segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

EDIÇÃO Nº 22: CÂNCER AINDA NÂO MATOU CHAVEZ


 O título completo da Edição nº 22 é o seguinte: CÂNCER AINDA NÃO MATOU CHAVEZ, LULA E DILMA... QUE INCOMPETENTE ESSE CÂNCER!

POLITICANALHAGEM

 
O Brasil é um país sul-americano, bonito por natureza, que em fevereiro tem Carnaval, segundo o poeta precursor do samba-afro e do hip-hop, meu querido colega de bairro Rio Comprido e adjacências, Jorge Ben, que depois virou Benjor, por artes que vem do além... Mais precisamente do excelente guitarrista George Benson em meio a atlânticas confusões e desvios de direitos autorais... é o que dizem.

O problema do Brasil sempre foi a tal da Democracia, que, por definição, parece que só no dicionário, “é o governo do povo, pelo povo e para o povo”.

Toda vez que acontece de essa máxima ameaçar se concretizar, dizem que a Democracia se encontra em perigo. Assim, os “constitucionalistas paulistas”, em 1932, depois de se lambuzarem com as benesses da República do Café, juntos com os não menos calhordas mineiros, da República do Leite, acharam de bom tom barrarem a Revolução de 1930, que ao contrário do Golpe de 1964, foi Revolução sim. Os mineiros tiraram a escada e deixaram os paulistas com a broxa na mão...

E os Golpes sucederam-se. Enfadonhamente, digo eu, titular do Pau Comeu. O primeiro foi de Vargas, que foi polêmico o suficiente para até hoje dar pano pra mangas de diversas cores e sabores dos historiadores...

Depois apareceu o Pai dos Golpes, o grande amado das mal-amadas de então, Carlos Lacerda, por volta daqueles anos cinqüentas (com trema, revisão), que simplesmente declarou, em 1º de junho de 1950, no jornal Tribuna da Imprensa:

 "O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à                        Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse.
Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar."
                       

Sen-sa-cio-nal, não?
Que clareza, que objetividade, que democrata!

E Golpes e tentativas sucederam-se, Jango, JK, até veio 1964, Lacerda à frente de suas mal-amadas marchadeiras, bundas vagas da elite de então, com terços nas mãos contra o comunismo e a corrupção... para elas Lacerda era o maior tesão!

Simplificando, pra não perder muito tempo com esses canalhas, citamos palavras de Eliane Catanhêde, do jornal Folha de São Paulo, Musa da Massa Cheirosa do PSDB e Miss Febre Amarela, num belo dia de outubro de 2012:
"Não é com a democracia que vamos abater o Lula"


Sen-sa-cio-nal de novo, não?
Que clareza, que objetividade, que democrata!

 
Entre os Golpistas de plantão, ninguém supera o pessoal da chamada Grande Imprensa, das quatro famiglias irmãs: Folha de São Paulo, Globo, Estadão e Abril da Veja ou Veja da Abril...

Lembro que, naqueles idos dos (50-60-70)as, dizia-se que não se fazia um bom jornal de direita sem jornalistas de esquerda... sim, era verdade... pois não havia vida inteligente na direita que soubesse escrever, raríssimas eram as exceções...  E os patrões da direita, para venderem seus jornais, abriam seus espaços para os operários intelectuais de esquerda ganharem seus salários... e melhorar a qualidade dos seus produtos.

Tempos depois, não há mais jornalistas de esquerda (com raríssimas exceções...) em jornais da direita, assim como não há jornais na esquerda a não ser nos túneis internéticos onde ainda vicejam alguns blogueiros... ditos sujos pela imprensa da direita dominante...

Na chamada Grande Imprensa, expoentes exponenciais expõem suas hidrofobias nazi-fascistas, tais como Merval Pereira, o filósofo imortal, e Arnaldo Jabor, o cineasta pornochic de outrora...

Quem sabe da vida do Jabor é o Nelson Rodrigues, o maior reacionário da imprensa daqueles tempos imemoriais:

“(...) Arnaldo Jabor crescerá de maneira fantástica quando brigar com todas as suas atuais amizades. O Jabor só não é muito maior porque não é reacionário, mas, um dia, ele o será, e nós assistiremos à explosão de seu gênio. Nunca vi ninguém com mais vocação para aristocrata do que o Jabor.”

São palavras de Nelson Rodrigues no livro “Nelson Rodrigues por ele mesmo”, organizado por Sonia Rodrigues, sua filha.

