segunda-feira, 27 de maio de 2013

EDIÇÃO Nº 38: O CAÇADOR DO PANTANAL



O autor, indeciso perante uma oferta de injeção de
recursos do Eike Batista, antes que (ele) acabe de quebrar.
Só resiste em mudar o nome do blog para Paux Comeux.




A PROPAGANDA É O NEGÓCIO DA ALMA


No afã de apoiar, em azul e amarelo, o PSDB nas próximas eleições, na sua infatigável busca pela verdade e pela resposta absolutamente certa e, last but not the least, por recursos financeiros capazes de complementar sua aposentadoria totalmente diferente das dos políticos em geral, o autor do Pau Comeu, eu, acabou (ei) de fechar contrato com o POSTO IPIRANGA.

Primeira inserção:

O povo pergunta: De que morreram os donos do Estadão (Mesquita) e da Abril (Civita)?

Pau Comeu responde: É melhor o Senhor perguntar lá no Posto Ipiranga...!!!



O FEIJÃO E O SONHO


Pois é, graças às marotas propostas de governo dos desnorteados tucanos, predadores pela própria natureza, entre as quais a volta do arrocho salarial como solução técnica para combater a inflação (já vimos esse filme antes), o povo brasileiro vai poder exercer sua opção preferida: sonhar!

Afinal, já disse o carnavalesco, sonhar não custa nada...

A plataforma? Ah!  É cínica!  Das Neves!

Promete que o povo brasileiro vai poder voltar a sonhar!

Que, assim procedendo, trocará o emprego pelo sonho do emprego.

O trabalho pelo sonho de não precisar trabalhar.

A possibilidade de ascensão social pela realidade de saber o seu devido lugar, ou seja, nas proximidades de onde nunca deveria ter saído. Lá mesmo onde você está pensando, estimado leitor... na classe Z.

Com uma placa em cada esquina: É PROIBIDO COMPRAR!

Trocará o feijão pelo sonho.

O feijão da realidade pelo sonho da novela.

 

O DNA E O PESADELO


E não é que o eterno adolescente Aécio das Neves foi lançar sua candidatura no Programa do Ratinho? Foi, sim.

E não é que ele disse pro Ratinho que, se pesquisar o DNA do programa Bolsa Família, vai achar o gene do Fernando Henrique Cardoso? Disse, sim.

E se der outro resultado o exame?

Que nem o que aconteceu com o filho da jornalista que a Rede Globo exilou na Europa...

Esse tal de DNA é um perigo... Cuidado!

 

BOOMERANG ELEITORAL


>>>>>  Coordenando o apoio de outros seis governadores tucanos ao senador mineiro, declarou o governador de Goiás: "Farei campanha pelo Aécio como faria para mim mesmo".

(Marconi Perillo)

<<<<<Carlinhos Cachoeira, o empresário zoológico descendente do Barão de Drummond e de Castor de Andrade, será o tesoureiro da campanha? E Demóstenes Torres, que posição irá ocupar, além de Ministro da Hipocrisia?

(Pau Comeu)


BOOMERANG JORNALÍSTICO-ECONÔMICO-ELEITORAL


>>>>> Situação do Brasil é caótica, dizem os jornais e televisões da grande imprensa brasileira, em plena campanha para eleger qualquer  impoluto liberal conservador do PSDB e adjacências. Em tom catastrófico, segundo ela, apenas 197 mil empregos foram criados no último mês...

(Grande Imprensa em geral)

<<<<< Mesmo na próspera Alemanha, de pouco desemprego, entre os de menos de 25 anos (e 18 ou mais) o desemprego é de 7,9%. No restante da Zona do Euro: Áustria, 9,9%; Holanda, 10,3%; Malta, 16%; Luxemburgo, 18,5%; Estônia, 19,4%; Finlândia, 19,5%; Bélgica, 19,6%; França, 26,9%; Eslovênia, 27,1%; Chipre, 28,4%; Irlanda, 30,9%; Eslováquia, 35,9%; e agora os campeões – Portugal, 38,6%; Itália, 38,7%; Espanha, 55,5% e Grécia, 59,4%.

Enquanto isso, no Brasil arruinado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira que o desemprego em abril caiu para 5,8%. É a menor taxa desde 2002.

