quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

EDIÇÃO Nº 28: PEREIO NA CABEÇA!


 
FISCALIZANDO AS NATUREZAS

Pau Comeu compareceu à manifestação resumida no cartaz “DIGA AO POVO QUE FÍCUS”, na Avenida Bernardo Monteiro, para verificar in loco a poda radical das árvores daquele ex-boulevard.

Interessante foi aprender o nome popular do inseto predador: “mosca da cabeça branca”. Lembrou o nome de um filme em preto-e-branco da década de 50/60, que depois foi avacalhado por uma versão colorida denominada “A Mosca”, que não chegou aos pés da versão original.

Menino, estudante do curso primário no Rio de Janeiro, no caminho para a escola havia uns bichinhos pequeninos que habitavam as árvores de fícus espalhadas pelas ruas, que incomodavam e picavam a pele causando ardência e faziam os olhos lacrimejarem. Nome popular do bichinho?

Lacerdinha, em homenagem a Carlos Lacerda, O Corvo, político da direita radical, orador talentoso e caráter de quinta categoria, golpista de alto coturno, atuante no suicídio de Getúlio e na deposição de Jango. É o inspirador-mor dos canalhas da direita atual.

Meio século depois, o sobrenome do prefeito, de cabeça branca, de Belo Horizonte, cidade onde habita a mosca, da cabeça branca, é...

Apenas uma coincidência.

 

ESPORTES

a)      Depois de alguns anos amargando a péssima qualidade do meu time, fui surpreendido por uma atuação no mínimo interessante do Flamengo contra o arqui-rival da estrela solitária Seedorf, fora outras letras dobradas. Em alguns momentos contei seis, sete, até oito passes sem erros. Um acontecimento digno de registro no Pau Comeu!

b)      Quem leva sinalizador luminoso para campo de futebol é um potencial agressor que pode se transformar em homicida. Por falar em torcedor fanático, quem paga viagem, hotel e ingresso desses caras nessas viagens internacionais? Chego à conclusão que a renda do corintiano sem h está muito acima da média nacional. Viva o Timão! A estupidez assassinou o garoto boliviano numa partida de futebol. A estupidez assassinou os quase 300 na boate de Santa Maria. Em comum: uso de objeto (sinalizador) potencialmente perigoso em locais de grandes aglomerações, sem atentar para a segurança. A estupidez não é corintiana, flamenguista ou o escambau... A estupidez é geral... Quem usou o objeto deve ser preso e condenado. E ponto final.

c)      Revolução na Justiça Brasileira! Advogado do laranjinha vai provar que seu cliente é culpado! A cara-de-pau do cara-de-pau não tem limite...

d)      Há muito tempo não vejo uma agressão tão violenta como do açougueiro do Arsenal de Sarandi sobre Ronaldinho Gaúcho... Lembrou a tentativa de quebrar a perna do Zico, naquele Bangu x Flamengo de triste memória. Não tem cor de cartão que possa punir aquilo, a não ser prisão perpétua.

 

PÉROLAS ANTIGAS DO PEREIO


Conforme prometido em edição anterior, seguem algumas das melhores piores do Pereio.

Antes, Pau Comeu copiou um pedaço do que escreveu Hildegard Angel em seu site de 08/01/2013.
“(...) E a grande polêmica no Twitter é o recém desativado (não se sabe por quanto tempo) perfil @Pereio1 . Ele foi o que mais brilhou em 2012. Disse o que quis e bem entendeu. Botou a boca no trombone, sem censura e sem juízo. Falou o que todo mundo queria e não tinha coragem. Foi bravo, foi o herói da vez. Sobretudo à época do julgamento do Mensalão pelo STF. Desacatou,      esbravejou, vociferou. Audacioso, corajoso, estrepitoso, feroz, audaz, sagaz.  Encantador!

Falou, disse e escreveu não leu o pau comeu! Enfim, a TL de @Pereio1 brilhou como superstar do microblog de 140 caracteres. A ponto de ser levantada uma proposição para um prêmio na rede ao @Pereio1 de “Melhor Twitter 2012″.

Mas eis que, meus amores, no auge desse entusiasmo e euforia, quando todos já apoiavam a ideia, num verdadeiro “fã-clube de @Pereio1″ espontaneamente ormado, deu-se a ducha gelada: O perfil @Pereio1 não era o Paulo Cesar Pereio! Era um fake fazendo-se passar por ele!!”

 
Pra confirmar que a coisa teve uma repercussão muito grande no mundo tuítico, Pau Comeu copiou também um trecho do blog do Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo), publicado em 12-01-2013 por Ailton Medeiros, a seguir:

“(...)A conta fake de Pereio foi a melhor coisa do Twitter nos últimos tempos. Precisava acabar?
O melhor acontecimento no Twitter nacional no ano passado foi o surgimento do @Pereio1. Divertido, agressivo, polêmico, cafajeste. Só podia ser dele, o ator gaúcho Paulo Cesar Pereio, mito do cinema nacional, sobrevivente da vida bandida aos 72 anos e provavelmente o sujeito que mais utilizou a palavra “porra” em todos os tempos. (...) Uma pena que a voz no Twitter tenha se calado. Fake ou não, Pereio é sempre bom.”


Já que Pau Comeu foi indiretamente citado, vamos ao que interessa, fazendo de conta que é do Pereio original... se não for, paciência... Pau Comeu não é detetive...
 

01.  “Entrei nessa bagaça de twitter pra nego não me torrar o saco. E não me segue que eu não sou novela, porra.

02.  politicamente correto é o cancer do nosso tempo, gente 'do bem' é o cacete. saudades do milani.

03.  do jeito que a coisa vai, daqui a pouco vai ter meretriz denunciando assédio sexual no trabalho.

