quinta-feira, 17 de outubro de 2013

EDIÇÃO Nº 52: PINTO FELIZ




 
 
 
 
O autor, pensando em arranjar um bico para melhorar as combalidas finanças...
 
17-10-2013

 

 CARDÁPIO

  • AO MUSO DO BLACK BLOC, COM CARINHO.
  • LEMINSK-QU-INTANA
  • PROJETO NA ÁREA DA SAÚDE
  • MORADORES DE RUA: texto do Professor Marco Antonio Tourinho Furtado

  • LIVROS PROIBIDOS
  • PESQUISANDO PESQUISAS
  • FUNDO DO BAÚ: MINHA PRIMEIRA LEMBRANÇA DE SAMBA

 

AO MUSO DO BLACK BLOC, COM CARINHO.



Pau Comeu já cansou de chamar a atenção sobre os boçais mascarados que teimam em se aproveitar de manifestações justas para desfilar seu fascismo depredador. Então, dou a palavra a Bepe Damasco, em seu blog, e dedico esse texto a Caetano Veloso, para que continue a elogiar os seus sensuais bandidos angelicais:

Nesta terça-feira (15), Dia do Professor, outra bela manifestação dos profissionais da educação foi totalmente ofuscada pela quebradeira promovida pela milésima vez por um bando mascarado, de nítida inspiração fascista, que atende pela alcunha de black bloc. Nem na ditadura os manifestantes escondiam o rosto. Mas parte da esquerda teima em glamourizar e até enxergar papel anticapitalista e revolucionário na ação desses grupelhos. Embora já tenha ultrapassado todos os limites em termos de vandalismo e violência gratuita, os tais black blocs continuam gozando de inaceitável impunidade.” 


LEMINSK-QU-INTANA


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barzinho perdido
na noite fria
estrela e guia
na escuridão
 
 
à pureza com que sonha
o compositor popular
um dia poder compor
uma canção de ninar
 
 
cala, amigo...
cuidado, amiga...
uma palavra só
pode tudo perder para sempre...
 
 
poema que é bom
acaba zero a zero.
acaba com.
não como eu quero.

“Canções”, Mário Quintana &“Toda Poesia”, Paulo Leminski.

 

PROJETO NA ÁREA DA SAÚDE

Autor: vereador Mário Nadaf (Partido Verde)

Cidade: Cuiabá (Mato Grosso)

Objetivo: elevar a qualidade de vida dos idosos de baixa renda que sofrem com disfunção erétil.

Metodologia: distribuição gratuita de medicamentos contra impotência sexual masculina pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Público-alvo: idosos maiores de 60 anos de idade que recebem menos de dois salários mínimos por mês e que sejam diagnosticados com disfunção erétil pela rede pública de saúde em Cuiabá.

Histórico: A ideia já foi implantada em outro município de Mato Grosso antes do projeto apresentado aos vereadores da capital. De 2006 a 2008, a prefeitura de Novo Santo Antônio, a 1.063 km de Cuiabá, distribuiu remédios contra disfunção erétil aos homens idosos da cidade de pouco mais de 2200 habitantes (estimativa do IBGE para 2013). O projeto foi extinto após recomendações médicas a respeito do risco de ataque cardíaco aos idosos do município.

Apelido carinhoso do Projeto: “PINTO FELIZ”.

Apelido sacana do Projeto: “BOLSA-BROCHA”.

Comentário do Pau Comeu: e ainda tem gente inescrupulosa que fala que essa faixa etária é a MELHORIDADE...

 

MORADORES DE RUA

Moradores de rua: quando os laços familiares se enfraquecem?
Acabo de ver na TV Universitária um documentário longo, e não só clipes como Profissão Repórter e outros da TV aberta, sobre moradores de rua, todos homens. Chama-se “À margem da imagem".

Chama atenção a trajetória de vida, e como chegaram às ruas. Na maioria vê-se que os laços familiares se desfizeram ou inexistiram. Num caso, de um bem jovem, órfão, que foi criado em abrigos, e aos 18 anos saiu de abrigo, e depois de uns empregos foi assaltado ao chegar a São Paulo, perto da rodoviária, e não tendo dinheiro, família ou conhecidos acabou na rua. Vários foram separações de esposas, seja por bebida, desemprego, ou ambos. Uma delas sumiu com tudo da casa enquanto ele passava o dia fora, e sem nada, resolveu ir pra rua.
Muitos foram expulsos de casa por bebida, ou envergonhados porque a mulher os sustentava, resolveram sair. Um declara que desempregado, resolveu ficar na rua, onde consegue bicos, e ainda manda dinheiro pra família.