 (Da Internet diretamente para o Pau Comeu)


A solução tucana para tirar o Brasil do caos, além do desemprego, passa pelo aumento da taxa de juros e cortar direitos adquiridos pelos trabalhadores. Justamente o que a Europa fez, obedecendo a receita da Dra. Margareth Thatcher, A Enferrujada, e que deu no que deu...

E viva o reizinho espanhol, Don Juan Carlos de Bourbon, El Corruptón!

Continua calado, calado, calado... Morreu?

 

ABRINDO O BAÚ

De um livro não publicado, intitulado “O Ruminar do Dinossauro – crônicas lítero-jurássicas”, em que o autor se expõe em 51 passos bêbados entre a Academia e o Botequim. Segue uma das crônicas...

 

O CAÇADOR DO PANTANAL

Nós, os Dinossauros

O dinossauro era antes de tudo um forte, que nem o jequitibá antes da tormenta. Ao contrário deste, que sobrevive por ter deixado raízes e sementes, aquele já morreu. Seu cadáver pode ser apreciado em museus dos três mundos, sendo que, nos do terceiro, aos pedaços ou com o esqueleto incompleto amarrado com arame e barbante. De vez em quando reaparece no cinema, local onde costuma fazer algum sucesso quando produzido no Primeiro Mundo.

Espécie de fóssil de réptil marinho (atenção, Redação!) da era mesozóica, de dimensões gigantescas, viveu no período jurássico caracterizado pelo aparecimento de animais de transição entre répteis e aves.

Tal definição, aplicada à política e modernizada pelos modernos modernizadores, os neoliberais, devidamente coadjuvados pelos social-democratas, classifica como dinossauros os animais políticos, extintos ou em extinção, que teimam em defender teses obsoletas referidas em palavras como nação, soberania, independência e autodeterminação.

Eles, os Predadores

Falar em dinossauros sem citar seus predadores seria como viajar com a sensação de ter ficado. O mais notável dos caçadores de dinossauros que viceja(ra)m em plagas tupis nasceu, por acaso e contra a vontade, num lugar cujo nome é Mato Grosso: Roberto de Oliveira Campos, um dos mais importantes economistas que os EUA já produziram, apelidado carinhosamente de Bob Fields pelos seus patrões.

Genial, imortal, conseguiu escrever um livro de 1.417 páginas (1) e, resumindo o cálculo, 3.647.358 caracteres, ou 3,65 km, fora os espaços.

O leitor deverá estar-se perguntando aonde o escriba quer chegar com o objeto dessas reflexões, já que são muitos caracteres para tão pouco caráter. Explico: quero ver se acho traços de natureza humana em tão formidável compêndio.

O nome do livro é “A Lanterna na Popa”, o que deve ser uma tradução infeliz, pois a verdadeira deveria ser “A Vela no Rabo”, em cujo prefácio (2) Bob reconhece que:

“(...) nunca tive profundidade, inteligência ou poder para erguer um farol que lançasse um facho de luz para as futuras gerações. Estas memórias são apenas uma Lanterna na Popa de um pequeno barco. Como dizia Samuel Taylor   Coleridge, “a luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que   ilumina apenas as ondas que deixamos para trás” (...)”

Como pensar nas gerações futuras é próprio de Estadistas, o que nunca foi o caso do Dr. Roberto Nãomarinho, seu prólogo não apresenta novidade, por isso é honesto. O autor prega no rabo – do barco – 3,65 km de caracteres de ferro, como que formando os elos de uma corrente, cuja ponta termina numa âncora que vai jazer no fundo do pantanal... Enroscando-se naquilo que o fez viver seu tempo todo: no lodo de sua profunda aversão às coisas brasileiras.

Mestre Campos é uma espécie de avô dos liberais brasileiros, um megalib que se caracteriza por reunir os seguintes predicados: aversão à soberania, aversão à independência, aversão à autodeterminação, aversão à nação brasileira.

O carreirismo de Mr. Bob

Uma das características mais interessantes dos megalibs, em geral, e do nosso eterno embaixador dos EUA no Brasil, em particular, reside na imensa capacidade de usufruir das benesses do Estado que pretendem minimizar, seja direta ou indiretamente. No caso em questão, direta: dos 20 capítulos de sua extensa memória, apenas um faz referências a atividades privadas, quando se licenciou do serviço público (3).

