RELEMBRANDO O MOTIVO DA CRIAÇÃO DO BLOG
Para os
leitores mais recentes, que todos sejam bem vindos, uma síntese do criador e da
criatura:
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“Aposentado, após
quase 40 anos de atividades, dos quais alguns, militante do exército
industrial de reserva do capitalismo internacional, depois de catalogado como
cidadão da Classe A, uma mentira estatística, passou sem armas nem bagagens
para a Classe C- (C menos), seu verdadeiro lugar, sendo assim mais um
subemergente.
Para não morrer de
tédio ou raiva criou este blog, cujo título foi objeto de pesquisa popular.
Conta com o apoio
dos conhecidos, através de intervenções preferencialmente inteligentes para
que o nível mantenha-se superior ao do autor.”
|
TEMA DA PRESENTE EDIÇÃO
O tema é o “Bullying”.
Na língua pátria deles “bullying is aggressive physical contact, words or
actions to cause another person injury or discomfort”. Ou “bullying is the use
of force or coercion to abuse or intimidate others. The behavior can be
habitual and involve an imbalance of social or physical power.”
Na nossa pobre (menina rica) língua portuguesa, é uma
sacanagem que alguém faz com outra pessoa, aproveitando-se de uma situação de
superioridade física ou psicológica, momentânea ou não, na relação.
Em resumo, é PERSEGUIÇÃO
COVARDE.
Agora que virou moda internacional, pode-se denunciar que as
pessoas irão entender.
Há alguns anos atrás, resolvia-se na porrada, quando os
tamanhos dos litigantes se nivelavam. Quando não, o mais fraco sofria e ponto.
O bullying pessoal era o menos
grave... Mas doía em quem sofria.
Cito como exemplo o que
experimentei adolescente, de baixa estatura, metro e meio se tanto, quando um
professor de Biologia (na época, apelidada “Ciências Naturais”), com
pouquíssimo mais de metro e sessenta, resolveu “encarnar ni mim”, causando-me
constrangimentos que quase me levaram a repetir o ano. Passei de ano,
esqueci-me da abjeta pessoa, da qual só me lembro mais ou menos o nome: Teobaldo,
não sei se dos Santos ou de Souza... Eu era estudante no Instituto La-Fayette,
na rua Haddock Lobo, na Tijuca, no Rio de Janeiro, em frente à Igreja dos
Capuchinhos. Eram os anos 50-60tas. Como era um garoto simpático, ganhei a
solidariedade dos colegas, que seriam amigos para sempre se eu não perdesse as
pistas de onde se escondem e vice-versa.
Era muito comum, na infância, o
menino maior de tamanho sacanear o de menor. Na época, uma brincadeira, chamada
“carniça”, permitia algumas vezes, por causa de espertezas, que o menor levasse
alguma vantagem. Eram coisas resolvidas, às vezes na conversa, às vezes na
porrada. Mais vezes na porrada que na conversa. Apanhei mais do que bati, era
menor no tamanho...
Crescendo, fui verificando que a
PERSEGUIÇÃO COVARDE (de agora em
diante substituindo a palavra “bullying”) era utilizada em muitas ocasiões, as
mais diferentes, e mudavam de perseguições individuais para coletivas.
Na Faculdade, a perseguição
política covarde prevalecia, porque era época de ditadura militar, que usurpou
o poder da nossa incipiente democracia. Quem não concordava se fudia ou se
fodia, dependendo se a origem literária era da esquina urbana ou da paisagem rural...
Assim, até militares
freqüentavam (com trema) as aulas mesmo sem prestarem vestibular, apenas para
vigiarem os famigerados comunistas inimigos, comedores de criancinhas sem serem
pedófilos, nós...
Tratava-se de um “bullying”
institucional, pois, quem era contrário aos covardes usurpadores, eram tidos como
perigosos meliantes, nós...
O tempo passa, mas o “bullying”
continua...
Hoje somos vítimas do “bullying”
da grande imprensa que nos obriga a assistir programas e ler jornais que não se
preocupam em fazer jornalismo... Simplesmente e de forma absolutamente canalha
mentem descaradamente sobre os fatos, sem correrem riscos, pois vivemos numa
democracia... Em que a Imprensa Poderosa não dá Direito de Resposta. Assim,
meus amigos, é fácil para caralho fazer jornalismo. Difícil é fazer JORNALISMO.
