segunda-feira, 26 de novembro de 2012

EDIÇÃO Nº 14: " A COR DE DEUS"


FISCALIZANDO AS NATUREZAS

Aposentado mal remunerado  fica andando a pé e filosofando...

Depois que descobri que para ser filósofo no Brasil basta escrever um monte de merdas, vide Merval Pereira em “O Globo”, me animei e, tentando manter o bom-humor, sempre que possível, o que é um exercício difícil, afinal o adversário está sempre querendo sacanear a gente o tempo todo...

Resolvi assumir meu lado filósofeérico e proclamo minha primeira frase original:
“A aposentadoria tem duas faces. Uma ótima e outra péssima. A ótima é que todo dia tem cara de sábado! A péssima é que é muito sábado pra tão pouco dinheiro...”       

 

ESPORTES

A COR DE DEUS

É uma dúvida transcendental.

Sendo um Espírito, não deveria ter cor, nem sexo, nem imagem.

Mas tem gente que teima em fazer Deus à sua imagem e semelhança.  

Que Deus tem cor branca, sexo masculino e imagem parecida a de artista de cinema, com olhos azuis, pois seu DNA certamente impregnou seu filho Jesus, assim representado por belos artistas americanos, loiros, naqueles filmes épicos que nos impressionaram em nossas infâncias. Filmes que nos fizeram chorar tantas culpas que não tínhamos.  Com orações que pagamos de castigo... justo na hora do pique-esconde ou da pelada com bola-de-meia...

Como é que as cores dos países do mundo, que Ele criou, O representam?

O vermelho é comum a ricos e pobres, deve ser por causa do sangue que uns e outros verteram ao longo dos séculos, uns entrando com a espada e outros com os respectivos pescoços.

A julgar pelos mais bem aquinhoados, azul e branca seriam as cores preferenciais. Encaixam-se nesse modelo os americanos, os franceses e os ingleses, por exemplo. Não por acaso, eméritos colonizadores. O preto e o marrom, nem pensar. Não por acaso, colonizados.

Os países africanos, em sua grande maioria, são verdes, vermelhos e amarelos. Não são azuis, vermelhos e brancos.

O Brasil, como é do conhecimento até do Dunga e do Zagalo, tem as cores: verde, amarelo, azul e branco. Fica no meio do caminho, com o azul e branco no camarote e o verde e amarelo na geral. O Brasil não tem vermelho. Quer dizer, não tem na sua bandeira, mas nas de alguns dos seus times, bem como no sangue dos pescoços dos menos aquinhoados.

A transposição da conversa para o futebol faz sentido quando se observa que, ao fazer um gol, o atacante invoca Deus. Ao fazer uma defesa, o goleiro invoca Deus.

Deus joga? Ao que se saiba, não.

Não há nos antigos e novos Testamentos nenhum Ricardo Teixeira nem Galvão Bueno, ainda bem, né? Afinal, Deus é justo e verdadeiro, além de brasileiro...

Por Seu espírito de justiça, igualdade, fraternidade e liberdade, todos os jogos terminariam empatados e todos os clubes e seleções seriam campeões, nenhum ficaria em último lugar.

Assim, no futebol, uma brincadeira que Deus inventou para Seus filhos passarem a maior parte do tempo e não se preocuparem com coisas mais sérias, Suas cores abrangeriam todo o espectro... e aí incluiria entre Seus diletos, todo o arco-íris, os gays, por que não?

Com Deus fora do jogo, senão teríamos uma série interminável de empates, resta o ser humano com todas as suas minúsculas pretensões, resumidas em duas palavras, vitória e derrota.

Na vitória, Deus foi justo para quem venceu e injusto para quem perdeu. Justo, mesmo permitindo a entrada no Céu daquele juiz safado que não marcou aquele impedimento escandaloso que definiu uma vitória injusta. Na derrota, Deus foi justo porque aquele pênalti não existiu e o juiz, Seu representante nas quatro linhas, achou por bem se arvorar em deus e dane-se o time derrotado, porque o pênalti foi convertido.

Deus joga?
Ao que se saiba, não.
Ainda bem que não.
Deus?
Deus tem mais o que fazer...

 

                                                                               Paulinho Pavaneli, Maio de 2010, Ano da Copa XIX.

 

 

NOVA COLUNA

O PAU COMEU tem o prazer e a satisfação, além do regozijo, de inaugurar, em efeméride, uma coluna denominada:

“PAU COMEU É TRIBUNAU”.

 Com isso, vamos considerar criminosos todos os que o Tribunal Oficial não considera como sendo. Estamos aproveitando a liberdade de imprensa que premia as 4 Irmãs: Globo, Veja, Folha e Estadão, e demais congêneres PIG”s... Somos “PIGmeus”.

Como parte integrante da Grande Imprensa Tupiniquim, vamos deitar e rolar, nadando de braçada, porque sabemos assim nunca seremos condenados... podemos falar qualquer coisa sem ter que provar coisa nenhuma... Ninguém poderá nos condenar... Nem Joaquim Barbosa...

O nome da coluna será: O TRIBUNAU DO PAU COMEU CONDENA....

Para inaugurar, considerem-se condenados:

...Fulano de Tal, por falsidade ideológica...

...a mulher do Fulano de Tal, por não declarar com quem se casou...

...Fulaninho de Talzinho, por não possuir certidão de nascimento...

...e coisas do gênero, número e pessoa...

 

TRIBUNAU CONDENA: (1) As Globesteiras

Alvo de ofensas generalizadas quanto ao seu poderio econômico, a Rede Globo, maior organização de comunicação do país vem sendo, injustamente, acusada de parcialidade em suas notícias veiculadas nos jornais e nas suas emissoras de televisão.