Trabalhou o ilustre no sistema financeiro privado por pouco tempo, mas protegeu-o o todo o tempo em que trabalhou no setor público. É claro que poderão ser feitas objeções quanto à classificação aqui proposta, pois exerceu atividades de articulista em jornais que abrigam megalibs, e que no Brasil são todos, e também, e mais importante, quanto ao espírito com o qual se imbui ao desempenhar as tarefas públicas: é comum, enfadonho, repetitivo, um aborrecimento até, lembrar que, no Brasil, pública e privada são esferas que se confundem nas mentes megalibs, bem como nas de seus papagaios.

Por falar em Brasil, o nome aparece em algumas páginas, geralmente como adjunto adnominal do tipo “embaixador do Brasil”, “Banco do Brasil”, etc. O nome Brasil, assim secundariamente citado, surge como uma referência que perturba, mosca zumbindo para ser espantada com um simples peteleco: xô! Encontrar, em seus escritos, palavras amistosas, generosas, amorosas, em relação às coisas e gentes brasileiras, é querer muito do Dr. Roberto. Ele não veio ao mundo para isso. Mais uma vez há que se reconhecer sua honestidade.

Os vestígios humanos

Procurei, em vão, vestígios humanos nas memórias de Mr. Bob, só encontrando as seguintes...

No início, ao revelar sua iniciação sexual com uma prostituta, o que não depõe contra sua pessoa, pois era fato corriqueiro na formação das gerações passadas. O referencial humano era justamente a prostituta.

Ainda no princípio, quando descreve seu casamento, enfatiza os 53 anos de duração (4), que considera algo digno de figurar no Guiness Book of Records. Também acho, daí porque lanço seu nome como candidato a figurar em tão formidável compêndio, digno do FEBEAPÁ-I (Festival de Besteiras que Assola o País) Internacional, como diria Stanislaw Ponte Preta, nosso saudoso crítico de costumes.

No final resume sua vida de alcova com a frase: “Não fui veado”; e numa nota de rodapé: “Nem atleta sexual”. (5)

 

Brincando de Boomerang

Não resisto à tentação de brincar de uma espécie de boomerang post-mortem com Little Robert, devolvendo alguns de seus mais escrotos arremessos:

>”Há países naturalmente pobres mas vocacionalmente ricos. Há outros que têm riquezas naturais porém parecem ter vocação de pobreza. Às vezes fico pensando, com melancolia, que talvez estejamos neste último caso.”

Bob Fields, no livro já citado, “Á Guisa de Prefácio”, pág.22.

< A melancolia é pungente. Ele sabe o que diz. Colaborou para perpetuar a pobreza entre nós.

Pau Comeu

>>”Conciliar o mercado, que é o voto econômico, com a democracia, que é o voto político, eis a grande tarefa da era pós-coletivista- o século XXI.”

Bob Fields, no livro já citado, “Á Guisa de Prefácio”, pág.21.

< O voto econômico é unitário e igualitário tendo o mesmo peso para todos. Me engana que eu gosto, Bobby.

Pau Comeu

>>”Como Souza Costa era patrioticamente abstêmio em relação a línguas estrangeiras, a atuação principal, em nome do Brasil, cabia a Gudin. Mestre Gudin impôs-se logo naquele cenário. Além da flexibilidade linguística – tratava-se de uma conferência dominada por economistas anglo-saxões, monoglotas impenitentes -desfrutava Gudin de excelente capacidade expositiva e invejável erudição em problemas cambiais e monetários (...)”

Bob Fields, no livro já citado, pág.69, durante o convescote de Bretton Woods.

< O brasileiro é patrioticamente abstêmio em relação a línguas estrangeiras, enquanto os anglo-saxões são monoglotas impenitentes: a ironia do Doutor Robertinho não consegue ocultar o servilismo. Depois de Gudin impor-se naquele cenário, a Europa e os EUA se curvaram diante do Brasil... e fomos felizes para sempre.

Pau Comeu

>>”Em nenhum momento consegui a grandeza. Em todos os momentos procurei escapar da mediocridade. Fui um pouco um apóstolo, sem a coragem de ser mártir.”

Bob Fields, no livro já citado, “Á Guisa de Prefácio”, pág.20.

< Foi, sim, um apóstolo dos banqueiros internacionais. Mártir foi o povo brasileiro para suportar seu entreguismo. Medíocre, sim, sempre. Grandeza, concordo, foi nenhuma.

