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ESPORTES
Nenhum jogador de futebol é mais digno de um poema do que Garrincha,
pois ele próprio foi um poema ao jogar.
Lembrando Garrincha, no 30º aniversário de sua morte, uma homenagem
que lhe foi dedicada por Carlos Drummond de Andrade:
"Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo
irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus
delegados incumbidos de zombar
de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a
faculdade de perceber sua
condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior
é que as tristezas voltam, e não há outro
Garrincha disponível. Precisa-se de um
novo, que nos alimente o sonho".
E no poema “O Anjo de
Pernas Tortas”, de Vinícius de Morais:
“A um passe de Didi
, Garrincha avança
Colado
o couro aos pés, o olhar atento
Dribla
um, dribla dois, depois descansa
Como
a medir o lance do momento.
Vem-lhe
o pressentimento; ele se lança
Mais
rápido que o próprio pensamento
Dribla
mais um, mais dois; a bola trança
Feliz,
entre seus pés -- um pé-de-vento!
FECHANDO
UMA SECÇÃO : MINUS(RIDI)CULARIZANDO
Foi uma secção elaborada para:
-homenagear os
desafetos com letras minúsculas
e
-RECONHECER OS AFETOS
COM LETRAS MAIÚSCULAS...
Pensava que, com isso, estabeleceria diferença logo de cara, no
visual, sem precisar de maiores esclarecimentos...
Aí surgiu um escritor angolano, valter
hugo mãe, que tinha chamado minha atenção em reportagens de jornais com seu
nome grafado em minúsculas.
Pensei... Esse cara quer aparecer...
Até que me emprestaram um livro dessa entidade que escrevia em
minúscula, mas que era MAIÚSCULA na escrita, intitulado “a máquina de fazer espanhóis”.
Então aconteceu de eu adquirir o entendimento de o porque da minuscularidade...
daí a decisão de fechar a secção.
Doravante, lembrando Dora Avante, personagem de luís
fernando veríssimo tia, a secção deixará de existir. E me deu uma puta vontade de grafar meu nome
assim: paulinho pavaneli avó.
DICA DE LIVRO
aproveitando a oportunidade, extraí do livro de valter hugo mãe a seguinte passagem, didática e esclarecedora, que
fala do amor e da morte, na página 21:
“(...)
com a morte, também o amor devia acabar. acto contínuo, o nosso coração
devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que
deixou de existir. pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que
criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata
de uma vez por todas com piedade. e não é compreensível que assim aconteça. com
a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos
vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se
perder quem não se pode perder.
(...)”
DICA DE BLOG
O Pau Comeu saúda o nascimento do co-irmão Papo de Escritório, cujo
endereço é:
http://papodeescritorio.blogspot.com.br/
Declaro, sem a devida licença dos autores, muitos dos
quais com quem tive o prazer de bater altos papos no escritório, que me
considero uma espécie de “padrinho de crisma” do novo blog, ao qual desejo
longa vida... e Boa sorte!
ABRINDO
O BAÚ: A MUSA DO SARNEY
O livro intitulado “Artimanha de
Emaranhar” concorreu ao Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte, no ano de 2008. Foi mais um
rotundo fracasso do autor do “Pau Comeu”.
Resultou de uma incursão pelas
terras de José Sarney e de seu grande amigo e não
mais poeta Ferreira Gullar, no ano de 2004, nas poucas horas vagas depois de
exaustivos trabalhos ambientais no Porto
da Ponta da Madeira.