04.  durmo ao som dum LP do Babulina. e sonho q ela vem toda de branco, toda molhada e despenteada… q maravilha, q coisa linda eh o meu amor.

05.  q vontade agora de ser casado, ter 3 filhos, 2 cachorros e 1 passarinho. só pra colar um adesivo de família no carro q eu nao tenho… passou.

06.  se bulling desse cadeia, eu pegava perpetua. joana ou marília, o que importa é 'bullinar', porra!

07.  o casamento é quando duas pessoas se juntam pra dividir as contas e aborrecimentos que não teriam se não tivessem se casado

08.  Pça de alimentação de shopping é DEPRIMENTE, quanta gente idota comendo mal, pagando caro e fazendo cara importante. A humanidade me deprime.

09.  O bom de ter minha idade e ser uma pessoa saudável é que faço meu primeiro xixi às 7h, dou uma cagadinha às 8h, café às 9h e acordo às 10h.

10.  NÃO ACREDITEM EM MIM, PORRA.”

 

LEMBRANDO CHAPLIN

É sempre bom lembrar Charles Chaplin, no ‘Último Discurso’, em ‘O Grande Ditador’:

“Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”

 
BOOMERANG DO TRANSPORTE URBANO

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A entrada em vigor da Lei Seca não foi acompanhada por mudanças no sistema de transporte público. Quem deseja beber à noite tem a alternativa de ficar em casa ou infringir a lei e se expor (e expor outros) a riscos. Calcula-se que o movimento de bares e restaurantes já caiu 30%.

Aí vem a BHTrans (órgão irresponsável pelo transporte público de BH) e solta a seguinte pérola: “Usuários precisam se organizar”.

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Pau Comeu, em sua santa e ignorância inocência, pensava que a organização do transporte público em BH seria de responsabilidade da BHTrans. Mas é claro que não! Pau Comeu esqueceu que transporte público em Belo Horizonte não é concessão de serviço público, é uma atividade lucrativa exercida por quadrilhas de empresários que não abrem a concorrência para atendimento decente ao pessoal que precisa ir trabalhar e cumprir o sagrado direito de ir e vir.
Pau Comeu equivocou-se.
Perdão, leitores...


BOOMERANG DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

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Além de Ayres Britto, que prefaciou o genial livro de Merval Pereira a respeito do mensalão, agora foi a vez de Augusto Nunes, blogueiro de Veja.com, rasgar elogios. Segundo ele, Merval nasceu "sob o signo da independência" e foi "condenado a amar a verdade acima de todas as coisas".
Augusto Nunes diz ainda que o colunista do Globo "vale por uma multidão", “exercita diariamente a inteligência e o caráter” e produziu um livro "fascinante" sobre o começo do fim do PT.

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Pau Comeu lança as candidaturas de Ayres Britto e Augusto Nunes à vaga de Merval Pereira na Academia Brasileira de Letras, e já está fazendo vaquinha para pagar o fardão.

BOOMERANG PAPAL

<<<<<<<<<Deus mudou de idéia, pois com Bento XVI a Igreja quase afundou... observa Pau Comeu.

BOOMERANG BALADEIRO

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Após o evento, notamos o crescimento de um desejo de alternância de poder”. Foi o que disse o depufede (com licença do Stanislau Ponte Preta) Domingos Sávio, do PSDB de Minas Gerais, sobre o convescote tucano em BH, com a presença de Fernando Henrique de “Alzheimer” Cardoso, o lança-chamas da candidatura aética à Presidência da República.
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E o cordão dos baladeiros cada vez aumenta mais, devolve o Pau Comeu, sobre o referido  baby babaovo Domingos Sávio.
Éfeagagá fez duas referências a Deus no discurso, o que não é habitual, e dá uma pista sobre as dificuldades que o principal líder do PSDB está encontrando para unir o seu partido e fazer desencalhar a campanha de Aécio Neves, o ex-governador mineiro lançado por FHC ainda em 2012.
Pau Comeu lembra que Fernando Henrique Cardoso já declarou que não acreditava em Deus, perdendo eleição para o “doido varrido” Jânio Quadros para a prefeitura de São Paulo. Vale até Deus agora, né?


UM ROTEIRO PARA YOANI

A matéria foi adiada para a próxima edição, de nº 29, a ser publicada em 07-03-2013. Na oportunidade lançará a campanha “Um Dente Para Uma Pobre Blogueira Cubana”.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

EDIÇÃO Nº 27: TODO MUNDO SABE QUEM MATOU



QUEM MATOU RUBENS PAIVA

Em entrevista concedida ao jornalista Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo,  perguntado sobre o que acha que virá daqui pra frente, após o reconhecimento oficial de que o pai foi morto no interior do DOI-Codi do Rio de Janeiro, o também jornalista Marcelo Rubens Paiva, filho do Deputado cassado Rubens Beirodt Paiva, respondeu:

            “(...)O que vai mudar é o que vem agora, o que não foi revelado: em qual dia foi morto? Para onde foi o corpo? Quem deu as ordens? Ele foi esquartejado? Quem levou o corpo? Quem matou vai ser chamado a depor? Já sabemos que um deles morreu e dois estão vivos. Só eles vão responder? Será que, como sempre acontece no Brasil, a corda vai estourar no lado da ralé?”

            “Quem sobreviveu são oficiaizinhos do Exército. Eles é que vão responder? Só quem bateu é responsável? Quem mandou? Quem era o comandante? Por que havia tortura? Por que existia o DOI-Codi? Por que meu pai foi preso? Por que o golpe de 1964? O que o empresariado americano queria com o golpe? E o empresariado brasileiro?”

