O autor, fã de Nelson Gonçalves, na mesa da zona,
ouvindo Amado Batista, o torturado que virou
torturador...

07-06-2013
ESPORTES
1) Agora é saudosismo mesmo. Já
pensaram num poderio ofensivo formado por Manuel Santos, Valdir Pereira,
Edvaldo Neto, Edson Nascimento, José Macia, Arthur Coimbra e Eduardo Gonçalves?
Com a “morte” do Maracanã e do Mineirão, com a globalização
das Arenas, todas iguais e frias, shoppings
centers onde também se joga futebol, com o fim do “churrasquinho de gato”
no Rio e do “tropeirão” em BH, além do acarajé proibido pela Fifa em Salvador,
foi-se também o tempo em que jogador de futebol tinha apelido: Garrincha, Didi,
Vavá, Pelé, Pepe, Zico e Tostão.
Diante de tanto jogadorzinho com nome e sobrenome de
candidatos a vereadores, só nos resta desejar boa sorte e sucesso para o
Caramelo, que o São Paulo do Juvenal Juvêncio não queria que fosse assim
chamado.
Por falar nisso, opinião de Thiago Silva, nome de vereador
querendo ser deputado estadual: “Quem jogou no Maracanã, jogou. Agora, parece
outro estádio, uma arena europeia. Ficamos satisfeitos com essa evolução no
Brasil.” Só resta dizer: então tá!
2)Pau Comeu ficou sabendo que o Maracanã
do Século XXI teve até animador de torcida, aquele idiota que fica gritando
imbecilidades em jogos de vôlei de praia... Dizem até que a plateia branqueou,
raros os negros lá presentes, a maioria nas atividades de limpeza. O Brasil já viu esse filme antes. Um
espectador foi ao Maracanã do Século XXI de trem, aquele da Central, e estava
vazio na ida e na volta.
Conclusão: faltou
povão!
Pau Comeu mete o nariz onde faz questão de não ser chamado,
não admite que tratem o Ex-Maior do Mundo com essa falsa intimidade (Maraca) e
propõe que se rebatize o nome do ex-Estádio para...
“Arena
Maraca...não!”
3) Pau Comeu, atento às manifestações
culturais mais inteligentes também sobre o futebol, tem a satisfação de
publicar o poema de Manuela Trindade Oiticica, que combina bem com o espírito
da coisa:
“The New-Maraca
O Novo-Maracanã é bonito? O antigo também era.
O Novo-Maracanã é bonito? Igual a várias outras arenas.
O Novo-Maracanã é bonito? Deixa eu te mostrar o que faço com
mais de um bilhão.
O Novo-Maracanã é bonito? Miami também.
O Novo-Maracanã é bonito? Ficou supernatural de botox e
cabelo esticado.
O Novo-Maracanã é bonito? E tem cara de babaca.”
4)Sobre a noite do Pânico no alçapão
do Independência, a melhor crônica sobre o fantasmagórico jogo foi escrita no
site http://impedimento.org/a-meia-noite-no-horto/#comment-220610,
conforme sugestão enviada pelo leitor e
jornalista Lucas Pavanelli.
CUIDADO COM A MANCHETE DO
JORNAL
Deu no jornal que o
vice-presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, disse que “O Brasil não é mais um país
emergente”.
O Povo ficou com medo
de eles afogarem a gente.
Perguntou se era
verdade e Pau Comeu respondeu:
- De novo?
MONTANDO O MINISTÉRIO TUCANO
Depois de Demóstenes Torres para o Ministério da Hipocrisia,
Roberto Gurgel para o Ministério da Prevaricação.
