QUEM
MATOU RUBENS PAIVA
Em entrevista concedida ao jornalista Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo, perguntado sobre o que acha que virá daqui pra
frente, após o reconhecimento oficial de que o pai foi morto no interior do
DOI-Codi do Rio de Janeiro, o também jornalista Marcelo Rubens Paiva, filho do
Deputado cassado Rubens Beirodt Paiva, respondeu:
“(...)O
que vai mudar é o que vem agora, o que não foi revelado: em qual dia foi morto?
Para onde foi o corpo? Quem deu as ordens? Ele foi esquartejado? Quem levou o
corpo? Quem matou vai ser chamado a depor? Já sabemos que um deles morreu e
dois estão vivos. Só eles vão responder? Será que, como sempre acontece no
Brasil, a corda vai estourar no lado da ralé?”
“Quem sobreviveu são oficiaizinhos
do Exército. Eles é que vão responder? Só quem bateu é responsável? Quem
mandou? Quem era o comandante? Por que havia tortura? Por que existia o
DOI-Codi? Por que meu pai foi preso? Por que o golpe de 1964? O que o
empresariado americano queria com o golpe? E o empresariado brasileiro?”
“(...) Para mim ainda falta o
documento essencial: aonde foi o corpo do meu pai? Quem mandou esquartejar? Foi
jogado no mar? Enterrado na Barra da Tijuca? Que dia saiu a viatura com o corpo
de dentro do DOI-Codi? Outra coisa: minha mãe ficou presa nesse mesmo DOI-Codi
e nesse mesmo período durante treze dias. Cadê o documento sobre a prisão dela?
Por que ficou presa?”
Pau
Comeu sabe que todo mundo sabe quem matou. Aplicada retroativamente a teoria do
Domínio do Fato, sucesso de mídia em 2012, em 1971 governava o país o general-ditador
Emílio Garrastazu Médici.
ESTILOS DE
JORNALISMO: DOIS EXEMPLOS ANTAGÔNICOS
Quem se dá ao trabalho de ao menos tentar escrever para que outros leiam, caso
do blogueiro em pauta, presta atenção nos “novos estilos” elaborados pelos
jornalistas mais experientes. De preferência busca comparar estilos que se
contraponham, para estabelecer diferenças marcantes, até de caráter, entre autores
e produtos.
Tal idéia surgiu quando me deparei com um artigo do jornalista Sebastião
Nunes, do jornal “O Tempo” de Minas Gerais, e resolvi comparar com uma
manifestação do jornalista Ricardo Noblat, de Brasília, que é ligado à “Rede
Globo” (de Comunicação Virtual, penso eu, pois o referido se auto-intitula
blogueiro).
Ricardo Noblat, conforme publicado no blog do Altamiro Borges dias atrás, é
“(...) o mesmo que desferiu duros ataques no sítio do jornal Globo aos candidadtos
peemedebistas às eleições no Congresso Nacional, hoje à tarde decidiu rasgar
elogios ao recém-eleito presidente da Câmara Federal.”
O referido blogueiro global, ou globeiro blogal, tanto faz, simplesmente
declarou o seguinte: “Salvo se
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) for um político leviano, irresponsável, cínico,
mentiroso e sem palavra, ele enterrou de vez a possibilidade de um confronto de
desdobramentos imprevisíveis entre os poderes Legislativo e Judiciário devido
ao processo do mensalão”.
Simples. Sensacional. Original.
Está inaugurado o estilo de “JORNALISMO SALVO SE”. Qual seria o significado deste tipo moderno
de Jornalismo? Respondo com o exemplo seguinte: “Salvo se Fulano de Tal for um filho de uma senhora honesta, ele
enterrou de vez a possibilidade de ser um filho da puta.”
Quanto ao colunista Sebastião Nunes, do jornal
mineiro “O Tempo”, lançou o estilo de “A
HISTÓRIA É MAIS COMPLICADA QUE ISSO, MAS NÃO TENHO ESPAÇO PARA”.
Qual seria o significado deste outro tipo moderno
de Jornalismo? Seguinte: reconhece que uma página ou duas, num jornal, quase
sempre é insuficiente para o esclarecimento da opinião emitida.
Como exemplo, extraio um trecho de sua crônica em
que comenta, entre outras coisas, a trajetória de Itamar Franco no exercício do
governo de Minas: “(...) Logo de cara, decretou a moratória do Estado, alegando
que a taxa de juros pagos por Minas era de 7,5% contra 6% de São Paulo (a
história é mais complicada que isso, mas não tenho espaço para economia aqui).”
Salta aos olhos mais cegos a diferença de estilo
e de caráter.
Já dizia José Saramago que o twitter é a ante-sala do grunhido.
Enquanto Sebastião escreve, Ricardo, quando quase
tuita, grunhe...
PRÓXIMA EDIÇÃO
Por falar em twitter,
Pau Comeu deixa claro que o espaço proposto para o twitter é ideal para
declarações superficiais, sem maior responsabilidade. Sendo assim, nos 140
caracteres cabe no máximo um quase sesquipedal palavrão. Mestre no ofício,
Paulo Cesar Pereio será homenageado na próxima edição, ao vivo e em cores.
Também trará um comentário sobre a crônica interessante e elucidativa do
Sebastião Nunes, intitulada “O último ato de grandeza de um governador de
Minas”, prometendo adicionar algumas idéias.
E por último, esperando que Dona Yoani Sánchez embarque sua grandiosa
beleza para outras plagas, Pau Comeu focalizará sua estadia por aqui, com destaque para o roteiro
que ela não cumpriu.
BOOMERANG DE BRONZE
>>>>> “Essas pessoas (acionistas da Petrobras) correm o
risco de ver sua poupança se esvair pelo ralo devido ao mau desempenho da
companhia”
Ana Amélia, senadora do PP-RS.
<<<<<Recomendamos à brilhante senadora que venda suas ações
da Petrobras (investimento de risco) e coloque seu suado dinheirinho na
caderneta de poupança, onde só há risco se Fernando Collor/Zélia Cardoso
voltarem ao Poder.
Pau Comeu, sem a dor, sem partido.
BOOMERANG DE PRATA
>>>>>”Nunca é demais lembrar a insensatez dos gestores
lulopetistas em permitir a volta da inflação.”
Roberto Freire, presidente do PPS.
<<<<< Nunca é demais lamentar a infelicidade dos eleitores
paulistas em possibilitar a volta de Roberto Freire ao Congresso, depois de
devidamente expurgado pelo esclarecido eleitorado pernambucano.
Pau Comeu, presidente de porra nenhuma.
BOOMERANG DE OURO
>>>>>”A idade avançada nem sempre é uma garantia de
sabedoria.”
Luiz
Garcia, colunista de “O Globo”, comentando
a renúncia de Bento XVI.
<<<<< Pau Comeu concorda, lembrando a não-renúncia de
Fernando Henrique Cardoso, também colunista de “O Globo”, que segue dando seus
palpites, agora como fiador da candidatura de Aécio Neves.
Pau Comeu, blog fã do Éfeagagá.
DICA DE PEDIDO DE DICA
A quem souber onde encontrar o livro “Paulo Leminski: O Bandido que Sabia
Latim”, biografia publicada em 2000, pela Companhia das Letras, de autoria de
Toninho Vaz, favor enviar para o meu e-mail.
(Fim da Edição nº 27, dia 21-02-2013).
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