         “(...) Para mim ainda falta o documento essencial: aonde foi o corpo do meu pai? Quem mandou esquartejar? Foi jogado no mar? Enterrado na Barra da Tijuca? Que dia saiu a viatura com o corpo de dentro do DOI-Codi? Outra coisa: minha mãe ficou presa nesse mesmo DOI-Codi e nesse mesmo período durante treze dias. Cadê o documento sobre a prisão dela? Por que ficou presa?”

Pau Comeu sabe que todo mundo sabe quem matou. Aplicada retroativamente a teoria do Domínio do Fato, sucesso de mídia em 2012, em 1971 governava o país o general-ditador Emílio Garrastazu Médici.

 

ESTILOS  DE  JORNALISMO: DOIS EXEMPLOS ANTAGÔNICOS

Quem se dá ao trabalho de ao menos tentar escrever para que outros leiam, caso do blogueiro em pauta, presta atenção nos “novos estilos” elaborados pelos jornalistas mais experientes. De preferência busca comparar estilos que se contraponham, para estabelecer diferenças marcantes, até de caráter, entre autores e produtos.

Tal idéia surgiu quando me deparei com um artigo do jornalista Sebastião Nunes, do jornal “O Tempo” de Minas Gerais, e resolvi comparar com uma manifestação do jornalista Ricardo Noblat, de Brasília, que é ligado à “Rede Globo” (de Comunicação Virtual, penso eu, pois o referido se auto-intitula blogueiro).

Ricardo Noblat, conforme publicado no blog do Altamiro Borges dias atrás, é “(...) o mesmo que desferiu duros ataques no sítio do jornal Globo aos candidadtos peemedebistas às eleições no Congresso Nacional, hoje à tarde decidiu rasgar elogios ao recém-eleito presidente da Câmara Federal.”

O referido blogueiro global, ou globeiro blogal, tanto faz, simplesmente declarou o seguinte: “Salvo se Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) for um político leviano, irresponsável, cínico, mentiroso e sem palavra, ele enterrou de vez a possibilidade de um confronto de desdobramentos imprevisíveis entre os poderes Legislativo e Judiciário devido ao processo do mensalão”.

Simples. Sensacional. Original.

Está inaugurado o estilo de “JORNALISMO SALVO SE”. Qual seria o significado deste tipo moderno de Jornalismo? Respondo com o exemplo seguinte: “Salvo se Fulano de Tal for um filho de uma senhora honesta, ele enterrou de vez a possibilidade de ser um filho da puta.”

Quanto ao colunista Sebastião Nunes, do jornal mineiro “O Tempo”, lançou o estilo de “A HISTÓRIA É MAIS COMPLICADA QUE ISSO, MAS NÃO TENHO ESPAÇO PARA”.

Qual seria o significado deste outro tipo moderno de Jornalismo? Seguinte: reconhece que uma página ou duas, num jornal, quase sempre é insuficiente para o esclarecimento da opinião emitida.

Como exemplo, extraio um trecho de sua crônica em que comenta, entre outras coisas, a trajetória de Itamar Franco no exercício do governo de Minas: “(...) Logo de cara, decretou a moratória do Estado, alegando que a taxa de juros pagos por Minas era de 7,5% contra 6% de São Paulo (a história é mais complicada que isso, mas não tenho espaço para economia aqui).”

Salta aos olhos mais cegos a diferença de estilo e de caráter.

Já dizia José Saramago que o twitter é a ante-sala do grunhido.

Enquanto Sebastião escreve, Ricardo, quando quase tuita, grunhe...

 

PRÓXIMA EDIÇÃO

Por falar em twitter, Pau Comeu deixa claro que o espaço proposto para o twitter é ideal para declarações superficiais, sem maior responsabilidade. Sendo assim, nos 140 caracteres cabe no máximo um quase sesquipedal palavrão. Mestre no ofício, Paulo Cesar Pereio será homenageado na próxima edição, ao vivo e em cores.

Também trará um comentário sobre a crônica interessante e elucidativa do Sebastião Nunes, intitulada “O último ato de grandeza de um governador de Minas”, prometendo adicionar algumas idéias.

E por último, esperando que Dona Yoani Sánchez embarque sua grandiosa beleza para outras plagas, Pau Comeu focalizará  sua estadia por aqui, com destaque para o roteiro que ela não cumpriu.

 

BOOMERANG DE BRONZE

>>>>> “Essas pessoas (acionistas da Petrobras) correm o risco de ver sua poupança se esvair pelo ralo devido ao mau desempenho da companhia”
Ana Amélia, senadora do PP-RS.

<<<<<Recomendamos à brilhante senadora que venda suas ações da Petrobras (investimento de risco) e coloque seu suado dinheirinho na caderneta de poupança, onde só há risco se Fernando Collor/Zélia Cardoso voltarem ao Poder.
Pau Comeu, sem a dor, sem partido.

BOOMERANG DE PRATA

>>>>>”Nunca é demais lembrar a insensatez dos gestores lulopetistas em permitir a volta da inflação.”
Roberto Freire, presidente do PPS.

<<<<< Nunca é demais lamentar a infelicidade dos eleitores paulistas em possibilitar a volta de Roberto Freire ao Congresso, depois de devidamente expurgado pelo esclarecido eleitorado pernambucano.
Pau Comeu, presidente de porra nenhuma.

BOOMERANG DE OURO

>>>>>”A idade avançada nem sempre é uma garantia de sabedoria.”
Luiz Garcia, colunista de “O Globo”,  comentando a renúncia de Bento XVI.

 

<<<<< Pau Comeu concorda, lembrando a não-renúncia de Fernando Henrique Cardoso, também colunista de “O Globo”, que segue dando seus palpites, agora como fiador da candidatura de Aécio Neves.
Pau Comeu, blog fã do Éfeagagá.

