![]() |
|
POMBO CORREIO
Devido à profusão de temas candentes, inadiáveis, Pau Comeu deixa
de lado sua periodicidade normal (dias 07-17-27 de cada mês) e solta essa antecipação
(54-A) mais reduzida em número de temas, mas nem por isso dotada de menos
conteúdo. No dia 07-11-2013 será publicado o 54-B.
CARDÁPIO
·
BOOMERANG DA CBF
Homenagem
aos (ir) responsáveis pelo futebol brasileiro
·
COMA SEU CHURRASCO HOJE, PODE TER SIDO O ÚLTIMO...
Reflexões
sobre a dinâmica econômica do futuro governo
social-paleontológico.
·
PERNICIOSIDADE
Reflexões
sobre Deus e o Diabo na velha jovem guarda.
·
UMA CIDADE PARA
INVESTIDORES
Uma
contribuição da leitora e amiga Vera Westin sobre a urbanização de BH.
BOOMERANG DA CBF
>>>>>>>>>>> Entidade estuda pedir a perda da
cidadania brasileira do atleta que escolheu defender a Espanha.
José Maria Marin, atual presidente da
CBF e sua Quadrilha Ilimitada.
>>>>>>>>>>> Torcida organizada vai ser
autorizada a partir do clube e haverá monitores para ensinar comportamento
adequado aos torcedores.
Marco Polo Del Nero, futuro presidente
da CBF e sua futura Quadrilha Ilimitada.
<<<<<<<<<<< Povo Brasileiro
pede prisão perpétua de Marin e Del Nero em uma pirâmide egípcia, pelo delito
de excesso de estupidez.
Pau Comeu, em estado de perplexidade diante de tantas asneiras
dessas duas múmias.
COMA SEU CHURRASCO HOJE, PODE TER SIDO O ÚLTIMO...
Ou então muda o cardápio.
Por peidar demais, pois “(...)
o gado brasileiro responde por emissão de gases que
geram grande quantidade de C02”, estão com os dias contados o leite da
vaca e a carne do casal bovino.
Será proclamada a (Con)Sagração do Gado Vacum nas terras
descobertas por Cabral e ampliadas pelos bandeirantes escravizadores paulistas
e pela diplomacia pragmática do Barão do Rio Branco.
Assim, milhares de criancinhas que foram acostumadas ao
líquido branco, terão que se acostumar com o sucedâneo “sojeite”, porque os
adultos, nós, já traçamos o “sojurguer” nosso de cada dia.
Segundo o marinólogo sustentável Eduardo Gianetti da Fonseca,
futuro ministro da Economia do socialismo-paleontológico, as diretrizes
alimentícias terão que ser modificadas radicalmente:
“Criamos no mundo moderno um sistema que é quase uma regra de
convivência: você busca situações e posses que deem a você algum tipo de
admiração, de respeito, daqueles que estão a seu redor. Contrapartida disso,
quando se espalha e se massifica em escala planetária, na China, na Índia, no
Brasil, é a destruição irreparável da natureza.”
Ou seja, somos penetras indesejáveis até no
universo da gastronomia básica, pois, segundo o arauto dos novos tempos... “Comer um bife é uma
extravagância do ponto de vista ambiental.”
Também sem essa de ficar viajando de avião pra
cima e pra baixo, pois Dona Danuza Leão já reclamou que os aeroportos estão
ficando insustentáveis com essa gentinha que nunca comeu melado (leia-se: que
nunca viajou de avião). Segundo a musa antropóloga das elites, agora perdeu a
graça ir para a Europa, pois qualquer um pode ir. Sem saber, ela aplicou a
teoria do futuro ministro, que já disse: “Pegar um avião para atravessar o Atlântico é uma
extravagância sem tamanho, do ponto de vista ambiental. Você emite mais dióxido
de carbono do que um indiano durante uma vida.”
Como fazer para alcançar o mundo perfeito? Não
vale peidar e só pode atravessar o oceano a nado?
Nem tanto, a Lei Maior, a cláusula pétrea da Nova
Constituição será: aumentar o preço de “tudo
que tem impacto ambiental”. Assim, só peida se puder pagar o preço e Dona
Danuza poderá desfilar sua arrogância pelos ares não mais poluídos, em todos os
sentidos...
Como tudo no mundo tem impacto ambiental, então,
em última instância, para resolver a nervosa dialética hegel-gianettiana e para
simplificar a discussão, CRESCIMENTO ZERO JÁ! E mais, vedar a ascensão das
classes mais periféricas ao paraíso do consumo global, ou seja, para deixar a
hipocrisia de lado, DESEMPREGO JÁ! E, para não deixar pedra sobre pedra nessa
construção piramidal, para não sacrificar demais as classes dominantes, EUGENIA
JÁ!
PERNICIOSIDADE
Não tenho nada contra quem acha o Roberto Carlos um grande
cantor...
O rei da Matusalêmica Jovem Guarda saiu do limbo do qual só
acorda no fim do ano no programa natalino da Globo (cada ano que passa a mesma
novidade...), para dar uma entrevista... para quem? Claro, para a Rede Globo,
que pergunta idiota desse tal de Pau Comeu...
