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O Autor conta
uma experiência dividida com parentes e amigos que se reuniram para celebrar
a vida.
Constará
de duas partes: PARTE 1 sem fotos e PARTE 2 com fotos.
Foi em São
João Nepomuceno, na residência dos anfitriões Narciso Lanini e Ângela Maria
Sachetto Pavanelli Lanini, a quem todos agradecemos pela acolhida carinhosa.
Ano que
vem tem mais!
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29-09-2015
COMEÇO DE CONVERSA
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Com a intenção de juntar os distantes que a vida foi ao longo
do tempo, separando e espalhando por aí, pela segunda vez a Família
Pavanelli, em seu ramo descendente do italiano Giuseppe Rinaldo Pavanelli,
nascido em 13 de maio de 1879. Transformado no brasileiro José Pavanelli, o
inesquecível Vovô Popó, reuniu-se em festa no dia 05 de setembro de 2015. A
primeira tinha sido em 07 de setembro de 2013.
Como em toda família, as novas e crescentes exigências da
sobrevivência obrigam cada um seguir seu rumo, suas aptidões, suas certezas,
seus destinos, atravessando seus percalços, driblando obstáculos, enfim
vivendo as vidas como elas são para cada um de nós, com o tempo ficando cada
vez menor para as coisas boas...
Ficou claro para todos que dois anos de distância é muito
tempo... Incomoda muito, aos que se querem bem, ficarem tanto tempo sem se encontrarem...
As novas tecnologias de comunicação mitigam um pouco, mas não bastam para
saciar as saudades, daí a ideia do encontro físico, cujo único local, por
obrigação que não precisa nem de estatuto, nem constituição, tem que ser São
João Nepomuceno, o berço. E é lá que retomamos o fio da história, lembramos
os tempos felizes e choramos nossas perdas queridas.
Desta vez contamos com a colaboração de um descendente (*)
cuja esposa traçou uma árvore genealógica da Família Pavanelli, fato que nos
anima a contar as coisas como se fosse uma história que começa assim...
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(*)
Luis Celso e Maria José Lara de Bretas Pereira
ERA
UMA VEZ...
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Era uma vez uma pequenina cidade (comune) italiana
chamada Papozze. Cabia num quadrado de pouco mais de 4 km de lado, área em
torno de 2 hectares, na província de Rovigo, região do Vêneto, a leste da
Lombardia, norte da Velha Bota.
Vivem lá atualmente pouco menos de duas mil pessoas. Ao
longo da História, sua maior população alcançou pouco mais de cinco mil
habitantes, variando pouco em torno desse patamar entre 1911 e 1951, quando
começou sua trajetória de queda.
Lá nasceram tetravós Battista Pavanelli e Magdalena
Giovaninni, trisavós Settimio Pavanelli e Maria Luigia Nolli, e bisavós Carlo
Pavanelli, nascido em 08 de novembro de 1851, e Ginevra Biolcati, nascida em
06 de setembro do mesmo ano.
Carlo e Ginevra casaram-se em primeiro de agosto de 1874,
na mesma cidade, e seguindo os preceitos da Lei de Deus e da Mãe Natureza,
multiplicaram-se, gerando 10 filhos, sendo oito ainda quando residentes em
Papozze, entre as datas de 08 de junho de 1873, Emma Catterina, antes do
registro civil do casamento, e 23 de abril de 1888, Igínia Maria (Malvina).
Dos outros seis de nacionalidade italiana, Ugo Giuseppe e Vicenzo morreram
ainda crianças.
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FUGINDO
DA FOME
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A combinação de alguns fatores, como as dificuldades
econômicas vividas pelos italianos, uma política oficial de imigração do
Brasil para substituição da mão-de-obra escrava cafeeira, com a intenção não
declarada de mistura racial, resultou num movimento populacional que pode ser
classificado como um quase êxodo.