Lembrei-me de que as famílias eram amplas, acolhedoras, num passado recente no Brasil. Meu avô acolheu sobrinhos órfãos e acabou de criá-los. Minha avô, viúva aos 21 anos, acolheu netos como minha mãe e quatro irmãos órfãos em casa, e algumas dezenas de crianças da família ampla (sobrinhos, etc.) vinham da roça morar em sua casa durante a semana pra estudar, ou ficavam todo período escolar. E os pais ajudavam. Os doentes da família vinham ficar na casa de meu avô no Rio durante semanas, meses, se preciso.

Também não se migrava com a facilidade de hoje. Isto facilitava raízes e relações mais duradouras. As pessoas viviam mais nas suas regiões de origem, tinham laços mais fortes, e encontravam mais solidariedade nas adversidades. Impressiona o número de homens que são oriundos de outros lugares, do Nordeste, mas também de Minas, SP e outros estados que migram e perdem as suas relações familiares, e não voltam a procurar seus familiares nas dificuldades. Aí só lhes resta a rua no desemprego.
Como a família é aquela que acolhia no fracasso e na doença, e como hoje ela está se esgarçando, cada vez mais reduzida em tamanho, pois os laços da família ampla como ainda via nas casas de meus avós vai ficando raro (até pelo número menor de filhos, maiores distâncias entre o restante da família ampla e menos tempo pra cultivar relações), creio que a tendência é de mais gente buscar na rua um abrigo, um espaço, e por incrível que pareça uma socialização e solidariedade que só lhes restam encontrar ali. Tristes tempos”.

Marco Antônio Tourinho Furtado

14-10-2013

 

LIVROS PROIBIDOS

 De Paulo Moreira Leite, em seu blog:

O que é preciso é garantir formas eficazes de reparação, capazes de prevenir o  erro sem inibir uma atividade necessária e enriquecedora para o país.”

Causou espécie, celeuma, ou qualquer outro sinônimo bem empregado, manifestações de artistas contrários à edição de biografias não autorizadas. Entre eles, Caetano Veloso (sem surpresa), Gilberto Gil (algum espanto) e Chico Buarque (chocante).
Do primeiro, depois de gritar “é proibido proibir!”, chegar ao ponto de dizer que “a liberdade não é infinita...” para justificar cobrança pecuniária sobre suas memórias e de outros, é um fim de carreira triste...   Do segundo, que chegou a dar pitacos para acabar com direitos autorais (quem não se lembra de que foi partidário do “creative common”), nem tanto ao mar, nem tanto à terra... Do terceiro, só a decepção de estar em más companhias.

Pau Comeu foi na internet e um site trouxe a seguinte pesquisa:
As biografias não autorizadas devem ser proibidas no Brasil?


No dia 14-10-2013, para 9318 pessoas, as respostas foram as seguintes:

  • Sim, é preciso defender a privacidade das pessoas públicas: 23.0%
  • Não, a liberdade de expressão deve ser garantida: 58.0%
  • Não, mas o lucro deve ser dividido com o biografado: 19.0%


PS: DATAPAU fez a mesma pesquisa, saiu às ruas do Brasil e o resultado foi outro, sem margem de erro nem números decimais:

  • Sim, é preciso defender a privacidade das pessoas públicas: 1%
  • Não, a liberdade de expressão deve ser garantida: 97%
  • Não, mas o lucro deve ser dividido com o biografado: 2%


Leitor apaixonado por biografias, o autor do Pau vai procurar outro gêneros literários, pois que graça teria ler biografias assépticas e que só mostram aspectos positivos do personagem? Quem não pecou, que atire a primeira pedra, já dizia O Cara mais biografado de todos os tempos...
Já pensaram uma biografia de Getúlio Vargas sem poder falar de sua predileção por vedetes do teatro rebolado? Ou sem poder falar que enviou Olga para a morte? Ou que foi o brasileiro mais importante do seu tempo? Ou que foi vítima da canalhice de Carlos Lacerda, inspirador de tantos jornalistas escrotos atuais?

