EDIÇÃO Nº 63: O INFERNO DE DANTE E O CÉU DE DANTAS
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CARDÁPIO
- O INFERNO DE DANTAS
- NEVES SOBRE AS MONTANHAS
- CONSTANTE DESATINO
- PASSANDO A RÉGUA NO ROLÉ
O INFERNO DE DANTAS
Fora, antes da última reforma, podia ser fóra ou
fôra.
Pode ser do lado de fóra. Grifava-se fôra (aspecto
verbal) com esse elegante chapéu no ô, dando uma dentro para (preposição) não
confundir com o lado de fóra (advérbio).
Essa digressão inicial surgiu para dizer que...
Não fôra, com chapéu no ô, o Google, e sua
prestimosa Wikipédia, não saberia este literalmente pobre blogueiro iniciar coluna
tão trágica.
Já que é de domínio público, esse blog, além de
sujo, cara de pau, não usará aspas para copiar:
O Inferno é a primeira parte da "Divina Comédia" de Dante Alighieri, sendo as outras duas O Purgatório
e O Paraíso.
Está dividido em trinta e quatro cantos (uma
divisão de longas poesias), possuindo um canto a mais que as outras duas partes, que serve de introdução ao
poema. A viagem de Dante é uma alegoria através
do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, guiada pelo poeta romano Virgílio. No poema, o
inferno é descrito com nove círculos de sofrimento
localizados dentro da Terra. Foi escrito no início do século XIV. Os mais variados pintores de todos os tempos criaram
ilustrações sobre esta obra, se
destacando Botticelli, Gustave Doré e Dalí.
Muitos anos depois, um filósofo, chamado Jean-Paul
Sartre, que felizmente viveu antes que sua profissão de fé fosse vilipendiada
por exemplares penetras, disse uma frase crucial: “o inferno são os outros”.
Pois é, moçada, não resisti à tentação -quase
ridícula- de misturar o Inferno de Dante com o Céu de Dantas.
Se o Inferno Dantesco promete nove vezes mais
sofrimento, sofrimento que quase não tem fim, e situa-se aqui na própria Terra,
o Céu Dantástico promete o quê?
Promete ao seu amo e senhor, o “empreseiro
finançário”, nove vezes o Céu depois do Céu, também aqui mesmo na Terra.
Se o Inferno é para todos, o Céu é só para um. Para
quem?
Dantas. Daniel Dantas.
O único problema do Dantas é o Dante.
Estamos aqui, Os Outros de Dante, para vigiá-lo,
Dantas, e não deixá-lo dormir em paz.
Somos seu Inferno.
Poste Escrito:
Por falar nisso, Pau Comeu sugere a leitura do
livro a seguir:
Operação Banqueiro: as provas
secretas do caso Satiagraha
Coleção: História Agora – Vol.10
Autor: Rubens Valente
Categoria: Reportagem
Formato: 16×23
Páginas: 464
Peso: 641g
ISBN: 9788581302089
R$ 44,90
Coleção: História Agora – Vol.10
Autor: Rubens Valente
Categoria: Reportagem
Formato: 16×23
Páginas: 464
Peso: 641g
ISBN: 9788581302089
R$ 44,90
E-book
ISBN: 9788581302096
R$ 21,90
ISBN: 9788581302096
R$ 21,90
Resumo: A incrível história de como o
banqueiro Daniel Dantas escapou da prisão com apoio do Supremo Tribunal Federal
(Nota do Pau:
graças a Gilmar Mendes) e virou o jogo, passando de acusado
a acusador.
NEVES SOBRE AS
MONTANHAS
Todos sabem que o Brasil é um país ensolarado. Para
o bem e para o mal. Para o bem com a produção de vitamina D e seus inegáveis
benefícios. Para o mal, com a seca assolando regiões mais pobres.
Pois bem. Pois mal.
Neves caem sobre Minas Gerais, que inaugurou uma
Estação de Esqui... Esquisitice. Que também quer dizer extravagância,
excentricidade, singularidade.
