quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

EDIÇÃO Nº 107: Je ne suis pas Pasquim










Sobre o Charlie Hebdo, 
só sei que há versões, 
aversões, 
há de tudo.

Por falar nisso, 
o que fazia o terrorista  
Benjamin Netanyahu 
na passeata em Paris?




Vou viajar por uns tempos na máquina do tempo... depois eu volto.

 
14-01-2015

Viajar na máquina do tempo... 

Para trás, depois de escrito é fácil, é só aplicar o famoso control C , control V, tudo resolvido. Fácil? Não! Manter a íntegra do escrito é submeter ao olhar de hoje o que ficou comprovadamente errado. Mas, vale o risco, no mínimo para dizer que estava atento ao que ocorria naquela data precisa, e tinha uma opinião.

Para frente, aí sim, é muito mais fácil, principalmente para quem não quer correr riscos. É só dizer que um dia o mundo vai acabar, pronto! Fácil? Não totalmente! O mistério do quando permanecerá até um segundo antes do apito final.

Por enquanto, passos para trás... 2011, 2010...


O Jogo dos Sete Erros

Duas figuras dispostas uma ao lado da outra, aparentemente as mesmas. Sete detalhes as diferenciam. Procurar quais demanda tempo, e o objetivo do passatempo é esse mesmo, passar o tempo até que se descubram as diferenças. Inspirado no referido jogo, tomemos, por exemplo, o que sai na imprensa sobre o “famigerado livro” de Heloísa Ramos, intitulado “Por uma vida melhor”.

De um lado, trata-se de um atentado contra a língua portuguesa, pois a autora teria a intenção de ensinar o errado como se fosse o certo. Se essa versão revelar-se a correta, contará certamente com meu apoio, pois quem é pai e zela pela educação dos filhos terá sempre a esperança de que seus rebentos aprendam a escrever corretamente a língua pátria.

De outro lado, trata-se de uma leitura apressada e incompleta do mesmo livro, no qual a autora apenas chama a atenção, em meia página se tanto, de que existe uma língua portuguesa escrita e outra, falada, que pode levar a escrever errado. Se é isso que ela quer dizer, também conta com meu apoio, pois não tenho o mesmo cuidado quando falo, como tenho com o que escrevo. Faço esforço em escrever corretamente a língua pátria, e sou um verdadeiro displicente quando falo o que deveria ser a mesma língua.

Há tempos atrás, não tantos assim, a apresentadora Xuxa, a rainha dos atuais altinhos, lançou o seu dicionário pessoal, enfatizando a letra X como tendo lugar em todas as palavras em que poderia ocupar o lugar de outras. Não se abria porta, por exemplo, com chave, pois o certo seria “xave”. Não se tomava banho de chuveiro, só de “xuveiro”. Não ouvi de nenhum sabichão (“sabixão”?) da sua emissora de televisão uma admoestação por cometer tal barbaridade, afetando o correto aprendizado dos então baixinhos. Por acaso os mesmos que se arrogam agora de puros defendendo a virgindade da escrita.

Pois é, o primeiro erro é esse. Há que se ler as razões defendidas pelas duas partes, e isso não é feito com a lisura e imparcialidade que se deseja.

Misturo os erros do segundo ao quinto, doravante, sem separá-los, mesmo porque o objetivo do jogo é complicar, desafiar atenção, senão seria sem graça.

Talvez a autora tenha sido audaciosa demais, ou não, talvez tenha sido apenas honesta. Talvez haja uma disputa política, nos bastidores. Talvez a elite esteja, por demais, incomodada com a invasão dos novos bárbaros. Ela que sempre defendeu seus próprios bárbaros...

Talvez eu deva chegar em casa e falar pro meu filho não me chamar mais de “véi”, mas sim, de velho. “Fraga”? Nem pensar. “Orêia”? Nunca. E por aí vai. No meu tempo de jovem, falava-se sem problemas em “despirocar”. Na linguagem urbana, falava-se que fulano era “fudido”. Em Ouro Preto, cidade universitária que congregava brasileiros de todos os cantos, de norte a sul, de leste a oeste, se falava “mala” muito antes de o resto do país adotar a expressão, significando mau elemento, por exemplo.