Pau Comeu

>>”Lutei contra o monopólio da Petrobrás (...) contra a Lei de Informática (...) contra  a exigência de maioria de capitais nacionais na exploração mineral (...) Em todos os três casos fui derrotado. Em todos os três casos, estava redondamente certo. Em escala mirim, poderia dizer o que, com sua invejável megalomania, dizia De Gaulle: -estive certo quando tive todos contra mim.”

Bob Fields, no livro já citado, “Á Guisa de Prefácio”, pág.21.

< Descoberto o lado humano de Bob Fields: em seu peito bate um megalomaníaco coração norte-americano.

Pau Comeu

 

The End do Filme

Nosso caçador é assim: aristocrático, pragmático, cheio de ossos, carne pouca, sangue azul adquirido com o tempo, emoção quase zero. Por falar em ossos (6), os do ofício para ele foram as cassações de direitos políticos e a paranóia -com acento agudo- inquisitorial dos primeiros tempos do Golpe de 64, do qual foi fiel servidor e serviçal.

Impressiona a forma absolutamente distanciada com que se refere ao assunto, no que diz respeito às sujeiras cometidas, com as quais concordou, pois quem cala consente. Interessante observar como os técnicos acham que não são cúmplices dos governos a que servem, parece que só fazem as contas e não têm nada a ver com as conseqüências com trema. Mas isso é outra história...

Para poupar sacos e sacolas dos leitores e leitoras, deixo para Luís Fernando Veríssimo um texto mais elegante para essas poucas lembranças e muitos esquecimentos (7):

Nem o Delfim, nem o Roberto Campos, nem o ACM, nem qualquer dos pro-homens daquele tempo aprovariam a tortura e os excessos da repressão se tivessem lhes perguntado, e pode-se concluir que os escrúpulos de consciência que o então ministro Passarinho mandou às favas voltaram das favas a tempo de salvar sua biografia (...) Não há porque ficar discutindo , agora, sangue derramado há tanto tempo. Nenhum deles torturou pessoalmente ninguém. (...) O sonho inconfessado de toda mente aristocrática impaciente com a ética dos meios, quando o fim é tão mais importante. (...) Ali estava o Delfim, com a faca numa mão e o queijo na outra, e licença para ser aético à vontade. Depois, como estamos no Brasil, todos puderam ir às favas catar seus escrúpulos, reconstruir suas consciências e terem uma longa e proveitosa vida pública.”

Com esse livro, Sir Roberto Campos (só faltou ganhar esse título...) foi eleito imortal pela Academia Brasileira (?) de Letras. Foi mais um imortal que morreu, sendo substituído por outro imortal que vai morrer.

POMBO CORREIO

Direto de Belo Horizonte para Madri, Barcelona e outros arraiais espanhóis.

Ida:

De Ernani Pavaneli para Paulinho Idem...

Só prá te dizer que vc está escrevendo bem prá caralho. Gostaria um dia de ler algo que vc escreva sobre vc mesmo, suas experiências pessoais, seu modo de ver a vida, algo assim. Beijão e vou continuar a ler seu blog em plagas espanholas.

Volta:

De Paulinho Pavaneli para Ernani Idem...

Grato pelas palavras que sei sinceras e boa viagem, melhor estadia e excelentes vendas pictóricas!!! Beijos.


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Notas:

(1)Com uma média de 39 linhas cada uma, totaliza 55.263 linhas. Cada linha contendo em média 11 palavras, são 607.893 palavras. Com uma média de 6 caracteres por palavra, resultam 3.647.358 caracteres. Tais cálculos minuciosos tomam por base a linha 25 da página 95 como exemplo, adotada como padrão. Se cada um mede 1 milímetro de largura, temos 3,65 quilômetros de caracteres na obra, fora os espaços. A quem ousar criticar a metodologia adotada, lembro apenas que é de qualidade infinitamente superior quando se compara com 99,99% das adotadas por economistas de quaisquer procedências.

(2) Campos, Roberto de Oliveira; “A Lanterna na Popa”; Topbooks; 1994, pág.22.

(3) Idem, págs.879 a 926.

(4) Idem, pág. 14, “Amor à Primeira Vista”.

(5) Idem, pág. 1283, “O Sonho Frustrado da Juventude”.

(6) Idem, pág. 725, “Os Ossos do Ofício”.

(7)Veríssimo, Luis Fernando, in Jornal do Brasil, 10-12-1998.

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