POLITICANALHAGEM
O Brasil é um país
sul-americano, bonito por natureza, que em fevereiro tem Carnaval, segundo o
poeta precursor do samba-afro e do hip-hop, meu querido colega de bairro Rio
Comprido e adjacências, Jorge Ben, que depois virou Benjor, por artes que vem
do além... Mais precisamente do excelente guitarrista George Benson em meio a atlânticas
confusões e desvios de direitos autorais... é o que dizem.
O problema do Brasil
sempre foi a tal da Democracia, que, por definição, parece que só no
dicionário, “é o governo do povo, pelo
povo e para o povo”.
Toda vez que acontece
de essa máxima ameaçar se concretizar, dizem que a Democracia se encontra em
perigo. Assim, os “constitucionalistas paulistas”, em 1932, depois de se
lambuzarem com as benesses da República do Café, juntos com os não menos calhordas
mineiros, da República do Leite, acharam de bom tom barrarem a Revolução de
1930, que ao contrário do Golpe de 1964, foi Revolução sim. Os mineiros tiraram
a escada e deixaram os paulistas com a broxa na mão...
E os Golpes
sucederam-se. Enfadonhamente, digo eu, titular do Pau Comeu. O primeiro foi de
Vargas, que foi polêmico o suficiente para até hoje dar pano pra mangas de
diversas cores e sabores dos historiadores...
Depois apareceu o Pai
dos Golpes, o grande amado das mal-amadas de então, Carlos Lacerda, por volta
daqueles anos cinqüentas (com trema, revisão), que simplesmente declarou, em 1º de junho de 1950, no jornal Tribuna da
Imprensa:
Empossado,
devemos recorrer à revolução para impedi-lo
de governar."
Sen-sa-cio-nal, não?
Que clareza, que
objetividade, que democrata!
E Golpes e tentativas
sucederam-se, Jango, JK, até veio 1964, Lacerda à frente de suas mal-amadas
marchadeiras, bundas vagas da elite de então, com terços nas mãos contra o
comunismo e a corrupção... para elas Lacerda era o maior tesão!
Simplificando, pra não perder muito tempo com esses canalhas, citamos
palavras de Eliane
Catanhêde, do jornal Folha de São Paulo, Musa da Massa Cheirosa do PSDB e Miss
Febre Amarela, num belo dia de outubro de 2012:
"Não é com a democracia que vamos abater o
Lula"
Sen-sa-cio-nal de novo, não?
Que clareza, que objetividade, que democrata!
Entre os Golpistas de plantão, ninguém supera o pessoal da chamada Grande
Imprensa, das quatro famiglias irmãs: Folha de São Paulo, Globo, Estadão e
Abril da Veja ou Veja da Abril...
Lembro que, naqueles
idos dos (50-60-70)as, dizia-se que não se fazia um bom jornal de direita sem
jornalistas de esquerda... sim, era verdade... pois não havia vida inteligente
na direita que soubesse escrever, raríssimas eram as exceções... E os patrões da direita, para venderem seus
jornais, abriam seus espaços para os operários intelectuais de esquerda ganharem
seus salários... e melhorar a qualidade dos seus produtos.
Tempos depois, não há
mais jornalistas de esquerda (com raríssimas exceções...) em jornais da
direita, assim como não há jornais na esquerda a não ser nos túneis
internéticos onde ainda vicejam alguns blogueiros... ditos sujos pela imprensa
da direita dominante...
Na chamada Grande
Imprensa, expoentes exponenciais expõem suas hidrofobias nazi-fascistas, tais
como Merval Pereira, o filósofo imortal, e Arnaldo Jabor, o cineasta pornochic
de outrora...
Quem sabe da vida do
Jabor é o Nelson Rodrigues, o maior reacionário da imprensa daqueles tempos
imemoriais:
“(...) Arnaldo Jabor crescerá
de maneira fantástica quando brigar
com todas as suas atuais
amizades. O Jabor só não é muito
maior porque não é
reacionário, mas, um dia, ele o será,
e nós assistiremos à explosão de seu
gênio. Nunca vi ninguém com mais vocação
para aristocrata do que o Jabor.”
São palavras de Nelson Rodrigues no livro “Nelson
Rodrigues por ele mesmo”, organizado por Sonia Rodrigues, sua filha.
