FISCALIZANDO AS NATUREZAS
Aposentado mal remunerado fica andando a pé e filosofando...
Depois que descobri que para ser
filósofo no Brasil basta escrever um monte de merdas, vide Merval Pereira em “O
Globo”, me animei e, tentando manter o bom-humor, sempre que possível, o que é
um exercício difícil, afinal o adversário está sempre querendo sacanear a gente
o tempo todo...
Resolvi assumir meu lado filósofeérico
e proclamo minha primeira frase original:
“A aposentadoria tem duas faces.
Uma ótima e outra péssima. A ótima é que todo
dia tem cara de sábado! A péssima é que é muito sábado pra tão pouco dinheiro...”
ESPORTES
A COR DE DEUS
É uma
dúvida transcendental.
Sendo um
Espírito, não deveria ter cor, nem sexo, nem imagem.
Mas tem
gente que teima em fazer Deus à sua imagem e semelhança.
Que Deus
tem cor branca, sexo masculino e imagem parecida a de artista de cinema, com
olhos azuis, pois seu DNA certamente impregnou seu filho Jesus, assim representado
por belos artistas americanos, loiros, naqueles filmes épicos que nos
impressionaram em nossas infâncias. Filmes que nos fizeram chorar tantas culpas
que não tínhamos. Com orações que pagamos
de castigo... justo na hora do pique-esconde ou da pelada com bola-de-meia...
Como é
que as cores dos países do mundo, que Ele criou, O representam?
O
vermelho é comum a ricos e pobres, deve ser por causa do sangue que uns e outros
verteram ao longo dos séculos, uns entrando com a espada e outros com os
respectivos pescoços.
A julgar
pelos mais bem aquinhoados, azul e branca seriam as cores preferenciais.
Encaixam-se nesse modelo os americanos, os franceses e os ingleses, por
exemplo. Não por acaso, eméritos colonizadores. O preto e o marrom, nem pensar.
Não por acaso, colonizados.
Os
países africanos, em sua grande maioria, são verdes, vermelhos e amarelos. Não são
azuis, vermelhos e brancos.
O
Brasil, como é do conhecimento até do Dunga e do Zagalo, tem as cores: verde,
amarelo, azul e branco. Fica no meio do caminho, com o azul e branco no
camarote e o verde e amarelo na geral. O Brasil não tem vermelho. Quer dizer,
não tem na sua bandeira, mas nas de alguns dos seus times, bem como no sangue
dos pescoços dos menos aquinhoados.
A
transposição da conversa para o futebol faz sentido quando se observa que, ao
fazer um gol, o atacante invoca Deus. Ao fazer uma defesa, o goleiro invoca
Deus.
Deus
joga? Ao que se saiba, não.
Não há
nos antigos e novos Testamentos nenhum Ricardo Teixeira nem Galvão Bueno, ainda
bem, né? Afinal, Deus é justo e verdadeiro, além de brasileiro...
Por Seu
espírito de justiça, igualdade, fraternidade e liberdade, todos os jogos
terminariam empatados e todos os clubes e seleções seriam campeões, nenhum
ficaria em último lugar.
Assim,
no futebol, uma brincadeira que Deus inventou para Seus filhos passarem a maior
parte do tempo e não se preocuparem com coisas mais sérias, Suas cores
abrangeriam todo o espectro... e aí incluiria entre Seus diletos, todo o
arco-íris, os gays, por que não?
Com Deus
fora do jogo, senão teríamos uma série interminável de empates, resta o ser
humano com todas as suas minúsculas pretensões, resumidas em duas palavras,
vitória e derrota.
Na
vitória, Deus foi justo para quem venceu e injusto para quem perdeu. Justo,
mesmo permitindo a entrada no Céu daquele juiz safado que não marcou aquele
impedimento escandaloso que definiu uma vitória injusta. Na derrota, Deus foi
justo porque aquele pênalti não existiu e o juiz, Seu representante nas quatro
linhas, achou por bem se arvorar em deus e dane-se o time derrotado, porque o
pênalti foi convertido.
