O autor, nem dentro do campo, nem fora do campo,
apenas em cima de um muro chamado Internet...
pensando... Ópio do povo ? O pio do povo?

07-07-2013
POMBO CORREIO
- Do leitor Lucas Tofolo, uma
valiosa contribuição, de autoria da jornalista Eliane Brum, da qual farei
um resumo, a seguir, sincero mas
insuficiente, mas cuja íntegra poderá ser acessada no endereço:
http://revistaepoca.globo.com//Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/07/tambem-somos-o-chumbo-das-balas.html
“TAMBÉM SOMOS O CHUMBO
DAS BALAS”
Esse é o título do texto de Eliane Brum, cujo subtítulo,
ainda mais esclarecedor, é: “O Brasil não mudará em
profundidade enquanto a classe média sentir mais os feridos da Paulista do que
os mortos da Maré”.
Aconteceu na Nova Holanda, no Complexo da Maré, no Rio de
Janeiro, na segunda-feira passada (24/6).
No princípio era
assim:
“Você está na sala assistindo à TV. Ou está no
restaurante, com seus amigos. Ou está voltando
para casa depois de um dia de trabalho. Você ouve tiros, você ouve bombas, você ouve gritos. Você olha e vê a
polícia militar ocupando o seu bairro, a sua rua. É difícil enxergar, por causa das bombas de gás lacrimogêneo, o
que aumenta o seu medo. Logo,
você está sem luz, porque a polícia atirou nos transformadores. O garçom que o atendia cai morto com uma bala na
cabeça. O adolescente que você conhece desde
pequeno cai morto. Um motorista está dirigindo a sua van e cai ferido por um tiro. Agora você está aterrorizado. Os
gritos soam cada vez mais perto e você ouve a porta
da casa do seu vizinho ser arrombada por policiais, que quebram tudo, gritam com ele e com sua família. Em seguida você
vê os policiais saírem arrastando um saco preto.
E sabe que é o seu vizinho dentro dele. Por quê? Você não pergunta o porquê, do contrário será o próximo a ser
esculachado, a ter todos os seus bens, duramente conquistados com trabalho, destruídos. Se você está em
casa, não pode sair. Se você está na rua,
não pode entrar.
O que você faz? Nada. Você não faz nada porque não aconteceu com você.”
O que você faz? Nada. Você não faz nada porque não aconteceu com você.”
No meio foi assim:
“(...)Se fosse você ou eu na Maré,
reconheceríamos os rostos dos que tombam e estaríamos
lá, aterrorizados com a possibilidade de sermos os próximos a virar estatística. O garçom que caiu morto com
um tiro na cabeça é Eraldo Santos da Silva, 35
anos. Quem estava no restaurante contou que os policiais do BOPE atiraram no transformador para o local ficar às
escuras e então mudar a cena do crime, retirando as cápsulas do chão. O garoto de 16 anos que foi assassinado
se chama Jonatha Farias da Silva. A
polícia disse que ele estava com uma arma na mão, mas várias pessoas que o conhecem desde criança afirmam
ser impossível. Jonatha é descrito como um menino
tímido e muito sozinho que perdeu a mãe de tuberculose aos 11 anos e vivia com um irmão mais velho num quarto de quatro
metros quadrados. Engraxava sapatos e
vendia biscoitos nos congestionamentos da Linha Vermelha para sobreviver, enquanto sonhava com ser mecânico. O
motorista ferido quando dirigia a van alvejada por
tiros é Cláudio Duarte Rodrigues, de 41 anos. Foi levado ao hospital por moradores, mas despachado para casa com a
bala ainda alojada no glúteo. Só depois uma
ONG obteve a promessa de uma ambulância para buscá-lo. Você ainda poderia ser a empregada doméstica que ouviu
os policiais arrombarem a porta da casa do seu vizinho,
ouviu seus gritos – “Me larga! Socorro!” – e o viu ser retirado de lá, dentro
de um saco preto.”