Somos, todos, testemunhas de que a Rede Globo vem trilhando uma trajetória isenta em termos de conteúdo de suas informações.

Sua História não mente.

Basta ver a lisura com que se comportou durante a eleição para governador do Rio de Janeiro, na década de 1980, quando não tomou partido de nenhum dos candidatos e defendeu, com unhas afiadas e dentes rangentes, o tratamento igualitário entre os postulantes, oferecendo oportunidades semelhantes em espaço e tempo a todos. A apuração, em si, foi um espetáculo, teimando em confrontar o resultado das urnas.

Também se notabilizou pela excelente cobertura que fez da campanha das “Diretas Já”, sintonizada com os ideais democráticos dessa sofrida nação brasileira.

Para não dizer da verdadeira Escola de Âncoras de seus jornais televisivos, principalmente esse verdadeiro baluarte, o Jornal Nacional, que ficará para a eternidade: Cid Moreira, múmia consagrada, Sergio Chapelin, em pleno processo de mumificação, e o atual mumificante William Bonner, cara metade do primeiro casal de futuras múmias. Não é uma simples Escola, é uma Universidade Arqueo-paleontológica...
Ultimamente, no segmento jornalístico, vem aparecendo o extraordinário, fora do normal, espantoso Alexandre Garcia, o maior porta-voz de ditadores de todos os tempos. Se o sentido aurelibuarquiano de porta-voz significa “pessoa que fala, não raro oficialmente, em nome de outrem”, quer dizer também “instrumento semelhante a uma trombeta, usado para reforçar a voz de quem fala por ele”. Qualquer que seja a acepção escolhida, o porta-voz não fala por si.  Ao posar seminu em revista de grande credibilidade, que faz jus ao nome porque tem pouquíssima coisa para ler, quem sabe estaria tentando uma carreira de modelo, pena que fracassada, pois continuamos condenados a ouvir sua voz falando em nome de outros, incapaz de emitir uma opinião própria. Opinião imprópria, sempre.

Não menos fundamental para os interesses culturais do país é sua Escola de Narradores Futebolísticos. Galvão Bueno, insuperável na arte de preencher o saco dos telespectadores, vem tentando criar sucessores, como, por exemplo, Cleber Machado e Luís Carlos Júnior. É páreo duro, sem favoritos, qual o mais chato dos três. E os comentaristas de arbitragem que comentam após a repetição do lance? São sensacionais! Não por acaso foram árbitros de desempenhos discutíveis. Os narradores ignoram que a televisão permite ao telespectador ver e enxergar o que está acontecendo.

Ao contrário do rádio, cuja narração apaixonada faz de qualquer pelada um clássico inesquecível, e por isso o rádio continua sendo maravilhoso em sua proposta, o problema da televisão é que a gente vê. Esses narradores deveriam pelo menos conhecer a história da televisão e se espelharem no exemplo de Rui Viotti, que, ciente da inteligência do telespectador, limitava-se a narrar quem estava com a bola, quem passou pra quem, quem fez o gol. Era, sobretudo, um narrador que respeitava quem estava vendo e ouvindo.

Mas... História não é bem o forte da Rede Globo. Cultura também não é não.

Basta analisar a grade da programação. Os programas educativos são transmitidos pela manhã cedo, bem cedo, pra ninguém assistir. Os jogos de futebol, para não atrapalharem as educativas novelas globais, são impostos na parte da noite, tarde da noite, talvez para respeitar o sono dos trabalhadores brasileiros, que não costumam levantar cedo. Pronto. No horário da manhã, para distrair as empregadas domésticas e donas de casa, o personagem central é o Louro José. O Big Brother Brasil, povoado de heróis pedrobialinos, isso nem merece mais que uma frase. Ou seja, se a cultura brasileira depender da Rede Globo, está condenada à mediocridade absoluta.

O Jô Soares, intelectual polivalente, entrevista a si mesmo. E faz escola, até no futebol, nos debates quem fala mais é o apresentador, que deveria apenas lançar o tema e ficar atento e interferir apenas para enriquecer a atuação do entrevistado. Não aprenderam nada com o Roberto D’Avila, por exemplo. Claro, não sabem o que é conexão.

O Faustão? Emagreceu.

Como não consegue ser incompetente todo o tempo, embora faça o maior esforço para conseguir tal façanha, as adaptações de clássicos da literatura brasileira são geralmente bem feitas, em suas minisséries.

Suas homenagens aos vultos da música popular brasileira, porém, pecam por esconder os artistas que são declaradamente avessos ao modo global de ser. Chico Buarque não faz parte da sua programação. O especial sobre Elis Regina conseguiu esconder João Bosco e Aldir Blanc. Quem conhece música brasileira sabe o que isso significa.

Os mais importantes fenômenos musicais do país, Chitãozinho e Chororó, Zezé de Camargo e Luciano, entre outros, são presenças constantes no vídeo global. Patativa do Assaré, por exemplo, não existe. Não nasceu nem viveu. Na Rede Globo, não. Cartola, Nelson Cavaquinho, Ciro Monteiro, por exemplo, nem pensar.

Sua cobertura de tragédias é extremamente competente. Parece até que vive disso.

Seu maior programa cultural popular é feito por uma apresentadora, esposa de um apresentador, que faz perguntas fundamentais sobre cenas de suas próprias novelas.

A Rede Globo é o Umbigo da Rede Globo.

Alguém um dia ainda vai perder tempo em calcular quanto tempo ela gasta falando de si própria. Mas aí será tarde demais.

A sina de imbecilizar o povo brasileiro, seu alvo primordial, estará consolidada.

Ou não.

Belo Horizonte, 28 de julho de 2010. Paulinho Pavaneli.

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