quinta-feira, 27 de junho de 2013

EDIÇÃO Nº 41: MOVIMENTO CONTRA TUDO

O autor, tomando uma, antes da Polícia de Geraldo, Sérgio,
Antônio e tantos outros adentrar o bar e acabar com a festa...



dia 27 de Junho de 2013




POMBO CORREIO

Um amigo manda um e-mail perguntando o que eu estava achando dessa zorra... Devolvi perguntando a mesma coisa. Solicito a quem estiver entendendo, que envie contribuições para o Pau, através de e-mail para o autor.

Pau continua firme e forte no seu inalienável direito de confessar sua perplexidade, e dá sua cara a tapa, esperando porradas de todos os pontos cardeais.

 

COMEÇO DE CONVERSA

 

Passando em frente a uma banca de jornal em BH, no dia 21 de junho, sexta-feira, um grupo de 4 coroas, e um deles dispara: “é preciso acabar com essa ditadura de esquerda no Brasil!” Mais adiante um pouco, uma senhora também idosa, carregando uma sacola, cantarolava baixinho: “tô nem aí... tô nem aí...

Duas posições tão distintas, a poucos passos de casa, longe do alarido das manifestações. Sigo em frente, pensando como que o Pau Comeu iria abordar esse momento tão peculiar da História do Brasil...

Digo logo, para simplificar, que não participarei desses eventos. De cara, porque detesto violência e tenho muito medo dela. Não adianta eu detestar, se do meu lado tem gente que adora. Gente de tudo que é tipo. Pacíficos e violentos. Pacífico, vou sempre estar em desvantagem. E a corda sempre arrebenta do lado do mais fraco.

 

IMPRESSÕES

 

Começando pelo fim, uma parcela dos manifestantes nunca saiu da rua, os assaltantes que há muito tempo vêm roubando com mais ou menos violência, desde tempos atrás.

No meio, existem vândalos nas ruas e nos palácios. Como classificar a mutilação do Maracanã, tombado pelo Patrimônio Histórico, e, literalmente jogado ao chão, com a conivência dos Poderosos Senhores Federais, Estaduais e Municipais?

No princípio, muita gente de bem e a sensação de que, sim, o País precisa com urgência de Mudanças Estruturais.

Vou tentar alinhavar algumas impressões, enumeradas em ordem caótica, no ritmo do movimento.

  • Aparecia o MPL, Movimento Passe Livre, coisa de estudantes, achava eu. Passe Livre, perguntava para os meus botões: por que não para todos?
  • Aí fui achando tudo muito estranho, pois o que via na TV e lia nos jornais congregava frases de todos os tipos possíveis, que, num primeiro momento, intitulei de MCT. MCT é o Movimento Contra Tudo.
  • Aí vem um monte de cartazes Contra a Corrupção. Perguntei-me novamente: alguém se declara a favor? Pelo que me consta, nem Maluf.
  • A faixa dizendo “Esse protesto não é contra a seleção, é contra a corrupção” apareceu na Globo. A faixa dizendo “Queremos hospitais padrão Fifa” não apareceu na Globo.
  • Confirmei minhas estranhezas quando li matéria de um repórter repetindo o que um manifestante gritava: “Foda-se o Brasil, nacionalismo é coisa de imbecil!” Não gostei, primeiro porque sou brasileiro, segundo porque gosto do Brasil, terceiro porque sou nacionalista.
  • A faixa “Fora políticos!” é de muito fácil concordância, mas é bom lembrar que todos eles foram eleitos. Por todos nós.
  • Não vou comentar o meia-volta-volver do Arnaldo Jabor, porque meu tempo é precioso. Mas vou deplorar, sim, o Ricardo Boechat dizendo que “tem mesmo que quebrar!” Quanto ao Faustão, depois que emagreceu perdeu o ar da graça.
  • O Jornalismo mais uma vez sai diminuído por causa da cobertura que esconde o que os patrões das 4 Famiglias não deixam publicar.
  • Um clamando “Sem vandalismo!”. Outro responde, com pedras na mão: “Sem moralismo!”. Como se o pacifismo fosse moralista.
  • Pela TV, atrás das chamas de um automóvel, uma parede com a inscrição: “Queremos Saúde e Educação!” Perto dali, pais carregando filhos nos colos, entrevistados respondiam que estavam dando aula de democracia para os pimpolhos... Seria aula prática?
  • Essa profusão de temas contrastava com as passeatas de que participei durante alguns anos; contra a Ditadura Militar, nos anos 60; pelas Diretas Já, nos anos 80; pelo Fora Collor, no início dos anos 90. Se tem que haver algum resultado, pela ordem: derrota de goleada, derrota com gol de pênalti roubado, vitória com gol em impedimento. Em comum uma palavra de ordem em cada uma, facilitando o posicionamento político. Outra coisa em comum: sempre, eu estava de um lado e a Rede Globo do outro, o que muito me honra.

 
  • Pra finalizar esta primeira parte, destaque para a palavra de ordem: “O povo unido não precisa de Partido!” Realmente estranho, a Ditadura Militar também dizia mais ou menos isso, tanto que fechou os partidos existentes e permitiu dois: “Partido do Sim” e “Partido do Sim, Senhor”. Que os nossos Partidos são vagabundos e ordinários, não há dúvidas, mas, ruim com eles, pior sem eles. Só votando, para fazer faxina...


Claro que não há mudanças estruturais sem embates, mas ainda consigo separar o que eu sinto do que pensam aqueles que são apenas bandidos, ladrões e saqueadores. Não vou pintar minha cara de verde e amarelo para encobrir a estupidez de facínoras de quaisquer espécies, fardados ou mascarados, executivos e executados, legisladores e legislados, julgadores e julgados.