 

DICA DE PEDIDO DE DICA

A quem souber onde encontrar o livro “Paulo Leminski: O Bandido que Sabia Latim”, biografia publicada em 2000, pela Companhia das Letras, de autoria de Toninho Vaz, favor enviar para o meu e-mail.
(Fim da Edição nº 27, dia 21-02-2013).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

EDIÇÃO Nº 26: "BULLYING"



RELEMBRANDO O MOTIVO DA CRIAÇÃO DO BLOG

Para os leitores mais recentes, que todos sejam bem vindos, uma síntese do criador e da criatura:

 
 
“Aposentado, após quase 40 anos de atividades, dos quais alguns, militante do exército industrial de reserva do capitalismo internacional, depois de catalogado como cidadão da Classe A, uma mentira estatística, passou sem armas nem bagagens para a Classe C- (C menos), seu verdadeiro lugar, sendo assim mais um subemergente.
Para não morrer de tédio ou raiva criou este blog, cujo título foi objeto de pesquisa popular.
Conta com o apoio dos conhecidos, através de intervenções preferencialmente inteligentes para que o nível mantenha-se superior ao do autor.”
 

 


TEMA DA PRESENTE EDIÇÃO

O tema é o “Bullying”.

Na língua pátria deles “bullying is aggressive physical contact, words or actions to cause another person injury or discomfort”. Ou “bullying is the use of force or coercion to abuse or intimidate others. The behavior can be habitual and involve an imbalance of social or physical power.”

Na nossa pobre (menina rica) língua portuguesa, é uma sacanagem que alguém faz com outra pessoa, aproveitando-se de uma situação de superioridade física ou psicológica, momentânea ou não, na relação.

Em resumo, é PERSEGUIÇÃO COVARDE.

Agora que virou moda internacional, pode-se denunciar que as pessoas irão entender.

Há alguns anos atrás, resolvia-se na porrada, quando os tamanhos dos litigantes se nivelavam. Quando não, o mais fraco sofria e ponto.

O bullying pessoal era o menos grave... Mas doía em quem sofria.

Cito como exemplo o que experimentei adolescente, de baixa estatura, metro e meio se tanto, quando um professor de Biologia (na época, apelidada “Ciências Naturais”), com pouquíssimo mais de metro e sessenta, resolveu “encarnar ni mim”, causando-me constrangimentos que quase me levaram a repetir o ano. Passei de ano, esqueci-me da abjeta pessoa, da qual só me lembro mais ou menos o nome: Teobaldo, não sei se dos Santos ou de Souza... Eu era estudante no Instituto La-Fayette, na rua Haddock Lobo, na Tijuca, no Rio de Janeiro, em frente à Igreja dos Capuchinhos. Eram os anos 50-60tas. Como era um garoto simpático, ganhei a solidariedade dos colegas, que seriam amigos para sempre se eu não perdesse as pistas de onde se escondem e vice-versa.

Era muito comum, na infância, o menino maior de tamanho sacanear o de menor. Na época, uma brincadeira, chamada “carniça”, permitia algumas vezes, por causa de espertezas, que o menor levasse alguma vantagem. Eram coisas resolvidas, às vezes na conversa, às vezes na porrada. Mais vezes na porrada que na conversa. Apanhei mais do que bati, era menor no tamanho...

Crescendo, fui verificando que a PERSEGUIÇÃO COVARDE (de agora em diante substituindo a palavra “bullying”) era utilizada em muitas ocasiões, as mais diferentes, e mudavam de perseguições individuais para coletivas.

Na Faculdade, a perseguição política covarde prevalecia, porque era época de ditadura militar, que usurpou o poder da nossa incipiente democracia. Quem não concordava se fudia ou se fodia, dependendo se a origem literária era da esquina urbana ou da paisagem rural...

Assim, até militares freqüentavam (com trema) as aulas mesmo sem prestarem vestibular, apenas para vigiarem os famigerados comunistas inimigos, comedores de criancinhas sem serem pedófilos, nós...

Tratava-se de um “bullying” institucional, pois, quem era contrário aos covardes usurpadores, eram tidos como perigosos meliantes, nós...

O tempo passa, mas o “bullying” continua...

Hoje somos vítimas do “bullying” da grande imprensa que nos obriga a assistir programas e ler jornais que não se preocupam em fazer jornalismo... Simplesmente e de forma absolutamente canalha mentem descaradamente sobre os fatos, sem correrem riscos, pois vivemos numa democracia... Em que a Imprensa Poderosa não dá Direito de Resposta. Assim, meus amigos, é fácil para caralho fazer jornalismo. Difícil é fazer JORNALISMO.

Aos quadrilheiros das quatro famílias: Marinho, Frias, Civita e... Qual é a quarta, mesmo? Ah! A do Estadão... Mesquita... As homenagens do Pau Comeu... E a vocês que gostam dessas quatro famílias e compram suas putrificadas publicações, os votos de parabéns desse mesmo Pau.

Depois eu falo do Marcelo Rubens Paiva, que sofreu “bullying” a vida inteira... e sofre até hoje.

Quem sabe na próxima edição...

 
ESPORTES

Continuando essa história minúscula da Arena Mineirão, tucanos com bicos azuis e amarelos em profusão, eis que o ex-povão começou a se manifestar, reclamando do tropeirão. Dizem que, antes, o tropeirão custava menos e tinha mais coisa de comer. Dizem até que tinha um ovo frito, de galinha, que, com aquela gema aparecida logo de cara quando se abria o prato, recebeu o apelido de Zôião.

Pois bem, aí o Mineirão virou campo de rico, o tropeirão aumentou de preço e no tamanho virou tropeirinho, dizem que nem bife tem, nem ovo, nem couve, virou um tropeiro láite para caralho... Pau Comeu, em sua cruzada em defesa do consumidor em qualquer ocasião, sugere um ovinho de codorna fritinho, para ser apelidado de Zóinho.

