sexta-feira, 24 de janeiro de 2014



EDIÇÃO Nº 63: O INFERNO DE DANTE E O CÉU DE DANTAS


 
 
 
O Autor, em mais uma incursão sobre a Tucanolândia e seus personagens inigualáveis...
 
 
 

 
 
 
 
23-01-2014

 

CARDÁPIO

 

  • O INFERNO DE DANTAS
  • NEVES SOBRE AS MONTANHAS
  • CONSTANTE DESATINO
  • PASSANDO A RÉGUA NO ROLÉ




O INFERNO DE DANTAS
 
Fora, antes da última reforma, podia ser fóra ou fôra.
Pode ser do lado de fóra. Grifava-se fôra (aspecto verbal) com esse elegante chapéu no ô, dando uma dentro para (preposição) não confundir com o lado de fóra (advérbio).
Essa digressão inicial surgiu para dizer que...
Não fôra, com chapéu no ô, o Google, e sua prestimosa Wikipédia, não saberia este literalmente pobre blogueiro iniciar coluna tão trágica.
 
Já que é de domínio público, esse blog, além de sujo, cara de pau, não usará aspas para copiar:
 
O Inferno é a primeira parte da "Divina Comédia" de Dante Alighieri, sendo as outras duas O Purgatório e O Paraíso. Está dividido em trinta e quatro cantos (uma divisão de longas poesias), possuindo um canto a mais que as outras duas partes, que serve de introdução ao poema. A viagem de Dante é uma alegoria através do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, guiada pelo poeta romano Virgílio. No poema, o inferno é descrito com nove círculos de sofrimento localizados dentro da Terra. Foi escrito no início do século XIV. Os mais variados pintores de todos os tempos criaram ilustrações sobre esta obra, se destacando Botticelli, Gustave Doré e Dalí.
 Pronto. Crime cometido, réu primário, vamos em frente.
Muitos anos depois, um filósofo, chamado Jean-Paul Sartre, que felizmente viveu antes que sua profissão de fé fosse vilipendiada por exemplares penetras, disse uma frase crucial:  o inferno são os outros”.
Pois é, moçada, não resisti à tentação -quase ridícula- de misturar o Inferno de Dante com o Céu de Dantas.
Se o Inferno Dantesco promete nove vezes mais sofrimento, sofrimento que quase não tem fim, e situa-se aqui na própria Terra, o Céu Dantástico promete o quê?
Promete ao seu amo e senhor, o “empreseiro finançário”, nove vezes o Céu depois do Céu, também aqui mesmo na Terra.
Se o Inferno é para todos, o Céu é só para um. Para quem?
Dantas. Daniel Dantas.
O único problema do Dantas é o Dante.
Estamos aqui, Os Outros de Dante, para vigiá-lo, Dantas, e não deixá-lo dormir em paz.
Somos seu Inferno.
Poste Escrito:
Por falar nisso, Pau Comeu sugere a leitura do livro a seguir:
Operação Banqueiro: as provas secretas do caso Satiagraha
Coleção:
História Agora – Vol.10
Autor: Rubens Valente
Categoria: Reportagem
Formato: 16×23
Páginas: 464
Peso: 641g
ISBN: 9788581302089
R$ 44,90
E-book
ISBN:
9788581302096
R$ 21,90
Resumo: A incrível história de como o banqueiro Daniel Dantas escapou da prisão com apoio do Supremo Tribunal Federal (Nota do Pau: graças a Gilmar Mendes) e virou o jogo, passando de acusado a acusador.
 
