sexta-feira, 7 de junho de 2013

EDIÇÃO Nº 39: CADA BOTECO COM SUA FAUNA



O autor, fã de Nelson Gonçalves, na mesa da zona,
ouvindo Amado Batista, o torturado que virou
torturador...


07-06-2013

 
ESPORTES

1) Agora é saudosismo mesmo. Já pensaram num poderio ofensivo formado por Manuel Santos, Valdir Pereira, Edvaldo Neto, Edson Nascimento, José Macia, Arthur Coimbra e Eduardo Gonçalves?

Com a “morte” do Maracanã e do Mineirão, com a globalização das Arenas, todas iguais e frias, shoppings centers onde também se joga futebol, com o fim do “churrasquinho de gato” no Rio e do “tropeirão” em BH, além do acarajé proibido pela Fifa em Salvador, foi-se também o tempo em que jogador de futebol tinha apelido: Garrincha, Didi, Vavá, Pelé, Pepe, Zico e Tostão.

Diante de tanto jogadorzinho com nome e sobrenome de candidatos a vereadores, só nos resta desejar boa sorte e sucesso para o Caramelo, que o São Paulo do Juvenal Juvêncio não queria que fosse assim chamado.

Por falar nisso, opinião de Thiago Silva, nome de vereador querendo ser deputado estadual: “Quem jogou no Maracanã, jogou. Agora, parece outro estádio, uma arena europeia. Ficamos satisfeitos com essa evolução no Brasil.” Só resta dizer: então tá!

2)Pau Comeu ficou sabendo que o Maracanã do Século XXI teve até animador de torcida, aquele idiota que fica gritando imbecilidades em jogos de vôlei de praia... Dizem até que a plateia branqueou, raros os negros lá presentes, a maioria nas atividades de limpeza.  O Brasil já viu esse filme antes. Um espectador foi ao Maracanã do Século XXI de trem, aquele da Central, e estava vazio na ida e na volta.

Conclusão: faltou povão!

Pau Comeu mete o nariz onde faz questão de não ser chamado, não admite que tratem o Ex-Maior do Mundo com essa falsa intimidade (Maraca) e propõe que se rebatize o nome do ex-Estádio para...

Arena Maraca...não!”


3) Pau Comeu, atento às manifestações culturais mais inteligentes também sobre o futebol, tem a satisfação de publicar o poema de Manuela Trindade Oiticica, que combina bem com o espírito da coisa:

 The New-Maraca

O Novo-Maracanã é bonito? O antigo também era.

O Novo-Maracanã é bonito? Igual a várias outras arenas.

O Novo-Maracanã é bonito? Deixa eu te mostrar o que faço com mais de um bilhão.

O Novo-Maracanã é bonito? Miami também.

O Novo-Maracanã é bonito? Ficou supernatural de botox e cabelo esticado.

O Novo-Maracanã é bonito? E tem cara de babaca.”

 

4)Sobre a noite do Pânico no alçapão do Independência, a melhor crônica sobre o fantasmagórico jogo foi escrita no site http://impedimento.org/a-meia-noite-no-horto/#comment-220610, conforme sugestão enviada  pelo leitor e jornalista Lucas Pavanelli.

 

CUIDADO COM A MANCHETE DO JORNAL


Deu no jornal que o vice-presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, disse que “O Brasil não é mais um país emergente”.

O Povo ficou com medo de eles afogarem a gente.

Perguntou se era verdade e Pau Comeu respondeu:

- De novo?
 

MONTANDO O MINISTÉRIO TUCANO

Depois de Demóstenes Torres para o Ministério da Hipocrisia, Roberto Gurgel para o Ministério da Prevaricação.