Sábias
e proféticas palavras... Tempos se passaram e, cansado de seus fracassos cinematográficos,
Jabor cumpre com galhardia a profecia rodrigueana.
ARTEFATOS
Quando o nosso amor entra em conflito,
sempre que o silêncio cala a voz do coração,sua boca marca minha pele
se o instinto cheira traição...
suas unhas rasgam traços no meu corpo,
me reclamam pleno e verdadeiro,
e seus olhos molham de paixão...
o seu coração não fica satisfeito,
morde meu pescoço e desse jeito diz...
e sem dizer me diz
que ainda está
a fim de mim...
ESPORTES
Para a torcida do time
mais odiado do Brasil, da qual faço parte, dedico os votos de que permaneça na
primeira divisão quando findar o campeonato brasileiro de 2013 e que consiga,
quem sabe, um terceiro lugar no campeonato carioca. Explico: pela primeira vez
uma diretoria parece que tem a cabeça no lugar e sabe que, sem dinheiro e sem
seriedade, não dá para governar uma nação como a rubro-negra.
FISCALIZANDO
AS NATUREZAS
Depois de me informar
sobre a “quase-quebra” de Eike Batista e a indigente declaração de bens de Aécio
Neves, Pau Comeu só pode condenar a Rede Globo por não instituir os Programas “Ei!
Que Esperança!” e “Uma Vaquinha Para O Mineirinho Pobrezinho!”. Colaboramos com
R$ 7,00 para cada um.
ABRINDO O BAÚ:
Histórias de dois personagens do boteco “Guloseimas”, ex- “Lambe-Lambe”,
situado na Avenida Prudente de Morais, 666. Tema do livro, lançado em 2004, já
esgotado, intitulado “O Corredor da Morte: Jesus está chamando! – Crônicas de
um bar familiar”.
1) Guillermo, o chileno
mineiro.
Descobriu o bar quando
se mudou para o bairro, em 1987, levando a filha para tomar um sorvete ainda no
Lambe-Lambe e parava na banca do Zé para comprar o jornal. Gostou e ficou.
Chegou ao Brasil em 1980, depois de uma série atribulada de viagens, fugindo do
golpe que, em 1973, dizimou o governo eleito de Salvador Allende.
Politicamente se
situava no centro do espectro político, cultivava amizades à esquerda e à
direita, deixou a terra natal à procura de oportunidade profissional. Perdeu um
irmão, Jaime, assassinado pela polícia política de Pinochet, e cujo corpo nunca
foi encontrado. A família se espalhou pelo mundo. Perambulou pela Argentina,
passando por Mendoza e Córdoba, Uruguai, chegou até na Costa Rica, voltou a
Santiago, foi parar em Foz do Iguaçu, daí para São Paulo procurando um amigo
que tinha vindo para o Brasil. Não achando, foi para Brasília, onde finalmente
o encontrou já estabelecido em seus negócios.
Guillermo atesta que,
apesar da Operação Condor estender seus braços por toda a América do Sul, as
maiores dificuldades que encontrou foi no Uruguai, que não admitia chilenos em
trânsito. A repressão forte na Argentina também o fez acreditar que seu destino
final seria o Brasil, onde, afirma, nunca sofreu nenhum tipo de constrangimento.
Depois de uma estadia
no Rio de Janeiro descobriu Belo Horizonte, que adotou como sua terra e onde
encontrou o sossego que procurava. Um casal de filhos no primeiro casamento,
ainda no Chile, casou-se pela segunda vez com uma mineira, Magali, com quem teve
aquela menina que levou para tomar o sorvete.
Vendedor, jeitoso,
conversa tranqüila e fácil, voz mansa sem elevar o tom, Guillermo já era
mineiro antes de se amineirar. Gosta de vinho, mas no bar saboreia mesmo é uma
boa cerveja. Que chega na sua mesa, aos sábados e domingos, sempre em mesa do
lado de fora, num recipiente diferente dos demais, exclusivo, de um vermelho
exuberante, formas curvilíneas de mulher farta em seios e nádegas, apelidada
carinhosamente de Tchutchuca, chamando a atenção de todos os demais fregueses,
condenados ao isopor tradicional e sem maiores encantos. Os transeuntes da
movimentada Avenida Prudente de Morais também reparam no porta-garrafa, que faz
o maior sucesso entre os adolescentes, aquela espécie que, nas ruas, só anda em
bandos.