E disse a seguinte pérola:
“Pessoas têm dito que eu sou contra (as biografias
não-autorizadas)
por causa do meu acidente. Não é isso, não. Eu, quando escrever meu livro,
eu vou contar do meu acidente. Ninguém poderá contar do meu acidente melhor que
eu. Ninguém poderá dizer aquilo que aconteceu com todos os detalhes que eu
posso. Porque ninguém poderá dizer o que eu senti e o que eu
passei. Desculpa a rima, porque isso aí só eu sei“.
Pau Comeu perdoa a rima pobre e a pobreza do argumento e
segue em frente.
Ninguém pode descrever como Martim Luther King sobre seu
assassinato. Ninguém pode, como Noé, descrever o dilúvio. Ninguém pode, como
Salvador Allende, escrever sobre a traição que sofreu culminando com seu
suicídio. Sim, ninguém pode, como Jesus Cristo, descrever sua própria
crucificação.
Então, já que é assim, Pau Comeu toma a liberdade de publicar
uma “não-autorizada”, saindo da pena do talentoso José Miguel Wisnik
(http://jornalggn.com.br/noticia/para-lutar-contra-biografia-marrom-teremos-que-viver-sob-a-egide-do-silencio):
“(...) O Rei sofre de
uma amputação que não deve ser nomeada, como a proferição de um vazio
insuportável. O silêncio público sobre a falta de que sofre o Rei é um daqueles
segredos que todos conhecem. Os súditos do Rei parecem acolher o segredo do
Rei, e isso faz parte do pacto íntimo que ele faz com o seu público. O Rei acha
que a biografia estragaria tudo, embora o público o amasse ainda mais se ele
desse a revelar o segredo que todos sabem. É doloroso, mas é a vida.(...)”
Pau Comeu relembra um desfile de Escolas de Samba de um
Carnaval que passou, na Edição nº 15, já faz tempo, publicada em 27 de novembro
de 2012:
“O Cristo crítico do Joãosinho Trinta não pôde, anos atrás,
obrigado a desfilar oculto sob uma capa
plástica preta, mas o Cristo Pai do rei pode, afinal rei é rei e pode usar qualquer símbolo para
santificar sua pretensa e pretensiosa majestade.
Uma medida para aumentar a
sensação de equilíbrio seria colocar Cristo
em todas as escolas, aí teria que haver empate nesse quesito, pois estaria garantida a onipotência,
onisciência e onipresença, resultando em uma desejável
equivalência.
Assim
o Filho de Deus não interferiria no resultado. Também, quem sabe, para reforçar o conceito, toda Comissão
de Frente deveria portar uma tabuleta com os
dizeres “Jesus Cristo eu estou aqui”. Isso ele disse anos depois de gritar ‘’E que tudo mais vá pro Inferno!”, que
positivamente não é o endereço do Avô do rei,
rei de que mesmo? Ah... da velha Jovem Guarda, não a Velha Guarda da Portela nem da Mangueira, mas das coroas
desesperançadas e das mulheres mal-amadas.
O
festival de notas 10 da vencedora do desfile foi obra de Deus, ou de seu Filho,
ou de seu neto, o rei vestido de
azul. Vestido de azul?
O
abraço unindo o rei da velha jovem guarda e o rei da contravenção foi esclarecedor.
Alguém,
na multidão, com certeza viu que o rei estava nu.”
Sim, ninguém pode, como Jesus Cristo, descrever sua própria vida
e crucificação. Estão desautorizados todos os que o fizeram.
Como diz o terceiro mandamento, “Não tomarás o nome
do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o
seu nome em vão.”
Em vão...
UMA CIDADE PARA
INVESTIDORES
(Um ensaio de Vera Westin sobre a urbanização de Belo
Horizonte)
A história se repete – como é mesmo? – a primeira vez, como
tragédia, a segunda, como farsa? Pois a região da Pampulha e a própria lagoa
que lhe toma o nome são hoje o alvo da feroz gana imobiliária e do descaso ou
conivência do poder público. Como em outras eras, sem respeito pelo que lhe dá
identidade, qualidade do ar, belas paisagens, o verde como pano de fundo,
espaço de lazer e práticas esportivas, contemplação. Nos limites do município
de Belo Horizonte, não existe espaço público urbanizado com esses valores.
E quem deles se beneficia?
Os moradores privilegiados dos bairros chiques da região unicamente,
como querem as vozes que proclamam a verticalização da região? E o que dizer
dos fins-de-semana no zoológico, no Parque “Mangueiras”? E dos eventos
esportivos - corridas, caminhadas? E do puro perambular pela orla da lagoa, que
antes oferecia o prazer paciente de pescadores? E dos ciclistas e da mera
contemplação da paisagem, o sol refletido no espelho d’água, as árvores
oferecendo sombra e ambos amenizando os efeitos do ar seco de Belo Horizonte? E
dos monumentos modernistas, cartão postal da cidade por tantas décadas, São
Francisco quase alçando vôo pela leveza das linhas de Niemeyer? E dos fogos do
Réveillon, as oferendas a Iemanjá?