Ricardo Teixeira fez escola de putaria e de sacanagem... Os companheiros bicudos copiaram e se deram bem... para caralho!

 
ABRINDO O BAÚ

Relembrando tempos universitários...

Há dez anos, Otávio Luiz Machado, graduado na Universidade Federal de Ouro Preto, então colhendo depoimentos para a elaboração de sua tese acadêmica, ao passar por Belo Horizonte, realizou a seguinte entrevista com o autor do Pau Comeu.

A tese tinha por título:

                                               “A ATUAÇÃO DO DIRETÓRIO ACADÊMICO DA ESCOLA DE                                                            MINAS DE OURO PRETO- O DESENVOLVIMENTO E O                                                       RADICALISMO ENTRE 1956 E 1969”.

Sendo Otávio Luiz Machado = OLM e Paulo Pavaneli = PP, assim se desenrolou a primeira parte da conversa gravada no dia 13/02/2003 e publicada posteriormente:

OLM: Paulo, quando você entrou na Escola de Minas de Ouro Preto havia um processo de mudança nas práticas do Diretório Acadêmico, como a questão do trote? Como foi isso?

PP: Nós entramos em 1967. A Comissão de Trote escolhida pelo Centro Acadêmico tinha como Presidente o César Epitácio Maia (atual Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro). Sua atuação sempre foi política, cheia de estratégias, e uma de suas atitudes marcantes, na época, foi reduzir o trote, que ficou restrito ao corte de cabelo. O meu, por exemplo, foi no estilo Santo Antônio. Não fomos submetidos a carregar aqueles cartazes pendurados no corpo, nem aos trotes com intuitos de ridicularizar o calouro.

OLM: E nem teve o tal de tomar cachaça de uma forma forçada?

PP:Tomava se quisesse. Não era obrigado. Eu sempre achei aquele modelo de trote meio babaca, com aqueles cartazes pendurados em homens e mulheres. Naquele ano não houve. Não sei se foi discutido na Comissão, ou se foi ato de exclusiva responsabilidade dele, César. Lembro-me que muitos veteranos não gostaram. Nós gostamos. O que ele conseguiu com isso? Ele conseguiu angariar a simpatia dos calouros, dos novatos. Depois eu fui entender o porquê: na verdade ele estava tentando conquistar votos, e isso ele conseguiu.

OLM: Qual foi o trote que ele deu?
PP: Foi um trote de reuniões e palestras. Ou seja, acabaram-se aquelas posições públicas e vexaminosas de você sair na rua, fantasiado. Tirando a questão do corte do cabelo, e em termos de exposição pública, creio que nós não tivemos mais nenhuma.

OLM: Mas nesse período também teve o movimento liderado pelo Diretório para comprar repúblicas. E um acampamento. Você poderia falar um pouco?

PP: Realmente havia um problema sério de moradia em Ouro Preto. Eu tinha um colega de República que se chamava Aloísio Moreira, cujo apelido era “Spy”, “Espião”. Ele se formou em 1967, no ano em que eu entrei. Antes, portanto, da minha chegada em Ouro Preto, no ano de 1963 ele chegou em Ouro Preto e não havia lugar para ficar. Então montou uma barraca no adro da Igreja de São Francisco de Assis, uma barraca do tipo de camping, e ficou morando lá. E aquela atitude teve repercussão. E corria, na época – isso aí eu conto de ouvir falar – que ele era um espião tcheco (risos). Era um negócio muito doido. Foi aí o primeiro movimento. Quando a minha turma entrou, em 1967, ainda havia um problema sério de falta de moradia. E este era um problema que tinha de ser enfrentado pela Escola de Minas, inclusive comprando casas, porque a demanda era crescente.

OLM: E no caso do Jornal do Diretório (O Martelo) com os pensamentos do Mao Tse-Tung? Como estas citações estavam no Jornal?

PP:Estava de forma direta. Era como se fosse o Livro Vermelho condensado nas quatro páginas d’O Martelo. Ainda trago na memória a imagem do Cesar (Maia) na porta do Centro Acadêmico (da Escola de Minas) e do REMOP (Restaurante da Escola de Minas de Ouro Preto) e anunciando: “Leiam os pensamentos do Presidente Mao!”. (risos). Foi desse jeito. Eu achei aquilo meio estranho, aquilo de um jornal de estudantes falando dos pensamentos de Mao. Esse foi mais um impacto que eu tive.

OLM: E quando você coordenou O Martelo também teve dificuldades?

PP: Eu fui convidado para assumir a Coordenação d’O Martelo, em 1969, após ganharmos a eleição para o Diretório Acadêmico. O Presidente era o Zé de Lourdes (José de Lourdes Motta), e eu, o vice. Foi uma época que, para se colocar uma coisa no papel, tinha que pensar trezentas vezes. Era difícil, porque toda e qualquer coisa que você publicasse poderia ser vista como uma contestação, que não era aceitável pelo regime. A gente tinha essa dimensão. Afinal de contas era um veículo escrito e com responsabilidade.
Foi rodado na gráfica do Arquidiocesano, lá em Mariana, o mesmo que publica a famosa “Folhinha de Mariana”. E aconteceram coisas até interessantes. E algumas eu posso citar como exemplos: primeiro, era muito difícil achar pessoas para escrever no jornal (risos). Todo mundo tinha medo. Eu me lembro que até o João Bosco (cantor e compositor) escreveu um artigo sobre um Festival da Canção daquele ano.
E (para evitar perseguições) eu criei um personagem, mas eu não sei se existe alguma cópia deste exemplar ainda. Teria que ver. O personagem era chamado Doutor Pelópidas Cesário d’Assis Mourão, que era um professor erudito etc e tal. E o Doutor era uma homenagem ao Machado de Assis.
Então, eu tinha que arrumar um meio de publicar as coisas que a gente precisava falar, como sobre a falta de liberdade, sobre a ditadura. E eu comecei com “O Dicionário Esquecido do Doutor Pelópidas”, escrito sob a forma de verbetes que começava com a letra A, letra B, letra C etc, e que cada número haveria três verbetes. Só durou um número. Acabou na letra C.