Nos primeiros tempos
de trabalho no Brasil viajava durante a noite para dormir no ônibus e
economizar hotel. Com isso, pôde estender sua clientela por quase toda Minas
Gerais. Não fosse o sotaque, passaria por mais um mineiro do interior, daqueles
que gostam de uma boa prosa, que se dá amistosamente com todos, enfim integrado
à paisagem, uma árvore a mais na floresta de um boteco em Belo Horizonte.
Árvore chilena transplantada com sucesso em solo mineiro, já dizia Caminha, a
terra é boa...
Em tempo: sua
cordialidade e talento político, forjados na busca da sobrevivência em ambiente
à primeira vista estranho, o fez optar por torcer pelo América Mineiro. Que não
sabia que sua torcida fosse continental. Vai ter que comprar outra Kombi, não
é, Luís Cláudio?
2) Luís Cláudio, o
coelho exemplar.
O simpático segundo
time de todos os mineiros, o América de Belo Horizonte, é uma contradição em
termos. Seu mascote é o coelho, número dez no jogo do bicho, dezenas
37-38-39-40.
Por definição, o
coelho é um animal mamífero, logomorfo, leporídeo, natural da Europa, que
introduzido em outros continentes tornou-se praga importante. Principalmente na
Austrália e na Nova Zelândia. Daí, quem sabe, a fama de prolífero, fecundo, com
a faculdade de gerar filhotes.
Não se sabe como foi
que chegou ao Brasil. Deve ter sido contrabando. Na longa viagem, no meio do
caminho, deve ter perdido sua capacidade, chegando em plagas tupiniquins já um
tanto combalido, sem a energia necessária para cumprir seu destino de crescer e
multiplicar. Dizem que seus exemplares em Minas Gerais cabem numa Kombi. Quem
duvidar vá lá, no Estádio Independência. E acompanhe os jogos da segunda
divisão, de onde já saiu, mas sentiu saudades e voltou, no ano seguinte. Será
que um dia volta para a Primeirona?
O caso é tão sério, e
a torcida tão pequena, estimada atualmente em 2.111 indivíduos, que dizem as
más línguas que os jogadores é que conhecem a escalação da torcida, espécie em
extinção, representada no boteco pelo seu mais destacado componente, o Luís
Cláudio. Não por acaso, precocemente, seus cabelos são brancos como a neve.
Torcedor do América
Mineiro não pode ser fanático. Essa característica não combina com o nível de
educação da torcida, que já foi grande, em meados do século passado, quando chegou
a ser decacampeão (dez anos seguidos). Mas faz muito tempo, as testemunhas de
tal feito foram desaparecendo, desaparecendo... Pessoas bem formadas,
geralmente de famílias tradicionais, a espécie americana mineira sofreu a
síndrome da metamorfose, ou da traição pragmática, gerando seres estranhos à
forma original, predominando o nascimento de galos e raposas.
O Luís só toma uísque,
talvez o último resquício de uma época fausta em que seus pares ocupavam
posições de maior destaque no governo mineiro. E o faz com estilo, com muito
gelo e o copo protegido por um guardanapo de papel. Tranqüilo, não se envolve
em polêmicas nem eleva a voz. Bem humorado, parece conformado com a posição
atual do time. Ou se sofre com isso, esconde muito bem.
Tem gente que acredita
em Estatística e acha que é uma Ciência isenta de manipulação política,
conforme interesses confessáveis e inconfessáveis. É uma ciência “matemágica”,
alvo da única frase inteligente proferida pelo eterno embaixador americano no
Brasil, Mister Bob Fields, num dia de evidente descuido: “ a Estatística é como
o biquini, mostra tudo menos o essencial”.
A duvidosa “ciência”
entrou na história do boteco quando Luís, logo ele, testemunho arqueológico da
espécie mineiro-americana, e pela lei das probabilidades a salvo, foi a única
vítima do único assalto que o boteco vivenciou em sua longa história, três
tiros que quase extingüiram o único exemplar da torcida preto-e-verde, a cor do
pavilhão.
Deus é justo e
verdadeiro. O Luís sobreviveu ao ignóbil atentado.
Pode ocupar qualquer
lugar no boteco, mas está proibido de sentar-se naquela cadeira, a tal, a
última do Corredor da Morte. Cujo significado será esclarecido em uma futura,
mas não tão próxima edição.
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