazer pra quem tem muito leite, ou com dor pra quem pouco tem. É o que dizem as mães, nunca fui mãe, não posso confirmar, mas acredito.

Mães dão educação exemplar aos filhos, com algumas ressalvas que servem para confirmar as regras e causar danos irreparáveis até para os psicanalistas, seres que enganam, cobram caro e quase nunca resolvem, mesmo porque quase sempre não entendem suas próprias vidas.
Assim como não gosto que falem mal da minha mãe, Deus a tenha em bom lugar, não vou falar mal da mãe de ninguém. Mas...

Acredito piamente que a mãe do Dunga e a mãe do Maradona foram perfeitas como mães. Como conheço razoavelmente a língua pela qual tento me expressar, não usarei, no fim da frase anterior, a forma “foram perfeitas enquanto mães”, pois isso seria, além de um grave erro de escritura, um absurdo, porque mãe é para sempre, mesmo depois que morre.
O problema das mães são os filhos, que tão logo largam os peitos acham que podem fazer qualquer coisa que lhes venham às respectivas cabeças.

Assim, a mãe do Dunga foi exemplar, além de mãe foi professora de história e geografia, menos de português, e ensinou-lhe tudo que sabia de bom e de bem. O problema é que a mãe dá educação, acha que a educação que deu foi o bastante para que o filho se desenvolvesse, mas...
A mãe esquece que não pode acompanhar, porque lhe foge à alçada, se a educação entrou no filho. Geralmente, não entra. Isto vale para as mães da Europa e para as mães do Mercosul. Não entrou na cabeça do Dunga, não entrou na do Maradona. No Dunga, porque fala palavrão, coisa feia que a mãe nunca lhe ensinou, por supuesto. No Maradona, porque usou drogas além daquelas da farmácia que o curou de suas febres terçãs, por causa das más companhias não orientadas.

As mães ficaram para trás, sina de todas as mães.
Os filhos amados cresceram, foram ser jogadores de futebol, foram campeões.

O Dunga veio ao mundo para ser um jogador medíocre. E foi campeão.
O Maradona veio ao mundo para ser um jogador espetacular. E foi campeão.

Ambos venceram.
Suas mães devem estar, onde, não sei, orgulhosas.

Mas... Como todas as mães... Não têm nada a ver com o que veio depois... Ou têm?
Ainda bem que sus hijos não foram juízes... Já pensaram nisso?

Mesmo não sendo juízes, seus frutos foram xingados, um mais, outro menos.
Não me importa o resultado final da Copa do Mundo de 2010. Os grandes personagens não foram os jogadores, como de hábito, foram os denominados treinadores. Dentre eles Dunga e Maradona, os filhos das mães.

Dunga porque acha que, por ter sido campeão apesar do seu futebolzinho de quinta categoria, sabe das coisas do futebol. Seu temperamento de milico lembra demais o Sargento Tainha.
Maradona porque acha que, por ter sido campeão através do seu futebol de primeira categoria, sabe das coisas do futebol. Seu temperamento de rebelde lembra demais o Recruta Zero.

Se as atuais gerações não conhecem Tainha e Zero, que, do alto de suas pretensões intelectuais, entrem na internet e procurem saber quem são tais personagens. E depois recorram às fontes originais e leiam. Sim, porque as atuais gerações ainda vão descobrir que a fonte de saber, além das ruas, está nos livros, nem que seja em revistas de quadrinhos também.
Os dois fracassaram em seus objetivos como treinadores. Não foram campeões.

As diferenças de educação, porém, se insinuaram e se manifestaram.
Enquanto Dunga diz que não sabe se foram boas ou ruins a ditadura e a tortura porque não viveu nenhuma, Maradona é solidário às mães e avós da Plaza de Mayo.

Enquanto Dunga, na derrota derradeira, ao ouvir o apito final foi embora pro vestiário, Maradona ficou no campo e recebeu seus pupilos com abraços e os consolou, embora ele mesmo se mostrasse inconsolável.
Enquanto Dunga foi despedido humilhantemente, Maradona foi recebido com aplausos pelo povo argentino.