DIA DO TORTURADO
Abrindo alas para Mauro Santayana, no JB de 31/05/2013:
“A celebração católica
do Corpo de Cristo não faz lembrar apenas a Última Ceia e o rito de fé da
Eucaristia. Recorda, à margem da liturgia, os açoites, o corpo agonizante de
Cristo preso à cruz e os insultos dos soldados romanos, ao feri-lo com a lança,
avinagrar os lábios sedentos e a disputar, nos dados, a túnica do morto. A
prisão, o açoitamento, a coroação de espinhos, a escalada do Calvário, são atos
continuados de tortura, infligida a um prisioneiro político do Império Romano
e, além disso, acusado de heresia diante da religião vigente na Palestina. Não
faria mal à Igreja se viesse a considerar esse dia de ofício religioso, também,
como o Dia do Torturado.”
ooo
Nelson Gonçalves sempre foi o cantor preferido desse
blogueiro nas discotecas da região do baixo meretrício, lugar geométrico da
iniciação sexual dos rapazes da primeira metade do século passado. Outro cantor popular da área,
que não chega aos pés do acima referido, declarou que no passado foi torturado
pela Ditadura Militar.
Bebendo em Urariano Mota, no seu blog “Direto da Redação”, de Recife, sobre
as declarações do cantor Amado Batista no programa “De frente com Gabi”, do
SBT: “As notícias registram que assim
falou o astro da canção brega:
“Eu acho que mereci a
tortura. Fiz coisas erradas, os torturadores me corrigiram, assim como uma mãe
que corrige um filho. Acho que eu estava errado por estar contra o governo e
ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força. Fui torturado, mas
mereci”.
ooo
Segundo o blogueiro, “Amado
Batista fala como um escravo que saiu da senzala e se vestiu de senhor. Ele
fala como um escravo agraciado que acha justo o pelourinho porque alguma coisa
de ruim o homem – ou parecido com homem – que sofre a tortura fez. Castigo
merecido, ele declara. E nesse particular, Amado Batista é o retrato de um Brasil
oprimido que sobrevive.”
ooo
Prosseguindo com Urariano: “E agora comparem, enfim, a justeza e boa ética da tortura, que pune os
criminosos na frase de Amado Batista, com as palavras de Dulce Pandolfi:
“Dois meses depois da minha prisão e já
dividindo a cela com outras presas, servi de cobaia para uma aula de tortura. O
professor, diante de seus alunos, fazia demonstrações com o meu corpo. Era uma
espécie de aula prática com algumas dicas teóricas”.
E nas de Lúcia Murat:
“A tortura era prática
da ditadura, e nós sabíamos disso pelo relato dos companheiros que tinham sido
presos antes. Mas nenhuma descrição seria comparável ao que eu vim a enfrentar.
Não porque tenha sido mais torturada do que os outros, mas porque o horror é
indescritível”.
E Urariano finaliza: “Tamanha
era a dor e destruição que Lúcia tentou se matar duas vezes.”
DIA DO TORTURADOR
Diante de tão comovedora demonstração de “seiláoquê”, Pau
Comeu dá uma sugestão ao compositor e cantor Amado Batista, para premiar seus
corregedores torturadores: que os homenageie cantando apenas três de suas quase
quatrocentas músicas, durante vinte e quatro horas por dia, durante o número de
dias em que foi torturado pelos seus professores de comportamento.
Começando pela “Alucinação”:
“Tentei me proibir de
pensar em você mais como desistir do que eu mais quero ter. Não deu certo uma
vez e nunca mais vai dar, depois do que me fez não era pra eu te amar. Ahh, meu
amor...que raiva que me dá! Madrugada solidão parece estar vindo alguém virou
alucinação olho e não vejo ninguem, quanto mais eu tento te odiar mais te quero
bem... Dizem que amar é sofrer isso nunca vai mudar, quero algo pra beber pra
acabar de arrebentar axo que nasci pra te querer e me machucar... e me
machucar...”