DIA DO TORTURADO

Abrindo alas para Mauro Santayana, no JB de 31/05/2013:

A celebração católica do Corpo de Cristo não faz lembrar apenas a Última Ceia e o rito de fé da Eucaristia. Recorda, à margem da liturgia, os açoites, o corpo agonizante de Cristo preso à cruz e os insultos dos soldados romanos, ao feri-lo com a lança, avinagrar os lábios sedentos e a disputar, nos dados, a túnica do morto. A prisão, o açoitamento, a coroação de espinhos, a escalada do Calvário, são atos continuados de tortura, infligida a um prisioneiro político do Império Romano e, além disso, acusado de heresia diante da religião vigente na Palestina. Não faria mal à Igreja se viesse a considerar esse dia de ofício religioso, também, como o Dia do Torturado.”

ooo

Nelson Gonçalves sempre foi o cantor preferido desse blogueiro nas discotecas da região do baixo meretrício, lugar geométrico da iniciação sexual dos rapazes da primeira metade do século passado. Outro cantor popular da área, que não chega aos pés do acima referido, declarou que no passado foi torturado pela Ditadura Militar.

Bebendo em Urariano Mota, no seu blog “Direto da Redação”, de Recife, sobre as declarações do cantor Amado Batista no programa “De frente com Gabi”, do SBT: “As notícias registram que assim falou o astro da canção brega:

“Eu acho que mereci a tortura. Fiz coisas erradas, os torturadores me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho. Acho que eu estava errado por estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força. Fui torturado, mas mereci”.

ooo

Segundo o blogueiro, “Amado Batista fala como um escravo que saiu da senzala e se vestiu de senhor. Ele fala como um escravo agraciado que acha justo o pelourinho porque alguma coisa de ruim o homem – ou parecido com homem – que sofre a tortura fez. Castigo merecido, ele declara. E nesse particular, Amado Batista é o retrato de um Brasil oprimido que sobrevive.”

ooo

Prosseguindo com Urariano: “E agora comparem, enfim, a justeza e boa ética da tortura, que pune os criminosos na frase de Amado Batista, com as palavras de Dulce Pandolfi:

 “Dois meses depois da minha prisão e já dividindo a cela com outras presas, servi de cobaia para uma aula de tortura. O professor, diante de seus alunos, fazia demonstrações com o meu corpo. Era uma espécie de aula prática com algumas dicas teóricas”.

E nas de Lúcia Murat:

“A tortura era prática da ditadura, e nós sabíamos disso pelo relato dos companheiros que tinham sido presos antes. Mas nenhuma descrição seria comparável ao que eu vim a enfrentar. Não porque tenha sido mais torturada do que os outros, mas porque o horror é indescritível”.

E Urariano finaliza: “Tamanha era a dor e destruição que Lúcia tentou se matar duas vezes.”

 


DIA DO TORTURADOR


Diante de tão comovedora demonstração de “seiláoquê”, Pau Comeu dá uma sugestão ao compositor e cantor Amado Batista, para premiar seus corregedores torturadores: que os homenageie cantando apenas três de suas quase quatrocentas músicas, durante vinte e quatro horas por dia, durante o número de dias em que foi torturado pelos seus professores de comportamento.

Começando pela “Alucinação”:

Tentei me proibir de pensar em você mais como desistir do que eu mais quero ter. Não deu certo uma vez e nunca mais vai dar, depois do que me fez não era pra eu te amar. Ahh, meu amor...que raiva que me dá! Madrugada solidão parece estar vindo alguém virou alucinação olho e não vejo ninguem, quanto mais eu tento te odiar mais te quero bem... Dizem que amar é sofrer isso nunca vai mudar, quero algo pra beber pra acabar de arrebentar axo que nasci pra te querer e me machucar... e me machucar...”

Continuando com “Amor a Soco e Pontapé”:

 Às vezes, pergunto a mim mesmo Por que sou assim Tenho sempre que amar alguém Que não gosta de mim Penso até que o mundo Deus fez pra todos Mas não fez pra mim Se vou viver desta maneira  Minha vida inteira Melhor não existir E vou levando a minha vida  Até quando Deus quiser Dizendo às vezes que o amor Foi feito de qualquer jeito A soco e pontapé Eu gostaria de fazer Uma canção para aquela Que eu amo mais que A minha vida e cantar pra ela Mas sei que ela não me ama E maltrata o meu coração Me forçando dizer certas coisas Sem pensar ao menos se é certo ou não E vou levando a minha vida Eu gostaria de ficar Com ela um só instante Queria convencê-la  Ao menos ser minha amante Mas isso é impossível Sem outro jeito eu tenho que aceitar, Só não aceito essa dor no peito  Essa vontade louca de querer amar

