
O autor, depois de esvaziar os copos...
POMBO CORREIO
1.Recebí uma mensagem do
amigo-leitor Alfredo Costa dizendo: “(...) seu blog é demais. Habilite os
comentários lá para os leitores interagirem! Abraços!”
Resposta: “Alfredo: não sei como fazer para habilitar
os comentários. Se souber, favor me ensinar. Grato e abraços.”
2.Gostaria de
agradecer ao amigo-leitor Marco Antonio Furtado pela colaboração e pelos
compartilhamentos feitos no facebook.
3.Proponho a
seguinte solução, enquanto não ocorrer comentários diretos no Pau Comeu. Enviem
suas contribuições, observações, críticas e sugestões para o e-mail do autor: paulinhopavaneli@gmail.com; assim,
postarei aqui no Pombo Correio e poderemos trocar idéias com acento agudo.
SEBASTIÃO NUNES: O
ESPAÇO N’O TEMPO
Quem está acostumado a ler o jornal mineiro “O TEMPO”, aos
domingos vai direto ao caderno cultural “Magazine”,
na página 2, para conferir a escrita inteligente de Sebastião Nunes. Nome chamado
pelos leitores adultos, também conhecido como Sebastião Nuvens, pelo pessoal da
literatura infantil.
Destaque neste dia 05 de maio de 2013 para o irretocável
texto “Herança e Poder”, que tem vida própria fora do contexto do ensaio
original:
“Até mesmo a
afirmação de que o direito à herança é absurdo será vista com estranheza pela
maioria das pessoas. Estamos acostumados e ninguém liga. Filhos de ricos herdam
não só a fortuna dos pais como, desde o nascimento, o direito a melhores
condições de saúde, alimentação, educação e todas as regalias que o dinheiro
pode comprar.
No
entanto – e aqui entre nós -, o que é que justifica o direito de herdar? O que
é que explica, social e economicamente, que alguns nasçam com mais direitos do
que outros?
Na
verdade, nada, exceto o fato de que as leis são criadas e impostas pelos
poderosos. Exceto pelo fato de que os próprios legisladores são filhos do poder
e possuem interesse total em retransmitir sua herança aos filhos e aos filhos
dos filhos. O mesmo quanto ao judiciário, cujo papel principal é o de aplicar
“corretamente” as leis criadas pelos donos do poder, do qual faz parte. É um
circulo vicioso infernal e interminável, tão vicioso que já me repeti aqui
dezenas de vezes. Ou seja, democracia continua a ser conversa fiada.”
Claro como água não poluída pelos dejetos dos lamentáveis
larápios executivos, legislativos e judiciários... além de banqueiros, grandes
empresários e donos da grande imprensa,
naturalmente.
UM EXEMPLO DE
JORNALISTA
Pau Comeu homenageia, nessa edição de 07 de maio, o jornalista Geneton Moraes Neto,
pelas reportagens espetaculares mostradas no Canal Brasil (programa “Dossiê
Globonews”).
Discípulo declarado de Joel Silveira, a quem se referiu
com as seguintes palavras:
“(...) tive a chance de conviver
intensamente, durante vinte anos, com aquele que é considerado o maior
repórter brasileiro. Uma vez, bati na porta do apartamento do
ex-correspondente de guerra Joel Silveira, no sexto andar de um prédio da
rua Francisco Sá, em Copacabana, em busca de uma entrevista. Nascia
ali uma convivência que se estenderia por exatas duas décadas.”
No seu programa, “Garrafas ao Mar: A Víbora Manda
Lembranças”, Geneton entrevistou Joel pouco antes de sua morte. O problema das
resenhas publicadas nos aparatos jornalísticos sucursais d’O Globo, como o G1,
por exemplo, é que as partes mais deliciosas são cortadas.
Procurei, mas não achei, sobre a pergunta feita por Geneton
a Nelson Rodrigues, sobre a derradeira frase que o dramaturgo diria antes de
morrer, tendo ouvido como resposta: “Marx
foi uma besta!”. Geneton, então, fez a mesma pergunta a Joel Silveira, que
respondeu: “Nelson Rodrigues é uma besta!
Pois só pode ser uma besta quem disse que Marx foi uma besta!”
No programa com o ex-ministro Reis Velloso, uma
informação interessante foi publicada: que achava que os militares deveriam
terminar com a intervenção armada com o fim do tempo do Castelo Branco e promover
eleições diretas, que seriam disputadas por Lacerda e Juscelino, em 1965. Mesmo assim, o
ex-ministro serviu a dois ditadores, Médici e Geisel, inscrevendo seu nome como
co-participante da ditadura. A outra informação, estou procurando até hoje:
Reis Velloso e o general golpista Golbery do Couto e Silva (o gênio da raça,
segundo Glauber Rocha e inspirador do Élio Gáspari) papeavam sentados nos
respectivos tronos, vizinhos, no banheiro do Palácio do Planalto, sobre as
grandes questões nacionais. Assim, muitas coisas geniais foram verdadeiramente
obradas durante os respectivos jorros excrementais.