OLM: Por qual motivo?

PP: As coisas eram tão difíceis. Tinha um problema para conseguir congregar as pessoas para escrever. Assim, o próprio jornal foi definhando, no sentido de não termos colaboração, e ainda, a pressão ser bem mais forte.
Por exemplo, nesta época o Newton Morais (que foi do Diretório Acadêmico da Escola de Minas e da Ação Libertadora Nacional) escrevia. Ele escrevia uma seção de economia e botava para quebrar (risos). E eu às vezes agia sendo uma espécie de censor, para ver se adequava, e para que o jornal tivesse uma vida maior do que teve, porque O Martelo saía uns tempos e uns tempos depois sumia.
Não é que alguém chegou pra gente e falou: “este jornal não vai sair”. Ele não foi empastelado, não. A linguagem que se usava em termos de imprensa, como “empastelou o jornal de fulano de tal”. Ou seja, invadiram, quebraram máquinas etc. Não houve nada disso. Houve um constrangimento, vamos dizer assim não declarado, mas muito forte do ponto de vista de “olha lá o que vocês vão falar”.
Aquela coisa foi pressionando e fazendo com que as pessoas que escreviam deixassem de escrever. E aí que vai aquela reminiscência que te falei: houve um dia – esse dia foi interessante – que eu passei um pouco apertado; os meus colegas sabem disso.
Como eu era Coordenador do jornal, chegaram e me falaram que o delegado queria conversar comigo: “Paulinho, o delegado Fulano de Tal quer falar com você”. “E caramba, o que é isso?”. Eu sei que nem fui almoçar naquele dia no Remop, ficando o dia inteiro na rua. E eu perguntava: “o que esse camarada quer comigo?” Eu me lembro que era um delegado natural do município de Rio Casca e, como eu tinha um colega que era de Rio Casca, perguntei: “Você o conhece?” “Vamos ver o que esse camarada quer comigo”.
Eu falei com o Zé de Lourdes, inclusive, que era o Presidente do Diretório. Mas eu era o responsável e estava personalizada a responsabilidade como Coordenador. E disse: “Zé, vamos dar um jeito nisso, eu vou”. E fui. E sabe o que o delegado me falou?
Ele disse assim: “eu estou te procurando o dia inteiro para você não publicar a notícia da morte do (Carlos) Marighela”. E era a morte do Marighela. Ninguém lá em Ouro Preto sabia disso, porque você sabe como era a imprensa. Não sabia nada. Absolutamente nada.

Nós, em Ouro Preto, quando ficamos sabendo da morte do Marighela, foi aí através do delegado falando para a gente não publicar.
Para você ver como é que era.


OLM: E você presenciou invasões de militares em repúblicas?

PP:Nessa época, que devia ser um 21 de abril, caiu num final de semana. E a gente tinha bebido na noite anterior. Ao acordar, no dia da solenidade, na rua das Mercês, que era a rua da Consulado, da Sinagoga, da Reino de Baco, Vaticano, Pureza e lá embaixo chegava na República Canaan. E o Lincoln (Ramos Viana), ex-Presidente do Diretório (Acadêmico da Escola de Minas), que morava na República Canaan, estava sendo procurado pelo serviço de repressão. Na verdade, o que aqueles militares estavam fazendo ali? Era um aparato militar bem desproporcional e com tanques... Sabe aqueles carros pesados e blindados de cor verde? E eles foram arrombando todas as portas das repúblicas. E procurando quem? O Lincoln. Então houve fatos humorísticos que não cabe aqui detalhar, que eram situações que depois a gente achou graça,  mas que, na época e na hora, foi um negócio absolutamente de terror, como a de pessoas sendo acordadas com metralhadoras apontadas na cabeça. Eles arrombaram a porta da República Consulado, da República Sinagoga etc. Uma semana depois o Lincoln reapareceu. E eu: “Ô Lincoln, o que houve?”. E ele: “tem uma semana que eu já sabia que eles iam ‘baixar’. E eu fui embora para uma casa...”. Então ele se refugiou. Foi um episódio bastante forte na ocasião.

OLM: E tinha também muito em Ouro Preto a chamada “esquerda festiva”?

PP:Era o pessoal mais festivo no sentido de defender as idéias de esquerda puramente no discurso e sem maiores ações do ponto de vista prático da esquerda, um dos quais a luta armada. E muito distante também da luta cotidiana de quem ficava na retaguarda. Era mais o pessoal, mais ou menos concentrado em algumas repúblicas, que gostava de passar essa imagem de que eram de esquerda. E gostavam muito de conviver com os artistas, etc. e tal, e fazer o que se chamava de “badalação”.

 

ECOS DO CARNAVAL

O senador Aécio Neves, do PSDB-MG, referindo-se ao Carnaval brasileiro, proferiu a sentença definitiva e seminal: “Não há quem permaneça indiferente à sua grandiosidade.”

Pau Comeu acionou imediatamente o DATAPAU, para conferir a repercussão de tão espetacular pronunciamento, e a pesquisa, realizada em todo o território carnavalesco nacional, computou, para presidente da República, em 2014, as seguintes intenções votais:

Aécio = 64 %; Eduardo Campos = 24%; Marina Silva = 10%; Dilma = 1 %; Lula = 1%.

