quinta-feira, 18 de junho de 2015

EDIÇÃO Nº 124: SOCIALISMO-ANÃO






O Autor continua cultivando seu lado jornalístico meio que aos trancos e barrancos, como se fosse um bêbado que perdeu o rumo...

É madrugada, as ladeiras estão escorregadias, mas ainda consegue achar o caminho sem cair.

Se caiu, ninguém sabe, ninguém viu...


18-06-2015


CARDÁPIO


*** O ANÃO DE JARDIM E O SOCIALISMO À BRASILEIRA
*** CONVERSANDO NO BAR
*** PRIMEIRA PÁGINA
*** O DIA DE SÃO ROBERTO
*** PORTUGAL EM POESIA
*** POMBO CORREIO


O ANÃO DE JARDIM E O SOCIALISMO À BRASILEIRA


O mundo mudou muito, é o que dizem, e é a pura verdade.
O socialismo moreno morreu com Darcy Ribeiro, ficou o socialismo ariano, não do Suassuna, mas do branco loiro de olhos azuis, cujo representante estava no avião sem dono que caiu.
Sobrou o socialismo do anão de jardim, neto daquele senhor de engenho?
A po(rca)lítica brasileira em seu ápice!


CONVERSANDO NO BAR


Todos nós, brasileiros, pranteamos a partida de Fernando Brant. Melhor seria se a viagem nas asas da Panair fosse direta ao Céu.  A escala no Complexo Aeroportuário Cláudio Montezuma?  Acho que deu pane nos instumentos...
Amigo?  Coisa muito séria.
Aprendi com sua letra que “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”... Só que de vez em quando alguém ilude quem tem bom coração.


PRIMEIRA PÁGINA


“... o jornalismo não é, por natureza, mensageiro da bem-aventurança. É de Rubem Braga, o grande cronista, uma afirmação radical sobre isso: felicidade não dá manchete.”


O DIA DE SÃO ROBERTO


Dois de novembro, dia de Finados, uma espécie de Dia De Todos Os Mortos. Primeiro de novembro, dia De Todos Os Santos.
Temos agora o Santo De Todos Os Dias, que a televisão acabou de inventar no Brasil.
Além do 06 de agosto, dia de sua morte no ano de 2003, assim como todo dia é dia de índio, todo dia é dia de São Roberto.
O senhor Roberto Marinho foi canonizado... e o Papa nem sabia.
A Santa Madre costuma levar séculos para canonizar os candidatos a santos, mas vai ter que esquecer sua histórica lentidão... e andar rápido pois periga perder sua prerrogativa para a República Federativa Vaticânica da Rede Globo.

Eleito imortal sem escrever uma única obra, com votos de imortais que também morrerão, porém sem canonização, as notícias faladas, escritas e televisadas da Vênus Platinada cuidaram de iniciar o processo, pois nada foi publicado que nem de leve manchasse sua biografia.
Procurei uma notícia que lembrasse algum vestígio de que Marinho tivesse sido um ser humano como os demais, sujeito a fraquezas, escorregões, tropeços, quedas, mas... nada! Silêncio sepulcral nas páginas do jornal! Impoluto total!
Já estava desistindo, pegando um retratinho do Doutor para fazer mais um santinho digno de enriquecer minha coleção, quando alguém resolveu andar na contramão...

Em 19 de agosto de 2003 um jornalista verdadeiro escreveu “entre as aspas” seguintes...

*Dr. Jekyll
”(...) Não perguntaram a minha opinião, mas como jornalista sinto-me na obrigação de dá-la. Eu gostava de Roberto Marinho, o homem. Era extremamente educado, gentil, cosmopolita, tinha classe. (...) Sendo capitalista inteligente, cuidava do bem-estar dos seus funcionários, como o faz um produtor de cavalos se quer corcéis vencedores (...) Não, nada tenho contra o homem Roberto Marinho. É claro que não poderia ter sido seu amigo, pois o poder exige vassalagem, mediocridade e subserviência. Qualquer poder.”