Cabe dizer que dizem que Dunga foi aplaudido em Porto Alegre. Se foi mesmo, foi por ser gaúcho. Se desembarcasse em Belo Horizonte, Rio de Janeiro ou São Paulo, sei não.
Parece que Maradona deixou as drogas. Parece que Dunga aprimorou os palavrões.

Mas... Falta um terceiro filho da mãe nesse projeto de crônica. O treinador da Alemanha que, nesse momento, antes do jogo contra a Espanha, ainda pode ser campeão. Que coisa mais feia tirar meleca do nariz, que coisa horrível fazer bolinha com a meleca, que coisa pavorosa comer meleca... Sua mãe certamente ficou desapontada.
Belo Horizonte, terça-feira, 06 de julho de 2010.

Maradunga é o nome da Copa – Volume 2

Craque é craque, o resto é perna-de-pau.
Exagerei de cara. Além de poucos craques, poucas centenas de bons jogadores, alguns milhares de jogadores razoáveis e milhões de pernas-de-pau, entre chineses e não-chineses.

O craque, antigamente, era aquele cara que fazia coisa diferente dos outros. Fazia quase sempre, não era só de vez em quando, não.
Atualmente, qualquer um que faz gol de canela é proclamado craque pela imprensa cabeça-oca.

Aí fica difícil falar dos pais que tentam descrever aos filhos o que fazia Garrincha, eles não acreditam e chamam seus pais de loucos varridos, malucos, que viam coisas em sonhos, que contavam histórias da carochinha para fazer os filhos dormirem o sono em paz, sem temores do escuro e do tal do bicho-papão, que pode ser aquele zagueiro botinudo ou aquele famigerado “volante-de-contenção”.
Então, o que fazer?

Continuar dizendo verdades, que Garrincha era uma doce ilusão, ou mentir aos filhos, dizendo que sim, somos pais loucos varridos, que aquilo era apenas sonho de uma tarde de verão.

Tal dilema prova que os pais, esses velhos, são loucos também.
Procurar psicanalistas, que não viram Garrincha jogar, não resolveria o problema, pois eles iriam confirmar as impressões dos filhos, e quem sabe receitarem camisa-de-força para os delirantes. Pior que um psicanalista jovem é um psicanalista velho. O primeiro porque aprendeu e não viveu, o segundo porque viveu e não aprendeu. Corro, conscientemente, o risco da generalização, há menos psicanalistas competentes do que craques de futebol.

Então, fazer o que?
Simplesmente morrer abraçado no sonho. E deixar pra lá a cruel realidade de quem não sonhou.

Pra quem foi mal acostumado a ver alguns verdadeiros craques, fica difícil aturar essas invenções proclamadas pelos jornais e televisões, geralmente por pessoas que ganham os tubos para dizerem baboseiras aos nossos filhos e desfilarem sua, digamos, prepotência e ignorância do verbo ignorar.
Tive a oportunidade de ver Garrincha jogar e, como flamenguista, sentir na pele e nos ossos o verdadeiro estrago que sepultava, a cada jogo, minhas ilusões de ver meu time campeão. Era doloroso, mas, como apreciador das belezas e artimanhas do futebol, era obrigado, pela realidade, a admirar o que aquele doce demônio fazia com a bola, escrava que não largava dos seus pés.

O futebol mudou, sim, é o que todos podemos perceber. Já estou cansado de ouvir os donos da verdade dizerem que Garrincha não seria o mesmo se jogasse hoje. Sou obrigado a concordar. E arrisco uma projeção sobre o que aconteceria com ele, se tal coisa fosse possível.
Garrincha não pedalava, driblava.

No primeiro drible levaria uma porrada que o jogaria pela lateral. Cartão amarelo? Não! Jogada normal do futebol moderno.
No segundo drible levaria, dentro da área, outra porrada. Penalti? Não! Seria advertido com cartão amarelo, por simulação.

