HOMENAGEM
Pau Comeu junta-se às
manifestações de pesar e inaugura esta Edição destacando aquele que considera o
mais expressivo no pensamento de Oscar
Niemeyer, sobre a Vida:
“Cada um
vem, escreve sua história e vai embora.”
PAU COMEU (PC) X CELSO DE MELLO
(CM)
Aconteceu essa conversa entre o eminente Ministro e o Pau
Comeu, sem áudio e sem visual, depois da declaração de voto desempatando em 5x4
sobre cassação de mandato de parlamentares.
CM: decido por
cassação de mandatos e ataco “insubordinação
legislativa”...
PC: só falta atacar a insubordinação executiva para declarar
oficialmente o Golpe...
CM: declaro que “insubordinação legislativa ou executiva diante de decisão judicial revela-se comportamento intolerável,
inaceitável e incompreensível”...
PC: pronto, não falta mais nada, já declarou...
CM: afirmo que um possível descumprimento da
decisão do Supremo poderia configurar
o crime de prevaricação, que segundo o Código Penal consiste em “retardar ou deixar praticar indevidamente
atos de ofício ou praticá-lo contra disposição
expressa de lei para satisfazer interesse ou sentimento pessoal” e prevê uma pena que varia de 3 meses a 1 ano
de prisão.
PC: enquanto isso, o Prevaricador Geral da
República, Senhor Roberto Gurgel continua
livre, leve e solto.
CM: Cabe ao Supremo o poder de
interpretar e FORMULAR a Constituição.
PC: Se a Lei Maior diz que cassação de
mandados de parlamentar é só pelo Congresso
Nacional. É a Câmara ou Senado quem decide. Se os constituintes originários colocaram lá esse artigo
para garantir a imunidade parlamentar e dar
ao Legislativo a prerrogativa de cassar (inclusive José Serra e Aécio Neves), então deve ser um caso de insubordinação da Constituição ao
STF.
CM: Esse Pau Comeu é
um insubordinado e está sujeito às penas da lei.
PC: O Senhor
também é insubordinado e o Pau Comeu quer a aplicação apenas da Lei.
PAU COMEU APROVA O ESCULACHO
A
presidente Dilma premia esculacho contra torturador. Menção Honrosa para o
movimento “Levante Popular da Juventude”.
O Levante
Popular da Juventude, que se notabilizou com a organização de esculachos contra
torturadores da ditadura militar em todo o país, é um movimento social organizado
por jovens que defendem um projeto popular e mudanças estruturais na sociedade.
Com caráter nacional, tem atuação em todos os estados do país, no meio urbano e
no campo.
O movimento atualiza
suas intenções e declara que “Queremos denunciar o extermínio da juventude
negra e pobre que está ocorrendo na periferia das médias e grandes cidades,
vítimas da ação das polícias militares, do tráfico e da ausência de políticas
públicas que possibilitem a construção de uma vida digna para os jovens.”
Senhores torturadores, considerem-se esculachados pelo Pau
Comeu, que, se não é jovem, não é velhaco nem canalha e denuncia quem merece
ser denunciado.
PAU COMEU INFORMA!
Marcada a data do julgamento do Mensalão
Tucano:
será no dia 30 de fevereiro de 2013...
DATAPAU NO NATAU
Conforme já declarado em edição anterior, o DATAPAU, ínclito
Instituto de Pesquisa do Pau Comeu não tem margem de erro e nem decimal, só
trabalha com números inteiros, e avalia a opinião do pessoal dos botecos que o
titular freqüenta com trema, consumindo cervejas sem preconceito de cor e
tremoços importados de Portugal.
A pesquisa pré-natalina indagou: “Se a eleição para Maior Herói
da República do Século XXI fosse hoje, em quem você votaria?
O resultado apontou, com o dedo indicador direito:
1)Marcus
Valério: 29%
2)Roberto
Jefferson: 28%
3)Joaquim
Barbosa: 19%
4)Luis Fux: 18%
5)Merval
Pereira: 3%
6)Ricardo
Noblat: 2%
7)Outros:
1%.
Comentário
DATAPAU: os alcagüetes com trema ganham disparado, os jurisimprudêncios apresentam boas avaliações e, por último, constata-se
como os jornalistas estão sem
prestígio... Por que será?
ARTEFATOS
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Chatos pra caralho
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Outro dia comprei num sebo o “Tratado Geral dos Chatos”, de
Guilherme Figueiredo. Apesar de reconhecer alguns chatos lá tratados, achei o
livro meio chato, pois é difícil deixar de se contaminar por tema tão
desagradável.
