quarta-feira, 11 de março de 2015

EDIÇÃO Nº 116: PANELA CHEIA DE ÓDIO






O Autor pensando seriamente em esvaziar o cofrinho e levar todas as suas moedinhas para doar aos batedores de panelas da elite e da classe média alta...

Eles precisam tanto de esmolas...

Pau Comeu, olhos cegados pelas lágrimas,  vai levar sua solidariedade aos pobres de espírito...

 
11-03-2015



CHAME O LADRÃO!


O ex- bilionário e ainda milionário Eike Batista, futuro classe-média-alta, teve bens arrestados pela Justiça. Um membro do Poder Judiciário pegou o automóvel de luxo e saiu para dar umas voltinhas, colocando o veículo na própria garagem. Flagrado, disse que isso era uma atitude normal naquela esfera de poder. Agora dizem que sumiu dinheiro do mesmo Eike... Será que também é normal naquela esfera de poder?

Agora é normal o pessoal daquela esfera de poder aparecer na TV Globo como se fosse artista de novela.
É normal também sair na mesma TV carregando cartaz dizendo que é a salvação do Brasil? Parece que sim.
É normal também alguém daquela esfera de poder ganhar o prêmio “Faz a Diferença” distribuído por aquela Rede Globo de Sonegação de Impostos e Manipulação de Informações? Parece que também.
Também é normal o tratamento seletivo de informações, divulgando os podres de um lado e escondendo os do outro? Sem dúvida.
Também é normal agraciar banqueiro corrupto e médico estuprador com habeas corpus? Também.
E sentar a bunda em processo durante 365 dias? Também.

A famosíssima e fajutíssima lista de indiciados na Operação Lava Jato é apresentada, coincidentemente, no Jornal Nacional daquela emissora na noite de uma sexta-feira, como se fosse exclusividade daquela Rede de Sustentabilidade do Golpe. Tudo dentro da maior normalidade...

Está ficando tudo tão normal... Tão parecido a frente com o verso, tão igual o avesso com o outro lado do avesso que já não se consegue ver que diferença é essa.

Já que é assim, já que isso tudo é tão normal, então
só chamando o ladrão
pra ver se dá jeito na situação...

A ética da bandidagem está ganhando o campeonato de credibilidade.
E de goleada.
Tipo 7 a 1.
Pra chamar o ladrão nada melhor que cantar o samba antológico.

Acorda Amor
Leonel Paiva - Julinho da Adelaide/1974
Acorda, amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão

Acorda, amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão

Se eu demorar uns meses convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo e pode me esquecer

Acorda, amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa, não reclame
Clame, chame lá, clame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)


EQUAÇÃO GOLPISTA


Fórmula da Matemática dos golpistas:

(Justiça Espúria + Congresso Chantagista) x Imprensa Canalha ²= “Golpe Paraguaio”




GLOBO HEBDO


Quem diria, Chico Caruso fez striptease do próprio caráter.  
Curvou-se tanto aos seus patrões que acabou mostrando a bunda para a população que via sua charge de primeira página pendurada nas bancas.

Quer passar para a História do Cartunismo Brasileiro como o Charlie Hebdo Tupiniquim, só que trocou as bolas...

Lá na França do Charlie, os cartunistas desenharam os fundamentalistas.
Cá no Brasil de O Globo, o cartunista é o fundamentalista.


O TEMPERO NA PANELA


Descoberta a fórmula do tempero a ser usado no panelaço golpista do dia 15 de março próximo.
Abaixo, o rótulo do produto, com exclusividade para Pau Comeu, em foto (7,8 x 5,2) Rolleiflex, nas cores roxa, preta e vermelha.

PÓ DE ÓDIO
171 mg
Laboratório: PSDB
Farmacêuticos Irresponsáveis:
Fernando Henrique Cardoso: CRF nº45.1
Aécio Neves: CRF nº 45.2
Aloysio Nunes Ferreira: CRF nº45.3







CRF = Conselho Regional de Farmácia



PAU COMEU NO PANELAÇO



Pau Comeu criou a ala da Classe Média Esfomeada Pede Pão Com Manteiga para engrossar o caldo das manifestações de domingo próximo vidando derrubar a Democracia e instaurar a Ditadura no Brasil.

Assim, nós, paucomeuístas, juntar-nos-emos (fazia tempo que não se escrevia assim) às alas do golpismo tucanista de ideologia vatomanocuista, quais sejam:

Nazi-fascistas, Homofóbicos, Vestais de Bordel, Pinnocchios e Geppettos, Preconceituosos em Geral, Preconceituosos Específicos (contra Negros, Nordestinos, Pobres, etc.), Espancadores de Mulheres, Torturadores e Associados, Traficantes de Drogas e Simpatizantes Adjacentes, além de outros cujos abadás ainda não foram licenciados.

As palavras de ordem unida serão:

“Golpista Unidos jamais serão vencidos!”
“Tucanos Unidos jamais serão punidos!”



LICENÇA , JUCA!


Pau Comeu, pedindo licença, e cheio de solidariedade, publica a coluna do jornalista Juca Kfouri, de 09-03-2015, que inspirou o título da presente Edição (nº 116).


Juca Kfouri

Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado. 

Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci. 

O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção. 

Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade. 

Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca. Como eu sou. 

Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga. 

Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse: “ Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. 

O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. 

Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. Não é preocupação ou medo. É ódio. 

Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. 
Continuou defendendo os pobres contra os ricos. 
O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. 

Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. 
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. 
Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. 
E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”

Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país. 
“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.

Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.

Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.

Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.

Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bons serviços da Eletropaulo e da Sabesp.

Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.

Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.

E sem corrupção, é claro!”



DEU NA CONVERSA AFIADA DO PHA

Na terça-feira, 10 de Março de 2015:

“Vamos fazer um pinicaço com conteúdo pra protestar contra o PiG! ”
— Revenger
“Ouvi dizer que a moda em Higienópolis é fazer selfie de panela”
— Ary


CEM ANOS DE SÊCA


Completa neste ano de 2015 o Centenário da maior Sêca que se abateu sobre um povo. No Nordeste, lá no interior do Ceará, Sêca devia usar chapéu, para suportar o Sol que, mais que em qualquer outro lugar, é o Astro-Rei.  Um rei muito cruel que vive de matar de fome seus miseráveis súditos.

A Sêca virou livro, “O Quinze”, escrito por uma quase menina de 19 para 20 anos, Rachel de Queiroz, em 1929-1930, e que se constituiu num dos maiores fenômenos da literatura brasileira do século passado.

Pau Comeu dedica as sentenças seguintes aos bem alimentados que baterão suas panelas cheias de ódio que nutrem pelo povo brasileiro, ódio que é o alimento principal dessas cabeças repletas de idéias vazias com acento agudo.

(01)Na página 05:
Reses magras, com grandes ossos agudos furando o couro das ancas, devoravam confiadamente os rebentões que a ponta dos terçados espalhava pelo chão.”
(02) Na página 08:
Verde, na monotonia cinzenta da paisagem, só algum juazeiro ainda escapo à devastação da rama; (...) E o chão, que em outro tempo a sombra cobria, era uma confusão desolada de galhos secos, cuja agressividade ainda mais se acentuava pelos espinhos.”
(03)Na página 45:
Lá se tinha ficado o Josias, na sua cova à beira da estrada, com uma cruz de dois paus amarrados, feita pelo pai. Ficou em paz. Não tinha mais que chorar de fome, estrada afora.”
(04)Na página 65:
Foi realmente com dificuldade que os identificou, apesar de seus olhos já se terem habituado a reconhecer as criaturas através da máscara costumeira com que as disfarçava a miséria.”
(05)Na página 74:
E o almoço, ao meio-dia, onde, junto ao pirão, um naco de carne cheiroso emergia, mal o soergueu e animou. Já era tão antiga, tão bem instalada a sua fome, para fugir assim, diante do primeiro prato de feijão, da primeira lasca de carne!...”
(06)Na página 77:
“- Morre, Doutor?
- Não sei... Esses meninos da seca são tão milagrosos que às vezes escapam...”
(07)Na página 91:
Setembro já se acabara, com seu rude calor e sua aflita miséria; e outubro chegou, com São Francisco e sua procissão sem fim, composta quase toda de retirantes, que arrastavam as pernas descarnadas, os ventres imensos, os farrapos imundos, atrás do pálio rico do bispo(...) E no andor, hirto, com as mãos laivadas de roxo, os pés chagados aparecendo sob o burel, São Francisco passeou por toda a cidade, com os olhos de louça fitos no céu, sem parecer cuidar da infinita miséria que o cercava e implorava sua graça(...)”
(08)Na página 96:
A mãe me empresta mode eu pedir esmola mais ele... Sempre dão mais, a gente indo com um menino... (...) De tarde eu dou a ela uma parte do que tiro, nas esmolas... Aí, a gente faz o que pode para não morrer de fome...”
(09)Nas páginas 98/99:
“”-O inverno! Senhor São José, o inverno! Benza-o Deus! (...) –Chuva? Possível?! (...) –Chuva! Chuva fresca e alegre que tamborilava cantando na velha telha, e corria nas biqueiras empoeiradas, e se embebia depressa no barro absorvente do terreiro!”
(10)Na página 106:
“(...) perguntava a cada um pela família, pelos parentes: - a mulher, os irmãos, comadre fulana, como estavam... E quase todos respondiam tristemente às interrogações consecutivas... – Morreu... –Embarcou...”
(11)Na página 107:
Reses famintas, esquálidas, magoavam o focinho no chão áspero, que o mato ainda tão curto mal cobria, procurando em vão apanhar nos dentes os brotos pequeninos.”
(12)Na página 108:
Carecia esperar que o feijão grelasse, enramasse, florasse, que o milho abrisse as palmas, estendesse o pendão, bonecasse, e lentamente endurecesse o caroço; e que ainda por muitos meses a mandioca aprofundasse na terra as raízes negras... Tudo isso era vagaroso, e ainda tinham que sofrer vários meses de fome.


PRÓXIMA EDIÇÃO


Pau Comeu adquiriu os direitos de reprodução da única entrevista do compositor Julinho da Adelaide, antes de ser assassinado na Favela da Rocinha com 141964 tiros de todos os calibres.
Será publicada em 3 capítulos, a partir da próxima Edição, com patrocínio do Pó de Ódio 171 mg.



Um comentário:

  1. Amigo Paulinho,
    Tenho lido, sempre que posso, as edições do "Pau Comeu"!!! Gostei particularmente desta edição que reproduz, com sua sutil ironia, a "cara de pau" dessa Classe Elitista, Corrupta , Manipuladora e Manipulada, que se diz "prejudicada" pela crise econômica e "desgoverno" da Presidenta Dilma. A mídia "grobal" já nem tenho mais paciência para criticar. Saudades do Governador Leonel Brizola. Parabéns, um abraço.

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