“O
ódio ofusca a mente.”
“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele,
por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender,
e se podem aprender a odiar,
podem ser ensinadas a amar”.
+Nelson Mandela+
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O autor,
em uma de suas raras incursões pelos assuntos da agropecuária, ouviu em
conversa no boteco da esquina:
“cê num sabia que aqui em Minas
nóis dá coca pras vaca senão elas dorme dia inteiro e num dão leite ,sô! É purisso que nóis chama de insumo agrícola, uai!”
- pó pô pó?
- pó pô!
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12-12-2013
POMBO CORREIO
Depois de um nem tão longo nem tão tenebroso inverno, Pau
Comeu volta às lides, ainda estarrecido com a cara-de-pau dos brancos
espalhados pelo mundo que, quando Mandela estava preso, queriam mais que ele, o
comunista e terrorista amigo de Fidel Castro, morresse.
Agora os calhordas derramam lágrimas de crocodilo...
CARDÁPIO
...MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA
...VERSÃO BRASILEIRA
...OS HERDEIROS
...ÓDIO VOLTOU À MODA
...EU SOU A IMPRENSA
...GOVERNAR O BRASIL É FÁCIL E DIFÍCIL
...FERNANDO TINHA RAZÃO
...RESUMO DA ÓPERA
...POST SCRIPTUM
MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA
Quem viu esse filme de Sam Peckinpah, no original “The Wild
Bunch”, que significa mais ou menos “O Bando Selvagem”, sabe que o título em brasileiro
retrata fielmente o que as palavras abaixo “assassinadas” querem dizer.
No velho oeste americano a população era dividida em quem
tinha e quem não tinha armas. Os bilhões de tiros disparados ao longo das
epopéias vividas e filmadas deram como resultado mais evidente o amor
voluptuoso que aquele povo devota às armas, aos tiros, às chacinas, aos assassinatos.
Sem falar nos genocídios, tipo Hiroshima e Nagasaki.
No centro do enredo, o ódio.
VERSÃO BRASILEIRA
Também por aqui, o ódio
prolifera. Em várias versões, sólidas, líquidas, gasosas, inclusive em pó.
A mais famosa manifestação não foi gestada na cinematografia
nacional, mas na política. O Oscar do Ódio
Tupiniquim ninguém tira de Carlos Lacerda, O Corvo.
A síntese da carreira política do ilustre abutre foi
perpetuada no conjunto de frases que usou para brindar Getúlio Vargas antes de o
ex-ditador odiado pelas elites voltar ao poder eleito pelo povo:
“O Sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à
presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse.
Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.”
Depois
de “assassinar” Vargas, Lacerda continua sua pregação golpista. Em 1955, Juscelino Kubitschek e João Goulart,
eleitos presidente e vice-presidente, respectivamente, são duramente atacados
por Lacerda que volta a insistir na derrubada da Constituição de 1946:
“A posse
desses dois aventureiros irresponsáveis só poderá ser evitada por um ato de
força. Nesse mesmo ato se contém a instauração de um regime cuja legalidade tem
que ser por ele próprio criada. [...] O problema, já agora, é militar. Inútil
fazer mais discursos, inútil escrever novos artigos. Ou os chefes militares já
compreenderam isto e vão agir ou não compreenderam e não vão agir. Se não agem,
Juscelino e Jango tomam posse. Se agem, eles não tomam posse.”
O editorial da Tribuna da Imprensa de
09 de novembro tinha como titulo “NÃO
PODEM TOMAR POSSE”, e sentenciava de forma enfática: “Esses homens não podem tomar posse, não devem tomar posse, não tomarão
posse”. Este editorial era uma reedição daquele anterior dedicado a Getúlio
Vargas quando da campanha presidencial de 1950.
Estrela-guia da
UDN, a “União Democrática Nacional”, Lacerda, mais para cometa errante, se não
foi deveria ter sido o autor do lema da agremiação: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”.
Desde que me
entendi por gente com raciocínio político, sempre tive vontade de reinterpretar
essa frase udenista, à luz da História do Brasil:
“O preço da
liberdade (da nossa UDN) é a eterna vigilância (sobre nossos inimigos)”.
Em 1964 a pregação golpista teve sucesso, com a incitação de
Carlos Corvo Lacerda.
A UDN nunca tratou os portadores de ideias diferentes das
suas como adversários, sempre como inimigos. Daí o ódio que disseminou... Até hoje.
OS HERDEIROS
Carlos Lacerda tinha muitos admiradores em São Paulo,
filhotes dos derrotados naquela até hoje incompreensível “Revolução de 1932”.
Em Minas Gerais, seus simpatizantes eram mais enrustidos, mas também não eram
poucos. Agora que JK, sacaneado e vilipendiado por Lacerda, parece que foi assassinado,
não sei como ficam na foto os mineiros que herdaram o ódio lacerdista, mesmo professando o juscelinismo.
No fundo, o ódio é
ao Povo Brasileiro.
Abram os jornais da chamada Grande Imprensa. Leiam suas manchetes.
Prestem atenção nas matérias. Ouçam as estações de rádio em seus noticiários. Assistam os noticiários dos canais de
televisão.