Um dos meus passatempos preferidos é tentar entender a língua dos adolescentes, sem pedir explicação, apenas pensando o que quer dizer aquilo que me soa desconhecido conforme seu papel na frase.
Macaco velho, venho de longe, não arrisco a por a mão na cumbuca sozinho.
Aos cultivadores da linguagem culta, entre os quais se sobressaem os preparadíssimos jornalistas da Globo e do Globo, contraponho, por exemplo,  Hélio Schwartsman, escritor conhecido, articulista, veja só, da Folha de São Paulo, para situar melhor a discussão, quando cita que
“(...) Se a linguagem é a resposta evolucionária à necessidade de comunicação entre humanos, o único critério possível para julgar entre o linguisticamente certo e o errado é a compreensão ou não da mensagem transmitida.”
Continua, indo lá atrás no tempo, lembrando que foi graças ao fenômeno da evolução lingüística (com trema, revisor),
“(...) que os cidadãos romanos das províncias foram deixando de dizer as declinações do latim clássico, num processo que acabou resultando no português e em todas as demais línguas românicas.”
E fulmina:          
“(...) A depender do zelo idiomático de meus colegas da imprensa, ainda estaríamos todos falando o mais castiço protoindo-europeu.”
Urariano Mota, escritor pernambucano reconhecido por quem tem o hábito da leitura, pergunta, com suave ironia, por que se calaram perante Manuel Bandeira quando este escreveu:
 “A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil”
E também fulmina:

“(...) Por que não impediram jamais a divulgação de versos tão sacrílegos? Ah, Manuel Bandeira dominava a língua culta. Quem domina, pode. Quem não domina, se pode, para não falar rima menos pura.”

 

Ler a grande imprensa atualmente, sem buscar contrapor com o que outros diferentes têm a dizer, é o sexto erro.

 

O sétimo é acreditar que o Merval Pereira é filósofo.


BH, 19/05/2011, Paulinho Pavaneli.

Essa foi pra lembrar... de quê mesmo, companheiro Al Zheimer?
Voltando aos dias atuais para reabastecer...

OVOS PODRES

Do blog do Mauro Santayana, no domingo 11 de janeiro de 2015, sob o título “Ovos da serpente: O nazismo entre nós”.

“(...) O nazismo tupiniquim, tão ridículo quanto absurdo, quando defendido e praticado em uma das nações mais miscigenadas e universais do mundo, está presente também nos bandos de skinheads que agridem verbal e fisicamente, judeus, nordestinos, negros e homossexuais, principalmente em São Paulo e na Região Sul do país.(...)”



Quem comeu que pague a conta!

Pois é, falaram tanto que daquela vez o Lulalá perdeu porque tinha comido uma Miriam há muito tempo e nasceu Lurian, a filha que quase não foi, pois o Lulalá teria sugerido o aborto. Não se tem total certeza até hoje se aquela mãe ganhou alguma grana pra entregar a pulada de cerca, que nem pulada de cerca foi, pois o Lulalá era, se a história não mentiu, solteiro na época.

Solteiro ou solteira, diz a lenda, pode comer o que e quem quiser, desde que a comida tenha sido por livre e espontânea vontade de quem concordou, não passando o evento de uma simples trepada tradicional. Pelo que sei, quase todo mundo trepa, ou se não trepa deveria trepar, porque faz bem à saúde. Não vem ao caso se houve orgasmo, se houve satisfação, se houve felicidade no ato. À imprensa e aos políticos safados que se aproveitaram e compraram e manipularam informações sobre o ato, interessava o escândalo travestido de votos. Não de castidade, mas de urna mesmo.

Assim Éfecêdeême ganhou a eleição, caçador dos outros marajás que não os seus, PCFarias no plural que o digam, a senhora do então primeiro mandatário também, pois diziam que madame gastava muito.

É tudo uma grande sacanagem o que acontece nas alcovas senatoriais, ministeriais, presidenciais, ontem, hoje e sempre. Tancredos e Trancados usufruíam de garçonnières para esconderem suas puladas de cercas sem que isso se constituísse pecado mortal ou venial. O netinho nem precisa disso, posto que  os tempos são outros, liberou geral. Pode cheirar, entre outras coisas, até cangotes.

Dizem que Getúlio comeu Virgínia Lane, baixinha vedete do saudoso teatro rebolado com coxas roliças de gente grande, e se o fez, fez muito bem, pois que até eu mirei suas gostosas pernas no Maracanã em dia de jogo do Flamengo não sei contra quem, eu era menino... Só prestava atenção.