 
NEVES SOBRE AS MONTANHAS
 
Todos sabem que o Brasil é um país ensolarado. Para o bem e para o mal. Para o bem com a produção de vitamina D e seus inegáveis benefícios. Para o mal, com a seca assolando regiões mais pobres.
Pois bem. Pois mal.
Neves caem sobre Minas Gerais, que inaugurou uma Estação de Esqui... Esquisitice. Que também quer dizer extravagância, excentricidade, singularidade.
Deve ser por isso que o Neves não sai do Rio de Janeiro, deixando a Neves controlando a imprensa daqui.
Conforme...
no site  Minas Sem Censura saiu a seguinte matéria:
 
PRISÃO DE JORNALISTA EM MG: A FACE CRUEL DO ESTADO DE EXCEÇÃO
A prisão do jornalista Marco Aurélio Carone, diretor proprietário do NOVO JORNAL, ocorrida hoje revela a face mais cruel do “Estado de Exceção” implantado em Minas Gerais desde 2003.
A prisão realizada estaria “amparada no requisito da conveniência da instrução criminal, já que em liberdade poderá forjar provas, ameaçar e intimidar testemunhas, além de continuar a utilizar o seu jornal virtual para lançar informações inverídicas”, segundo trecho do despacho da juíza Maria Isabel Fleck.
Ora, afirma-se que um dos motivos da prisão seria evitar que ele utilizasse de seu jornal virtual para veicular supostas informações inverídicas. Se isso não for censura prévia, o que mais será? E o que é pior: a arma para se efetivar essa ação preventiva seria a prisão do acusado? Logo, todo e qualquer profissional de imprensa que ousar veicular informações previamente consideradas inverídicas pela Justiça ou pelo Ministério Público estão sob ameaça concreta em Minas Gerais. (...)”
Segundo o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG):
“(...) Quem é amigo de Aécio, pode absolutamente tudo, com helicóptero ou sem helicóptero. Aos outros, cadeia, cassação de mandato… É importante o que está ocorrendo com o Carone para mostrar ao Brasil inteiro o estado de exceção que Minas vive.”
Conclusão do Pau: Minas Gerais está cheirando mal...
 
