quarta-feira, 19 de agosto de 2015

EDIÇÃO Nº 130: ALGO DE NOVO NO VELHO





O Autor resolve viajar para mais perto de si e dos mais próximos.

Ao acordar, cumprimento o vulto que no espelho parece alguém pouco mais velho do que eu.

Deve ser uma espécie de saudade.
Saudade dos queridos que já partiram.
Saudade dos amigos que estão longe.
Saudade dos filhos.
Saudade de si mesmo.
 
19-08-2015, 68º inverno.



E-MAIL DE UM AMIGO


E-mail de um amigo. Não de um simples amigo. Sim de um dos mais antigos. Tinha ficado em silêncio por alguns meses, para mim muitos.  Preocupado com a falta de notícias, sou mais de não ficar incomodando, fiquei à espera. Quando voltou a falar trouxe más notícias.
Difícil resumir uma doença que afetou a própria voz, felizmente curada, um assalto a uma filha, do qual ficou o grande susto e alguns transtornos, e, principalmente, a morte de um irmão, por roubo seguido de morte violenta, irreversível fato consumado. Ainda disse, referindo-se à família, que “(...) é melhor a gente estar todos juntos.”
Mas restou preocupante o final:
“(...)  Penso nisso tudo e, embora qualquer conclusão seja no mínimo ridícula, pois a gente não vale nada, nada, nada, o único que sinto é uma vontade imensa de me afastar de tudo, de me recolher para dentro de mim mesmo.
A vida já me cansou demais...
Desculpe o desabafo.
Grande abraço.”


REFLEXÃO SOBRE A VIDA


Reflexão sobre a vida, sobre a existência, sobre o que nos mantém aqui, é quase inevitável.
Somos obrigados a sobreviver em meio a muitas áreas de interesses e atritos, profissionais, pessoais, numa conjugação de desafios que nos exigem decisões cotidianas, desde as que tomamos suavemente, outras que nos exigem sacrifícios, e algumas que até machucam.
O tempo traz junto o cansaço, sim.
Mas... Dizer o que a quem queremos bem, num momento assim tão difícil?


RESTA VIVER O TEMPO


Vidas não se comparam, cabe a cada um levar a sua, tocar a música mais apropriada em cada momento, com as desafinações não desejadas e as harmonias queridas, num eterno desvendar de segredos, revelações, sons e silêncios.
A vida é um mistério, queiramos ou não, e boa parte pode ser explicado pela nossa ignorância em relação à morte como evento de probabilidade sem dúvida.
A certeza, em vez de nos confortar, nos assusta.
Resta viver o tempo que ainda couber a cada um.


NADA ENGANA A VELHICE


E vem o tempo, traz nas costas a idade pesando, chega a tal da velhice.
Nada engana a velhice.
Chegam a ser ridículas as tentativas em contrário, sempre frustradas.
O significado da velhice pode mudar conforme o ânimo com que se acorda.
Pode ser um lento despedir da Natureza, a mãe que ficará. Pode ser uma sensação de é hoje só, amanhã não tem mais, como se costumava cantar nas terças-feiras de tantos carnavais...
O certo é que, com a velhice, chegam os inevitáveis balanços que quase sempre não fecham, e quando fechados deixam geralmente saldos devedores.
E uma pergunta, o que fazer para compensar a redução da energia, do vigor, da densidade, atributos antes responsáveis pela maioria dos momentos mais virtuosos?
A resposta pode estar dentro e/ou fora da gente. Mas sempre é preciso um fato que nos revigore.
Dentro, por exemplo, no prosseguimento de um trabalho que faça sentido, como o do artista com seu contínuo olhar transformador das coisas da vida em belezas que causam o bem a quem as vê.
Fora, quando é preciso que algo nos ajude a despertar nossas melhores coisas que por um ou outro motivo estiveram escondidas durante algum tempo.


UM GRANDE ABRAÇO AO AMIGO


O poeta, quando diz no samba “troquei de mal com Deus por me levar meu pai” , exprime esse sentimento de não conformismo com os desfavoráveis fatos consumados, irreversíveis. 

E a gente vai seguindo, alternando momentos de trocar de mal e trocar de bem, conforme o vento do destino sopra contra ou a favor, num constante mal-me-quer-bem-me-quer.

Há dois anos troquei de bem com Deus, para nunca mais trocar de mal.

Nascia no dia 23 de agosto de 2013 minha netinha Cora, filha de Lucas e Gabriela.

Daquele dia em diante está sendo a grande responsável por melhorar minha qualidade de vida nesse resto de areia que a ampulheta do tempo me dá.

Por hoje, mando um grande abraço ao amigo, do tamanho da amizade que lhe dedico, e lhe envio minha melhor lembrança... O sorriso de Cora.

Ela é o algo de novo no velho.


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