O processo de imigração italiana para o Brasil, entre 1876 e
1920, contabilizou a entrada de 1.243.633 pessoas, das quais 365.710
provenientes da região do Vêneto, o que significa quase 30% do total. Entre
1884 e 1913, por outro lado, entraram no Brasil 1.244.838 pessoas, das quais
510.533 no período entre 1884 e 1893, perfazendo 41%, e nesse período a média
anual foi de 51 mil pessoas.
Curiosamente, a pequena Papozze viu crescer sua população no
período entre 1881 e 1901, passando de 3.565 para 4.263 habitantes, quando
Carlo Pavanelli e Ginevra Biolcati resolveram emigrar com a família. Quem
sabe, nessa decisão de caminhar na contramão, esteja a primeira e mais remota
manifestação da forte personalidade que iria marcar os Pavanelli com o
estigma da teimosia...
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TRAVESSIA
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Embarcaram no vapor Pacifica: Carlo, Ginevra, ambos com a
idade de 38 anos, e seis filhos, sendo que Ugo Vicenzo, batizado com os nomes
dos dois irmãos mortos, faleceu durante a travessia, com pouco mais de três
anos de idade.
Acompanharam os pais, rumo ao Brasil, Emma Catterina, 15
anos, Guglielmo Giovanni Cesare (Cesar), 11 anos, Giuseppe (Popó), dez anos,
Catterina Alvisa (Elvira), cinco anos e Igínia Maria (Malvina), nove meses.
Em 18 de janeiro de 1889 chegaram ao porto do Rio de Janeiro,
de onde foram encaminhados pela Imigração à
Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora.
De lá foram para São João Nepomuceno, no dia 21 de janeiro, no início
do ano da Proclamação da República, pouco depois da proclamação da Lei Áurea
pela Princesa Isabel. A família cresceu ainda mais, com o nascimento de Hugo,
em 1891, e Maria Rosa, em 30 de agosto de 1895.
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A FAMÍLIA DO POPÓ
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Giuseppe Rinaldo Pavanelli, o José Pavanelli, o
Popó, casou-se com Maria Francisca de Oliveira, a Maria de Oliveira
Pavanelli, a Mariquinha, descendente de índia, nascendo da união os seguintes sete filhos e filhas, todos já
falecidos: Ivone,
Irene, Rubens, José, Gilone, Remulo (Rômulo) e Odone.
Quem sabe na próxima festa já tenhamos o desenho
pronto?
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O BERÇO
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São João Nepomuceno marcou profundamente as vidas
de todos nós que a tivemos como berço natal.
Procurando descobrir em mim o que significava,
escrevi uma crônica há muitos anos, com os acertos e equívocos naturais de quem
fala com o coração...
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(**) A vida de João Nepomuceno, o
homem antes do santo, é motivo de orgulho para seus devotos. Padre, pressionado
pelos poderosos a revelar segredos de confissões para punir adversários, recusou-se,
sendo condenado à morte e executado. É padroeiro de Praga, onde sua imagem pode
ser vista em diversos logradouros.
FOI BONITA A
FESTA PÁ...
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A DEMORA...
...em escrever essa primeira narrativa explica-se
por vários motivos. A necessidade de um pesquisa mínimamente factível para
detalhar um pouco mais a saga dos emigrantes originais foi uma delas.
A principal razão, porém, foi que, a partir do dia
05, o estado de saúde de um querido irmão foi se agravando até ocorrer o
desenlace em 21 de setembro. Envio um abraço aos familiares diretos de José
Wenceslau Pavanelli Moura, e agradeço a solidariedade dos que se dedicaram com
muito amor para tornar menos angustiantes seus últimos momentos de vida... A
solidariedade é o bem mais importante entre todos e o melhor traço do caráter
de um ser humano.
PARTE 2
Contará com fotos de pesquisas na internet e,
especificamente da festa, de Ana Paula Hingel, uma Pavanelli que deixou o nome,
mas continua Pavanelli no sangue.
Solicito aos que compareceram e lerem este blog,
que mandem por e-mail ou facebook as impressões sobre a festa para constarem da
Parte 2.
Um grande abraço para todos!