A contumaz depredação de monumentos, exemplares
arquitetônicos e sítios naturais em Belo Horizonte é sina, barbarismo ou
irresponsabilidade civil? A verticalização voraz que traz maiores lucros e
estrangulamentos por metro quadrado é a única opção? A quem serve? Um Belvedere
que é hoje uma muralha de concreto barrando os ventos do sul não se tornou, por
acaso, num nó urbanístico de trânsito, adensamento e mesmo de riscos
geológicos?
Se algum belorizontino se der ao trabalho de lançar um olhar
mais atento para o Belvedere, aproveitando alguma fresta da Raja Gabaglia
(outro triste horizonte de muralhas de concreto pela apropriação da paisagem),
vai ter duas visões distintas: primeiro, no sentido centro-bairro, um recanto
arborizado, entremeado de telhados de casas, acomodados num regaço da montanha,
numa harmoniosa combinação de natureza e ocupação humana; em seguida, a muralha
de torres que parece querer competir com a Serra e por isso não respeita seus
meandros, grotas, encostas. Arremedo grotesco das cidades medievais, onde a
altura das torres sinalizava o lastro de riquezas dos seus proprietários?
Ambição tosca e quase selvagem dos que confundem palavras fetichizadas como
progresso, modernidade, status, alto padrão com apropriação da paisagem em
áreas que, em qualquer lugar mais civilizado, seriam preservadas como bem
ambiental coletivo? Ganância guiada pelo mesmo desvario predador dos que já
mutilaram a cidade em épocas pretéritas?
00000
Perdem ricos e pobres, ganham os poucos investidores –
“donos” da cidade – e cidadãos (?) especiais.
Bens ambientais e paisagísticos coletivos são o que torna as cidades atrativas
para cidadãos, turistas e, em última instância, também para investidores, na
medida em que esses atributos redundam em valor monetário pela qualidade de
vida que proporcionam. Há muitos bairros não-ricos no entorno da lagoa que se
beneficiam direta e indiretamente das suas proximidades. Diretamente como lazer
e desfrute de um espaço público bonito, aprazível; indiretamente, pela
qualidade do ar e pelo tráfego menos congestionado em alguns pontos. E
aqueles que hoje já são pontos de estrangulamento, como estarão com o
adensamento que vem com a verticalização?
Cidades atrativas, com qualidade de vida e visitadas no mundo
inteiro trilham um caminho oposto ao que BH está trilhando: preservação do
patrimônio histórico e ambiental, prioridade para o interesse dos cidadãos e
não de grupos, prioridade para os espaços públicos frente aos interesses
individuais ou de grupos. O que faz as cidades européias atrativas para o
turismo são os bairros modernos ou os monumentos de época e os jardins e
parques enormes e numerosos das principais capitais?
Em Valência, na Espanha, um maravilhoso parque linear foi
construído no antigo leito de um rio, que teve seu curso desviado em função de
enchentes na área urbana. As pontes antigas foram preservadas e outras de
arquitetura moderníssima foram erguidas; jardins, quadras, playgrounds e outros equipamentos de esporte e lazer, intensamente
utilizados, podem ser vistos quando se percorrem alguns quilômetros nas
avenidas laterais. Se em Belo Horizonte fosse desviado o curso de algum rio, o
que se veria é a construção de shoppings, edifícios residenciais e outros
empreendimentos lucrativos. Tudo com muito concreto impermeabilizando o solo e
as oportunidades de fruição da cidade e dos espaços públicos. Pois opiniões de
leitores de edições on-line de
jornais locais já não se puseram a favor de deixar secar a lagoa da Pampulha e
criar espaços para que a construção civil torne a região mais moderna e
“urbanizada”? Ainda bem que são e que permanecem vozes isoladas! (A menos que a
letargia e o imobilismo em relação às obras de despoluição da lagoa sejam
indícios de um “projeto” de tornar a sua morte um fato consumado...)
Para não dizer mais, é no mínimo bizarro esse cenário, assim
como bizarra e inacreditável é a falta de eco para o anúncio de que a
verticalização vai trazer o adensamento da região sem a correspondente
infraestrutura. E isto se traduz em maior poluição da lagoa e do ar, gargalos
de trânsito e as filas intermináveis de carros – que já agora transtornam a
rotina dos moradores locais – enfim, baixa qualidade de vida não só para quem
mora, mas também para todos os que trabalham ou passam pela Pampulha a caminho
de casa, da escola, do lazer ou do emprego. É o tipo de silêncio que atordoa, o
cale-se que permite que se engendrem decisões sem volta nos escritórios das
construtoras e de outros empreendedores interessados. Poucas vozes se
pronunciam, até são noticiadas, mas sem ênfase e eficácia, quando está em jogo
uma questão que toca a cidadania na sua raiz: o cidadão de Belo Horizonte ter
poder de voto e veto naquilo que atravessa o seu dia-a-dia, com transparência
nas informações, o tema posto na praça para ser discutido.
Que a cidade seja pensada e construída para e pelos seus
cidadãos num espaço de cidadania ampla - e não permaneça apenas uma cidade para
investidores.
(Vera Ligia Westin)

Nenhum comentário:
Postar um comentário