No fim é assim:
“(...)”
A autorização para a morte dos pobres é de cada um que sente mais as balas de borracha da Paulista do que as balas de
chumbo da Maré. Sentir, o verbo que precede a
ação – ou a anula.
“Estado
que mata, nunca mais!” é o chamado de um ato ecumênico marcado para as 15h desta terça-feira (2/7), com
concentração na passarela 9 da Avenida Brasil, pelos moradores da Maré. A manifestação, anunciada como “sem violência e
pacífica”, pretende lembrar os 10
mortos de 24 e 25 de junho, inclusive o sargento do BOPE. “ Não é mais aceitável a política
militarizada da operação do estado nos territórios populares, como se esses locais fossem moradas de pessoas
sem direitos. Responsabilizamos o
governador do Estado e o secretário de Segurança Pública pelas ações policiais nas favelas. Exigimos um
pedido de desculpas pelo massacre e o compromisso
com o fim das incursões policiais nas favelas cariocas, sustentadas no uso do Caveirão e de armas de guerra”,
diz a chamada na internet.
Este
ato poderá se tornar um momento de inflexão nos protestos que atravessam o país. Saberemos então se os cidadãos das
favelas estarão sozinhos, como sempre, ou acompanhados
pelas mesmas organizações de direitos humanos de sempre – ou se o Brasil está, de fato, disposto a começar a
curar sua abissal e histórica cisão.” - Da leitora Vera Lígia Westin,
agradecimento especial, pois atendeu meu pedido de dar um gás no blog,
enviando o seguinte comentário
sobre a Edição nº 41:
“A perplexidade continua para mim, mesmo depois desse texto que retrata bem os eventos do nosso outono de suruba cívica. Qual a ressonância que isso vai ter onde deveria ter? Parlamentos e judiciários, principalmente, e nos grotões municipais, que estão, não raro, nas fronteiras das metrópoles, como eu tenho visto nas pesquisas e outros trabalhos de que participo. A violência e o banditismo - não tenho palavras para classificá-los. Estão fora e na contramão de qualquer manifestação cidadã. E os bandidos de casaca, esses são inomináveis. As 4 famiglias continuam a editar a realidade a favor do seu direitismo golpista, concordo. Nessa horizontalidade da comunicação das redes sociais, que tem um aspecto bastante positivo e democrático a meu ver, o papel da grande mídia deveria ser o de fomentar debates substantivos sobre a realidade nacional e inventar formas de discutir o que seja uma política pública de forma acessível e atraente para o público jovem. Sonho meu...
Meu violão está "na espreita, na espera", esperando "abrir janelas, cantar feliz" esperando a "lua cheia". O desejo não envelhece. Mas arrefece...”
- Gostaria de agradecer as
manifestações de três leitores, também sobre a Edição nº 41, uma das mais difíceis de serem postadas,
pois acontecimentos muito recentes são mais desafiadores às opiniões
publicadas. São eles: Matheus Fernandés, Marco Antonio Furtado, e Pablo
Henriques de Moura.
BOOMERANG DO CRISTOVAM
>>>>>>>>>>> “Se não é possível eleger
constituinte exclusiva, propus, no Senado, comissão sob a presidência de
Joaquim Barbosa para fazer a reforma política.”
Cristovam Buarque, senador (PDT-DF)
<<<<<<<<<<< O Senador Abdias Nascimento, vivo
fosse, estaria muito orgulhoso do seu sucessor. Cristovam: PSDB está de braços
abertos!
Pau Comeu, sem partido
BOOMERANG DO AGRIPINO
>>>>>>>>>>> “Entre uma comissão e outra,
encontrei nos corredores do Senado um grande amigo: o cantor Fagner.”
José Agripino, senador (DEM-RN)
<<<<<<<<<<< Esse tal de twitter é um perigo!
Explica melhor essa comissão e essa amizade...