Segue o capítulo 18, intitulado “Uma
lagoa chamada Jansen”, no qual algumas passagens
foram extraídas do livro “Ana Jansen, Rainha do Maranhão”, coletânea de diversos autores, organizada
por Jomar Moraes, Ed. Alumar Cultura,
segunda edição, 1999. Dá para perceber a imensa influência desta mulher no comportamento dos seus
conterrâneos até hoje... O texto segue em itálico:
Matias com Catarina gerou Pedro que cruzou com Josefa criando
Henrique que trepou com Joana Micaela e oriiginou Teodoro que se apaixonou por
Maria e daí nasceu Rosa Maria que deu para Vicente e assim veio ao mundo Ana
Joaquina. Tantos anos se passaram até aparecer a figura controvertida de Ana
Joaquina Jansen Pereira Leite, a famosa e famigerada Ana Jansen, a Donana. O
tronco da árvore genealógica fincou raízes na Inglaterra, com Matias e, por
artes do destino e das ondas do oceano, foi parar lá no São Luís do Maranhão.
Essa mulher nasceu em 1787 e morreu em 1869, com 82 anos de
idade, atingindo, pois, idade bastante avançada para os padrões da época, bem
superior à expectativa de vida de uma brasileira nesse ano de 2004, que beira
os 73 anos.
Por que viveu tanto assim, Ana Joaquina?
Por acaso, coincidência, nada mais, diriam os apressados ou
distraídos. Por ter sido muito rica, responderiam os pragmáticos, mas sabe-se
de muito milionário por aí que morreu cedo. Prefiro lançar mão da explicação
que aprendi com minha mãe, a Dona Irene, que dizia que vaso ruim não quebra, ou
custa a quebrar.
Não se pretende esgotar aqui a saga da enérgica, voluntariosa
e riquíssima mulher. Figura histórica e lendária, sua biografia apresenta
nuances a favor e contra, conforme o olhar do discípulo e do desafeto. Energia
máscula, vontade imperial, herdou fortuna que só fez aumentar.
Intitulada “Rainha do Maranhão”, dominou a política entre
1830 e 1860, criou matriarcado, seu partido político apenas ampliou seu poder.
Imprimiu na direção o mandonismo, dava banquete aos correligionários, diziam
até que “(...) candidaturas de senadores, deputados e conselheiros municipais,
escolhas e demissões de funcionários públicos, remoções e derrubadas de
magistrados, tudo se discutia e era assentado nos conciliábulos dirigidos por
aquela valorosa matrona”.
Seus opositores diziam que ela “(...) estava transformando
São Luís em uma senzala”. E que nunca pôs os pés no chão, pisava sobre as
costas dos escravos. Seus seguidores teciam loas à sua capacidade gerencial e
política alegando que “(...) ela não fazia nada diferente do que faziam os
homens da época”.
Vendia água abastecida por pipas carregadas por muares, todo
o serviço feito porcamente por escravos imundos, não havia nada com menos
higiene que aquela água bebida pelos maranhenses, até o ano de 1856. Chega
então, formado em Paris, um engenheiro maranhense que compreendeu logo a
necessidade da canalização da água que São Luís consumia. Levantou capital,
depois de um certo tempo inaugurou-se a Companhia, água boa e limpa, dizia o
povo... Quando apareceu um gato morto, já em estado de putrefação, boiando nas
águas do depósito. Os carros de pipa de Ana Jansen salvaram a situação. Quem
mandou matar o gato continuou vendendo água até 1874, quando nasceu a Companhia
das Águas de São Luís, sem o dinheiro da poderosa.
A gráfica de um jornal inimigo, “A Revista”, funcionava no
primeiro andar de um sobrado na Rua Grande. Donana alugou o andar de cima. Num
domingo, os aposentos que ficavam em cima das oficinas tiveram os betumes da
tábuas retirados e dezenas de escravos jogaram água pelos buracos, e assim
ocorreu o criativo empastelamento do jornal, não pelo fogo mas pela água.
Um desafeto “(...) importou da Inglaterra algumas centenas de
urinóis, tendo, no fundo da parte interna, o retrato de Donana Jansen, sentada
num andor, carregado por quatro fortes escravos, e os expôs à venda no seu
armazém”. Vendeu tudo. Ela comprou todos os exemplares por intermédio de
terceiros. Não se sabe se fez uso.