Pois é, calaram tanto que dessa vez, pra maioria dos desinformados , foi uma surpresa saber que o filho daquele outro, o Éfeagagá,  com aquela jornalista global, a outra Miriam, escondido da imprensa, exilado na Europa, não só existia como nem era filho de quem achava que era.

Tirando a satisfação dos filhos verdadeiros, que contabilizam menos um enxerido para dividir a herança, pode-se dizer que, na verdade, não importa de quem é o filho, dizem que toda mãe sabe quem é o pai do filho, mas deixa pra lá, nada disso importa.

O que importa é que o mais novo gagá da praça comeu, e isso nunca negou. E foi corneado, também, pela amante. Lá no Norte de Minas tem uma expressão correta pra isso: “corno de quenga”. Merece que o outro divida a pensão. Sem dúvida.

Em suma, fez merda, também, fora do governo. Essa história vai entrar para a História.

E quem comeu que pague a conta!
Belo Horizonte, 03/07/2011. Paulinho Pavaneli.


Essa foi pra lembrar de fofocas palacianas.
Voltando aos dias atuais para reabastecer...

ISSO É QUE É BOLSA-FAMÍLIA

Do blog do Altamiro Borges, na segunda-feira, 12 de janeiro de 2015, sob título “O nepotismo descarado em Roraima “.

 
“(...)Em Roraima, o salário de um secretário estadual é de quase R$ 23.000. Já o rendimento dos secretários-adjuntos é de R$ 16.000 – e vários outros parentes da pepepista foram contemplados com estes valiosos cargos. Diante de tamanha provocação, o Ministério Público do Estado já solicitou à governadora, sob a pena de adoção de medidas judiciais, que exonere os seus familiares. O órgão contabiliza 19 parentes que foram indicados para postos de destaque no governo. Juntos, estes apadrinhados de Suely Campos receberão R$ 398 mil por mês.(...)”

Pau Comeu adverte: a pepepista é do PP.


Trago a última dose

Se você ainda não entrou naquela fase em que os médicos o colocam contra a parede, “pára! de fumar e pára! de beber”, então faz favor pode parar a leitura por aqui. 
Tente outro autor, outro assunto, quem sabe uma discussão sobre o capítulo da novela de ontem, aquela que você pessoa inteligente não gostaria de ver pois não lhe acrescenta porra nenhuma no seu processo de aprendizado até a morte, mas que você assiste pra não ficar sem assunto na hora do jantar.

Se você entrou naquela fase, então é com você mesmo que estou falando.  Com você que acordou, abriu a geladeira e verificou in loco que tudo aquilo que está lá dentro não é para o seu bico, é com você mesmo que estou falando, o queijo amarelo que você curtiu durante a vida inteira até antes de ontem virou quase veneno, nem pense em sequer ousar experimentar, nem aquele ovinho caipira que, quebrado, derramava aquela gema amarelada até quase alaranjar, nem tampouco aquele beicon com aquelas camadas justapostas em cores diferentes, branca da gordura e rosa do presunto, esquece tudo isso, é melhor esquecer senão é pior muito pior vai pirar sua pobre cabeça que ainda não se acostumou a parar de fumar e de beber.

Lembre apenas que os médicos que o colocaram contra a parede estão monitorando todos os seus passos, não adianta tentar enganá-los porque o próximo exame, cada vez mais próximo do penúltimo, vai entregar sua fraude porque aquele indicador vai aumentar e superar o limite então ou fodeu ou fudeu. Ou seja, você está sob o comando do big brother que escrevo em minúscula como se estivesse sussurrando para que ele não nos ouça e acorde e nos ameace com suas milhares de câmeras indiscretas, discretas, discriminatórias, criminosas todas, todas as câmeras do mundo estão voltadas para controlar suas tentativas de subornar a realidade e não adianta porque os médicos terão a prova do crime em suas mãos no resultado do próximo exame.

Então sorria quando as pessoas perguntarem quantos dias tem que você parou de fumar e você que de dez em dez minutos lembrava da porra do cigarro mas respirava fundo e deixava o fracasso pra depois posto que no fundo sabe que melhorou sua tosse e sua respiração e respondia um dois três e qualquer criança semi-analfabeta sabe contar os dias que você parou de fumar, caralho!