Chico Buarque justifica sua posição por ter sido censurado pela Globo. Ora, qualquer interpretação equivocada de quem quer que seja, que não corresponda à verdade factual, que seja alvo de processo. Justiça existe para isso. Se a Justiça não funciona, quem melhor que os artistas e famosos para cobrarem, já que a mídia, quando interessa, costuma abrir generosos espaços para eles? Simples, assim. Dos outros, prefiro não falar.
Agora, Domingos Pellegrini, autor de biografia não autorizada pela família de Paulo Leminski, decidiu colocar na internet, para reprodução e divulgação gratuitas permitidas, o livro “Passeando por Paulo Leminski”, pois a família herdeira não autorizou a publicação impressa. Segundo Domingos, “o motivo do veto está em um parágrafo, de oito linhas, que fala sobre o suicídio do irmão de Leminski, Pedro Leminiski.”  E citou matéria publicada em jornais.

Pois é, É PERMITIDO PROIBIR.

Biografáveis do mundo, uni-vos! Podres, tranquem-se nos armários!

Parei...

Vocês, censores, venceram!

Para homenagear a censura sem ditadura, sete poemas de Paulo Leminski...

 
relógio parado
o ouvido ouve
o tic-tac passado.
 
 
meu problema
só dói
quando queima
 
 
entre pedra e pedra
não vai ficar
pedra sobre pedra
 
 
novas telhas
à primeira chuva
a nova goteira
 
liberdade
vento
onde tudo cabe
 
 
sabe da última?
a chuva lavou
a minha culpa
 
rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?
 

 


PESQUISANDO PESQUISAS

 Depois do casamento (indissolúvel?) entre Marina Silva (foi dela o pedido) e Eduardo Campos, claro que o interesse sobre os resultados das pesquisas eleitorais ganhou enorme projeção.

A primeira a sair em campo foi do Datafolha. Que confessou erro e, portanto, não vai ser analisada aqui.
Curioso que o erro parece que se limitou ao percentual de votos de Marina transferidos ao agora companheiro de partido Eduardo. Este comemorou a correção com o registro de que pouco mais de um terço foram para ele. O que não deixa de ser estranho, pois se a maioria dos votos da vice (será?) não vai pra ele, vai comemorar o quê?

Outra curiosidade foi uma análise do colunista Carlos Newton, da versão eletrônica da “Tribuna da Imprensa”, sob o título “Pesquisa Datafolha foi equivocada e não pode ser levada em consideração”.
Disse ele que
“(...) infelizmente está completamente deturpada, conduzindo o eleitor a erro, porque foi feita como se a eleição fosse entre Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Ou entre Dilma, Serra e Marina, ou entre Dilma, Aécio e Marina, numa confusão dos diabos.
A pergunta que precisa ser feita é uma só: “Em quem você votaria, entre os seguintes candidatos: Dilma, Lula, Aécio, Serra, Marina, Campos e Joaquim Barbosa?”. Somente com essa pergunta, sobre todos os presidenciáveis, é que se poderia ter uma noção mais aproximada da tendência. Ficar fazendo vários cenários somente tumultua a cabeça dos eleitores. É preciso saber o que realmente interessa: quem quer votar em quem, independentemente de “cenário”.”

 Esse jornalista (assim se diz) É O EQUÍVOCO.
Ele simplesmente inaugurou, ao juntar Aécio e Serra (PSDB) e Eduardo e Marina (PSB), na mesma alternativa, o direito de um partido lançar dois candidatos a uma mesma eleição...

Sem comentários...

 Já a pesquisa Vox Populi fez o feijão-com-arroz colocando os cenários possíveis dentro da lei eleitoral vigente, com os seguintes resultados:

Candidato
Opção A
Opção B
Opção C
Opção D
Aécio
20
 
17
 
Campos
10
12
 
 
Dilma
43
42
41
41
Marina
 
 
23
21
Serra
 
21
 
19

Fonte: Vox Populi

Para o 2º Turno, os resultados previstos seriam:

DILMA X AÉCIO
47 X 27
DILMA X CAMPOS
48 X 23
DILMA X SERRA
47 X 27
DILMA X MARINA
46 X 31

Fonte: Vox Populi
 
 
 

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