Continuando com “Amor
a Soco e Pontapé”:
“Às vezes, pergunto a mim mesmo Por que sou assim Tenho sempre que amar
alguém Que não gosta de mim Penso até que o mundo Deus fez pra todos Mas não
fez pra mim Se vou viver desta maneira
Minha vida inteira Melhor não existir E vou levando a minha vida Até quando Deus quiser Dizendo às vezes que o
amor Foi feito de qualquer jeito A soco e pontapé Eu gostaria de fazer Uma
canção para aquela Que eu amo mais que A minha vida e cantar pra ela Mas sei
que ela não me ama E maltrata o meu coração Me forçando dizer certas coisas Sem
pensar ao menos se é certo ou não E vou levando a minha vida Eu gostaria de
ficar Com ela um só instante Queria convencê-la Ao menos ser minha amante Mas isso é
impossível Sem outro jeito eu tenho que aceitar, Só não aceito essa dor no
peito Essa vontade louca de querer amar”
E finalizando com “O
Julgamento”:
“Silêncio que o réu tem algo a dizer em sua defesa... Sempre quando eu
voltava para o lar Ela ia me esperar toda a tarde no portão. E no abraço me
beijando com ternura Me apertava com loucura provocando a emoção O nosso quarto
se enchia de amor E nos abraços o calor do seu corpo me acendia E de repente
sem censura ou preconceito Ela me dava o direito de lhe amar como eu queria Momentos
que eu vivi...noites que eu não esqueci Mas
um dia ao voltar pra casa cedo Ao entrar eu tive medo, algo não estava bem Em
nossa cama aquela quem eu mais amava Totalmente se entregava nos braços de
outro alguém Desesperado pelo golpe que sofri nem sequer eu percebi que atirava
sem parar Ao ver os corpos abraçados e sem vida
vi nascer uma ferida no meu peito a machucar Naquela hora como eu
sofri... De certa forma eu também morri Senhor
juiz eu peço a sua atenção Para a minha explicação Minha única defesa Naquela
hora eu estava inconsciente, mas agora no presente Não suporto essa tristeza
Como agiria cada um que me condena se assistisse a mesma cena Estando ali em meu lugar Por isso eu peço ouvir o grito da razão Ninguém sofre uma traição e se cala pra pensar”
Como agiria cada um que me condena se assistisse a mesma cena Estando ali em meu lugar Por isso eu peço ouvir o grito da razão Ninguém sofre uma traição e se cala pra pensar”
ooo
E aí? O que acharam?
Será que eles agüentam?
Pau Comeu aposta que confessam...
Confessam até que torturaram.
SONDAGEM POLÍTICA
Sem maiores comentários.
Pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, comparando os
governos de FHC com os governos de Lula e Dilma, apresentou os seguintes
percentuais do que os entrevistados acharam sobre quem atuou melhor em alguns temas:
Geração de
Empregos: FHC = 7%; Lula-Dilma = 75%;
Habitação:
FHC = 3%; Lula-Dilma = 75%;
Erradicação da Pobreza: FHC = 4%; Lula-Dilma = 73%;
Erradicação da Pobreza: FHC = 4%; Lula-Dilma = 73%;
Educação:
FHC = 5%; Lula-Dilma = 63%;
Política
Econômica: FHC = 8%; Lula-Dilma = 71%;
Combate à
Corrupção: FHC = 8%; Lula-Dilma = 48%;
Ação contra
Inflação: FHC = 10%; Lula-Dilma = 65%.
ABRINDO O BAÚ
Do livro esgotado “O Corredor da Morte: Jesus está
chamando!”, adaptando a crônica intitulada...
“A Fauna do Boteco”.
Apito inicial
Conforme diz o irmão do Sérgio e tio do Chico, fauna é o
conjunto dos animais próprios de uma região ou de um período geológico. Tal
definição se encaixa como uma luva quando adaptada ao boteco, principalmente no
que se refere à segunda parte, quando se verifica que a idade média dos
freqüentadores (com trema e alguns até um pouco trêmulos com chapéu e tudo) não
se conta em anos, mas em eras: era isso, era aquilo.
Aposentados, bicólogos dos mais variados matizes, pequenos
empresários de diversos setores, uns poucos ainda empregados portadores de
carteiras assinadas, o denominador comum é que todos, sem exceção, são seres
que caminham, inexoravelmente, para o desfecho, lugar reconhecido por uma tabuleta
hipotética pregada em uma porta imaginária que diz: JESUS ESTÁ CHAMANDO!
No reino animal, a fauna costuma ser dividida em espécies
aquáticas, terrestres e aéreas. Os primeiros costumam nadar, os segundos têm a
mania de caminhar ou correr e os últimos, os imprudentes de morais, voam. Todos
são enquadrados no campo dos irracionais, o que pode ser um equívoco, pois tem
muito bicho inteligente por aí...