Aos quadrilheiros das quatro
famílias: Marinho, Frias, Civita e... Qual é a quarta, mesmo? Ah! A do
Estadão... Mesquita... As homenagens do Pau Comeu... E a vocês que gostam dessas
quatro famílias e compram suas putrificadas publicações, os votos de parabéns desse mesmo Pau.
Depois eu falo do Marcelo Rubens
Paiva, que sofreu “bullying” a vida inteira... e sofre até hoje.
Quem sabe na próxima edição...
ESPORTES
Continuando essa história
minúscula da Arena Mineirão, tucanos com bicos azuis e amarelos em profusão,
eis que o ex-povão começou a se manifestar, reclamando do tropeirão. Dizem que, antes, o tropeirão
custava menos e tinha mais coisa de comer. Dizem até que tinha um ovo frito, de
galinha, que, com aquela gema aparecida logo de cara quando se abria o prato,
recebeu o apelido de Zôião.
Pois bem, aí o Mineirão virou
campo de rico, o tropeirão aumentou de preço e no tamanho virou tropeirinho,
dizem que nem bife tem, nem ovo, nem couve, virou um tropeiro láite para
caralho... Pau Comeu, em sua cruzada em
defesa do consumidor em qualquer ocasião, sugere um ovinho de codorna fritinho,
para ser apelidado de Zóinho.
Ricardo Teixeira fez escola de
putaria e de sacanagem... Os companheiros bicudos
copiaram e se deram bem... para caralho!
ABRINDO O BAÚ
Relembrando tempos universitários...
Há dez anos, Otávio Luiz
Machado, graduado na Universidade Federal de Ouro Preto, então colhendo
depoimentos para a elaboração de sua tese acadêmica, ao passar por Belo
Horizonte, realizou a seguinte entrevista com o autor do Pau Comeu.
A tese tinha por título:
“A ATUAÇÃO
DO DIRETÓRIO ACADÊMICO DA ESCOLA DE MINAS DE OURO PRETO- O DESENVOLVIMENTO
E O RADICALISMO ENTRE 1956 E 1969”.
Sendo Otávio Luiz Machado = OLM e Paulo Pavaneli = PP, assim se desenrolou a
primeira parte da conversa gravada no dia 13/02/2003 e publicada posteriormente:
OLM: Paulo,
quando você entrou na Escola de Minas de Ouro Preto havia um processo de mudança nas
práticas do Diretório Acadêmico,
como a questão do trote? Como foi isso?
PP: Nós entramos em 1967. A Comissão de Trote escolhida pelo Centro Acadêmico tinha como Presidente o César Epitácio Maia (atual Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro). Sua atuação sempre foi política, cheia de estratégias, e uma de suas atitudes marcantes, na época, foi reduzir o trote, que ficou restrito ao corte de cabelo. O meu, por exemplo, foi no estilo Santo Antônio. Não fomos submetidos a carregar aqueles cartazes pendurados no corpo, nem aos trotes com intuitos de ridicularizar o calouro.
OLM: E nem teve o tal de tomar cachaça de uma forma forçada?
PP:Tomava se quisesse. Não era obrigado. Eu sempre achei aquele modelo de trote meio babaca, com aqueles cartazes pendurados em homens e mulheres. Naquele ano não houve. Não sei se foi discutido na Comissão, ou se foi ato de exclusiva responsabilidade dele, César. Lembro-me que muitos veteranos não gostaram. Nós gostamos. O que ele conseguiu com isso? Ele conseguiu angariar a simpatia dos calouros, dos novatos. Depois eu fui entender o porquê: na verdade ele estava tentando conquistar votos, e isso ele conseguiu.
OLM: Qual foi o trote que ele deu?
PP: Foi um trote de reuniões e palestras. Ou seja, acabaram-se aquelas posições públicas e vexaminosas de você sair na rua, fantasiado. Tirando a questão do corte do cabelo, e em termos de exposição pública, creio que nós não tivemos mais nenhuma.
OLM: Mas nesse período também teve o movimento liderado pelo Diretório para comprar repúblicas. E um acampamento. Você poderia falar um pouco?