Pau Comeu, sem partido
BOOMERANG DO GEDDEL
>>>>>>>>>>> “Começo um período de 15 dias de
férias. Não resisti à pressão das crianças. Foi manifestação dentro de casa,
faixa, cartaz e a zorra.”
Geddel Vieira Lima, vice-presidente da Caixa e
ex-ministro
<<<<<<<<<<< Desiste das férias, és “persona non
grata” na sua própria casa!
Pau Comeu, sem Caixa
DICA DE INVESTIMENTO
Diante da incrível redução da tarifa do transporte público em
Belo Horizonte, Pau Comeu propõe a criação de um Fundo do Lacerda:
DEPOSITE R$ 0,05
NO COFRINHO DO
PREFEITO!
GLOBONEPOTISMO
Conforme publicado no blog Diário do Centro do Mundo, de
Paulo Nogueira, em 05 de julho de 2013, destaco o trecho seguinte:
“Devem imaginar que nós somos idiotas, a Globo e Joaquim Barbosa. Não
há outra explicação.
Como pode a Globo dar emprego ao filho de JB? E como JB pode deixar que isso ocorra?
Neste exato momento, a Globo enfrenta uma questão multimilionária na Receita Federal. Documentos vazados – demorou para que isso ocorresse – por alguém da Receita contaram uma história escabrosa.
Os documentos revelam, usemos a palavra certa, uma trapaça.
Como pode a Globo dar emprego ao filho de JB? E como JB pode deixar que isso ocorra?
Neste exato momento, a Globo enfrenta uma questão multimilionária na Receita Federal. Documentos vazados – demorou para que isso ocorresse – por alguém da Receita contaram uma história escabrosa.
Os documentos revelam, usemos a palavra certa, uma trapaça.
Com o uso de um paraíso fiscal, a Globo fingiu que estava fazendo
uma coisa quando comprava os direitos de transmissão da Copa de 2002.
A Globo admitiu a multa que recebeu da Receita.
A Globo admitiu a multa que recebeu da Receita.
E em nota alegou ter quitado a dívida.
Mas a fonte da Receita disse que não é verdade.
Mas a fonte da Receita disse que não é verdade.
E pelo blog O Cafezinho, que trouxe o escândalo, desafiou a Globo
a mostrar o recibo.
Apenas para constar.
O dinheiro que a Globo não recolheu constrói escolas, hospitais, portos, aeroportos etc etc.
Mas, não pago, ele termina na conta dos acionistas.
Foi, além do mais, usado um paraíso fiscal, coisa que está dando prisão na Europa hoje em dia.
Isto tudo posto, vamos supor que uma questão dessas termine no STF.
Qual a isenção de JB para julgar? É uma empresa amiga: emprega o filho dele. Dá para julgar?
E a sociedade, como fica?
Gosto de citar um dos maiores jornalistas da história, Joe Pulitzer. Às equipes que chefiei, citava exaustivamente uma frase que é vital para o exercício do bom jornalismo. “Jornalista não tem amigo”, escreveu Pulitzer. O que Pulitzer dizia: se você tem amigos, você não vai tratá-los com a neutralidade devida como repórter ou editor.
A Globo está cheia de amigos, e esta é uma das razões pelas quais seu jornalismo é tão viciado – e seus donos tão ricos.
Mas as amizades de JB são ainda mais preocupantes, dado o cargo que ele ocupa.
A Justiça brasileira é um problema dramático. Recentemente, os brasileiros souberam das estreitas relações entre o ministro Fux, também do Supremo, e um dos maiores escritórios de advocacia do Rio.
Sua filha, advogada, é empregada deste escritório. Como Fux pode julgar uma causa deste escritório?
Não pode.
Há um claro conflito de interesses.
O mesmo vale para Joaquim Barbosa.
Quem acredita que ele não enxergou o conflito de interesses no emprego dado a seu filho na Globo acredita em tudo.
