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O Autor resolve
viajar para mais perto de si e dos mais próximos.
Ao acordar,
cumprimento o vulto que no espelho parece alguém pouco mais velho do que eu.
Deve ser
uma espécie de saudade.
Saudade dos
queridos que já partiram.
Saudade
dos amigos que estão longe.
Saudade
dos filhos.
Saudade de si mesmo.
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19-08-2015,
68º inverno.
E-MAIL DE UM AMIGO
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E-mail de um amigo. Não
de um simples amigo. Sim de um dos mais antigos. Tinha ficado em silêncio por
alguns meses, para mim muitos. Preocupado
com a falta de notícias, sou mais de não ficar incomodando, fiquei à espera. Quando
voltou a falar trouxe más notícias.
Difícil resumir uma
doença que afetou a própria voz, felizmente curada, um assalto a uma filha,
do qual ficou o grande susto e alguns transtornos, e, principalmente, a morte
de um irmão, por roubo seguido de morte violenta, irreversível fato
consumado. Ainda disse, referindo-se à família, que “(...) é melhor a gente estar todos juntos.”
Mas restou preocupante o
final:
“(...) Penso nisso tudo e, embora qualquer conclusão seja no mínimo
ridícula, pois a gente não vale nada, nada, nada, o único que sinto é uma
vontade imensa de me afastar de tudo, de me recolher para dentro de mim
mesmo.
A vida já me cansou demais...
Desculpe o desabafo.
Grande abraço.”
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REFLEXÃO SOBRE A VIDA
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Reflexão sobre a
vida, sobre a existência, sobre o que nos mantém aqui, é quase inevitável.
Somos obrigados a
sobreviver em meio a muitas áreas de interesses e atritos, profissionais,
pessoais, numa conjugação de desafios que nos exigem decisões cotidianas,
desde as que tomamos suavemente, outras que nos exigem sacrifícios, e algumas
que até machucam.
O tempo traz junto o
cansaço, sim.
Mas... Dizer o que a
quem queremos bem, num momento assim tão difícil?
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RESTA VIVER O TEMPO
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Vidas não se comparam,
cabe a cada um levar a sua, tocar a música mais apropriada em cada momento,
com as desafinações não desejadas e as harmonias queridas, num eterno
desvendar de segredos, revelações, sons e silêncios.
A vida é um mistério,
queiramos ou não, e boa parte pode ser explicado pela nossa ignorância em
relação à morte como evento de probabilidade sem dúvida.
A certeza, em vez de nos
confortar, nos assusta.
Resta viver o tempo que ainda
couber a cada um.
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NADA ENGANA A VELHICE
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E vem o tempo, traz
nas costas a idade pesando, chega a tal da velhice.
Nada engana a
velhice.
Chegam a ser
ridículas as tentativas em contrário, sempre frustradas.
O significado da
velhice pode mudar conforme o ânimo com que se acorda.
Pode ser um lento
despedir da Natureza, a mãe que ficará. Pode ser uma sensação de é hoje só,
amanhã não tem mais, como se costumava cantar nas terças-feiras de tantos
carnavais...
O certo é que, com a
velhice, chegam os inevitáveis balanços que quase sempre não fecham, e quando
fechados deixam geralmente saldos devedores.
E uma pergunta, o que
fazer para compensar a redução da energia, do vigor, da densidade, atributos antes
responsáveis pela maioria dos momentos mais virtuosos?
A resposta pode estar
dentro e/ou fora da gente. Mas sempre é preciso um fato que nos revigore.
Dentro, por exemplo, no
prosseguimento de um trabalho que faça sentido, como o do artista com seu
contínuo olhar transformador das coisas da vida em belezas que causam o bem a
quem as vê.
Fora, quando é
preciso que algo nos ajude a despertar nossas melhores coisas que por um ou outro
motivo estiveram escondidas durante algum tempo.
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UM GRANDE ABRAÇO AO AMIGO
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O poeta, quando diz
no samba “troquei de mal com Deus por
me levar meu pai” , exprime esse sentimento de não conformismo com os desfavoráveis
fatos consumados, irreversíveis.
E a gente vai
seguindo, alternando momentos de trocar de mal e trocar de bem, conforme o
vento do destino sopra contra ou a favor, num constante mal-me-quer-bem-me-quer.
Há dois anos troquei
de bem com Deus, para nunca mais trocar de mal.
Nascia no dia 23 de
agosto de 2013 minha netinha Cora, filha de Lucas e Gabriela.
Daquele dia em diante
está sendo a grande responsável por melhorar minha qualidade de vida nesse
resto de areia que a ampulheta do tempo me dá.
Por hoje, mando um
grande abraço ao amigo, do tamanho da amizade que lhe dedico, e lhe envio
minha melhor lembrança... O sorriso de Cora.
Ela é o algo de novo
no velho.
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