PP: Realmente havia um problema sério de moradia em Ouro Preto. Eu tinha um colega de República que se chamava Aloísio Moreira, cujo apelido era “Spy”, “Espião”. Ele se formou em 1967, no ano em que eu entrei. Antes, portanto, da minha chegada em Ouro Preto, no ano de 1963 ele chegou em Ouro Preto e não havia lugar para ficar. Então montou uma barraca no adro da Igreja de São Francisco de Assis, uma barraca do tipo de camping, e ficou morando lá. E aquela atitude teve repercussão. E corria, na época – isso aí eu conto de ouvir falar – que ele era um espião tcheco (risos). Era um negócio muito doido. Foi aí o primeiro movimento. Quando a minha turma entrou, em 1967, ainda havia um problema sério de falta de moradia. E este era um problema que tinha de ser enfrentado pela Escola de Minas, inclusive comprando casas, porque a demanda era crescente.
OLM: E no caso do Jornal do Diretório (O Martelo) com os pensamentos do Mao Tse-Tung? Como estas citações estavam no Jornal?
PP:Estava de forma direta. Era como se fosse o Livro Vermelho condensado nas quatro páginas d’O Martelo. Ainda trago na memória a imagem do Cesar (Maia) na porta do Centro Acadêmico (da Escola de Minas) e do REMOP (Restaurante da Escola de Minas de Ouro Preto) e anunciando: “Leiam os pensamentos do Presidente Mao!”. (risos). Foi desse jeito. Eu achei aquilo meio estranho, aquilo de um jornal de estudantes falando dos pensamentos de Mao. Esse foi mais um impacto que eu tive.
OLM: E quando você coordenou O Martelo também teve dificuldades?
PP: Eu fui convidado para assumir a Coordenação d’O Martelo, em 1969, após ganharmos a eleição para o Diretório Acadêmico. O Presidente era o Zé de Lourdes (José de Lourdes Motta), e eu, o vice. Foi uma época que, para se colocar uma coisa no papel, tinha que pensar trezentas vezes. Era difícil, porque toda e qualquer coisa que você publicasse poderia ser vista como uma contestação, que não era aceitável pelo regime. A gente tinha essa dimensão. Afinal de contas era um veículo escrito e com responsabilidade.
PP: Nós entramos em 1967. A Comissão de Trote escolhida pelo Centro Acadêmico tinha como Presidente o César Epitácio Maia (atual Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro). Sua atuação sempre foi política, cheia de estratégias, e uma de suas atitudes marcantes, na época, foi reduzir o trote, que ficou restrito ao corte de cabelo. O meu, por exemplo, foi no estilo Santo Antônio. Não fomos submetidos a carregar aqueles cartazes pendurados no corpo, nem aos trotes com intuitos de ridicularizar o calouro.
OLM: E nem teve o tal de tomar cachaça de uma forma forçada?
PP:Tomava se quisesse. Não era obrigado. Eu sempre achei aquele modelo de trote meio babaca, com aqueles cartazes pendurados em homens e mulheres. Naquele ano não houve. Não sei se foi discutido na Comissão, ou se foi ato de exclusiva responsabilidade dele, César. Lembro-me que muitos veteranos não gostaram. Nós gostamos. O que ele conseguiu com isso? Ele conseguiu angariar a simpatia dos calouros, dos novatos. Depois eu fui entender o porquê: na verdade ele estava tentando conquistar votos, e isso ele conseguiu.
OLM: Qual foi o trote que ele deu?
PP: Foi um trote de reuniões e palestras. Ou seja, acabaram-se aquelas posições públicas e vexaminosas de você sair na rua, fantasiado. Tirando a questão do corte do cabelo, e em termos de exposição pública, creio que nós não tivemos mais nenhuma.
OLM: Mas nesse período também teve o movimento liderado pelo Diretório para comprar repúblicas. E um acampamento. Você poderia falar um pouco?
PP: Realmente havia um problema sério de moradia em Ouro Preto. Eu tinha um colega de República que se chamava Aloísio Moreira, cujo apelido era “Spy”, “Espião”. Ele se formou em 1967, no ano em que eu entrei. Antes, portanto, da minha chegada em Ouro Preto, no ano de 1963 ele chegou em Ouro Preto e não havia lugar para ficar. Então montou uma barraca no adro da Igreja de São Francisco de Assis, uma barraca do tipo de camping, e ficou morando lá. E aquela atitude teve repercussão. E corria, na época – isso aí eu conto de ouvir falar – que ele era um espião tcheco (risos). Era um negócio muito doido. Foi aí o primeiro movimento. Quando a minha turma entrou, em 1967, ainda havia um problema sério de falta de moradia. E este era um problema que tinha de ser enfrentado pela Escola de Minas, inclusive comprando casas, porque a demanda era crescente.