O Globo, Veja, Estadão e Folha de São Paulo, quem diria, publicaram em suas capas nas edições quarta-feira-cinzísticas, o resultado, revelando ao mundo que o DATAPAU existe e não erra... Pau Comeu publicará posteriormente as principais razões de voto dos entrevistados.

NA PRÓXIMA EDIÇÃO

Aguardem comentários sobre a inauguração do “JORNALISMO SALVO SE...” 
E uma homenagem ao jornalista e historiador Lúcio de Castro, um ser humano que dignifica a profissão.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

EDIÇÃO Nº 25: A REFORMA IDIOTA


 
ABRINDO O BAÚ

Os leitores que acompanham este Pau Comeu já se depararam várias vezes com a crítica que o autor devota a essa tal de Reforma Ortográfica. Inúmeras vezes coloca a palavra tranqüilo (com trema, revisão!) querendo dizer que se sente “trankuilo” e não “trankilo”.
A presente edição, nesse dia  07/Fevereiro/2013, é dedicada ao tema, sob a forma de quase MANIFESTO.
No princípio achei que era quase birra, mas...
Estava eu posto em sossego quando trombei, nesse engarrafado trânsito literário, com opiniões concordantes, porém mais abalizadas.
Dá um time de futebol de salão (futsal para os idiotas modernosos), no qual sou reserva assumido e orgulhoso. Entre os que jogam no meu time, escalo: José Saramago, Pasquale Cipro Neto, Cláudio Moreno, Sérgio Nogueira e Ruy Castro.

(1)Goleiro

O escritor José Saramago, único Nobel na língua de Camões, dizia, aos 85 anos, que já não tinha paciência para recorrer constantemente ao dicionário e nem para regressar aos bancos da escola primária:

“(...) Aprendi a escrever a palavra mãe com “e” no final, depois veio uma reforma gráfica e passei a escrever com “i” final. Depois veio outra e passei a escrever com “e” novamente. Agora estamos em algo mais vasto e complexo que não me agrada completamente. Nestas matérias sou bastante conservador: o que está e deu bons frutos e bons resultados não se mexe. Há aí um grupo de pessoas que respeito muito que não estão de acordo comigo. Mas creio que temos de embarcar nesse comboio mesmo que não gostemos muito. Não há outro remédio. Vou continuar a escrever como escrevo hoje (...)”

(2) Beque-Central

O conceituado professor de português Pasquale Cipro Neto dispara:

“(...) Sou contra o acordo. Sei que isso é um tiro no próprio pé, pois, se o acordo passar, vou ser chamado para fazer muitas palestras. Mas não quero esse dinheiro, não. Com outro espírito, outra proposta, uma unificação talvez fosse possível. Mas esta é uma reforma meia-sola, que não unifica a escrita de fato e mexe mal em pontos como o acento diferencial. Vamos enterrar dinheiro em uma mudança que não trará efeitos positivos.”

(3) Ala-Ponta-Direita

Cláudio Moreno, professor, simplifica:

“(...) Essa ideia messiânica, utópica de que a unificação vai transformar o português em uma língua de relações internacionais é uma tolice”.

(4) Centro-Avante

Sérgio Nogueira, professor, considera, irônico:

“(...) Se a reforma sair, vou ficar rico de tanta palestra que vou dar.”

(5) Ala- Ponta-Esquerda

Ruy Castro, estudioso de Garrincha, Carmem Miranda e Bossa Nova, entre outros temas da maior relevância para a História da Cultura Brasileira, rebelde em relação às mudanças na grafia do idioma, proclama:

“(...) Continuarei a escrever pingüim, a comer lingüiça, e a cantar – O pato vinha cantando alegremente Qüem qüem...(...)”

Não foi à toa que escalei Ruy Castro para completar esse time de cobras criadas. Meses antes da Famigerada Reforma, apavorado com a extirpação (u) do trema (ü), o locutor que vos fala escrevia a seguinte letra de um samba em estilo bossa nova, que ganhou melodia competente da amiga e ex-crooner da náite belorizontina, Regina Preta, e que vai, na íntegra, para fechar essa discussão sobre tema pelo qual manifesto minha mais profunda repugnância. Em medicina, extirpar significa extrair cirurgicamente... Operar.

Aproveito a efeméride para homenagear o bloco carnavalesco “Trema na Lingüiça”, de Belo Horizonte, que incorporou o espírito da coisa...

 

ARTEFATO

DJ, coloca pra rodar aquele samba denominado “Patologia”, no qual qüem é kuen e quem é ken...

 

qüém... qüém... qüém... qüem

tudo bem...

qüém... qüém... qüém... qüem

tudo bem...

qüém... qüém... qüém... qüém

 

            O pato...

            ga-ga-gue-jan-do tristemente

            quem... quem... quem

            foi o filólogo demente

            que tirou o meu

            qüém... qüém ... qüém?

            O ganso...

            também caiu na armadilha

            o esse virou ce cedilha

            perdeu a ginga e reclamou

            já nem çei mais quem eu çou...

 

quem... qüem... quem... qüem

ju – ru – ru

quem... qüem... quem... qüem

ju – ru – ru

quem... qüem... quem...

 

            O pato...  foi parar

            no Hospital da Lagoa

            submetido a uma operação...

            quase morreu... de tanta vergonha

            perdeu dois pontos do seu “u”!

            Ele que vivia

            bem tranqüilamente

            se transformou num cara tão carente

            hoje ele saltita tão diferente

            quando vai do Leme até Bangu!

 

Patinho feio... andar banal...

voa sem jeito... nada tão mal...

sua família não foi legal

abandonou o animal...

O tal filólogo tirou o resto

do resto que lhe restou

ele falava como ninguém

a língua do qüém qüém qüém...

 

 

            qüém... qüém... qüém... qüem

            tudo bem

            quem... qüem... quem... qüem

            ju – ru – ru

            quem... quem... quem... quem

            calou o pato?

