quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

EDIÇÃO Nº 27: TODO MUNDO SABE QUEM MATOU



QUEM MATOU RUBENS PAIVA

Em entrevista concedida ao jornalista Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo,  perguntado sobre o que acha que virá daqui pra frente, após o reconhecimento oficial de que o pai foi morto no interior do DOI-Codi do Rio de Janeiro, o também jornalista Marcelo Rubens Paiva, filho do Deputado cassado Rubens Beirodt Paiva, respondeu:

            “(...)O que vai mudar é o que vem agora, o que não foi revelado: em qual dia foi morto? Para onde foi o corpo? Quem deu as ordens? Ele foi esquartejado? Quem levou o corpo? Quem matou vai ser chamado a depor? Já sabemos que um deles morreu e dois estão vivos. Só eles vão responder? Será que, como sempre acontece no Brasil, a corda vai estourar no lado da ralé?”

            “Quem sobreviveu são oficiaizinhos do Exército. Eles é que vão responder? Só quem bateu é responsável? Quem mandou? Quem era o comandante? Por que havia tortura? Por que existia o DOI-Codi? Por que meu pai foi preso? Por que o golpe de 1964? O que o empresariado americano queria com o golpe? E o empresariado brasileiro?”

         “(...) Para mim ainda falta o documento essencial: aonde foi o corpo do meu pai? Quem mandou esquartejar? Foi jogado no mar? Enterrado na Barra da Tijuca? Que dia saiu a viatura com o corpo de dentro do DOI-Codi? Outra coisa: minha mãe ficou presa nesse mesmo DOI-Codi e nesse mesmo período durante treze dias. Cadê o documento sobre a prisão dela? Por que ficou presa?”

Pau Comeu sabe que todo mundo sabe quem matou. Aplicada retroativamente a teoria do Domínio do Fato, sucesso de mídia em 2012, em 1971 governava o país o general-ditador Emílio Garrastazu Médici.

 

ESTILOS  DE  JORNALISMO: DOIS EXEMPLOS ANTAGÔNICOS

Quem se dá ao trabalho de ao menos tentar escrever para que outros leiam, caso do blogueiro em pauta, presta atenção nos “novos estilos” elaborados pelos jornalistas mais experientes. De preferência busca comparar estilos que se contraponham, para estabelecer diferenças marcantes, até de caráter, entre autores e produtos.

Tal idéia surgiu quando me deparei com um artigo do jornalista Sebastião Nunes, do jornal “O Tempo” de Minas Gerais, e resolvi comparar com uma manifestação do jornalista Ricardo Noblat, de Brasília, que é ligado à “Rede Globo” (de Comunicação Virtual, penso eu, pois o referido se auto-intitula blogueiro).

Ricardo Noblat, conforme publicado no blog do Altamiro Borges dias atrás, é “(...) o mesmo que desferiu duros ataques no sítio do jornal Globo aos candidadtos peemedebistas às eleições no Congresso Nacional, hoje à tarde decidiu rasgar elogios ao recém-eleito presidente da Câmara Federal.”

O referido blogueiro global, ou globeiro blogal, tanto faz, simplesmente declarou o seguinte: “Salvo se Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) for um político leviano, irresponsável, cínico, mentiroso e sem palavra, ele enterrou de vez a possibilidade de um confronto de desdobramentos imprevisíveis entre os poderes Legislativo e Judiciário devido ao processo do mensalão”.

Simples. Sensacional. Original.

Está inaugurado o estilo de “JORNALISMO SALVO SE”. Qual seria o significado deste tipo moderno de Jornalismo? Respondo com o exemplo seguinte: “Salvo se Fulano de Tal for um filho de uma senhora honesta, ele enterrou de vez a possibilidade de ser um filho da puta.”

Quanto ao colunista Sebastião Nunes, do jornal mineiro “O Tempo”, lançou o estilo de “A HISTÓRIA É MAIS COMPLICADA QUE ISSO, MAS NÃO TENHO ESPAÇO PARA”.

Qual seria o significado deste outro tipo moderno de Jornalismo? Seguinte: reconhece que uma página ou duas, num jornal, quase sempre é insuficiente para o esclarecimento da opinião emitida.

Como exemplo, extraio um trecho de sua crônica em que comenta, entre outras coisas, a trajetória de Itamar Franco no exercício do governo de Minas: “(...) Logo de cara, decretou a moratória do Estado, alegando que a taxa de juros pagos por Minas era de 7,5% contra 6% de São Paulo (a história é mais complicada que isso, mas não tenho espaço para economia aqui).”

Salta aos olhos mais cegos a diferença de estilo e de caráter.

Já dizia José Saramago que o twitter é a ante-sala do grunhido.

Enquanto Sebastião escreve, Ricardo, quando quase tuita, grunhe...

 

PRÓXIMA EDIÇÃO

Por falar em twitter, Pau Comeu deixa claro que o espaço proposto para o twitter é ideal para declarações superficiais, sem maior responsabilidade. Sendo assim, nos 140 caracteres cabe no máximo um quase sesquipedal palavrão. Mestre no ofício, Paulo Cesar Pereio será homenageado na próxima edição, ao vivo e em cores.

Também trará um comentário sobre a crônica interessante e elucidativa do Sebastião Nunes, intitulada “O último ato de grandeza de um governador de Minas”, prometendo adicionar algumas idéias.

E por último, esperando que Dona Yoani Sánchez embarque sua grandiosa beleza para outras plagas, Pau Comeu focalizará  sua estadia por aqui, com destaque para o roteiro que ela não cumpriu.

 

BOOMERANG DE BRONZE

>>>>> “Essas pessoas (acionistas da Petrobras) correm o risco de ver sua poupança se esvair pelo ralo devido ao mau desempenho da companhia”
Ana Amélia, senadora do PP-RS.

<<<<<Recomendamos à brilhante senadora que venda suas ações da Petrobras (investimento de risco) e coloque seu suado dinheirinho na caderneta de poupança, onde só há risco se Fernando Collor/Zélia Cardoso voltarem ao Poder.
Pau Comeu, sem a dor, sem partido.

BOOMERANG DE PRATA

>>>>>”Nunca é demais lembrar a insensatez dos gestores lulopetistas em permitir a volta da inflação.”
Roberto Freire, presidente do PPS.

<<<<< Nunca é demais lamentar a infelicidade dos eleitores paulistas em possibilitar a volta de Roberto Freire ao Congresso, depois de devidamente expurgado pelo esclarecido eleitorado pernambucano.
Pau Comeu, presidente de porra nenhuma.

BOOMERANG DE OURO

>>>>>”A idade avançada nem sempre é uma garantia de sabedoria.”
Luiz Garcia, colunista de “O Globo”,  comentando a renúncia de Bento XVI.

 

<<<<< Pau Comeu concorda, lembrando a não-renúncia de Fernando Henrique Cardoso, também colunista de “O Globo”, que segue dando seus palpites, agora como fiador da candidatura de Aécio Neves.
Pau Comeu, blog fã do Éfeagagá.

 

DICA DE PEDIDO DE DICA

A quem souber onde encontrar o livro “Paulo Leminski: O Bandido que Sabia Latim”, biografia publicada em 2000, pela Companhia das Letras, de autoria de Toninho Vaz, favor enviar para o meu e-mail.
(Fim da Edição nº 27, dia 21-02-2013).

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