Na terceira jogada, após driblar oito adversários, e levar porradas, voltaria com a bola para o meio do campo e driblaria mais oito adversários, levaria mais algumas porradas e não faria o gol, pois ficaria com pena do goleiro, sendo expulso, cartão vermelho, por ter debochado do adversário.
Sangrando, de maca, não aquela de carrinho, mas de quatro braços carregando, o exame médico constataria que suas pernas tortas enfim se endireitaram, operado que foi pelos marcadores adversários. E, com isso, Garrincha virou um jogador normal, como tantos outros, perdeu seu encanto, bebeu cachaça e morreu.

E os demais craques? Só tinha Garrincha?
Para o meu rigoroso paladar, quase.

Tinha o Pelé, também. Para vê-lo, gastei minha mesada, chupei o dedo o resto do mês, resultado Santos 7 x 1 Flamengo.
Tinha, só no meu time, desde menino, Dida, Dequinha e o Doutor Rúbis.

Adolescente, Espanhol (que depois virou Ufarte na Europa) e Carlos Alberto, também ponta-direita, cuja breve carreira um troglodita tratou de encerrar, quebrando-lhe a perna.
Ambos foram discípulos de Garrincha, mantidas as abissais diferenças e proporções.

Já maduro, a geração liderada por Zico, tinha Leandro, Adílio e Júnior.
Hoje, ninguém. No meu time, ninguém.

Meu time virou um deserto povoado por fantasmas que não merecem vestir aquela camisa conhecida antigamente como manto sagrado.
Tostão, Gerson e mais uma dúzia mereceram ser chamados de craques.

Em tempo: segundo Mestre Aurélio, craque é o jogador de futebol famoso por sua grande destreza.
Maradona foi craque, Dunga não.

Belo Horizonte, sexta-feira, 09 de julho de 2010.

 
Maradunga é o nome da Copa – Volume 3

Mãe é mãe, o resto é pai.
Craque é craque, o resto é perna-de-pau.

A Copa sul-africana acabou.
O protagonista da Copa foi Paul, o polvo alemão com nome inglês.

Humilhou a maioria dos comentaristas palpiteiros, deixando de lado as estatísticas, os sistemas táticos, ignorando os erros de arbitragens (ou contando com eles), indo direto aos “finalmentes” e apontando os vencedores, não errando um sequer. Indicou a Espanha, inventaram um passarinho asiático que indicou a Holanda, quem é um simples passarinho asiático comparado com um polvo alemão?
A Copa vem para o Brasil e vai surgir o periquitinho verde, tira a sorte, no realejo, por favor...

Confirmando nossas estatísticas, não menos falsas que as oficiais, alguns bons jogadores, na média um tanto de jogadores razoáveis e um monte de pernas-de-pau. E alguns candidatos a “serial killer”, distribuindo botinadas e tentativas recorrentes de assassinatos, dignos sucessores daqueles que operaram Garrincha, conforme descrito no Volume 2.
E um único craque: Nelson Mandela. Aos 92 anos, continua batendo um bolão. Ídolo de todas as nacionalidades. Sem ele não haveria Copa na África do Sul. E não haveria África do Sul.

As “vuvuzelas” vão dormir.
Em seu lugar, aqui, Hermeto Paschoal ou algum discípulo irá criar uma alternativa para música ambiental nos estádios e nas ruas. Que bom. Menos barulho, mais harmonia. De preferência. Com instrumentos inusitados, baldes, buzinas, todos em perfeita afinação, com muitas saudades do Paulo Moura que só esperou a Copa acabar para morrer.

Já tem gente dando palpite sobre quem será a sucessora da “jabulani”.
Sugiro “bola”.

Quem sabe, assim, os jogadores brasileiros a reconheçam como tal e não maltratem a pelota, o esférico, o balão, a chulipa, tratando-a com a intimidade que merece.
Que até lá o Uruguai encontre um goleiro, deixando no ostracismo aquele caçador de borboletas. Que até lá a Argentina encontre uma defesa e o Maradona, se continuar, que faça um cursinho de técnico de futebol. Que até lá o Paraguai mantenha a garra e melhore um pouco mais. Que até lá o Chile encontre um time capaz de competir.