É um caso tão indefensável que a Globo, inicialmente, negou a informação, obtida pela jornalista Keila Jimenez, da Folha. Procurada, a Globo, diz a Folha, negou a contratação. Disse que o filho de JB fora “apenas fazer uma visita ao Projac.
Só depois admitiu.(...)”
Apenas para constar.
O dinheiro que a Globo não recolheu constrói escolas, hospitais, portos, aeroportos etc etc.
Mas, não pago, ele termina na conta dos acionistas.
Foi, além do mais, usado um paraíso fiscal, coisa que está dando prisão na Europa hoje em dia.
Isto tudo posto, vamos supor que uma questão dessas termine no STF.
Qual a isenção de JB para julgar? É uma empresa amiga: emprega o filho dele. Dá para julgar?
E a sociedade, como fica?
Gosto de citar um dos maiores jornalistas da história, Joe Pulitzer. Às equipes que chefiei, citava exaustivamente uma frase que é vital para o exercício do bom jornalismo. “Jornalista não tem amigo”, escreveu Pulitzer. O que Pulitzer dizia: se você tem amigos, você não vai tratá-los com a neutralidade devida como repórter ou editor.
A Globo está cheia de amigos, e esta é uma das razões pelas quais seu jornalismo é tão viciado – e seus donos tão ricos.
Mas as amizades de JB são ainda mais preocupantes, dado o cargo que ele ocupa.
A Justiça brasileira é um problema dramático. Recentemente, os brasileiros souberam das estreitas relações entre o ministro Fux, também do Supremo, e um dos maiores escritórios de advocacia do Rio.
Sua filha, advogada, é empregada deste escritório. Como Fux pode julgar uma causa deste escritório?
Não pode.
Há um claro conflito de interesses.
O mesmo vale para Joaquim Barbosa.
Quem acredita que ele não enxergou o conflito de interesses no emprego dado a seu filho na Globo acredita em tudo.
É um caso tão indefensável que a Globo, inicialmente, negou a informação, obtida pela jornalista Keila Jimenez, da Folha. Procurada, a Globo, diz a Folha, negou a contratação. Disse que o filho de JB fora “apenas fazer uma visita ao Projac.
Só depois admitiu.(...)”
POVO POR DENTRO, POVO POR
FORA
Karl Marx foi, ao que consta, o primeiro que disse que a
religião era o ópio do povo. Mais tarde, dizem que Charles Marques parece que
falou que o carnaval era o ópio do povo. E depois, ora veja se é possível tanta
quase-coincidência, um tal de Carlos Marcos vem com essa de que o futebol era o
ópio do povo.
Se esse tal de ópio fez tudo isso é porque deve ser
bãodimais!
Porque a religião, se bem digerida e assimilada, pode fazer
bem às pessoas, principalmente àquelas que acreditam na vida eterna e, sendo
assim, deixam para amanhã o que poderiam e deveriam fazer hoje, alguns nunca
fazem e ainda acham bom. Porque o carnaval, pô, o carnaval é tudo de
sensacional pra quem não está nem aí pra porra nenhuma e quer só saber de
farra, farra e farra! Porque o futebol é o esporte em que qualquer um, até o
maior perna-de-pau, pelo menos em sonho, já fez um gol de bicicleta.
2013, junho, dentro do campo ÓPIO DO POVO. Fora de campo, O
PIO DO POVO.
JANELA INDISCRETA: O
PATRÃO DO MERVAL É O PATRÃO DO JABOR
Pau Comeu inaugurou a secção "Janela Indiscreta" com uma crônica de João Ubaldo
Ribeiro dedicada a Fernando Henrique Cardoso, na Edição nº 32.
Agora segue uma citação disponível no endereço
contando “A história secreta da rede Globo”, livro
escrito por Daniel Herz e publicado originalmente pela editora
Tchê! em 1986. O
livro fala sobre as relações que Roberto
Marinho, dono da Rede Globo, mantinha com a ditadura
militar, além dos procedimentos ilegais que levaram à estruturação da
emissora. Este livro, que foi publicado 14 vezes por duas editoras, foi uma das
fontes de inspiração para o documentário britânico
Muito Além do Cidadão Kane.