No campo esportivo a fauna reúne galos, raposas, coelho,
bacalhau, urubu. Na ordem, os plurais e singulares resumem o censo demográfico
realizado pelo DATABAR, instituição de renomada credibilidade, definindo a
distribuição de simpatias e ódios que governam as preferências esportivas dos
“halterocopistas” militantes. Anos depois, o DATABAR daria como filhote o DATAPAU,
fundado pelo mesmo freqüentador com trema, mas ainda sem tremores.
Na fauna do boteco, a racionalidade nem sempre se faz
presente. Palpites furados, chutes da pequena área que vão bater na bandeirinha
de escanteio, furadas homéricas debaixo dos paus, são eventos comuns nos papos,
pois os atletas fingem que acreditam que seus pares não têm memória. Assim,
todos se sentem à vontade para pespegarem suas respectivas barbaridades, sem
denúncia, pois amanhã o dedo-duro poderá levar também um cartão amarelo,
advertência, vermelho, vê se não volta, ou se continuar bebendo além da conta,
cartão roxo, mais conhecido como “Jesus chamou!”
No psicológico
Por não reunir cães, gatos, ratos e sim outros animais
domésticos, semelhantes a seres humanos, aí complica porque entra no gramado a
questão psicológica. E onde essa entra, o resto dança. Qualquer ritmo.
Nesse campo vale tudo: otimistas incorrigíveis, covardes
nunca declarados, gente que diz que come todo mundo, gente que já não come mais
ninguém. Gente que acha que o boteco é seu teatro e que o resto do mundo tem
que ouvir seus discursos proferidos em mais de quinhentos decibéis.
Gente que conta vantagem, dizendo que já foi isso e aquilo
outro. Gente que diz que Fulano é veado, gente que diz viado em vez de veado e,
opinião unânime, ninguém dá notícia de quem, com e ou i , se arrependeu da
opção. Gente que diz que bate na mulher, gente que diz que nunca apanha e,
opinião unânime, a mulher é que manda em casa. Tem também o galo-de-briga, que
confunde o boteco com sua própria casa e, após acumular suas frustrações,
dispara sopapos em quem não tem nada com isso, e tem o gambá, cheirando a
álcool, bebido em outras plagas, e que já chega proferindo palavrões
completamente fora dos limites. Felizmente, são raras exceções. E um etc-e-tal
que não tem fim, essa tal de fauna.
Universo em miniatura
É o que parece ser o boteco: sóis, planetas, satélites,
cometas. E, de vez em quando, objetos não identificados que, se não raros, não
comparecem periodicamente. Além dos vizinhos de outras lojas, com seus
uniformes, geralmente simpáticos, ganha destaque a turma que recarrega os
venenos, identificados pela barulheira que aprontam ao trocarem engradados
cheios pelas garrafas que já cumpriram sua missão de fazerem as cabeças dos
atletas.
Outros astros não usam uniformes, são cometas que, caminhando
pela avenida, simpatizam com o boteco e fazem pausa para um salgadinho e um
refrigerante, e nunca mais voltam.
Os sóis, bem, são sóis ou se acham sóis, mas sabemos que, na
Via Láctea, o sol é uma estrela de quinta grandeza, não passa disso. Planetas e
satélites cumprem suas missões de girarem, beberem, girarem, beberem, de vez em
quando perdem o rumo na volta para casa e, no dia seguinte, por incrível,
voltam.
Fim de jogo
São numerosos os que criticam qualquer governo desferindo
palavrões e impropérios contra quaisquer medidas, alguns revelando um jeito de
raposa namorando uvas verdes, pois, com um grama de poder nas mãos, há pessoas
que se revelam. Esquecem que, lançadas ao ar, tais formas de críticas costumam
se comportar como bumerangues, voam e voltam, algumas diretamente contra a boca
de quem as proferiu.
A política não é assumida, a não ser por raros bebedólogos,
com espectro diversificado, indo da direita mais radical, com laivos
hidrófobos, passando pelo centro, um muro apinhado de gente, e uma esquerda
perseverante, minoritária e não muito radical.
O boteco não tem nada de excepcional, é apenas um lugar em
que se descansa viajando, uma espécie de táxi que não sai do lugar. O
passageiro paga o tempo, em cervejas, uísques e cachaças, para descansar de
suas vidas reais.
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