Que até lá o Brasil forme um time.
Que encontre um treinador, esquecendo no limbo o Sargento Tainha e seu fiel colaborador, o evangélico Jorginho.

Mais ainda, que o Jorginho funde sua própria igreja e deixe o futebol em paz para os não-fundamentalistas. Tenho a certeza de que, mais ridículo que o Dunga, foi seu mentor espiritual. Como é que o Jorginho agüentou tanto palavrão no ouvido? Ou então, na sua religião, pode falar palavrão? E do Dunga ele chamou a atenção?
Ricardo Teixeira não morrerá até lá. Poderá faturar com os estádios reformados e/ou construídos, com as propagandas, mas não será eleito presidente da FIFA. Palavra do periquitinho verde. Morrerá mais rico ainda, depois de 2014, mas frustrado por não imitar o ex-sogro, que também não gostava de futebol.

Continuaremos sendo obrigados a assistir seleções que seriam rebaixadas se atuassem no Campeonato Brasileiro. 32 seleções é muito, é demais para quem gosta do verdadeiro futebol. Mas a FIFA precisa ganhar dinheiro, a CBF também.
E desejo boa sorte aos aquinhoados que terão dinheiro para comprar ingressos para os jogos, que serão caros, muito caros.

O Dunga será comentarista da Rede Globo, tendo licença para falar seus palavrões preferidos, e correrá atrás de exclusividade para as entrevistas.
O futuro treinador?

Não sei...
Qualquer um, menos o Dunga, menos Parreira que já deu cacho, podre, mas deu, vitória em 1994 com gosto de doce de sabão.

E sem Paul.
O polvo alemão, convidado a vir ao Brasil, entrou num boteco, só tinha duas mesas ocupadas. Uma com o Dunga, a outra com o Maradona. Ambos afogando suas tristezas...

Paul estava doido pra tomar uma cervejinha.
Como veio ao mundo pra escolher entre duas alternativas, optou, é claro, pelo argentino.

Já pensou você, caro leitor, sentar numa mesa de bar e ser obrigado a tomar uma cervejinha com o Dunga?
Espero que nunca experimente tal programa...

Belo Horizonte, terça-feira, 13 de julho de 2010.

PS: Como todo escrito datado, o leitor tem a liberdade de escolher entre voltar no tempo e criticar ou descobrir os palpites que falharam e criticar.
À vontade, viva a democracia!
Belo Horizonte, 21 de março de 2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

EDIÇÃO Nº 30: HUGO DI BOURBON



O ÍNDIO E O REI

De cara, antes do apito inicial dessa peleja, declaro que nunca gostei do jeitão do Hugo. Talvez por uma questão até de preconceito, que me foi inflado no período educacional mais primário. Já disse em crônica, ainda não publicada no Pau Comeu, da minha falta de costume com as coisas da América Latina.

Vou lembrar agora... Trata-se de quando escrevi “Um olhar sobre Argentina”, que relata um conjunto de impressões sobre aquele país antes, durante e depois de uma viagem a Buenos Aires, dizendo que antes,

“ (...) o que colecionei sobre a Argentina, ao longo de toda a vida, mesclava tragédias e paixões arraigadas em todos os sentidos. Desde menino, sabia de Peron e Evita. Adolescente, do tango e Gardel. Adulto, de Piazzola e Maradona. Agora, na tal de “terceiridade”, aprendi que antes, sobre a história do país, tinha apenas informações esparsas, como se fosse um álbum sempre incompleto, no qual faltavam figurinhas importantes e para mim desconhecidas.
Aqui no Brasil, de certa forma, fomos educados em uma cultura histórica separada da América Latina, como se o Tratado de Tordesilhas nos impusesse desde cedo um olhar enviesado e até mesmo preconceituoso sobre nossos vizinhos. (...)”