**Mr. Hyde
”(...) Não tenho nada contra o homem e tudo contra as suas ações antipatrióticas e reacionárias. Por que não começar logo pela verdade: foi o verdadeiro presidente do Brasil de 1964 até o dia da sua morte sem ter de se preocupar em exercer qualquer cargo, ao contrário de Berlusconi (...)”;

*** Golpista
 (...)  Foi um dos principais organizadores do golpe de 1964 que vinha sendo cozido em fogo brando desde 1962, quando Jango lhe concedeu o canal quatro, cortesia que pagou com traição. Os primeiros contratos entre a Time Life e a Globo foram assinados em 62. Era importante para os Estados Unidos que o golpe futuro de 64 tivesse o apoio de uma grande empresa jornalística tão importante que Eisenhower, então no poder, chegou a nomear para embaixadora no Brasil nada menos que Claire Luce, mulher de Henri Luce, proprietário da Time Life. Ela foi vetada pelo Senado americano, o que provocou uma edição escandalizada do Globo.”
****Enterro
“(...) Confesso que o espetáculo foi além das minhas expectativas. Nem Gandhi, Churchill, Madre Tersa de Calcutá, Ladi Di, Valentino, Chaplin, Marilyn Monroe, a rainha Vitória ou Kennedy, para citar algumas poucas celebridades, foram tão louvadas. Os jornais republicanos, cadáver ainda fresco, caíram de pau no priápico marido de Jacqueline. Já em relação ao dr. Roberto, nenhuma voz destoante. (...) Nada, nenhuma nódoa, nenhum vício, nenhuma jaça.”

***** Jornalista?
“(...) Todos os jornalistas e escritores entrevistados foram unânimes em dizer que o dr. Roberto era antes de tudo um jornalista. Não concordo. Ele sempre foi um empresário, um dono de jornal. Jornalista não distorce a notícia, não faz a notícia; ele limita-se a checar se ela é verdadeira e a publica. Jornalista, modestamente, sou eu.”

****** Pêsames
“(...) Finalmente, com toda a sinceridade, meus pêsames à família enlutada.”


Quem publicou essa versão? Só podia ser o Pasquim. No nº 21, e o jornalista verdadeiro foi o Fausto Wolff.
Pau Comeu também e, 12 anos depois, ecoa os pêsames... E os estende a todos os enlutados desse Brasil. Principalmente aos que viram morrer aqueles que não tiveram suas histórias registradas com o respeito que mereciam, geralmente escondidos nas páginas desses jornais canalhas como o do Doutor Roberto, ou que nunca apareceram em seus programas de televisão.

Sabe?
Lembrei-me do caso do soldado que marchava no sentido contrário ao do batalhão. Era chamado de louco, diziam que queria aparecer, tirar uma onda de diferente...
Sei não...
Queria, no fundo, olhar de frente nos olhos dos outros. Para ver o vero que diziam...
Os poucos brilhantes, incontida devoção. Os vários cinzentos, envergonhada subserviência. Os amarelecidos, grande maioria, medo de contrariar os poderosos.
Marcho com Fausto. Na contramão.


PORTUGAL EM POESIA

Mais um poema de Portugal, que surrupiei do feicibuqui... 

NAMORO
moro na solidão de alguém
que mora na minha
estamos confortáveis
somos figuras
e o mundo é um álbum
somos colecionáveis
temos os corações guardados
e a chave nos olhos
segredo do cofre brilhante
o sonho de não acordar
no tempo de tudo real
o eterno na hora do instante
e a vida da gente voando
pouso no colo de alguém
que no meu se aninha
vivemos namorando
Mauro Portugal


POMBO CORREIO

Quem conseguir falar com o Zé Vandir, diga-lhe que estou pedindo sua autorização para publicar sua crônica da tatuagem (“Apenas uma estrela”) aqui no Pau Comeu.




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