terça-feira, 7 de maio de 2013

EDIÇÃO Nº 36: GENETON, O REPÓRTER



O autor, depois de esvaziar os copos...



 

POMBO CORREIO

1.Recebí uma mensagem do amigo-leitor Alfredo Costa dizendo: “(...) seu blog é demais. Habilite os comentários lá para os leitores interagirem! Abraços!”

Resposta:  “Alfredo: não sei como fazer para habilitar os comentários. Se souber, favor me ensinar. Grato e abraços.”

2.Gostaria de agradecer ao amigo-leitor Marco Antonio Furtado pela colaboração e pelos compartilhamentos feitos no facebook.

3.Proponho a seguinte solução, enquanto não ocorrer comentários diretos no Pau Comeu. Enviem suas contribuições, observações, críticas e sugestões para o e-mail do autor: paulinhopavaneli@gmail.com; assim, postarei aqui no Pombo Correio e poderemos trocar idéias com acento agudo.

 

SEBASTIÃO NUNES: O ESPAÇO N’O TEMPO

Quem está acostumado a ler o jornal mineiro “O TEMPO”, aos domingos vai direto ao  caderno cultural “Magazine”, na página 2, para conferir a escrita inteligente de Sebastião Nunes. Nome chamado pelos leitores adultos, também conhecido como Sebastião Nuvens, pelo pessoal da literatura infantil.

Destaque neste dia 05 de maio de 2013 para o irretocável texto “Herança e Poder”, que tem vida própria fora do contexto do ensaio original:

Até mesmo a afirmação de que o direito à herança é absurdo será vista com estranheza pela maioria das pessoas. Estamos acostumados e ninguém liga. Filhos de ricos herdam não só a fortuna dos pais como, desde o nascimento, o direito a melhores condições de saúde, alimentação, educação e todas as regalias que o dinheiro pode comprar.

No entanto – e aqui entre nós -, o que é que justifica o direito de herdar? O que é que explica, social e economicamente, que alguns nasçam com mais direitos do que outros?

Na verdade, nada, exceto o fato de que as leis são criadas e impostas pelos poderosos. Exceto pelo fato de que os próprios legisladores são filhos do poder e possuem interesse total em retransmitir sua herança aos filhos e aos filhos dos filhos. O mesmo quanto ao judiciário, cujo papel principal é o de aplicar “corretamente” as leis criadas pelos donos do poder, do qual faz parte. É um circulo vicioso infernal e interminável, tão vicioso que já me repeti aqui dezenas de vezes. Ou seja, democracia continua a ser conversa fiada.”

Claro como água não poluída pelos dejetos dos lamentáveis larápios executivos, legislativos e judiciários... além de banqueiros, grandes empresários  e donos da grande imprensa, naturalmente.



UM EXEMPLO DE JORNALISTA

Pau Comeu homenageia, nessa edição de 07 de maio, o jornalista Geneton Moraes Neto, pelas reportagens espetaculares mostradas no Canal Brasil (programa “Dossiê Globonews”).

Discípulo declarado de Joel Silveira, a quem se referiu com as seguintes palavras:

“(...) tive a chance de conviver intensamente, durante vinte anos, com aquele que é considerado o maior repórter brasileiro. Uma vez, bati na porta do apartamento do ex-correspondente de guerra Joel Silveira, no sexto andar de um prédio da rua Francisco Sá, em Copacabana, em  busca de uma entrevista. Nascia ali uma convivência que se estenderia por exatas duas décadas.”

No seu programa, “Garrafas ao Mar: A Víbora Manda Lembranças”, Geneton entrevistou Joel pouco antes de sua morte. O problema das resenhas publicadas nos aparatos jornalísticos sucursais d’O Globo, como o G1, por exemplo, é que as partes mais deliciosas são cortadas.

Procurei, mas não achei, sobre a pergunta feita por Geneton a Nelson Rodrigues, sobre a derradeira frase que o dramaturgo diria antes de morrer, tendo ouvido como resposta: “Marx foi uma besta!”. Geneton, então, fez a mesma pergunta a Joel Silveira, que respondeu: “Nelson Rodrigues é uma besta! Pois só pode ser uma besta quem disse que Marx foi uma besta!

No programa com o ex-ministro Reis Velloso, uma informação interessante foi publicada: que achava que os militares deveriam terminar com a intervenção armada com o fim do tempo do Castelo Branco e promover eleições diretas, que seriam disputadas por  Lacerda e Juscelino, em 1965. Mesmo assim, o ex-ministro serviu a dois ditadores, Médici e Geisel, inscrevendo seu nome como co-participante da ditadura. A outra informação, estou procurando até hoje: Reis Velloso e o general golpista Golbery do Couto e Silva (o gênio da raça, segundo Glauber Rocha e inspirador do Élio Gáspari) papeavam sentados nos respectivos tronos, vizinhos, no banheiro do Palácio do Planalto, sobre as grandes questões nacionais. Assim, muitas coisas geniais foram verdadeiramente obradas durante os respectivos jorros excrementais.