Se isso valia para a Argentina, imagina muito mais sobre os demais países sudamericanos, como a Venezuela, por exemplo, na pauta depois da morte do seu “ditador” eleito pelo voto direto dos cidadãos aptos de seu país.

Que a imprensa branca de olhos azuis da cor do céu e do mar detestava Hugo Chávez, isso não é nenhuma novidade. Quem sabe ler sabe disso. Quem só vê a Globo, não entende porque o índio Hugo não tinha sido condenado à morte, tamanhas suas culpas, ou à fogueira da Idade Média, tamanhos seus pecados mortais, veniais e existenciais.

Mas o ódio parece não ter fim com a morte do índio.

Vale tudo na Grande Imprensa Brasileira e Internacional para sacanear a imagem do ditador eleito pelo voto direto dos cidadãos aptos do seu país. Fiquei implicado com a unanimidade com que ela o tratava mal...

Entonces fiz a pergunta que não queria calar:

O que fez Hugo Chávez para merecer tal unanimidade contra?

Aí fui buscar as razões e achei as seguintes:

1.Desde sua chegada ao poder em 1999, Hugo Chávez ganhou 15 das 16 eleições na Venezuela, entre as quais a última, no dia 7 de outubro de 2012, sempre derrotando seus rivais com diferenças entre 10 a 20 pontos percentuais. Eleições que foram reconhecidas por todas as instâncias internacionais, desde a União Europeia até a Organização dos Estados Americanos, passando pela União de Nações Sul-Americanas e pelo Centro Carter.

                                   Uma lástima...

2.Em dezembro de 2005, a Unesco decretou que o analfabetismo na Venezuela havia sido erradicado. O número de crianças na escola passou de 6 milhões em 1998 para 13 milhões em 2011, e a taxa de escolarização agora é de 93,2%. A taxa de escolarização no ensino secundário passou de 53,6% em 2000 para 73,3% em 2011. O número de estudantes passou de 895.000 em 2000 para 2,3 milhões em 2011, com a criação de novas universidades.

                                   Que horror...

3. Entre 2005 e 2012, foram criados 7.873 centros médicos na Venezuela. O número de médicos passou de 20 por 100 mil habitantes, em 1999, para 80 em 2010, ou seja, um aumento de 400%. Cerca de 17 milhões de pessoas puderam ser atendidas, enquanto que, em 1998, menos de 3 milhões de pessoas tinham acesso regular à saúde. A taxa de mortalidade infantil passou de 19,1 a cada mil, em 1999, para 10 a cada mil em 2012, ou seja, uma redução de 49%. A expectativa de vida passou de 72,2 anos em 1999 para 74,3 anos em 2011.

                                   Que absurdo...

4.  De 1999 a 2011, a taxa de pobreza passou de 42,8% para 26,5%, e a taxa de extrema pobreza passou de 16,6% em 1999 para 7% em 2011. Na classificação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Venezuela passou do posto 83 no ano 2000 (0,656) ao 73° lugar em 2011 (0,735), e entrou na categoria das nações com o IDH elevado. O coeficiente Gini, que permite calcular a desigualdade em um país, passou de 0,46 em 1999 para 0,39 em 2011, ostentando o coeficiente Gini mais baixo da América Latina, e é o país da região onde há menos desigualdade. A taxa de desnutrição infantil reduziu 40% desde 1999.

                                   Esse cara tá de sacanagem...

5. Em 1999, 82% da população tinha acesso a água potável. Agora, são 95%. Durante a presidência de Chávez, os gastos sociais aumentaram 60,6%. Antes de 1999, apenas 387 mil idosos recebiam aposentadoria. Agora são 2,1 milhões. Desde 1999, foram construídas 700 mil moradias na Venezuela.

                                   Não acredito que seja tão vil...

6. Desde 1999, o governo entregou mais de um milhão de hectares de terras aos povos originários do país. A reforma agrária permitiu que dezenas de milhares de agricultores fossem donos de suas terras. No total, foram distribuídos mais de 3 milhões de hectares.