 

Aposto que você, caro leitor, conhece a voz do pato antes da reforma, claro, mas não sabia quem fez letra e melodia.

Pensa que é do João Gilberto. Não é... A quem (sem trema) sabe, minhas desculpas...

Os autores são... Jayme Silva e Neusa Teixeira.

Sim, foram eles que deram voz ao pato, que vinha cantando alegremente... Antes da famigerada reforma ortográfica.

 
POLITICANALHAGEM

Aquele marimbondo de fogo tinha que ter algo a ver com essa sacanagem.

Foi o que o colunista Clóvis da Holt, do jornal Zero Hora de Porto Alegre, em seu primeiro artigo de 2009, entregou:

“(...) sinto-me tomado por uma indecisão: devo escrever como o Sarney quer que eu escreva? Para os desavisados, não custa lembrar que estão em vigor as novas regras de ortografia para os países que falam a língua portuguesa, o que inclui o Brasil. O feito é resultado das maquinações cerebrais de ninguém menos que José Sarney, que, desde a década de 1990, vinha tentando emplacar a adesão do Brasil à reforma ortográfica.”

Prossegue:

“(...) Palavras como “idéia” e “azaléia”, desde o primeiro dia do ano de 2009, perderam o acento agudo e passaram a ser grafadas “ideia” e “azaleia”. Mas e as palvras “meia” e “aldeia” – dirão alguns - , que nunca tiveram acento? Ora, elas continuarão sem acento, só não sei que mágica os professores farão para ensinar a uma criança que está sendo alfabetizada que “ideia” e “aldeia”, embora se pareçam na grafia, distinguem-se  na sonoridade pela pronúncia, já que era o acento que cumpria essa função distintiva (...)”

A finalização é uma punhalada cirúrgica no peito do boçal imbecil:

“(...) No âmbito da patuscada legalista, uma coisa é certa. Os leitores brasileiros, portugueses e africanos podem ficar sossegados, pois os livros de José Sarney (que também é escritor – pasmem!) não serão encontrados em nenhuma livraria em edições comemorativas ao novo acordo ortográfico. Isso porque sua obra é tão irrelevante para a cultura nacional, que continuará eternamente empoeirada em meio aos tremas e acentos que ele tanto detesta. O máximo que seu intelecto renderá é um busto no átrio das personalidades mais descartáveis da história brasileira (...)”

Tinha que acontecer também de alguém morder e assoprar nesta matéria. Exemplo vivo de quem piorou depois que parou de beber. Infelizmente foi o João Ubaldo Ribeiro, em cujo passado, brilhante, foi autor de um dos mais saborosos e importantes livros em nossa língua: “Viva o Povo Brasileiro”. Atualmente não passa de um imortal que divide crônicas em companhia do também imortal Merval Pereira, esse de quinta categoria, que, ao contrário do colega, não escreveu nada de importante.

Então JUR cabe bem nesse...


BOOMERANG

>>>>>>> ”Encaro com grande ceticismo esse acordo ortográfico. É uma reforma tímida, que não traz grandes inovações. Mas não gostei. Queria que meus tremas ficassem onde estão. Os escritores mais velhos e mais preguiçosos têm de confiar no pessoal da editoração para fazer as mudanças necessárias no texto.”

João Ubaldo Ribeiro, na época.

<<<<<<< Isso é que é ter uma opinião firme... Exatamente em cima e no meio do muro.

Pau Comeu, enchendo lingüiça.

ESPORTES

(1)   E foi inaugurado o novo Mineirão, que virou Arena, por coincidência o Partido da Ditadura, para gáudio do triunvirato João Leite, Aécio Neves e Antonio Anastasia (ver edição anterior). Pelo que disse até a grande imprensa, o estádio do Estado Azul-Amarelo revelou-se bonitinho, mas ordinário...
       Não entrando em outros detalhes, Pau Comeu envia, como presente de renascimento, 7 rolos de papel higiênico, 7 latinhas de cerveja e 7 pratos de tropeirão que, ao que informmam, não compareceram à inauguração. Água? Não choveu. Aguardamos a seguir o mico do Maracanã... Cabe o bordão: "Imagina na Copa".

(2)   A evolução do palavreado futebolístico às vezes prega peças nos torcedores de pijama. Lá se foi o tempo em que a gente chamava jogador ruim de pereba, perna-de-pau e droga, para separá-los do craque (crack). Pois bem, parece que as coisas pioraram, pois crack virou droga.

(3)   Ler colunista inteligente é um bálsamo. Cada vez mais raros, usufruir tais oportunidades faz um enorme bem a nós, ávidos leitores em busca da qualidade em meio a tanta estupidez. É o caso do Tostão, no jornal “O Tempo”, que não joga conversa fora. Por exemplo, na coluna do dia 03-02 (domingo), saiu-se com esta pérola, sobre a CBF dos senhores Marin, Del Nero e Teixeira (sim, esse corrupto ainda recebe uma grana pra curtir no exílio em Boca Raton, que nome perfeito!...):

“(...)Pior, contratam Bebeto para diretor-técnico, sem nenhum preparo para o cargo. Além disso, Bebeto é deputado estadual pelo Rio, membro do comitê da Copa, embaixador do Mundial, sempre com um sorriso de submissão ao poder.”

Realmente, é muito cargo para uma pessoa tão insignificante e inexpressiva...

 

PRÓXIMA EDIÇÃO

Pau Comeu dedicará a edição nº 26 ao candente tema do “bullying”.

Na língua pátria deles “bullying is aggressive physical contact, words or actions to cause another person injury or discomfort”. Or “bullying is the use of force or coercion to abuse or intimidate others. The behavior can be habitual and involve an imbalance of social or physical power.”