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O Autor insiste na trilha de evitar ao máximo os aborrecimentos da
política, principalmente os de origem cínica vinculados ao nazitucanismo...
Mergulhando
no passado recente, pede licença ao Mister Ego para recuperar o início de um
livro sobre sua experiência musical, com uma dedicatória e dois prefácios.
O livro
ganhou o título de “O Samba é a Coisa” e o sub-título, só para dar
um iceberg de modernidade num oceano de tradição, “mpb@samba.com”.
Nasceu em 2012 e veio ao mundo para não vingar.
Então, aos
pouquinhos vou publicando nesse Pau pra toda obra...
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10-06-2015
CARDÁPIO
DEDICATÓRIA
PREFÁCIO Nº 1
PREFÁCIO Nº 2
TAPA DE LUVA
QUITANEIRICE
UM DIA UM GATO
SOCIALISMO À BRASILEIRA
POMBO CORREIO
DEDICATÓRIA
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A dedicatória vai... Para todos os que gostam do samba. Porque o samba é
a coisa.
Que faz pensar no que somos, de onde viemos, para onde vamos.
Porque nos difere de todos os outros povos do mundo. Porque somos
assim. Quando estamos felizes, sambamos. Se alguma coisa dá errado, dizemos
que sambamos.
Eu sambo. Tu sambas. Nós sambamos. Eles podem tentar, mas ainda não
sabem sambar. Um dia, quando se misturarem, vão aprender.
Vão entender a coisa.
O autor.
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PREFÁCIO Nº 1
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Uma amizade de quatro anos
José Rogério dos Santos Mello.
COISA DE BAMBA
“... Foi numa roda de samba
que juntei-me aos bambas
pra me distrair”
D. Ivone Lara
Conheci Paulinho Pavaneli graças à música, em geral, e ao samba, em
particular. Na época, militávamos no bravo grupo vocal “De Voz em Quando” –
ele, dando qualidade ao naipe dos baixos e eu, lutando pra não deixar a
peteca cair entre os tenores.
Como estávamos, invariavelmente, entre os primeiros a chegar para os
ensaios, íamos papeando e descobrindo afinidades, enquanto aguardávamos o
restante do grupo.
Logo nos reconhecemos como membros de uma confraria que, a despeito de
nunca ter sido criada, existe desde tempos imemoriais e arregimenta novos
adeptos entusiasmados por todos os continentes desse nosso tão maltratado
planeta: a dos apaixonados pelo samba.
Na medida em que fui tomando contato com seus
textos e com as inúmeras letras de samba que compunha, minha admiração e meu
reconhecimento pelo talento desse mineiro de São João Nepomuceno, que já não
eram pequenos, foram se avolumando e criando raízes.
Sua produção literária, ainda pouco conhecida e que não para de
crescer, revela indiscutível qualidade no ritmo saboroso da prosa, na escolha
elegante e despojada das palavras e no humor que mais se insinua do que se
evidencia.
O samba carioca, produzindo ao longo do tempo verdadeiras obras primas
através de gênios como Cartola, Geraldo Pereira, Paulo da Portela e muitos
outros, é o pano de fundo e a inspiração desse livro, base e lastro das
ótimas letras que Paulinho nos apresenta aqui.
Com a inspiração nos grandes sambistas a quem homenageia, nos leva a
um passeio memorável por suas reminiscências, experiências e conjecturas
sobre essa coisa tão genuinamente brasileira que é o samba.
Um livro que se lê quase que marcando a cadência no pé e nos revela um
escritor e compositor que bebeu da fonte e entende do riscado.
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PREFÁCIO Nº 2
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Uma amizade de quarenta anos
Lucas Tofolo.
A VIDA NA AVENIDA
A música popular brasileira me abriu horizontes que não divisava até a
minha época de estudante em Ouro Preto. Acendeu em mim a chama do sentimento
pela justiça social, a conscientização da longa noite de ditadura que então
vivíamos.
Deu-me, enfim, bandeira e norte para minha juventude. Com sua
irreparável arte da metáfora, sempre buscando defender a liberdade e, mesmo,
uma ideologia contrária àquela apregoada pela ditadura, sua poesia e
criatividade cravaram fundo na minha alma.
Carcará, Maria Moita, Terra
de Ninguém, Disparada, Construção, Pra Não Dizer Que Não
Falei De Flores e tantas outras mais. Algumas delas eram samba, embora
para mim fosse tudo musica popular brasileira.
Mas, samba mesmo era o das escolas quando desfilavam.
Uma coisa.
Entre eles, um que me ficou como referência: “Festa
para um Rei Negro - Pega no Ganzê”, do Salgueiro, em 1971. Estava na
quadra da escola assistindo a um ensaio e alguém me chamou a atenção para a
melodia. “Tira o ritmo. Tente escutar só a música. Mais ainda, só a melodia.