Pára de pensar no filho da puta do chefe que negou seu aumento alegando que a crise internacional anda meio que ameaçando o futuro das exportações da empresa que contrata os serviços da empresa do seu chefe e por conseqüência a sua sobrevivência porque você também está envolvido naquela porra daquela cadeia produtiva qual uma corrente em que você é o elo mais fraco, você tá cansado de saber que é o elo mais fraco, se não sabe é porque parece que bebe.

Parecia que bebia pois você parou de beber, caralho!, ou não parou?  Os médicos mandaram você parar de beber também, porra. Se não parou não adianta dizer que parou porque o resultado do próximo exame o desmascará impiedosamente, qual atleta pego em doping, que coisa feia, tentando enganar seus médicos, que papelão hein...

Então as duas coisas que você gostava de fazer que era beber e fumar você não pode fazer mais afinal de contas os médicos mandaram você parar e você não quis ouvir aquele conselho do seu amigo que está só um pouquinho pior de saúde que você que mandou você trocar de médico como se trocar de médico fosse adiantar alguma coisa na verdade você tem que trocar é de corpo.

Como ainda não inventaram o transplante total e só algumas peças podem ser repostas, pois outras mais graves ainda não dispõem de tecnologia avançada então o jeito é se conformar e parar de fumar e de beber mesmo pois não tem outra alternativa. E se der relaxe e goze enquanto estiver bancando o homem-aranha subindo pela parede da sala de jantar.

Se piorar não procure o analista que você nunca procurou porque dizia que no bar com a ajuda do cigarrinho e da cachacinha sua psicologia estaria numa boa, agora sem suas muletas é que não vai adiantar porra nenhuma, agora você tem a certeza absoluta de que sua cabeça até que anda mais ou menos, a menos de uma nervosia semi-neurastênica tratada a suco de maracujá, o que estava atrapalhando era o resto do corpo que só acumulava o que o cigarro e a cachacinha tinham de pior, pois o de melhor a cabeça ficava pra ela, como aqueles devaneios e viagens curtas mas deliciosas que só a dupla proibida poderia ajudar a desenvolver nem que só em sonho.

É o corpo, cara, que tem que ser trocado, a cabeça não tem mais jeito, as culpas não se apagarão, só se inventarem transplante de cabeça, mas assim o sujeito aquele não seria mais você, e poderia ser o cara que nunca fumou e que nunca bebeu mas também nunca fez um poema e muito menos um samba que podia dizer que é seu e de mais ninguém.

Calma ou teiquirízi, tanto faz, ninguém mais sabe qual é a língua pátria, inda mais agora que você está prestes a se transformar num esquizofrênico definitivo e contumaz, ou num serial killer sem plano B. Muito cuidado no ambiente familiar e principalmente no trabalho, aquele lugar onde você acredita que vai ajudar a pagar suas contas que nunca terminam. Muito cuidado na rua também, pois nunca se sabe se a próxima bala perdida por outro o achará logo você que estava distraído pensando no último cigarro que fumou, na última dose daquela cachacinha que você sorveu com a cara mais boa do mundo, daquele mundo que nunca mais será o mesmo pra você, seu imbecil.

O professor que leu essa redação achou que está bem escrita, mas que faltava um monte vírgulas, de pontos, que estava muito corrida, parecia até que o autor estava meio problemático, meio ansioso e perguntou até quem estava afligindo seu aluno mais dedicado, aí ele percebeu que depois de deixar a parede da sala e engatinhar pelo teto você o olhou com aquela cara de quem foi surrupiado daquelas coisas que você mais gostava, daqueles venenos fundamentais, e só falou assim, larga disso, venha fumar um cigarrinho e vamos até a esquina tomar uma.

Misturo, assim, o dever de casa com o sonho de dizer não.
BH, 22/08/2011, 86ª hora sem.
Paulinho Pavaneli

Essa foi para comemorar 1241 dias sem cigarro.
Voltando aos dias atuais para reabastecer...

AINDA BEM QUE EM MINAS NÃO TEM ISSO...

Do blog do Altamiro Borges, na segunda-feira, 12 de janeiro de 2015, sob título “Condenado por “corromper” jornais “.


“(...) O fato aconteceu no Peru na semana passada. A Justiça do país vizinho condenou o ex-presidente Alberto Fujimori a mais oito anos de prisão pelo desvio de dinheiro público para a "compra" de jornais que deram apoio à sua candidatura no ano 2000. (...)”


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