Fizeram isso?
Agora respondam:
Quem são os herdeiros do ódio?
Basta lembrar os discípulos ideológicos do Corvo.
São tantos...
Só falta um dedo-duro, qualquer dia 21 de abril, receber a
Medalha da Inconfidência, tantos os serviços prestados aos cultores do ódio. Será o cara na face da cara. Na
outra, da coroa, a efígie de Joaquim Silvério dos Reis.
ÓDIO VOLTOU À MODA
Minha querida mãe dizia que moda era uma coisa que ia e
voltava. Sábia senhora!
É o que a gente deduz ao ler as manchetes dos jornais da
Grande Imprensa brasileira.
Acintosamente, a herança do ódio destilado por Carlos Lacerda ressurge em alto estilo.
Um
dos herdeiros mais proeminentes, dentre vários outros, é Fernando Henrique
Cardoso, basta ler sua coluna (quinta?) dominical na versão em papel da Rede
Globo de Sonegação de Impostos e de Impressão Seletiva de Informações.
EU SOU A IMPRENSA
“Todos os dias leio os jornais para saber o
que penso.” É uma das muitas célebres frases de Fernando Henrique Cardoso,
um ex-presidente que virou mais um imortal que vai morrer sem ter que pagar o
enterro e com direito à moradia eterna no Mausoléu da Academia Brasileira de
Letras (sua letras ele pediu para esquecerem), no Cemitério São João Batista,
Rio de Janeiro, Brasil. Ele escrevia, esquecia, abria o jornal e relembrava.
É
uma frase que combina bem com o pensamento de um antecessor seu, ditador
sanguinário, denominado Emílio Garrastazu Médici, que, perguntado como achava
que ia o Brasil, dizia que ia bem, pois toda noite assistia o Jornal Nacional
da Rede Globo e só via notícia boa. Só se esqueceu de dizer que o autor da
pauta era o próprio, através de seus sicários armados ou não.
GOVERNAR O BRASIL É FÁCIL
E DIFÍCIL
Sobre governar o Brasil, FHC, o príncipe dos sociólogos, que
anos mais tarde seria promovido a príncipe da privataria, disse um dia que “Não
é nada fácil governar o Brasil. Mas também não é muito difícil.”
Como
podem veriificar, trata-se de um conceito autoexplicativo, em que o muro é o
ponto de apoio.
Vejamos o refinado e gerundivo
Fernando, na avaliação de si mesmo e seus áulicos. O seu “não é nada fácil” poderia ser dirigido aos pobres, pois estaria
estarrecido diante de tantas necessidades não resolvidas, não sabendo como
atendê-las? O seu “também não é muito
difícil” poderia ter por foco os ricos, pois sua caneta foi muito
benevolente com as classes mais abastadas?
FERNANDO
TINHA RAZÃO
Fernando tinha razão, realmente é
muito fácil governar o Brasil... para os ricos:
1,Basta usar os poderes para não
investigar os podres, trocando um Procurador por um Escondedor Geral da
República.
2,Basta não contrariar o
oligopólio da comunicação, não estar em vigência o sagrado direito de resposta,
ter uma Polícia Federal no aconchego do silêncio e da não-investigação, e um
STF dócil e tratado a pão-de-ló, dotado de um excesso de compreensão em relação
aos atropelametos constitucionais de interesse do governo e de seus apaniguados.
3,Basta não mexer nos interesses
do capital financeiro, seja lá de onde for, mantendo o dólar num nível atraente
para a especulação internacional, e uma taxa de juros suficiente para calar os
beneficiados e sufocar, mas nem tanto, os perdedores.
4,Basta transacionar com o Poder
Legislativo, distribuir benesses e tapar os olhos às falcatruas.
5,Entre pobres e ricos, em
dúvida...para os ricos!
RESUMO
DA ÓPERA
De tudo o que aconteceu e vem
acontecendo, Pau Comeu, da cova de sua insignificância, retira o que julga ser
a principal lição desses tempos tão confusos.
Na versão auriverde, a Classe
Ociosa, cuja teoria foi revelada pelo norteamericano descendente de
noruegueses, Thorstein Veblen (1857-1929), está achando que os benefícios às
classes menos favorecidas já estão passando dos limites. É hora de o Brasil
voltar à normalidade em que sempre viveu, acabar com os pequenos lampejos de
justiça social, enfim “reproclamar a escravidão”.
Para isso, votemos nos candidatos
indicados pela grande Imprensa. São inúmeras as opções, PSDB, PSB, SDD, DEM,
PPS e por aí desfilam siglas que nos levarão ao epílogo. Ou, com perdão da
palavra, ao epólogo.
Do pó viemos, ao pó
voltaremos.
POST SCRIPTUM
A sílaba oxítona PÓ deve ter
sido uma das primeiras que o autor aprendeu a soletrar.
Meu avô materno, Giuseppe Pavanelli, italiano que fugiu da fome e foi
parar em São
João Nepomuceno, Minas Gerais,
foi apelidado carinhosamente de POPÓ.

desculpe as nossas falhas...
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