Mulheres fortes e poderosas houve lá e houve cá. Joaquina do
Pompéu é o mais célebre exemplo mineiro, deixando uma herança de assassinatos
violentos que perdura até os dias atuais. Lá no Maranhão, Ana Jansen reinou
absoluta, tão absoluta que até hoje seus efeitos são sentidos.
Algum governante poderoso deu seu nome à lagoa mais imponente
de São Luís. Cumpre o papel de servir como área de lazer. Cocôs e xixis não
perdoam, ameaçam a especulação imobiliária em sua volta, seu cheiro vai acabar
espantando os moradores. A lagoa Jansen fede... muito.
Não cabe julgar quanto foi virtuosa ou pecadora, mas não dá
para esconder que, depois de morta e enterrada, tantos anos depois, sua
contribuição aromática ao meio ambiente é tristemente célebre.
Depois de morta, a Jansen ainda peida.
Deve ser praga do gato.
FISCALIZANDO AS NATUREZAS
Segundo
estatísticas aparentemente confiáveis, a taxa brasileira de suicídios, que
mede o número de mortes a cada 100 mil habitantes, é considerada baixa se
comparada a outros países. Se aqui esse índice é de 4,5, há países em que chega
a passar de 30.
No Brasil, entre as mulheres, a taxa oficial é de 1,9. Já entre os
homens é de 7,1. Com relação à faixa etária, o grupo que apresenta as taxas
mais altas são os idosos. Para os que têm 75 anos ou mais, o índice passa dos
15.
Segundo a pesquisadora Cecília Minayo, da Escola Nacional de Saúde
Pública da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), as taxas elevadas entre os mais
velhos ocorrem no mundo todo. Há vários fatores associados ao evento, dos quais
destaca: perda de parentes referenciais, sobretudo do cônjuge, solidão,
existência de enfermidades degenerativas e dolorosas, sensação de estar dando
muito trabalho à família e ser um peso morto, abandono e outros.
O leitor deve estar
achando estranho esse assunto aqui no Pau Comeu, mas justifica-se. A morte do
ator Walmor Chagas desencadeou uma série de manifestações sobre natureza do
fato suicídio. Dentre elas, as mais desprovidas de sentido, geralmente ligadas
a razões religiosas, dizem respeito ao fato de o suicídio ser considerado um
ato de covardia. Nesse espaço, não. Nesse espaço, o suicídio é visto como um ato doloroso,
mas de livre arbítrio.
Covardia é militares
sanguinários assassinarem pessoas, querendo impor versões de que as pessoas
vitimadas cometeram suicídio, vide Vladimir Herzog e tentos outros. Isso é
covardia.
BOOMERANG:
>>>>> Ali Kamel (?), o Globoçal (!), escreveu (?) um
livro (?) negando o racismo no
Brasil...
<<<<< Darcy Ribeiro ensina:
"Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda.
"Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda.
Escapando
vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado
como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos
e nos punhos, era arrematado.
Outro comboio, agora de
correntes, o levava à terra
adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino
que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas
por dia todos os dias do ano. No domingo,podia cultivar uma
rocinha, devorar faminto a parca e porca
ração de bicho com
que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte,
até à exaustão.”
(E
ainda tem gente que não aprende...
Paulinho Pavaneli)
ARTEFATOS
Mais um não-samba do autor, “Perdidos na noite” segue a linha de
samba-canção ou bolero, quem define o que é o quê?
Olha nublado a garrafa
bate papo com a bebida
garrafa cheia...vazia...
conversa fiada, vadia,
luz fria, sangue quente,
vida errante, boemia.
Olha nublado a garrafa
nem a bebida responde
não entende o que pensa
aquela cabeça confusa
perdida na luz difusa
de vida sem recompensa.
Vida, estrada de curvas
de mulheres vadias
nas calçadas das ruas
nem vestidas nem nuas
mulheres que viu em sonhos
loucos
sonhos estranhos.
A
PRÓXIMA EDIÇÃO
Vai ser quase uma edição extra!
Pau Comeu enlouqueceu: fará um elogio histórico ao histérico
Arnaldo Jabor!
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