Já não se fazem repórteres como Joel Silveira, com a
honrosa exceção de Geneton Moraes Neto.
Para encerrar, cito a citação de Geneton, sobre o gesto
anônimo de um pichador mexicano que, cansado de viver num planeta sem utopias,
pediu: “Chega de realizações! Queremos
promessas!”. E completou: “Se fosse
se ocupar do jornalismo, o pichador bem que poderia dizer: “Chega de
objetividade! As notícias já vi na internet e na TV! Quero vivacidade,
imaginação, arrebatamento, ousadia!” (...)”
FRASES PARA O DISCURSO
DE POSSE DE FHC NA ACADEMIA
O DATAPAU saiu às ruas para pesquisar as sugestões da plebe
ignara para frases que contemplarão o discurso de posse do ex-intelectual
Fernando Henrique Cardoso na Academia Brasileira de Letras. Como os leitores
sabem, no DATAPAU não existe margem de erro e todos os percentuais são
inteiros.
Entre as mais votadas, surgiram:
1º) “Esqueçam o que
escrevi!”, com 60%;
2º) “Todo
aposentado é vagabundo!”, com 30%; e
3º) “Sou mulatinho,
tenho um pé na cozinha.”, com 10%.
Pau Comeu deseja ao futuro enfardado ótimos chás-das-cinco, trocando figurinhas com
José Sarney e Merval Pereira, além das orações para Roberto Marinho in memoriam. E que prepare sua vaga para Arnaldo Jabor.
Por falar nisso, segundo Millôr Fernandes, “A ABL nada mais é do que uma sociedade com
39 membros e um morto circulante”.
JÓIAS DO PENSAMENTO À
MANEIRA DE DANUZA LEÃO
Um amigo meu, que conhece o mundo muito melhor do que eu,
disse que, em Tóquio, presidentes de empresas varrem a calçada das ruas em que
moram. Em Manhattan (não a Connection, claro) banqueiros usam o metrô para ir
para o trabalho. Em muitos países europeus, o que distingue a elite é o
conhecimento.
Aqui em Pindorama, os que ocupam o topo da pirâmide acham-se
diferentes, especiais, exclusivos, aristocráticos e o escambau. Para os
referidos, o que interessa é saber que só poucos, como eles, podem desfrutar de
alguns encantamentos especiais. Quando a democracia distributiva de renda
permite aos menos aquinhoados a oportunidade de viajar de avião, então aí não
vale, acabou a brincadeira, perdeu a graça. O jeito é viajar para outros
paraísos, os fiscais de preferência. Para eles, não basta enricar, tem que
tripudiar sobre o resto.
Caberia, na cabeça de Dona Danuza Dondoca Leão o seguinte
pensamento:
“Tenho passado as
noites em claro, apavorada, já que sou totalmente dependente de uma ajudante
doméstica. Que felicidade entrar numa casa e sentir que por ali passou uma abençoada
mão de fada, com aquele toque de talento que Deus não me deu. Troco essa ajuda
por qualquer vestido, carro, viagem, jóia... Nada melhor que uma casa bem
arrumada e cheirosa.”
ABRINDO O BAÚ
No ano de 2005, o autor, atravessando uma fase de mais
baixos do que altos, como quase sempre, começou a escrever umas reflexões que, somadas, iriam
constituir -se em um livro intitulado “Humores & Rancores Em Doses”, uma
espécie de “Balaio de Gatos e Ratos”, do qual fazia parte a crônica seguinte.
OS
RATOS
Detesto os ratos, sem exceção.
Nem livro a cara do Jerry, que vive sacaneando o Tom.
Reparando bem, o Jerry é um tremendo mau-caráter, quando a coisa engrossa apela
para o cão. O cão não tem nome, é o Cão. O Tom apenas cumpre sua natureza de
gato que caças ratos.
Além das acepções comuns aos ratos, existem outras mais
interessantes quando os humanos metem a colher na briga.
O rato é um
mamífero roedor, mama e rói. Entre as várias espécies, tem rato-boiadeiro, branco,
calunga, caseiro, catita, coro, d’água, de barriga branca, de casa, de esgoto,
de espinho, de paiol, de pentes, do bambu, do mato, doméstico, preto, toró. Dá
um time e seis reservas.
Daí que tem
rato em todo lugar. Tem rato de hotel, de praia, de sacristia.
O brasileiro
batizou de ratos os tratantes e os canalhas. São curiosas as derivações. Ratinhar
é economizar exageradamente, regatear. Ratar é morder. Ratuíno é ordinário.
Ratuína é prostituta reles.
Todo rato
gosta de queijos. Alguns, mais sofisticados, apreciam queijos e vinhos. Por
coincidência vestem-se de gravata e colarinho branco.
Quem quiser
acabar com a rataria que compre um raticida...
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