OLM: E no caso do Jornal do Diretório (O Martelo) com os pensamentos do Mao Tse-Tung? Como estas citações estavam no Jornal?
PP:Estava de forma direta. Era como se fosse o Livro Vermelho condensado nas quatro páginas d’O Martelo. Ainda trago na memória a imagem do Cesar (Maia) na porta do Centro Acadêmico (da Escola de Minas) e do REMOP (Restaurante da Escola de Minas de Ouro Preto) e anunciando: “Leiam os pensamentos do Presidente Mao!”. (risos). Foi desse jeito. Eu achei aquilo meio estranho, aquilo de um jornal de estudantes falando dos pensamentos de Mao. Esse foi mais um impacto que eu tive.
OLM: E quando você coordenou O Martelo também teve dificuldades?
PP: Eu fui convidado para assumir a Coordenação d’O Martelo, em 1969, após ganharmos a eleição para o Diretório Acadêmico. O Presidente era o Zé de Lourdes (José de Lourdes Motta), e eu, o vice. Foi uma época que, para se colocar uma coisa no papel, tinha que pensar trezentas vezes. Era difícil, porque toda e qualquer coisa que você publicasse poderia ser vista como uma contestação, que não era aceitável pelo regime. A gente tinha essa dimensão. Afinal de contas era um veículo escrito e com responsabilidade.
Foi rodado na gráfica do Arquidiocesano, lá em Mariana, o mesmo que
publica a famosa “Folhinha de Mariana”. E aconteceram coisas até interessantes.
E algumas eu posso citar como exemplos: primeiro, era muito difícil achar
pessoas para escrever no jornal (risos). Todo mundo tinha medo. Eu me lembro
que até o João Bosco (cantor e compositor) escreveu um artigo sobre um Festival
da Canção daquele ano.
E (para evitar perseguições) eu criei um personagem, mas eu não sei se
existe alguma cópia deste exemplar ainda. Teria que ver. O personagem era
chamado Doutor Pelópidas Cesário d’Assis Mourão, que era um professor erudito
etc e tal. E o Doutor era uma homenagem ao Machado de Assis.
Então, eu tinha que arrumar um meio de publicar as coisas que a gente
precisava falar, como sobre a falta de liberdade, sobre a ditadura. E eu
comecei com “O Dicionário Esquecido do Doutor Pelópidas”, escrito sob a forma
de verbetes que começava com a letra A, letra B, letra C etc, e que cada número
haveria três verbetes. Só durou um número. Acabou na letra C.
OLM: Por qual motivo?
PP: As coisas eram tão difíceis. Tinha um problema para conseguir congregar as pessoas para escrever. Assim, o próprio jornal foi definhando, no sentido de não termos colaboração, e ainda, a pressão ser bem mais forte.
OLM: Por qual motivo?
PP: As coisas eram tão difíceis. Tinha um problema para conseguir congregar as pessoas para escrever. Assim, o próprio jornal foi definhando, no sentido de não termos colaboração, e ainda, a pressão ser bem mais forte.
Por exemplo, nesta época o Newton Morais (que foi do Diretório
Acadêmico da Escola de Minas e da Ação Libertadora Nacional) escrevia. Ele
escrevia uma seção de economia e botava para quebrar (risos). E eu às vezes
agia sendo uma espécie de censor, para ver se adequava, e para que o jornal
tivesse uma vida maior do que teve, porque O Martelo saía uns tempos e uns
tempos depois sumia.
Não é que alguém chegou pra gente e falou: “este jornal não vai sair”.
Ele não foi empastelado, não. A linguagem que se usava em termos de imprensa,
como “empastelou o jornal de fulano de tal”. Ou seja, invadiram, quebraram
máquinas etc. Não houve nada disso. Houve um constrangimento, vamos dizer assim
não declarado, mas muito forte do ponto de vista de “olha lá o que vocês vão
falar”.
Aquela coisa foi pressionando e fazendo com que as pessoas que
escreviam deixassem de escrever. E aí que vai aquela reminiscência que te
falei: houve um dia – esse dia foi interessante – que eu passei um pouco
apertado; os meus colegas sabem disso.