                                   Que nem no Brasil...

7. Em 1999, a Venezuela produzia 51% dos alimentos que consumia. Em 2012, a produção é de 71%, enquanto que o consumo de alimentos aumentou 81% desde 1999. Se o consumo em 2012 fosse semelhante ao de 1999, a Venezuela produziria 140% dos alimentos consumidos em nível nacional. Desde 1999, a taxa de calorias consumidas pelos venezuelanos aumentou 50%, graças à Missão Alimentação, que criou uma cadeia de distribuição de 22.000 mercados de alimentos (MERCAL, Casa da Alimentação, Rede PDVAL), onde os produtos são subsidiados, em média, 30%. O consumo de carne aumentou 75% desde 1999. Cinco milhões de crianças agora recebem alimentação gratuita por meio do Programa de Alimentação Escolar. Em 1999, eram 250 mil. Segundo a FAO, a Venezuela é o país da América Latina e do Caribe mais avançado na erradicação da fome.

                                   Tinham que matar esse ditadorzinho...

8. Desde 1999, foram criadas mais de 50.000 cooperativas em todos os setores da economia. A taxa de desemprego passou de 15,2% em 1998 para 6,4% em 2012, com a criação de mais de 4 milhões de postos de trabalho. O salário mínimo passou de 100 bolívares (16 dólares) em 1998 para 2.047,52 bolívares (330 dólares) em 2012, ou seja, um aumento de mais de 2.000%. Trata-se do salário mínimo mais elevado da América Latina. Em 1999, 65% da população economicamente ativa recebia um salário mínimo. Em 2012, apenas 21,1% dos trabalhadores têm este nível salarial.

                                   O povo venezuelano é uma besta...

9.Os adultos com certa idade que nunca trabalharam dispõem de uma renda de proteção equivalente a 60% do salário mínimo. As mulheres desprotegidas, assim como as pessoas incapazes, recebem uma ajuda equivalente a 70% do salário mínimo. A jornada de trabalho foi reduzida a 6 horas diárias e a 36 horas semanais sem diminuição do salário.

                                   Hugo bebeu...

10.A dívida pública passou de 45% do PIB em 1998 a 20% em 2011. A Venezuela se retirou do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, pagando antecipadamente todas as suas dívidas. Em 2012, a taxa de crescimento da Venezuela foi de 5,5%, uma das mais elevadas do mundo. O PIB por habitante passou de 4.100 dólares em 1999 para 10.810 dólares em 2011.

                                   A VENEZUELA SOB A TIRANIA DE HUGO CHÁVEZ

                                   FOI UMA MERDA TOTAL...

 
Pau Comeu está estarrecido...
Pau Comeu não entende porque Joseph P. Kennedy II, filho mais velho de Robert Kennedy, ex-membro da Câmara de Representantes de EUa, fundador de Ciitizens Energy Corporation (Corporação de Energia para os Cidadãos) e diretor geral da companhia desde 1998, depois de 12 anos de serviços como representante do 8º Distrito Congressionak de Massachusetts, ao inteirar-se do falecimento do Presidente Chávez, emitiu a seguinte declaração:
“Cerca de dois milhões de pessoas nos Estados Unidos receberam calefação grátis, graças à liderança do presidente Chávez. Nossas orações acompanham a família do presidente Chávez...”

Nunca pensei nesse Pau Comeu em citar Rubens Ricúpero, ministro da Fazenda em 1994, e deposto pelo Presidente Itamar Franco depois de declarar ao vivo para todo o Brasil que “o que é ruim a gente esconde, o que é bom a gente divulga”, foi capaz de dizer o seguinte:

“(...) Não compreender por que milhões de venezuelanos rezam por Chávez é repetir a experiência narrada por Ernesto Sabato sobre a queda de Perón em 1955. O escritor comemorava com amigos intelectuais e profissionais liberais o fim do ditador que envergonhava a Argentina até que, em certo momento, teve de entrar na cozinha. Lá, todos os empregados choravam...”