E finalizando com “O Julgamento”:

 Silêncio que o réu tem algo a dizer em sua defesa... Sempre quando eu voltava para o lar Ela ia me esperar toda a tarde no portão. E no abraço me beijando com ternura Me apertava com loucura provocando a emoção O nosso quarto se enchia de amor E nos abraços o calor do seu corpo me acendia E de repente sem censura ou preconceito Ela me dava o direito de lhe amar como eu queria Momentos que eu vivi...noites que eu não esqueci  Mas um dia ao voltar pra casa cedo Ao entrar eu tive medo, algo não estava bem Em nossa cama aquela quem eu mais amava Totalmente se entregava nos braços de outro alguém Desesperado pelo golpe que sofri nem sequer eu percebi que atirava sem parar Ao ver os corpos abraçados e sem vida  vi nascer uma ferida no meu peito a machucar Naquela hora como eu sofri... De certa forma eu também morri  Senhor juiz eu peço a sua atenção Para a minha explicação Minha única defesa Naquela hora eu estava inconsciente, mas agora no presente Não suporto essa tristeza
Como agiria cada um que me condena se assistisse a mesma cena Estando ali em meu lugar Por isso eu peço ouvir o grito da razão Ninguém sofre uma traição e se cala pra pensar

ooo

E aí? O que acharam?

Será que eles agüentam?

Pau Comeu aposta que confessam...

Confessam até que torturaram.

 

SONDAGEM POLÍTICA

Sem maiores comentários.

Pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, comparando os governos de FHC com os governos de Lula e Dilma, apresentou os seguintes percentuais do que os entrevistados acharam sobre quem atuou melhor em alguns temas:

Geração de Empregos: FHC = 7%; Lula-Dilma = 75%;

Habitação: FHC = 3%; Lula-Dilma = 75%;

Erradicação da Pobreza: FHC = 4%; Lula-Dilma = 73%;

Educação: FHC = 5%; Lula-Dilma = 63%;

Política Econômica: FHC = 8%; Lula-Dilma = 71%;

Combate à Corrupção: FHC = 8%; Lula-Dilma = 48%;

Ação contra Inflação: FHC = 10%; Lula-Dilma = 65%.

 

ABRINDO O BAÚ

Do livro esgotado “O Corredor da Morte: Jesus está chamando!”, adaptando a crônica intitulada...  A Fauna do Boteco”.


Apito inicial

Conforme diz o irmão do Sérgio e tio do Chico, fauna é o conjunto dos animais próprios de uma região ou de um período geológico. Tal definição se encaixa como uma luva quando adaptada ao boteco, principalmente no que se refere à segunda parte, quando se verifica que a idade média dos freqüentadores (com trema e alguns até um pouco trêmulos com chapéu e tudo) não se conta em anos, mas em eras: era isso, era aquilo.

Aposentados, bicólogos dos mais variados matizes, pequenos empresários de diversos setores, uns poucos ainda empregados portadores de carteiras assinadas, o denominador comum é que todos, sem exceção, são seres que caminham, inexoravelmente, para o desfecho, lugar reconhecido por uma tabuleta hipotética pregada em uma porta imaginária que diz: JESUS ESTÁ CHAMANDO!

No reino animal, a fauna costuma ser dividida em espécies aquáticas, terrestres e aéreas. Os primeiros costumam nadar, os segundos têm a mania de caminhar ou correr e os últimos, os imprudentes de morais, voam. Todos são enquadrados no campo dos irracionais, o que pode ser um equívoco, pois tem muito bicho inteligente por aí...

