segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

EDIÇÃO Nº 23: A MUSA DO SARNEY


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ESPORTES


Nenhum jogador de futebol é mais digno de um poema do que Garrincha, pois ele próprio foi um poema ao jogar.

Lembrando Garrincha, no 30º aniversário de sua morte, uma homenagem que lhe foi dedicada por Carlos Drummond de Andrade:

                   "Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber  sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho".


E no poema “O Anjo de Pernas Tortas”, de Vinícius de Morais:

                   A um passe de Didi , Garrincha avança

                        Colado o couro aos pés, o olhar atento

                        Dribla um, dribla dois, depois descansa

                        Como a medir o lance do momento.

                        Vem-lhe o pressentimento; ele se lança

                        Mais rápido que o próprio pensamento

                        Dribla mais um, mais dois; a bola trança

                        Feliz, entre seus pés -- um pé-de-vento!


FECHANDO UMA SECÇÃO : MINUS(RIDI)CULARIZANDO

 
Foi uma secção elaborada para:

            -homenagear os desafetos com letras minúsculas

e

            -RECONHECER OS AFETOS COM LETRAS MAIÚSCULAS...

Pensava que, com isso, estabeleceria diferença logo de cara, no visual, sem precisar de maiores esclarecimentos...

Aí surgiu um escritor angolano, valter hugo mãe, que tinha chamado minha atenção em reportagens de jornais com seu nome grafado em minúsculas.

Pensei... Esse cara quer aparecer...

Até que me emprestaram um livro dessa entidade que escrevia em minúscula, mas que era MAIÚSCULA na escrita, intitulado “a máquina de fazer espanhóis”.

Então aconteceu de eu adquirir o entendimento de o porque da minuscularidade... daí a decisão de fechar a secção.

Doravante, lembrando Dora Avante, personagem de  luís fernando veríssimo tia, a secção deixará de existir.  E me deu uma puta vontade de grafar meu nome assim: paulinho pavaneli avó.

 

DICA DE LIVRO

aproveitando a oportunidade, extraí do livro de valter hugo mãe a seguinte passagem, didática e esclarecedora, que fala do amor e da morte, na página 21:


“(...)

            com a morte, também o amor devia acabar. acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir. pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade. e não é compreensível que assim aconteça. com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder.

(...)”


DICA DE BLOG

 
O Pau Comeu saúda o nascimento do co-irmão Papo de Escritório, cujo endereço é:

                                      http://papodeescritorio.blogspot.com.br/

Declaro, sem a devida licença dos autores, muitos dos quais com quem tive o prazer de bater altos papos no escritório, que me considero uma espécie de “padrinho de crisma” do novo blog, ao qual desejo longa vida... e Boa sorte!

 

ABRINDO O BAÚ:     A MUSA DO SARNEY

 

            O livro intitulado “Artimanha de Emaranhar” concorreu ao Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo  Horizonte, no ano de 2008. Foi mais um rotundo fracasso do autor do “Pau    Comeu”.

            Resultou de uma incursão pelas terras de José Sarney e de seu grande amigo e não mais poeta Ferreira Gullar, no ano de 2004, nas poucas horas vagas depois  de exaustivos trabalhos ambientais no Porto da Ponta da Madeira.

            Segue o capítulo 18, intitulado “Uma lagoa chamada Jansen”, no qual algumas             passagens foram extraídas do livro “Ana Jansen, Rainha do Maranhão”,      coletânea de diversos autores, organizada por Jomar Moraes, Ed. Alumar   Cultura, segunda edição, 1999. Dá para perceber a imensa influência desta       mulher no comportamento dos seus conterrâneos até hoje... O texto segue em itálico:

 

Matias com Catarina gerou Pedro que cruzou com Josefa criando Henrique que trepou com Joana Micaela e oriiginou Teodoro que se apaixonou por Maria e daí nasceu Rosa Maria que deu para Vicente e assim veio ao mundo Ana Joaquina. Tantos anos se passaram até aparecer a figura controvertida de Ana Joaquina Jansen Pereira Leite, a famosa e famigerada Ana Jansen, a Donana. O tronco da árvore genealógica fincou raízes na Inglaterra, com Matias e, por artes do destino e das ondas do oceano, foi parar lá no São Luís do Maranhão.

Essa mulher nasceu em 1787 e morreu em 1869, com 82 anos de idade, atingindo, pois, idade bastante avançada para os padrões da época, bem superior à expectativa de vida de uma brasileira nesse ano de 2004, que beira os 73 anos.

Por que viveu tanto assim, Ana Joaquina?

Por acaso, coincidência, nada mais, diriam os apressados ou distraídos. Por ter sido muito rica, responderiam os pragmáticos, mas sabe-se de muito milionário por aí que morreu cedo. Prefiro lançar mão da explicação que aprendi com minha mãe, a Dona Irene, que dizia que vaso ruim não quebra, ou custa a quebrar.

Não se pretende esgotar aqui a saga da enérgica, voluntariosa e riquíssima mulher. Figura histórica e lendária, sua biografia apresenta nuances a favor e contra, conforme o olhar do discípulo e do desafeto. Energia máscula, vontade imperial, herdou fortuna que só fez aumentar.

Intitulada “Rainha do Maranhão”, dominou a política entre 1830 e 1860, criou matriarcado, seu partido político apenas ampliou seu poder. Imprimiu na direção o mandonismo, dava banquete aos correligionários, diziam até que “(...) candidaturas de senadores, deputados e conselheiros municipais, escolhas e demissões de funcionários públicos, remoções e derrubadas de magistrados, tudo se discutia e era assentado nos conciliábulos dirigidos por aquela valorosa matrona”.