Corro esse risco, quem sabe boa parte dos leitores tenha
pensado em nem ler, com seus botões dizendo que o autor não passa de um chato.
Tem toda razão, quem não o é? No caso presente, como álibi, trata-se de um
serviço de natureza sócio-educativa, na tentativa de atualizar o leitor para que
fique alerta quando se deparar com os tipos que serão descritos no decorrer
dessa conversa.
O referido compêndio está ultrapassado. Muitas novas
categorias de chato surgiram de lá para cá, pois chato é como tecnologia de
ponta, cada dia inventam uma espécie diferente, ou aparecem pequenas
modificações que dão sutil aparência de novidade.
Quase desisti quando Jota Canalha, o genial alter ego de
Henrique Cazes, inspirado compositor e instrumentista, compôs o quase
definitivo “Desfile de Chatos”, cantando em samba de boa qualidade a fauna de
insetos pegajosos que infestam os melhores botequins do país e adjacências.
Daí que me rendo à sua obra, colocando entre “aspas”,
obedecendo aos mandamentos acadêmicos, passagens do referido samba como que
pontuando aqui e acolá essas chatas divagações.
“Se o cara chateia mesmo concordando
com o que você fala, é
mala, oi, é mala.
E se continua te tratando bem
se você o maltrata,
é baú de pirata”
Chatos concordantes
e carentes fazem ninhos nos sacos dos freqüentadores, deixando de
saber se o cidadão apenas está querendo sorver aquela cervejinha gelada para
espantar o calor ou os maus pensamentos.
“Se fala cuspindo ou então cutucando
e te deixa irritado, é
vento encanado.”
“Se senta na mesa e todos
levantam,
caso isso ocorra, é
chato-gangorra.”
Diga, querido leitor, quantas
vezes você já teve que aturar tal tipo, se até não pegou gripe. Mas uma
novidade, pelo menos com esse nome, é a categoria “chato-gangorra”, que você já
deve ter experimentado quando, com amigos, durante aquele papo descontraído vê
chegar o perigoso elemento, e todos pensam, em uníssono, lá vem ele...
Todos concordamos, ao
cultivarmos o hábito de eleger um botequim como segundo lar, deixando com a
família a responsabilidade de administrar as coisas verdadeiramente práticas da
vida, que
“Lugar pra juntar chato
é botequim.
Tem de todo formato,
de variedade sem fim”
Então por que você freqüenta o mesmo botequim,
entra ano, sai ano, se tal perspectiva se desenha tão aterradora? Como diria o chato-psicanalítico,
só Freud explica...
“Tem chato que gruda,
tem chato-membrana,
tem chato que chora
uma vez por semana,
tem chato que fala
e ninguém lhe dá bola
e chato que bebe
e fica meio boiola.”
Se fosse só isso até estaria bom, são apenas chatos, alguns
até inocentes.
“Tem chato que é duro,
mas banca o riquinho
e chato metido
a entender de vinho”
“Tem chato ex-fumante
que odeia fumaça
E tem meio chato
que é até boa-praça”
O
problema maior, na minha modesta opinião, é o chato metido a sério e que se
leva a sério.
É o chato que vai ao boteco pra defender as idéias impressas
naquela revista semanal que, num descuido de ética, pede na capa para que o
leitor VEJA, deixando em minúsculo leia, admissão de culpa por saber que é um
instrumento de propagação de imbecilidades e dirigida a notórios boçais
juramentados, que se transformam em chatos irreversíveis, entra eleição, sai
eleição, e o pior, nos intervalos entre as eleições.
O samba resvala nessa passagem quando evoca o chato-informado,
que vai do esquerdo-anarquista que paga impostos ao direitista-hidrófobo que
veste a fantasia de Gêngis Khan...
“Tem chato de esquerda
que quer
discursar
e tem de direita,
que manda matar”.
Não poderia terminar essa chatice sem voltar ao nome do autor
do Tratado original. Não sei se era um chato, não o conheci pessoalmente, mas
deve ter sido chato pra ele, depois de velho, ter virado irmão do ditador João
Batista Figueiredo, o general chato-de-cavalo.
Aquele de quem foi porta-voz Alexandre, não o Grande, também
general, mas o Garcia, que é o chato que fracassou na carreira de artista pornô
em capa de revista daquele tempo. Mas tem gente que jura que o Alfredo Machado,
que entende de vinho, é mais chato que ele. Não sei, não conheço pessoalmente nenhum
dos dois.
Ainda bem.
Quando entram na minha casa, pelos ares, aperto o botão e vou
procurar outro chato.
Belo
Horizonte, 27/02/2011.
Paulinho
Pavaneli, um chato-silencioso.
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