Com a palavra, Roberto Marinho:
“(...) - Você me desobedeceu. Eu disse que
não era para projetar e você passou
o dia inteiro projetando, dizendo que o Brizola vai ganhar. Você me desobedeceu.(...)”
Com a palavra, o desobediente:
“(...) E o que Roberto
Marinho reclamava era o descumprimento de um plano
maquiavélico: a divulgação de informações intencionalmente distorcidas sobre o processo de apuração
das eleições.(...)”
“(...) O papel da Rede
Globo de Televisão no Caso Proconsult, nas eleições de 1982,era apenas o de preparar a opinião pública para o que
iria acontecer: o roubo, por Moreira
Franco, dos votos de Leonel Brizola”. Aliás, dos
votos do povo.”
ENTRADINHA NO BANCO
Pode
ser ficção... ou não!
Um
cliente entra numa agência bancária, tecla pedido de extrato. O papelzinho
escorrega pela fenda da máquina e mostra as seguintes cobranças: R$ 5,00 pelo
extrato, R$ 7,90 pela manutenção da conta e R$22,00 pela taxa de manutenção de
um tal de limite especial.
Antes de ser fulminado
por um infarto, berra:
“ISTO É UM ASSALTO!”
Rapidamente, guardas armados cercam o assaltado, pensando ser um assaltante,
mas nada podem fazer, nem mesmo precisam atirar...
Essa ideia surgiu de outra contribuição do amigo e leitor
Lucas Tofolo, através do seguinte e-mail:
“Esta carta foi enviada ao Banco Itaú, porém devido
à criatividade com que foi redigida, deveria ser direcionada a todas as
instituições financeiras. Temos que prestar reverência ao brasileiro (a) que,
apesar de ser altamente explorado (a), ainda consegue manter o bom humor.
Quem sabe não enviamos esta carta aos jovens das
manifestações brasileiras?...”
“Senhores Diretores do Banco Itaú,
Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria assim: todo mês os senhores, e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc.).. Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao pagante.
Existente apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade.
Por qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima. Que tal?
Pois, ontem saí de seu Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade.
Minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho. O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço..
Além disso, me impõe taxas. Uma 'taxa de acesso ao pãozinho', outra 'taxa por guardar pão quentinho' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco.
Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto de seu negócio. Os senhores me cobraram preços de mercado. Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.
Entretanto, diferentemente do padeiro, os senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de crédito' - equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pãozinho', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.
Não satisfeitos, para ter acesso ao pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu Banco.
Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de conta'.
Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura da padaria', pois, só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria.
Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como papagaios'. para liberar o 'papagaio', alguns Gerentes inescrupulosos cobravam um 'por fora', que era devidamente embolsado.
Fiquei com a impressão que o Banco resolveu se antecipar aos gerentes inescrupulosos.
Agora ao invés de um 'por fora' temos muitos 'por dentro'.
- Tirei um extrato de minha conta - um único extrato no mês - os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5,00.
- Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 'para a manutenção da conta' semelhante àquela 'taxa pela existência da padaria na esquina da rua'.
- A surpresa não acabou: descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo.
- Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quentinho'.
- Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu Banco.
Por favor, me esclareçam uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc e tal. E, ademais, tudo o que estão cobrando está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central.
Sei disso. Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio de todo e qualquer risco.
Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados..
Sei que são legais. Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, voces concordam o quanto são abusivas.!?!”
***
Pau Comeu, diante das cifras astronômicas
cobradas pelo sistema financeiro em nosso país, não tem outra saída senão
repetir o teatrólogo alemão Bertolt Brecht, dizem que autor da famosa pergunta:
“qual
crime é maior, roubar um banco
ou
fundar um banco?”
Nenhum comentário:
Postar um comentário