Seus opositores diziam que ela “(...) estava transformando São Luís em uma senzala”. E que nunca pôs os pés no chão, pisava sobre as costas dos escravos. Seus seguidores teciam loas à sua capacidade gerencial e política alegando que “(...) ela não fazia nada diferente do que faziam os homens da época”.

Vendia água abastecida por pipas carregadas por muares, todo o serviço feito porcamente por escravos imundos, não havia nada com menos higiene que aquela água bebida pelos maranhenses, até o ano de 1856. Chega então, formado em Paris, um engenheiro maranhense que compreendeu logo a necessidade da canalização da água que São Luís consumia. Levantou capital, depois de um certo tempo inaugurou-se a Companhia, água boa e limpa, dizia o povo... Quando apareceu um gato morto, já em estado de putrefação, boiando nas águas do depósito. Os carros de pipa de Ana Jansen salvaram a situação. Quem mandou matar o gato continuou vendendo água até 1874, quando nasceu a Companhia das Águas de São Luís, sem o dinheiro da poderosa.

A gráfica de um jornal inimigo, “A Revista”, funcionava no primeiro andar de um sobrado na Rua Grande. Donana alugou o andar de cima. Num domingo, os aposentos que ficavam em cima das oficinas tiveram os betumes da tábuas retirados e dezenas de escravos jogaram água pelos buracos, e assim ocorreu o criativo empastelamento do jornal, não pelo fogo mas pela água.

Um desafeto “(...) importou da Inglaterra algumas centenas de urinóis, tendo, no fundo da parte interna, o retrato de Donana Jansen, sentada num andor, carregado por quatro fortes escravos, e os expôs à venda no seu armazém”. Vendeu tudo. Ela comprou todos os exemplares por intermédio de terceiros. Não se sabe se fez uso.

Mulheres fortes e poderosas houve lá e houve cá. Joaquina do Pompéu é o mais célebre exemplo mineiro, deixando uma herança de assassinatos violentos que perdura até os dias atuais. Lá no Maranhão, Ana Jansen reinou absoluta, tão absoluta que até hoje seus efeitos são sentidos.

Algum governante poderoso deu seu nome à lagoa mais imponente de São Luís. Cumpre o papel de servir como área de lazer. Cocôs e xixis não perdoam, ameaçam a especulação imobiliária em sua volta, seu cheiro vai acabar espantando os moradores. A lagoa Jansen fede... muito.

Não cabe julgar quanto foi virtuosa ou pecadora, mas não dá para esconder que, depois de morta e enterrada, tantos anos depois, sua contribuição aromática ao meio ambiente é tristemente célebre.

Depois de morta, a Jansen ainda peida.

Deve ser praga do gato.

 


FISCALIZANDO AS NATUREZAS

Segundo estatísticas aparentemente confiáveis, a taxa brasileira de suicídios, que mede o número de mortes a cada 100 mil habitantes, é considerada baixa se comparada a outros países. Se aqui esse índice é de 4,5, há países em que chega a passar de 30.
No Brasil, entre as mulheres, a taxa oficial é de 1,9. Já entre os homens é de 7,1. Com relação à faixa etária, o grupo que apresenta as taxas mais altas são os idosos. Para os que têm 75 anos ou mais, o índice passa dos 15.
Segundo a pesquisadora Cecília Minayo, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), as taxas elevadas entre os mais velhos ocorrem no mundo todo. Há vários fatores associados ao evento, dos quais destaca: perda de parentes referenciais, sobretudo do cônjuge, solidão, existência de enfermidades degenerativas e dolorosas, sensação de estar dando muito trabalho à família e ser um peso morto, abandono e outros.
O leitor deve estar achando estranho esse assunto aqui no Pau Comeu, mas justifica-se. A morte do ator Walmor Chagas desencadeou uma série de manifestações sobre natureza do fato suicídio. Dentre elas, as mais desprovidas de sentido, geralmente ligadas a razões religiosas, dizem respeito ao fato de o suicídio ser considerado um ato de covardia. Nesse espaço, não. Nesse espaço, o suicídio é visto como um ato doloroso, mas de livre arbítrio.

Covardia é militares sanguinários assassinarem pessoas, querendo impor versões de que as pessoas vitimadas cometeram suicídio, vide Vladimir Herzog e tentos outros. Isso é covardia.

 

BOOMERANG:

 
            >>>>>  Ali Kamel (?), o Globoçal (!), escreveu (?) um livro (?) negando o racismo                                   no Brasil...

            <<<<<  Darcy  Ribeiro ensina:

"Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda.
Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e nos punhos, era arrematado. Outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito                                                horas por dia todos os dias do ano. No domingo,podia cultivar uma rocinha, devorar faminto a parca e porca ração de bicho com que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte, até à exaustão.”

                                                           (E ainda tem gente que não aprende...

Paulinho Pavaneli)

 

ARTEFATOS

 
Mais um não-samba do autor, Perdidos na noite” segue a linha de samba-canção ou bolero, quem define o que é o quê?

Olha nublado a garrafa

bate papo com a bebida

garrafa cheia...vazia...

conversa fiada, vadia,

luz fria, sangue quente,

vida errante, boemia.

 

Olha nublado a garrafa

nem a bebida responde

não entende o que pensa

aquela cabeça confusa

perdida na luz difusa

de vida sem recompensa.

 

Vida, estrada de curvas

de mulheres vadias

nas calçadas das ruas

nem vestidas nem nuas

mulheres que viu em sonhos

loucos sonhos estranhos.

 

A  PRÓXIMA EDIÇÃO
Vai ser quase uma edição extra!
Pau Comeu enlouqueceu: fará um elogio histórico ao histérico Arnaldo Jabor!

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