Deve ser por isso que o Neves não sai do Rio de
Janeiro, deixando a Neves controlando a imprensa daqui.
Conforme...
no site Minas Sem Censura
saiu a seguinte matéria:
“PRISÃO DE JORNALISTA EM MG: A
FACE CRUEL DO ESTADO DE EXCEÇÃO
A prisão do jornalista Marco Aurélio
Carone, diretor proprietário do NOVO JORNAL, ocorrida hoje revela a face mais
cruel do “Estado de Exceção” implantado em Minas Gerais desde 2003.
A prisão realizada estaria “amparada no
requisito da conveniência da instrução criminal, já que em liberdade poderá
forjar provas, ameaçar e intimidar testemunhas, além de continuar a utilizar o
seu jornal virtual para lançar informações inverídicas”, segundo trecho do
despacho da juíza Maria Isabel Fleck.
Ora, afirma-se que um dos motivos da
prisão seria evitar que ele utilizasse de seu jornal virtual para veicular
supostas informações inverídicas. Se isso não for censura prévia, o que mais
será? E o que é pior: a arma para se efetivar essa ação preventiva seria a prisão
do acusado? Logo, todo e qualquer profissional de imprensa que ousar veicular
informações previamente consideradas inverídicas pela Justiça ou pelo
Ministério Público estão sob ameaça concreta em Minas Gerais. (...)”
Segundo o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG):
“(...) Quem é amigo de
Aécio, pode absolutamente tudo, com helicóptero ou sem helicóptero. Aos outros,
cadeia, cassação de mandato… É
importante o que está ocorrendo com o Carone para mostrar ao Brasil inteiro o
estado de exceção que Minas vive.”
Conclusão do Pau: Minas Gerais está cheirando
mal...
CONSTANTE
DESATINO
1.Introdução
A chamada Grande Imprensa tem
revelado uma inesgotável capacidade de contratar colunistas que dizem amém aos
seus proprietários. Tais escrevinhadores, numa demonstração de cabotinismo e
servilismo poucas vezes vistas na história, acham-se maravilhosos, importantes
e inigualáveis. Inigualáveis, com certeza.
Depois que a Veja, aquela revista
muito consumida em consultórios odontológicos da classe média, contratou
Reinaldo Azevedo e Lobão, tudo o mais se revela recorrente.
O Globo não fica atrás. A mais nova
estrela da constelação globástica tem por nome Rodrigo Constantino. É o mais
novo gênio da raça, depois de Arnaldo Jabor, Nelson Motta e Merval Pereira.
Para escrever sua última coluna
(21-01-2014), citou um personagem (*), chamado Joaquim, que deve ser um dos
milhares de amigos seus que trilharam o caminho da verdadeira ascenção social,
isenta de protecionismos cotistas ou assemelhados.
2.Princípio
Vamos à história:
“Joaquim
era um menino muito pobre, que estudava em uma escola pública e morava na
periferia.”
É uma
introdução de levar o leitor às lágrimas... Faltou só o “Era uma vez”.
Prosseguindo:
“Cansado de tanta greve, resolveu dar um rolezinho em uma biblioteca.
Ele não sabia ainda, mas aquilo iria mudar sua vida (...)”
Segue-se uma brilhante demonstração
de erudição de orelhas de livros por parte do contador da história, citando uma
frase de cada um dos pensadores que diz terem sido lidos e absorvidos por
Joaquim, tais como:
“(...) Sófocles, Shakespeare, Kafka, Dostoiévski, Camus, Machado de Assis,
Roth, Conrad, Adam Smith, David Ricardo, Popper, Bastiat,
Tocqueville, Jean-François Revel, Lord Acton, Menger, Bohm-Bawerk, Mises e
Hayek, Burke, John Adams, Russell Kirk,
Oakeshott, Isaiah Berlin, Irving Babbitt e Theodore Dalrymple, Benjamin
Constant, Montesquieu, Schumpeter, Milton Friedman, Thomas Sowell, Orwell, Huxley,
Ayn Rand. Koestler, Paul Johnson... “
3.Meio
Nessa altura do
campeonato, o locutor que vos fala, humilde e sujo blogueiro, maravilhado,
imaginou Joaquim como um filósofo do naipe dos maiores de toda a História da
Humanidade... Com tal currículo, como pensar diferente?