No campo esportivo a fauna reúne galos, raposas, coelho, bacalhau, urubu. Na ordem, os plurais e singulares resumem o censo demográfico realizado pelo DATABAR, instituição de renomada credibilidade, definindo a distribuição de simpatias e ódios que governam as preferências esportivas dos “halterocopistas” militantes. Anos depois, o DATABAR daria como filhote o DATAPAU, fundado pelo mesmo freqüentador com trema, mas ainda sem tremores.

Na fauna do boteco, a racionalidade nem sempre se faz presente. Palpites furados, chutes da pequena área que vão bater na bandeirinha de escanteio, furadas homéricas debaixo dos paus, são eventos comuns nos papos, pois os atletas fingem que acreditam que seus pares não têm memória. Assim, todos se sentem à vontade para pespegarem suas respectivas barbaridades, sem denúncia, pois amanhã o dedo-duro poderá levar também um cartão amarelo, advertência, vermelho, vê se não volta, ou se continuar bebendo além da conta, cartão roxo, mais conhecido como “Jesus chamou!”

 
No psicológico

Por não reunir cães, gatos, ratos e sim outros animais domésticos, semelhantes a seres humanos, aí complica porque entra no gramado a questão psicológica. E onde essa entra, o resto dança. Qualquer ritmo.

Nesse campo vale tudo: otimistas incorrigíveis, covardes nunca declarados, gente que diz que come todo mundo, gente que já não come mais ninguém. Gente que acha que o boteco é seu teatro e que o resto do mundo tem que ouvir seus discursos proferidos em mais de quinhentos decibéis.

Gente que conta vantagem, dizendo que já foi isso e aquilo outro. Gente que diz que Fulano é veado, gente que diz viado em vez de veado e, opinião unânime, ninguém dá notícia de quem, com e ou i , se arrependeu da opção. Gente que diz que bate na mulher, gente que diz que nunca apanha e, opinião unânime, a mulher é que manda em casa. Tem também o galo-de-briga, que confunde o boteco com sua própria casa e, após acumular suas frustrações, dispara sopapos em quem não tem nada com isso, e tem o gambá, cheirando a álcool, bebido em outras plagas, e que já chega proferindo palavrões completamente fora dos limites. Felizmente, são raras exceções. E um etc-e-tal que não tem fim, essa tal de fauna.

 
Universo em miniatura

É o que parece ser o boteco: sóis, planetas, satélites, cometas. E, de vez em quando, objetos não identificados que, se não raros, não comparecem periodicamente. Além dos vizinhos de outras lojas, com seus uniformes, geralmente simpáticos, ganha destaque a turma que recarrega os venenos, identificados pela barulheira que aprontam ao trocarem engradados cheios pelas garrafas que já cumpriram sua missão de fazerem as cabeças dos atletas.

Outros astros não usam uniformes, são cometas que, caminhando pela avenida, simpatizam com o boteco e fazem pausa para um salgadinho e um refrigerante, e nunca mais voltam.

Os sóis, bem, são sóis ou se acham sóis, mas sabemos que, na Via Láctea, o sol é uma estrela de quinta grandeza, não passa disso. Planetas e satélites cumprem suas missões de girarem, beberem, girarem, beberem, de vez em quando perdem o rumo na volta para casa e, no dia seguinte, por incrível, voltam.

 

Fim de jogo


São numerosos os que criticam qualquer governo desferindo palavrões e impropérios contra quaisquer medidas, alguns revelando um jeito de raposa namorando uvas verdes, pois, com um grama de poder nas mãos, há pessoas que se revelam. Esquecem que, lançadas ao ar, tais formas de críticas costumam se comportar como bumerangues, voam e voltam, algumas diretamente contra a boca de quem as proferiu.

A política não é assumida, a não ser por raros bebedólogos, com espectro diversificado, indo da direita mais radical, com laivos hidrófobos, passando pelo centro, um muro apinhado de gente, e uma esquerda perseverante, minoritária e não muito radical.

O boteco não tem nada de excepcional, é apenas um lugar em que se descansa viajando, uma espécie de táxi que não sai do lugar. O passageiro paga o tempo, em cervejas, uísques e cachaças, para descansar de suas vidas reais.

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