Veja que lamento triste, choro puro. Coisa que vem de longe, lá da senzala.
Percebe?”
Percebi no ato.
E foi a partir daí que passei a escutar samba com outros ouvidos.
Nas letras, a crônica de um povo. Suas lutas, suas alegrias e
tristezas, os dramas e as paixões das pessoas comuns, anônimas, do dia-a-dia.
Gente como a gente. E também seus modismos lingüísticos, plenos de
criatividade e inteligência.
E as melodias chegando sempre certas, dando o clima pedido pela poesia
das letras, ora choro de alma, ora alucinação total, explosão de alegria e
bom humor. Ensinando a gente a ser solidário, amigo, amante, corajoso,
derrotado, vitorioso e (por que não?) malandro, esperto, bem humorado e,
principalmente, bom contador de histórias.
E o ritmo dá o tom final à coisa, sempre com a marcação do
surdo, o instrumento mais fundamental do samba.
Não dá para citar este ou aquele samba. São
muitos. Centenas, milhares mesmo. São versos que nos fazem refletir, pensar e
repensar a nossa vida.
Versos como os de Nelson Cavaquinho,
“Tira o seu sorriso do caminho/ que eu quero passar com a minha dor”;
Cartola,
“As rosas não falam/ as rosas apenas exalam/ o perfume que roubam
de ti”;
Paulinho da Viola,
“Faça como o velho marinheiro/ que durante o nevoeiro/ leva o barco
devagar”.
Bubu da Portela e Jamelão,
“Não suporto mais a tua ausência/ já pedi a Deus paciência”;
Vinícius de Moraes,
“Porque o samba é tristeza que balança/ e a tristeza tem sempre uma
esperança/ de um dia não ser mais triste não”;
Caetano Veloso,
“A tristeza é Senhora/ desde que o samba é samba é assim/ A lágrima
clara sobre a pele escura/ a noite e a chuva que cai lá fora”.
Ih, são tantos que dá para encher um livro.
Então, a idéia do meu amigo
Pavaneli de escrever sobre a coisa me encheu de alegria.
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TAPA DE LUVA
Do autor do Pau, em momento antes...
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Um tapinha dói, sim,
dói mais do que tudo
se for tapa bem dado
com luva de veludo...
Arde feito verdade
na face que sentia
a sutil velocidade
da brisa da ironia...
Fio de lâmina fria,
a fina flor da ironia
fere fundo... dor maior
que a dor da agonia.
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QUITANEIRICE
Quando quer, Mario Quintana, com toda sua doçura, pega pesado. Em
Literatura Comentada:
“Quando a idade dos reflexos, rápidos, inconscientes, cede lugar à
idade das reflexões – terá sido a sabedoria que chegou? Não! Foi apenas a
velhice. Velhice é quando um dia as moças começam a nos tratar com respeito e
os rapazes sem respeito nenhum. Ora, ora! Não se preocupe com os anos que já
faturou: a idade é o menor sintoma da velhice.”
UM DIA UM GATO
Estava aos cuidados do André, especialista em ex-cabeludos, quando o
eminente fígaro disse que tinha visto no youtube um filme maravilhoso, chamado
“Um Dia”... Antes que pudesse completar eu interrompi: “Um Gato”!
Ele perguntou como é que eu sabia, eu respondi que foi um filme que
assisti na minha adolescência e me impressionou muito na época, até tinha
pensado nele uns dias antes e que estava doido para ver de novo... Ele então me
deu o caminho.
Pois bem, mais de 50 anos depois vi de novo. Claro que só me lembrava
da idéia principal, com o acento agudo que os idiotas reformistas cuidaram de seqüestrar
com trema, muito trema:
enxergar a
verdade que as pessoas escondem atrás de suas máscaras, através de cores... em
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Não vou contar mais nada: recebam como um presente, um magnífico
presente que vai embrulhado nesse endereço: youtube, um dia um gato, filme
completo. O nome original é “Az Prijde Kocour”, é de 1963, legendado e dura
1:39:27...
Não tem erro!
É realmente uma maravilha!
Se quiserem agradecer, abram uma cerveja gelada e dediquem uma gota
preciosa ao André, pela lembrança.
Saúde!
SOCIALISMO À BRASILEIRA
Agora não falta mais nada: o PSB, apelido do Partido Socialista
Brasileiro, admite receber em suas hostes ACM Neto, o Anão de Jardim, neto do ACM
Avô, o Senhor de Engenho...
E viva a Bahia, Senhor do Bonfim...
Bom Fim.
POMBO CORREIO
Recado ao Mauro: grato pelas postagens; mande mais para que eu possa
escolher e publicar.
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