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Eu, Autor, voltando
de Fortaleza, Terra do Sol, encontro o frio das Alterosas.
Domingo,
oito e meia da noite, BH mais parece uma cidade-fantasma, as lojas quase todas
fechadas. Geladeira vazia em casa, com muito custo uma loja aberta, um
sanduiche na rua, um bom sanduiche...
Deixo o
calor, encontro o frio, trago comigo uma sede imensa de ler tudo o que
deveria ter lido, mas ainda não li, nem sei bem a razão...
Falta de
tempo não foi.
Preguiça talvez.
Tenho um
encontro marcado com a literatura brasileira, mais precisamente com Gilberto
Freyre, a Casa Grande e a Senzala...
Preciso
urgentemente redescobrir o Brasil, antes que o Nazitucanismo tome conta e nos obrigue a sermos todos arianos... sem sermos Suassunas.
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06-07-2015
DO NASCER E DO PÔR DO SOL
Em mim o Sol
nasce belorizontino, pela janela, do lado direito da mesa em que digito essas letras, passa
bahianamente pelo Arraial D’Ajuda e desmaia cearense na praia de Iracema, como
uma bola de fogo, entre dois prédios, mergulhando na linha reta do oceano...
DOS COLONIZADOS
A diferença
é que o Brasil é uma terra boa para se viver, embora os colonizados achem o
contrário. Problema dos colonizados, eles que se colonizem... Ouvi dizer que em
Londres, Paris e Nova York, principalmente em Miami, ainda tem muito lugar para
brasileiros colonizados. Que viajem e sejam felizes forever. O ar por aqui
ficará certamente mais respirável sem seus resmungos, seus peidos, seus vômitos e suas
mediocridades...
UM PÁLIDO RETRATO DE DORIAN
GRAY
Segundo Mestre Aurélio, aforismo “(...) é uma máxima, uma sentença
moral breve e conceituosa”.
Há dúvida se pré ou pós.
Oscar Wilde foi um afamado aforista, mas antes tudo um irlandês do
Século XIX. Que detestava música, mulher e povo, não necessariamente nesta
ordem.
Vivendo hoje, um discípulo doriangrayano fanático pode até detestar Cartola.
Por exemplo, o verso “(...) as rosas
não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti”
atropela a sua filosofia.
Esse ti aí é de mulher, a melodia é um samba-canção e o compositor é
popular. E além do mais, brasileiro.
OVNI AO VIVO: UM ANJO CHAMADO ZÉ VANDIR
Das pessoas
boas que tive a felicidade de conhecer, a mais parecida com um anjo de carne e
osso foi o Zé Vandir. Sua doçura ao tratar as pessoas era invejável. Não conheci
ninguém que não gostava dele. Ainda bem. Fui poupado do sentimento do ódio.
Somos amigos
de feici, mas não nos conversamos. Já pedi várias vezes sua autorização para
publicar suas crônicas, mas não obtive resposta. Atribuo à sua distração
angelical.
Pela
primeira vez Pau Comeu tem o orgulho e a satisfação de publicar -sem
autorização- uma ótima crônica do Zé Vandir...
Espero que a
primeira de muitas...
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APENAS UMA ESTRELA
Estávamos no Rio, e
Mariza, para me agradar, quis visitar a “Tattoo Fair”, que estava sendo
realizada no Shopping Rio Sul.
Embora não tenha nenhuma tatuagem, sempre me interessei por elas, principalmente porque unem o romântico e o sentimental, (tema debatido no livro “Este lado do Paraíso” de F. Scott Fitzgerard).
De um impulso romântico, na própria pele, a tatuagem se transforma um
caso sentimental, para sempre, pois é praticamente irremovível.
Coisa de piratas e marinheiros, com o tempo se transformou numa
grande indústria, em todo o mundo. Na TV americana são apresentadas três
séries, “Los Angeles Ink”, “Miami Ink”, e mais recentemente, “America’s Worst
Tattoos“, ou “Tatuagens Terríveis” onde são aplicadas tatuagens novas para
corrigir as antigas, de fato, horrorosas. Essas séries também passam no
Brasil, nos canais pagos.
Pois bem, na feira, ao entrarmos em um stand, o tatuador, carioca, sempre querendo gozar os mineiros, falou para mim: -E aí, mano velho, tudo bem? Tenho uma tatuagem massa para a madame, mas em você não posso fazer nenhuma. -Por que não? Perguntei espantado. -Aqui, menor de dezoito e maior de sessenta anos, só com a autorização e a presença dos pais.
Ai, Mariza deu aquele sorriso e retrucou:
-Que pena, mas nem uma estrelinha?
José Vandir / DSL
Junho de 2015. |

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