Deus
joga?
Ao que
se saiba, não.
Ainda
bem que não.Deus?
Deus tem mais o que fazer...
Paulinho Pavaneli, Maio de
2010, Ano da Copa XIX.
NOVA COLUNA
O PAU COMEU tem o prazer e a satisfação, além
do regozijo, de inaugurar, em efeméride, uma coluna denominada:
“PAU COMEU É TRIBUNAU”.
Com
isso, vamos considerar criminosos todos os que o Tribunal Oficial não considera
como sendo. Estamos aproveitando a liberdade de imprensa que premia as 4 Irmãs:
Globo, Veja, Folha e Estadão, e demais congêneres PIG”s... Somos “PIGmeus”.
Como parte integrante da Grande Imprensa
Tupiniquim, vamos deitar e rolar, nadando de braçada, porque sabemos assim
nunca seremos condenados... podemos falar qualquer coisa sem ter que provar coisa
nenhuma... Ninguém poderá nos condenar... Nem Joaquim Barbosa...
O nome da coluna será: O TRIBUNAU DO PAU
COMEU CONDENA....
Para
inaugurar, considerem-se condenados:
...Fulano
de Tal, por falsidade ideológica...
...a
mulher do Fulano de Tal, por não declarar com quem se casou...
...Fulaninho
de Talzinho, por não possuir certidão de nascimento...
...e
coisas do gênero, número e pessoa...
TRIBUNAU CONDENA: (1) As Globesteiras
Alvo
de ofensas generalizadas quanto ao seu poderio econômico, a Rede Globo, maior
organização de comunicação do país vem sendo, injustamente, acusada de
parcialidade em suas notícias veiculadas nos jornais e nas suas emissoras de televisão.
Somos,
todos, testemunhas de que a Rede Globo vem trilhando uma trajetória isenta em
termos de conteúdo de suas informações.
Sua
História não mente.
Basta
ver a lisura com que se comportou durante a eleição para governador do Rio de
Janeiro, na década de 1980, quando não tomou partido de nenhum dos candidatos e
defendeu, com unhas afiadas e dentes rangentes, o tratamento igualitário entre
os postulantes, oferecendo oportunidades semelhantes em espaço e tempo a todos.
A apuração, em si, foi um espetáculo, teimando em confrontar o resultado das
urnas.
Também
se notabilizou pela excelente cobertura que fez da campanha das “Diretas Já”, sintonizada
com os ideais democráticos dessa sofrida nação brasileira.
Para
não dizer da verdadeira Escola de Âncoras de seus jornais televisivos,
principalmente esse verdadeiro baluarte, o Jornal Nacional, que ficará para a
eternidade: Cid Moreira, múmia consagrada, Sergio Chapelin, em pleno processo
de mumificação, e o atual mumificante William Bonner, cara metade do primeiro
casal de futuras múmias. Não é uma simples Escola, é uma Universidade Arqueo-paleontológica...
Ultimamente,
no segmento jornalístico, vem aparecendo o extraordinário, fora do normal,
espantoso Alexandre Garcia, o maior porta-voz de ditadores de todos os tempos.
Se o sentido aurelibuarquiano de porta-voz significa “pessoa que fala, não raro
oficialmente, em nome de outrem”, quer dizer também “instrumento semelhante a
uma trombeta, usado para reforçar a voz de quem fala por ele”. Qualquer que seja
a acepção escolhida, o porta-voz não fala por si. Ao posar seminu em revista de grande
credibilidade, que faz jus ao nome porque tem pouquíssima coisa para ler, quem
sabe estaria tentando uma carreira de modelo, pena que fracassada, pois
continuamos condenados a ouvir sua voz falando em nome de outros, incapaz de
emitir uma opinião própria. Opinião imprópria, sempre.