Já não se fazem repórteres como Joel Silveira, com a honrosa exceção de Geneton Moraes Neto.

Para encerrar, cito a citação de Geneton, sobre o gesto anônimo de um pichador mexicano que, cansado de viver num planeta sem utopias, pediu: “Chega de realizações! Queremos promessas!”. E completou: “Se fosse se ocupar do jornalismo, o pichador bem que poderia dizer: “Chega de objetividade! As notícias já vi na internet e na TV! Quero vivacidade, imaginação, arrebatamento, ousadia!” (...)”

 

FRASES PARA O DISCURSO DE POSSE DE FHC NA ACADEMIA

O DATAPAU saiu às ruas para pesquisar as sugestões da plebe ignara para frases que contemplarão o discurso de posse do ex-intelectual Fernando Henrique Cardoso na Academia Brasileira de Letras. Como os leitores sabem, no DATAPAU não existe margem de erro e todos os percentuais são inteiros.

Entre as mais votadas, surgiram:

1º) “Esqueçam o que escrevi!”, com 60%;

2º) “Todo aposentado é vagabundo!”, com 30%; e

3º) “Sou mulatinho, tenho um pé na cozinha.”, com 10%.

Pau Comeu deseja ao futuro enfardado  ótimos chás-das-cinco, trocando figurinhas com José Sarney e Merval Pereira, além das orações para  Roberto Marinho in memoriam. E que prepare sua vaga para Arnaldo Jabor.

Por falar nisso, segundo Millôr Fernandes, “A ABL nada mais é do que uma sociedade com 39 membros e um morto circulante”.

 

JÓIAS DO PENSAMENTO À MANEIRA DE DANUZA LEÃO

Um amigo meu, que conhece o mundo muito melhor do que eu, disse que, em Tóquio, presidentes de empresas varrem a calçada das ruas em que moram. Em Manhattan (não a Connection, claro) banqueiros usam o metrô para ir para o trabalho. Em muitos países europeus, o que distingue a elite é o conhecimento.

Aqui em Pindorama, os que ocupam o topo da pirâmide acham-se diferentes, especiais, exclusivos, aristocráticos e o escambau. Para os referidos, o que interessa é saber que só poucos, como eles, podem desfrutar de alguns encantamentos especiais. Quando a democracia distributiva de renda permite aos menos aquinhoados a oportunidade de viajar de avião, então aí não vale, acabou a brincadeira, perdeu a graça. O jeito é viajar para outros paraísos, os fiscais de preferência. Para eles, não basta enricar, tem que tripudiar sobre o resto.

Caberia, na cabeça de Dona Danuza Dondoca Leão o seguinte pensamento:

Tenho passado as noites em claro, apavorada, já que sou totalmente dependente de uma ajudante doméstica. Que felicidade entrar numa casa e sentir que por ali passou uma abençoada mão de fada, com aquele toque de talento que Deus não me deu. Troco essa ajuda por qualquer vestido, carro, viagem, jóia... Nada melhor que uma casa bem arrumada e cheirosa.”
 

ABRINDO O BAÚ

No ano de 2005, o autor, atravessando uma fase de mais baixos do que altos, como quase sempre, começou a escrever umas reflexões que, somadas, iriam constituir -se em um livro intitulado “Humores & Rancores Em Doses”, uma espécie de “Balaio de Gatos e Ratos”, do qual fazia parte a crônica seguinte.

OS RATOS

Detesto os ratos, sem exceção.

Nem livro a cara do Jerry, que vive sacaneando o Tom. Reparando bem, o Jerry é um tremendo mau-caráter, quando a coisa engrossa apela para o cão. O cão não tem nome, é o Cão. O Tom apenas cumpre sua natureza de gato que caças ratos.

Além das acepções comuns aos ratos, existem outras mais interessantes quando os humanos metem a colher na briga.

O rato é um mamífero roedor, mama e rói. Entre as várias espécies, tem rato-boiadeiro, branco, calunga, caseiro, catita, coro, d’água, de barriga branca, de casa, de esgoto, de espinho, de paiol, de pentes, do bambu, do mato, doméstico, preto, toró. Dá um time e seis reservas.

Daí que tem rato em todo lugar. Tem rato de hotel, de praia, de sacristia.

O brasileiro batizou de ratos os tratantes e os canalhas. São curiosas as derivações. Ratinhar é economizar exageradamente, regatear. Ratar é morder. Ratuíno é ordinário. Ratuína é prostituta reles.

Todo rato gosta de queijos. Alguns, mais sofisticados, apreciam queijos e vinhos. Por coincidência vestem-se de gravata e colarinho branco.

Quem quiser acabar com a rataria que compre um raticida...

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