Como eu era Coordenador do jornal, chegaram e me falaram que o
delegado queria conversar comigo: “Paulinho, o delegado Fulano de Tal quer
falar com você”. “E caramba, o que é isso?”. Eu sei que nem fui almoçar naquele
dia no Remop, ficando o dia inteiro na rua. E eu perguntava: “o que esse
camarada quer comigo?” Eu me lembro que era um delegado natural do município de
Rio Casca e, como eu tinha um colega que era de Rio Casca, perguntei: “Você o
conhece?” “Vamos ver o que esse camarada quer comigo”.
Eu falei com o Zé de Lourdes, inclusive, que era o Presidente do Diretório.
Mas eu era o responsável e estava personalizada a responsabilidade como
Coordenador. E disse: “Zé, vamos dar um jeito nisso, eu vou”. E fui. E sabe o
que o delegado me falou?
Ele disse assim: “eu estou te procurando o dia inteiro para você não publicar
a notícia da morte do (Carlos) Marighela”. E era a morte do Marighela. Ninguém
lá em Ouro Preto sabia disso, porque você sabe como era a imprensa. Não sabia
nada. Absolutamente nada.
Nós, em Ouro Preto, quando ficamos sabendo da morte do Marighela, foi
aí através do delegado falando para a gente não publicar.
Para você ver como é que era.
OLM: E você presenciou invasões de militares em repúblicas?
PP:Nessa época, que devia ser um 21 de abril, caiu num final de semana. E a gente tinha bebido na noite anterior. Ao acordar, no dia da solenidade, na rua das Mercês, que era a rua da Consulado, da Sinagoga, da Reino de Baco, Vaticano, Pureza e lá embaixo chegava na República Canaan. E o Lincoln (Ramos Viana), ex-Presidente do Diretório (Acadêmico da Escola de Minas), que morava na República Canaan, estava sendo procurado pelo serviço de repressão. Na verdade, o que aqueles militares estavam fazendo ali? Era um aparato militar bem desproporcional e com tanques... Sabe aqueles carros pesados e blindados de cor verde? E eles foram arrombando todas as portas das repúblicas. E procurando quem? O Lincoln. Então houve fatos humorísticos que não cabe aqui detalhar, que eram situações que depois a gente achou graça, mas que, na época e na hora, foi um negócio absolutamente de terror, como a de pessoas sendo acordadas com metralhadoras apontadas na cabeça. Eles arrombaram a porta da República Consulado, da República Sinagoga etc. Uma semana depois o Lincoln reapareceu. E eu: “Ô Lincoln, o que houve?”. E ele: “tem uma semana que eu já sabia que eles iam ‘baixar’. E eu fui embora para uma casa...”. Então ele se refugiou. Foi um episódio bastante forte na ocasião.
OLM: E tinha também muito em Ouro Preto a chamada “esquerda festiva”?
PP:Era o pessoal mais festivo no sentido de defender as idéias de esquerda puramente no discurso e sem maiores ações do ponto de vista prático da esquerda, um dos quais a luta armada. E muito distante também da luta cotidiana de quem ficava na retaguarda. Era mais o pessoal, mais ou menos concentrado em algumas repúblicas, que gostava de passar essa imagem de que eram de esquerda. E gostavam muito de conviver com os artistas, etc. e tal, e fazer o que se chamava de “badalação”.
ECOS DO
CARNAVAL
O senador Aécio Neves, do
PSDB-MG, referindo-se ao Carnaval brasileiro, proferiu a sentença definitiva e
seminal: “Não há quem permaneça indiferente à sua grandiosidade.”
Pau Comeu acionou imediatamente
o DATAPAU, para conferir a repercussão de tão espetacular pronunciamento, e a
pesquisa, realizada em todo o território carnavalesco nacional, computou, para
presidente da República, em 2014, as seguintes intenções votais:
Aécio = 64 %; Eduardo Campos =
24%; Marina Silva = 10%; Dilma = 1 %; Lula = 1%.
O Globo, Veja, Estadão e Folha
de São Paulo, quem diria, publicaram em suas capas nas edições
quarta-feira-cinzísticas, o resultado, revelando ao mundo que o DATAPAU existe
e não erra... Pau Comeu publicará posteriormente as principais razões de voto dos entrevistados.
NA PRÓXIMA EDIÇÃO
Aguardem comentários
sobre a inauguração do “JORNALISMO SALVO SE...”
E uma homenagem ao jornalista e historiador Lúcio de Castro, um ser humano que dignifica a profissão.

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