Não
menos fundamental para os interesses culturais do país é sua Escola de
Narradores Futebolísticos. Galvão Bueno, insuperável na arte de preencher o
saco dos telespectadores, vem tentando criar sucessores, como, por exemplo,
Cleber Machado e Luís Carlos Júnior. É páreo duro, sem favoritos, qual o mais
chato dos três. E os comentaristas de arbitragem que comentam após a repetição
do lance? São sensacionais! Não por acaso foram árbitros de desempenhos
discutíveis. Os narradores ignoram que a televisão permite ao telespectador ver
e enxergar o que está acontecendo.
Ao
contrário do rádio, cuja narração apaixonada faz de qualquer pelada um clássico
inesquecível, e por isso o rádio continua sendo maravilhoso em sua proposta, o
problema da televisão é que a gente vê. Esses narradores deveriam pelo menos
conhecer a história da televisão e se espelharem no exemplo de Rui Viotti, que,
ciente da inteligência do telespectador, limitava-se a narrar quem estava com a
bola, quem passou pra quem, quem fez o gol. Era, sobretudo, um narrador que
respeitava quem estava vendo e ouvindo.
Mas...
História não é bem o forte da Rede Globo. Cultura também não é não.
Basta
analisar a grade da programação. Os programas educativos são transmitidos pela
manhã cedo, bem cedo, pra ninguém assistir. Os jogos de futebol, para não
atrapalharem as educativas novelas globais, são impostos na parte da noite,
tarde da noite, talvez para respeitar o sono dos trabalhadores brasileiros, que
não costumam levantar cedo. Pronto. No horário da manhã, para distrair as
empregadas domésticas e donas de casa, o personagem central é o Louro José. O
Big Brother Brasil, povoado de heróis pedrobialinos, isso nem merece mais que
uma frase. Ou
seja, se a cultura brasileira depender da Rede Globo, está condenada à
mediocridade absoluta.
O
Jô Soares, intelectual polivalente, entrevista a si mesmo. E faz escola, até no
futebol, nos debates quem fala mais é o apresentador, que deveria apenas lançar
o tema e ficar atento e interferir apenas para enriquecer a atuação do
entrevistado. Não aprenderam nada com o Roberto D’Avila, por exemplo. Claro,
não sabem o que é conexão.
O
Faustão? Emagreceu.
Como
não consegue ser incompetente todo o tempo, embora faça o maior esforço para
conseguir tal façanha, as adaptações de clássicos da literatura brasileira são
geralmente bem feitas, em suas minisséries.
Suas
homenagens aos vultos da música popular brasileira, porém, pecam por esconder
os artistas que são declaradamente avessos ao modo global de ser. Chico Buarque
não faz parte da sua programação. O especial sobre Elis Regina conseguiu
esconder João Bosco e Aldir Blanc. Quem conhece música brasileira sabe o que
isso significa.
Os
mais importantes fenômenos musicais do país, Chitãozinho e Chororó, Zezé de
Camargo e Luciano, entre outros, são presenças constantes no vídeo global.
Patativa do Assaré, por exemplo, não existe. Não nasceu nem viveu. Na Rede
Globo, não. Cartola, Nelson Cavaquinho, Ciro Monteiro, por exemplo, nem pensar.
Sua
cobertura de tragédias é extremamente competente. Parece até que vive disso.
Seu
maior programa cultural popular é feito por uma apresentadora, esposa de um
apresentador, que faz perguntas fundamentais sobre cenas de suas próprias
novelas.
A
Rede Globo é o Umbigo da Rede Globo.
Alguém
um dia ainda vai perder tempo em calcular quanto tempo ela gasta falando de si
própria. Mas aí será tarde demais.
A
sina de imbecilizar o povo brasileiro, seu alvo primordial, estará consolidada.
Ou
não.
Belo Horizonte, 28 de
julho de 2010. Paulinho Pavaneli.
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