Estamos realmente divididos para sempre: os poucos ricos contra os muitos pobres.
Não vou perder meu precioso tempo em dizer algumas palavras sobre o reizinho corruptão de Espanha, famoso, não só por suas roubalheiras abissais, mas por ter mandado Hugo se calar, o que foi repercutido pela Grande Imprensa Golpista Nacional e Internacional.
O reizinho corruptón Juan di Bourbon está condenado ao silêncio para sempre, pelos milhões de espanhóis desempregados que não votaram nele, ao contrário dos venezuelanos que tantas vezes elegeram Hugo.
Hugo foi calado pela morte.
O reizinho de mierda, ainda em vida, calado pelo escarro do seu povo.


PAU COMEU E O PAPA

Ainda bem que tem um “E” no meio, senão a oposição iria aproveitar e “debrancar” o autor destas palavras dizendo que disse que a manchete pretendida seria PAU COMEU O PAPA.
Em primeiro lugar o PAPA não faz o tipo do PAU COMEU.... E diz debrancar por razões óbvias... É racista contra brancos do tipo Ku Klux Klan.
Em segundo lugar, o nome Francisco é simpático. E deveria ser Francisco I sim, sem essa frescura de que porque é o primeiro tem que esperar morrer para o próximo ser o Francisco II.
Em terceiro lugar, segundo a capa de um jornal de BH, “(...) o religioso é um forte defensor da justiça social, contrário à legalização do casamento gay, crítico ao governo Kirchner- de quem já recebeu os cumprimentos oficiais – e foi acusado de apoiar o regime militar nos anos 70.”
Em quarto lugar, segundo um teólogo progressista, José Oscar Beozzo “(...) Ele escolheu o nome Francisco pela identificação com os pobres”; segundo outro opinante, Julio Gambina, Doutor em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, “(...) a Igreja lança em cena o símbolo de um chefe nascido no Sul, mas comprometido com o projeto do Norte.”

Pelo visto nas primeiras impressões, poderá passar à História como FRANCISCO I, O CONTRADITÓRIO.

Pau Comeu declara seu espanto com a frase inaugural do atual Papa: “Vocês devem saber que o dever do conclave era dar um bispo para Roma. E parece que os cardeais foram buscá-lo no fim do mundo.”
Um argentino chamar a Argentina de “fim de mundo” é não gostar da Argentina ou não ser argentino... é uma contradiçao total.

E tem mais... já estão dizendo que só tem metade de um pulmão...

Conclave à vista!


ARTEFATOS

Em homenagem ao Dia das Mulheres, dedico às que se comovem com Josefa, avó de José Saramago e presenteada pelo neto com essas belíssimas palavras, nunca antes ditas por nenhum poeta ou prosador...

“Tens noventa anos.

És velha, dolorida.

Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo - e eu acredito.

Não sabes ler.

Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados.

Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água.

Viste nascer o sol todos os dias.

De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal.

Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los.

Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte.

Trave da tua casa, lume da tua lareira - sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

 

Não sabes nada do mundo.

Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião.

Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar.

Com isto viveste e vais vivendo.

És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha.

 

Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma.

Vives.

Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio.

Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?)

 

Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses.

E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre.

O teu riso é como um foguete de cores.

Como tu, não vi rir ninguém.

 

Estou diante de ti, e não entendo.

Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo.

Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo.

Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, umas coisas que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro.

Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos - e continuo a não entender.

Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente.

Por que foi então que te roubaram o mundo?

Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender.

Já não vale a pena.

O mundo continuará sem ti - e sem mim.

Não teremos dito um ao outro o que mais importava.

Não teremos realmente?

Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido.

Fico com esta culpa de que me não acusas - e isso ainda é pior.

Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!".

É isto que eu não entendo - mas a culpa não é tua.

Zé”

 

POLITICANALHAGEM

Enquanto Dilma Roussef é lançada candidata à reeleição, Aécio Neves é lançado candidato à reejeição. Simples diferença de uma letra. De um L de Luís para um J de José...

 

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