Sábias e proféticas palavras... Tempos se passaram e, cansado de seus fracassos cinematográficos, Jabor cumpre com galhardia a profecia rodrigueana.

 

ARTEFATOS

 

O bolero “Marcas de amor”, de autoria do locutor que vos fala, canta um amor chegando ao fim:

 

Quando o nosso amor entra em conflito,
sempre que o silêncio cala a voz do coração,
sua boca marca minha pele
se o instinto cheira  traição...

 Nos raros momentos de amor inteiro
suas unhas rasgam traços no meu corpo,
me reclamam pleno e verdadeiro,
e seus olhos molham de paixão...

 De primeiro avisa, marca o braço e o peito;
se minha camisa esconde o efeito
o seu coração não fica satisfeito,
morde meu pescoço e desse jeito diz...

 Que está perto de mim,
só e infeliz,
e sem dizer me diz
que ainda está
a fim de mim...



ESPORTES

 
Para a torcida do time mais odiado do Brasil, da qual faço parte, dedico os votos de que permaneça na primeira divisão quando findar o campeonato brasileiro de 2013 e que consiga, quem sabe, um terceiro lugar no campeonato carioca. Explico: pela primeira vez uma diretoria parece que tem a cabeça no lugar e sabe que, sem dinheiro e sem seriedade, não dá para governar uma nação como a rubro-negra.

 

 

FISCALIZANDO AS NATUREZAS


Depois de me informar sobre a “quase-quebra” de Eike Batista e a indigente declaração de bens de Aécio Neves, Pau Comeu só pode condenar a Rede Globo por não instituir os Programas “Ei! Que Esperança!” e “Uma Vaquinha Para O Mineirinho Pobrezinho!”. Colaboramos com R$ 7,00 para cada um.

 

ABRINDO O BAÚ:

 

Histórias de dois personagens do boteco “Guloseimas”, ex- “Lambe-Lambe”, situado na Avenida Prudente de Morais, 666. Tema do livro, lançado em 2004, já esgotado, intitulado “O Corredor da Morte: Jesus está chamando! – Crônicas de um bar familiar”.

1) Guillermo, o chileno mineiro.

Descobriu o bar quando se mudou para o bairro, em 1987, levando a filha para tomar um sorvete ainda no Lambe-Lambe e parava na banca do Zé para comprar o jornal. Gostou e ficou. Chegou ao Brasil em 1980, depois de uma série atribulada de viagens, fugindo do golpe que, em 1973, dizimou o governo eleito de Salvador Allende.

Politicamente se situava no centro do espectro político, cultivava amizades à esquerda e à direita, deixou a terra natal à procura de oportunidade profissional. Perdeu um irmão, Jaime, assassinado pela polícia política de Pinochet, e cujo corpo nunca foi encontrado. A família se espalhou pelo mundo. Perambulou pela Argentina, passando por Mendoza e Córdoba, Uruguai, chegou até na Costa Rica, voltou a Santiago, foi parar em Foz do Iguaçu, daí para São Paulo procurando um amigo que tinha vindo para o Brasil. Não achando, foi para Brasília, onde finalmente o encontrou já estabelecido em seus negócios.

Guillermo atesta que, apesar da Operação Condor estender seus braços por toda a América do Sul, as maiores dificuldades que encontrou foi no Uruguai, que não admitia chilenos em trânsito. A repressão forte na Argentina também o fez acreditar que seu destino final seria o Brasil, onde, afirma, nunca sofreu nenhum tipo de constrangimento.

Depois de uma estadia no Rio de Janeiro descobriu Belo Horizonte, que adotou como sua terra e onde encontrou o sossego que procurava. Um casal de filhos no primeiro casamento, ainda no Chile, casou-se pela segunda vez com uma mineira, Magali, com quem teve aquela menina que levou para tomar o sorvete.

Vendedor, jeitoso, conversa tranqüila e fácil, voz mansa sem elevar o tom, Guillermo já era mineiro antes de se amineirar. Gosta de vinho, mas no bar saboreia mesmo é uma boa cerveja. Que chega na sua mesa, aos sábados e domingos, sempre em mesa do lado de fora, num recipiente diferente dos demais, exclusivo, de um vermelho exuberante, formas curvilíneas de mulher farta em seios e nádegas, apelidada carinhosamente de Tchutchuca, chamando a atenção de todos os demais fregueses, condenados ao isopor tradicional e sem maiores encantos. Os transeuntes da movimentada Avenida Prudente de Morais também reparam no porta-garrafa, que faz o maior sucesso entre os adolescentes, aquela espécie que, nas ruas, só anda em bandos.