Aí vem o
primeiro pulo do gato de Constantino: Joaquim não é filósofo.
Prosseguindo:
“(...) Joaquim tinha um
espírito empreendedor, e desejava muito melhorar de vida. Foi com sua bagagem
cultural para os Estados Unidos, tentar a sorte. Eram os anos 1980, a era
Reagan, com mais oportunidades. Sempre olhara para os melhores com admiração,
nunca inveja. Eram uma meta para ele, um exemplo a ser seguido. Hoje ele é um
empresário de sucesso e vive em Boston.”
Não ficou
esclarecido se Joaquim abriu uma empresa de formação intelectual de
empresários, não há referência sobre seu ramo de atividade.
4.Fim
E aí vem o
segundo pulo do gato de Constantino: Joaquim finalmente encontrou sua turma.
“(...) Em sua velha
comunidade, é acusado de “traidor”. Por ser negro, acusam-no de se comportar
como um “branco” e ignorar sua raça. Mas ele jamais entendeu dessa forma. Para
ele, o normal é desejar crescer na vida, aprender com a civilização, e não
desdenhar dela. Até hoje ele é muito grato pelo rolezinho que decidiu dar na
alta cultura quando jovem.”
Dedico esta referência aos futuros participantes dos rolezinhos.
Sigam o exemplo de Joaquim, e, nas visitas aos shoppings da vida, em vez de comprarem tênis e camisetas de marcas,
comprem os livros dos autores lidos por ele, passagem para Boston e
transformem-se em empresários de sucesso. Ou, quem sabe, peçam emprego ao
Joaquim. Ele vai adorar.
Quanto ao Rodrigo, ler as orelhas não deve ter sido suficiente.
Afinal, não consta que seja empresário de sucesso e nem que viva em Boston.
É pouco provável que Joaquim tenha lido Celso Furtado,
Milton Santos, Abdias Nascimento e Darcy Ribeiro. Certamente não fazem parte da
extensa coleção de Rodrigo.
O autor do Pau Comeu jura ser esta a primeira e única edição em que
tal Rodrigo será citado, pois não tem saco para os constantes desatinos do
fabuloso Constantino.
PASSANDO
A RÉGUA NO ROLÉ
Pau Comeu, com esse título, espera
dar um tempo, quiçá longo, na temática do rolézinho. Optamos por esta grafia
porque o problema é agudo, em vez de
rolêzinho, pois o pessoal usa boné em vez de chapéu.
O sociólogo potiguar Jessé Souza,
doutor pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da Universidade
Federal de Juiz de Fora, autor da obra “A Ralé Brasileira”, prefere a grafia
rolezinho, sem chapéu e sem acento agudo, e declarou em recente entrevista (*)
que “(...) rolezinhos são vistos como tão
ameaçadores porque rompem a demarcação do apartheid social”.
Sua última sentença é
fulminante:
“A classe média verdadeira, “europeizada” — que se percebe como
estrangeira na própria terra — se sente ameaçada pelos “bárbaros” das classes
populares, em um fenômeno que tende a ter diversos novos capítulos no Brasil
daqui para a frente.”
(*) http://www.viomundo.com.br/politica/jesse-souza-o-role-da-rale-ameaca-a- fronteira-de-classes.html, em 18 de janeiro de 2014.
Poste Escrito Um: só voltaremos ao
tema se os black blocs esculhambarem o movimento, já apelidado carinhosamente
de rolê da ralé.
Poste Escrito Dois: está caindo,
definitivamente, a máscara da democracia racial no Brasil. A democracia
brasileira tem preço. E não é barato.
Poste Escrito Três: a expressão Poste Escrito é uma
homenagem ao Jornal do Poste, de São João D’El Rey, terra natal do Neves, avô
do Neves e da Neves.

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