 


CHEIRO DE GOLPE NO AR


A partir do protesto justo contra o transporte público que não é público, seguido das manifestações justas contra os desmandos decorrentes do Efeito Copa do Mundo, a maior burrice que Lula e seus falsos amigos fizeram nos últimos anos... E aproveitando a onda coletiva que não separa o justo do oportunista, adentraram no tapete cinza do asfalto os Golpistas... Que são os de sempre: as quatro famiglias da grande imprensa, manipulando como sempre as manifestações, publicando só o que lhes interessa...

Sugestão do Pau Comeu: unificação das bandeiras desfraldadas em torno de uma só reivindicação, talvez a única que poderia atender aos reclamos das referidas quatro famiglias: FORA DILMA! Porque ABAIXO A CORRUPÇÃO, por exemplo, essas corrompidas famiglias não teriam a cara-de-pau de proclamar...

 

CARTAZES

Não aconteceu até agora Concurso de Cartaz, mas até que podia ter.

Sugestão do Pau Comeu:

 
HÁ MAIS COISA NO AR ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA...
Barão de Itararé

 


DITADO POPULAR

“Tigamente” minha mãe costumava dizer, quando diante de uma discussão que parecia interminável, um ditado popular: “Em casa que não tem pão, todo mundo reclama e ninguém tem razão.

“Tualmente” seu filho é obrigado a mudar a frase: “Em casa que tem pão ou não tem pão, todo mundo reclama ou não reclama e todo mundo tem razão ou não tem razão”.

 

ELE NÃO COMPARECEU

Procurei, de lanterna na mão, o líder juvenil, expert em baladas, conduzindo a passeata dos seus coleguinhas de faixa etária, do centro ao Mineirão. Não achei... Se foi, tava usando máscara...

 

EM TEMPO

Sempre fui contrário à realização da Copa do Mundo no Brasil. Por quê? Por que temos bandidos demais, EM TODAS AS ESFERAS... Executivos, legislativos, judiciários e o escambau!

Nunca gostei de fardas, nem quando me fantasiaram de marinheiro quando eu tinha dois anos de idade...

 

TRILHA SONORA


De paixões confundidas quem é que tira a moral?

Fiquei pensando qual seria uma trilha sonora que retratasse com mais fidelidade os acontecimentos. Claro que Hino Nacional fica de fora, pois prefiro cantá-lo em ocasiões mais propícias. Meu patriotismo não combina com o patriotismo da Globo, por exemplo.

A profusão de ideias, muitas delas desencontradas, lembrou-me uma suruba, quase todo mundo sabe o que é, tendo participado ou não de alguma. Segundo Mestre Aurélio, há vários significados, então escolha o seu preferido. Prefiro o Sexual. Mas com Arte.

Foi então que me lembrei de um xaxado, entra no you tube que tem, letra de Aldir Blanc, melodia de João Bosco, música intitulada “Foi-se o que era doce”, que dizia assim, sobre a festa na casa do Ribamar:

 
Me descaderei de tanto xaxá
No bobó de noivado da fia do Ribamar
Vi quando cheguei as moça de lá
Cuzinhando uns inhame com os óio de arrevirá
Buzanfã de flor, chulapa de mel
E a covanca soprando um sussurro descido do céu
Tinha gago, anão, gente de azar
Com a espinhela caída
Pedindo pro inhame estalá

Jabaculê, virge, espetacular
Assunto assim às veis é mió calar
Mas des´que eu provei do bobó
Eu to roxo pra comentar
Sanfona, guitarra, batuque, berreiro e veja você
O vira-desvira, o caminho da roça e o balancê
Inhame e bobó, frango asado, cus-cus e maracujá
Puçanga, cobreiro, retreta, jarguete e tamanduá
Foguete beijando as estrêla e as moça lá

Zé Pinguilim, Chico do Pincel,
Paqueraro Lazinha que era muié de Xexéu
Serafim Três Perna resolveu chiá
Pois muié não é farinha que vai pra onde ventá
Deu-se um sururú de saculejá
Tudo dando e levando
Enquanto sem se mancar
Pedro Gargarejo com a mão no manjar
Preparava um caldinho pra  noiva gargarejá

Jabaculê,...

Fui acudi um que tava no chão
Tomei uma no ouvido de adevorvê o pirão
Foi um cimitério, foi um carnaval
De paixões confundidas quem é que tira a moral?
Pra ser sem-vergonha, basta ser decente
E quem vende saúde, possivelmente é doente
Foi-se o que era doce, ninguém quer contar
Quanto macho afinou-se na festa do Ribamar.

 

2 comentários:

  1. Muito bom Pavanelli, concordo em gênero número e grau com o texto.

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  2. A perplexidade continua para mim, mesmo depois desse texto que retrata bem os eventos do nosso outono de suruba cívica. Qual a ressonância que isso vai ter onde deveria ter? Parlamentos e judiciários, principalmente, e nos grotões municipais, que estão, não raro, nas fronteiras das metrópoles, como eu tenho visto nas pesquisas e outros trabalhos de que participo.
    A violência e o banditismo - não tenho palavras para classificá-los. Estão fora e na contramão de qualquer manifestação cidadã. E os bandidos de casaca, esses são inomináveis. As 4 famiglias continuam a editar a realidade a favor do seu direitismo golpista, concordo. Nessa horizontalidade da comunicação das redes sociais, que tem um aspecto bastante positivo e democrático a meu ver, o papel da grande mídia deveria ser o de fomentar debates substantivos sobre a realidade nacional e inventar formas de discutir o que seja uma política pública de forma acessível e atraente para o público jovem. Sonho meu...
    Meu violão está "na espreita, na espera", esperando "abrir janelas, cantar feliz" esperando a "lua cheia". O desejo não envelhece. Mas arrefece...

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