Nos primeiros tempos de trabalho no Brasil viajava durante a noite para dormir no ônibus e economizar hotel. Com isso, pôde estender sua clientela por quase toda Minas Gerais. Não fosse o sotaque, passaria por mais um mineiro do interior, daqueles que gostam de uma boa prosa, que se dá amistosamente com todos, enfim integrado à paisagem, uma árvore a mais na floresta de um boteco em Belo Horizonte. Árvore chilena transplantada com sucesso em solo mineiro, já dizia Caminha, a terra é boa...

Em tempo: sua cordialidade e talento político, forjados na busca da sobrevivência em ambiente à primeira vista estranho, o fez optar por torcer pelo América Mineiro. Que não sabia que sua torcida fosse continental. Vai ter que comprar outra Kombi, não é, Luís Cláudio?


2) Luís Cláudio, o coelho exemplar.

O simpático segundo time de todos os mineiros, o América de Belo Horizonte, é uma contradição em termos. Seu mascote é o coelho, número dez no jogo do bicho, dezenas 37-38-39-40.

Por definição, o coelho é um animal mamífero, logomorfo, leporídeo, natural da Europa, que introduzido em outros continentes tornou-se praga importante. Principalmente na Austrália e na Nova Zelândia. Daí, quem sabe, a fama de prolífero, fecundo, com a faculdade de gerar filhotes.

Não se sabe como foi que chegou ao Brasil. Deve ter sido contrabando. Na longa viagem, no meio do caminho, deve ter perdido sua capacidade, chegando em plagas tupiniquins já um tanto combalido, sem a energia necessária para cumprir seu destino de crescer e multiplicar. Dizem que seus exemplares em Minas Gerais cabem numa Kombi. Quem duvidar vá lá, no Estádio Independência. E acompanhe os jogos da segunda divisão, de onde já saiu, mas sentiu saudades e voltou, no ano seguinte. Será que um dia volta para a Primeirona?

O caso é tão sério, e a torcida tão pequena, estimada atualmente em 2.111 indivíduos, que dizem as más línguas que os jogadores é que conhecem a escalação da torcida, espécie em extinção, representada no boteco pelo seu mais destacado componente, o Luís Cláudio. Não por acaso, precocemente, seus cabelos são brancos como a neve.

Torcedor do América Mineiro não pode ser fanático. Essa característica não combina com o nível de educação da torcida, que já foi grande, em meados do século passado, quando chegou a ser decacampeão (dez anos seguidos). Mas faz muito tempo, as testemunhas de tal feito foram desaparecendo, desaparecendo... Pessoas bem formadas, geralmente de famílias tradicionais, a espécie americana mineira sofreu a síndrome da metamorfose, ou da traição pragmática, gerando seres estranhos à forma original, predominando o nascimento de galos e raposas.

O Luís só toma uísque, talvez o último resquício de uma época fausta em que seus pares ocupavam posições de maior destaque no governo mineiro. E o faz com estilo, com muito gelo e o copo protegido por um guardanapo de papel. Tranqüilo, não se envolve em polêmicas nem eleva a voz. Bem humorado, parece conformado com a posição atual do time. Ou se sofre com isso, esconde muito bem.

Tem gente que acredita em Estatística e acha que é uma Ciência isenta de manipulação política, conforme interesses confessáveis e inconfessáveis. É uma ciência “matemágica”, alvo da única frase inteligente proferida pelo eterno embaixador americano no Brasil, Mister Bob Fields, num dia de evidente descuido: “ a Estatística é como o biquini, mostra tudo menos o essencial”.

A duvidosa “ciência” entrou na história do boteco quando Luís, logo ele, testemunho arqueológico da espécie mineiro-americana, e pela lei das probabilidades a salvo, foi a única vítima do único assalto que o boteco vivenciou em sua longa história, três tiros que quase extingüiram o único exemplar da torcida preto-e-verde, a cor do pavilhão.

Deus é justo e verdadeiro. O Luís sobreviveu ao ignóbil atentado.

Pode ocupar qualquer lugar no boteco, mas está proibido de sentar-se naquela cadeira, a tal, a última do Corredor da Morte. Cujo significado será esclarecido em uma futura, mas não tão próxima edição.

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