CONSTANTE DESATINO
 
1.Introdução
A chamada Grande Imprensa tem revelado uma inesgotável capacidade de contratar colunistas que dizem amém aos seus proprietários. Tais escrevinhadores, numa demonstração de cabotinismo e servilismo poucas vezes vistas na história, acham-se maravilhosos, importantes e inigualáveis. Inigualáveis, com certeza.
Depois que a Veja, aquela revista muito consumida em consultórios odontológicos da classe média, contratou Reinaldo Azevedo e Lobão, tudo o mais se revela recorrente.
O Globo não fica atrás. A mais nova estrela da constelação globástica tem por nome Rodrigo Constantino. É o mais novo gênio da raça, depois de Arnaldo Jabor, Nelson Motta e Merval Pereira.
Para escrever sua última coluna (21-01-2014), citou um personagem (*), chamado Joaquim, que deve ser um dos milhares de amigos seus que trilharam o caminho da verdadeira ascenção social, isenta de protecionismos cotistas ou assemelhados.
2.Princípio
Vamos à história:
Joaquim era um menino muito pobre, que estudava em uma escola pública e morava na periferia.”
É uma introdução de levar o leitor às lágrimas... Faltou só o “Era uma vez”. 
Prosseguindo:
“Cansado de tanta greve, resolveu dar um rolezinho em uma biblioteca. Ele não sabia ainda, mas aquilo iria mudar sua vida (...)”
Segue-se uma brilhante demonstração de erudição de orelhas de livros por parte do contador da história, citando uma frase de cada um dos pensadores que diz terem sido lidos e absorvidos por Joaquim, tais como:
“(...) Sófocles, Shakespeare, Kafka, Dostoiévski, Camus, Machado de Assis, Roth, Conrad, Adam Smith, David Ricardo, Popper, Bastiat, Tocqueville, Jean-François Revel, Lord Acton, Menger, Bohm-Bawerk, Mises e Hayek, Burke, John Adams, Russell Kirk, Oakeshott, Isaiah Berlin, Irving Babbitt e Theodore Dalrymple, Benjamin Constant, Montesquieu, Schumpeter, Milton Friedman, Thomas Sowell, Orwell, Huxley, Ayn Rand. Koestler, Paul Johnson... “
3.Meio
Nessa altura do campeonato, o locutor que vos fala, humilde e sujo blogueiro, maravilhado, imaginou Joaquim como um filósofo do naipe dos maiores de toda a História da Humanidade... Com tal currículo, como pensar diferente?
Aí vem o primeiro pulo do gato de Constantino: Joaquim não é filósofo.
Prosseguindo:
“(...) Joaquim tinha um espírito empreendedor, e desejava muito melhorar de vida. Foi com sua bagagem cultural para os Estados Unidos, tentar a sorte. Eram os anos 1980, a era Reagan, com mais oportunidades. Sempre olhara para os melhores com admiração, nunca inveja. Eram uma meta para ele, um exemplo a ser seguido. Hoje ele é um empresário de sucesso e vive em Boston.”
Não ficou esclarecido se Joaquim abriu uma empresa de formação intelectual de empresários, não há referência sobre seu ramo de atividade.
4.Fim
E aí vem o segundo pulo do gato de Constantino: Joaquim finalmente encontrou sua turma.
“(...) Em sua velha comunidade, é acusado de “traidor”. Por ser negro, acusam-no de se comportar como um “branco” e ignorar sua raça. Mas ele jamais entendeu dessa forma. Para ele, o normal é desejar crescer na vida, aprender com a civilização, e não desdenhar dela. Até hoje ele é muito grato pelo rolezinho que decidiu dar na alta cultura quando jovem.”
Dedico esta referência aos futuros participantes dos rolezinhos. Sigam o exemplo de Joaquim, e, nas visitas aos shoppings da vida, em vez de comprarem tênis e camisetas de marcas, comprem os livros dos autores lidos por ele, passagem para Boston e transformem-se em empresários de sucesso. Ou, quem sabe, peçam emprego ao Joaquim. Ele vai adorar.
Quanto ao Rodrigo, ler as orelhas não deve ter sido suficiente. Afinal, não consta que seja empresário de sucesso e nem que viva em Boston.
É pouco provável que Joaquim tenha lido Celso Furtado, Milton Santos, Abdias Nascimento e Darcy Ribeiro. Certamente não fazem parte da extensa coleção de Rodrigo.
O autor do Pau Comeu jura ser esta a primeira e única edição em que tal Rodrigo será citado, pois não tem saco para os constantes desatinos do fabuloso Constantino.
 
 
PASSANDO A RÉGUA NO ROLÉ
Pau Comeu, com esse título, espera dar um tempo, quiçá longo, na temática do rolézinho. Optamos por esta grafia porque o problema é agudo, em vez de rolêzinho, pois o pessoal usa boné em vez de chapéu.
O sociólogo potiguar Jessé Souza, doutor pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, autor da obra “A Ralé Brasileira”, prefere a grafia rolezinho, sem chapéu e sem acento agudo, e declarou em recente entrevista (*) que “(...) rolezinhos são vistos como tão ameaçadores porque rompem a demarcação do apartheid social”.
Sua última sentença é fulminante:
A classe média verdadeira, “europeizada” — que se percebe como estrangeira na própria terra — se sente ameaçada pelos “bárbaros” das classes populares, em um fenômeno que tende a ter diversos novos capítulos no Brasil daqui para a frente.”
(*) http://www.viomundo.com.br/politica/jesse-souza-o-role-da-rale-ameaca-a-  fronteira-de-classes.html, em 18 de janeiro de 2014.
Poste Escrito Um: só voltaremos ao tema se os black blocs esculhambarem o movimento, já apelidado carinhosamente de rolê da ralé.
Poste Escrito Dois: está caindo, definitivamente, a máscara da democracia racial no Brasil. A democracia brasileira tem preço. E não é barato.
Poste Escrito Três: a expressão Poste Escrito é uma homenagem ao Jornal do Poste, de São João D’El Rey, terra natal do Neves, avô do Neves e da Neves.
 




 



Nenhum comentário:

Postar um comentário