terça-feira, 18 de dezembro de 2012

EDIÇÃO Nº 18: VIDA LONGA AO ESCULACHO!


 
HOMENAGEM

Pau Comeu junta-se às manifestações de pesar e inaugura esta Edição destacando aquele que considera o mais expressivo no pensamento  de Oscar Niemeyer, sobre a Vida:

“Cada um vem, escreve sua história e vai embora.”

 

PAU COMEU (PC) X  CELSO DE MELLO (CM)

Aconteceu essa conversa entre o eminente Ministro e o Pau Comeu, sem áudio e sem visual, depois da declaração de voto desempatando em 5x4 sobre cassação de mandato de parlamentares.

CM:     decido por cassação de mandatos e ataco “insubordinação legislativa”...
PC:       só falta atacar a insubordinação executiva para declarar oficialmente o Golpe...

CM:     declaro que “insubordinação legislativa ou executiva diante de decisão judicial revela-se comportamento intolerável, inaceitável e incompreensível”...
PC:       pronto, não falta mais nada, já declarou...

CM:     afirmo que um possível descumprimento da decisão do Supremo poderia           configurar o crime de prevaricação, que segundo o Código Penal consiste em     “retardar ou deixar praticar indevidamente atos de ofício ou praticá-lo contra     disposição expressa de lei para satisfazer interesse ou sentimento pessoal” e     prevê uma pena que varia de 3 meses a 1 ano de prisão.
PC:       enquanto isso, o Prevaricador Geral da República, Senhor Roberto Gurgel  continua livre, leve e solto.

CM:     Cabe ao Supremo o poder de interpretar e FORMULAR a Constituição.
PC:       Se a Lei Maior diz que cassação de mandados de parlamentar é só pelo  Congresso Nacional. É a Câmara ou Senado quem decide. Se os constituintes   originários colocaram lá esse artigo para garantir a imunidade parlamentar e     dar ao Legislativo a prerrogativa de cassar (inclusive José Serra e Aécio Neves),  então deve ser um caso de insubordinação da Constituição ao STF.

CM:     Esse Pau Comeu é um insubordinado e está sujeito às penas da lei.
PC:       O Senhor também é insubordinado e o Pau Comeu quer a aplicação apenas da Lei.

 

PAU COMEU APROVA O ESCULACHO

A presidente Dilma premia esculacho contra torturador. Menção Honrosa para o movimento “Levante Popular da Juventude”.


O Levante Popular da Juventude, que se notabilizou com a organização de esculachos contra torturadores da ditadura militar em todo o país, é um movimento social organizado por jovens que defendem um projeto popular e mudanças estruturais na sociedade. Com caráter nacional, tem atuação em todos os estados do país, no meio urbano e no campo.


O movimento atualiza suas intenções e declara que “Queremos denunciar o extermínio da juventude negra e pobre que está ocorrendo na periferia das médias e grandes cidades, vítimas da ação das polícias militares, do tráfico e da ausência de políticas públicas que possibilitem a construção de uma vida digna para os jovens.”
Senhores torturadores, considerem-se esculachados pelo Pau Comeu, que, se não é jovem, não é velhaco nem canalha e denuncia quem merece ser denunciado.

 
PAU COMEU INFORMA!

Marcada a data do julgamento do Mensalão Tucano:
será no dia 30 de fevereiro de 2013...

DATAPAU NO NATAU

Conforme já declarado em edição anterior, o DATAPAU, ínclito Instituto de Pesquisa do Pau Comeu não tem margem de erro e nem decimal, só trabalha com números inteiros, e avalia a opinião do pessoal dos botecos que o titular freqüenta com trema, consumindo cervejas sem preconceito de cor e tremoços importados de Portugal.

A pesquisa pré-natalina indagou: “Se a eleição para Maior Herói da República do Século XXI fosse hoje, em quem você votaria?

O resultado apontou, com o dedo indicador direito:

1)Marcus Valério:                  29%
2)Roberto Jefferson:             28%
3)Joaquim Barbosa:              19%
4)Luis Fux:                              18%
5)Merval Pereira:                    3%
6)Ricardo Noblat:                     2%
 7)Outros:                                  1%.

            Comentário DATAPAU: os alcagüetes com trema ganham disparado, os jurisimprudêncios apresentam boas avaliações e, por último, constata-se como  os jornalistas estão sem prestígio... Por que será?


ARTEFATOS

Chatos pra caralho

Outro dia comprei num sebo o “Tratado Geral dos Chatos”, de Guilherme Figueiredo. Apesar de reconhecer alguns chatos lá tratados, achei o livro meio chato, pois é difícil deixar de se contaminar por tema tão desagradável.
Corro esse risco, quem sabe boa parte dos leitores tenha pensado em nem ler, com seus botões dizendo que o autor não passa de um chato. Tem toda razão, quem não o é? No caso presente, como álibi, trata-se de um serviço de natureza sócio-educativa, na tentativa de atualizar o leitor para que fique alerta quando se deparar com os tipos que serão descritos no decorrer dessa conversa.
O referido compêndio está ultrapassado. Muitas novas categorias de chato surgiram de lá para cá, pois chato é como tecnologia de ponta, cada dia inventam uma espécie diferente, ou aparecem pequenas modificações que dão sutil aparência de novidade.
Quase desisti quando Jota Canalha, o genial alter ego de Henrique Cazes, inspirado compositor e instrumentista, compôs o quase definitivo “Desfile de Chatos”, cantando em samba de boa qualidade a fauna de insetos pegajosos que infestam os melhores botequins do país e adjacências.

Daí que me rendo à sua obra, colocando entre “aspas”, obedecendo aos mandamentos acadêmicos, passagens do referido samba como que pontuando aqui e acolá essas chatas divagações.

Se o cara chateia mesmo concordando
com o que você fala, é mala, oi, é mala.
  E se continua te tratando bem
se você o maltrata, é  baú de pirata”

Chatos concordantes  e carentes  fazem ninhos  nos sacos dos freqüentadores, deixando de saber se o cidadão apenas está querendo sorver aquela cervejinha gelada para espantar o calor ou os maus pensamentos.

Se fala cuspindo ou então cutucando
e te deixa irritado, é vento encanado.”
 Se senta na mesa e todos levantam,
caso isso ocorra, é chato-gangorra.”

Diga, querido leitor, quantas vezes você já teve que aturar tal tipo, se até não pegou gripe. Mas uma novidade, pelo menos com esse nome, é a categoria “chato-gangorra”, que você já deve ter experimentado quando, com amigos, durante aquele papo descontraído vê chegar o perigoso elemento, e todos pensam, em uníssono, lá vem ele...

Todos concordamos, ao cultivarmos o hábito de eleger um botequim como segundo lar, deixando com a família a responsabilidade de administrar as coisas verdadeiramente práticas da vida, que

 

Lugar pra juntar chato
é botequim.
Tem de todo formato,
de variedade sem fim

Então por que você freqüenta o mesmo botequim, entra ano, sai ano, se tal perspectiva se desenha tão aterradora? Como diria o chato-psicanalítico, só Freud explica...

 

“Tem chato que gruda,
tem chato-membrana,
tem chato que chora
uma vez por semana,
tem chato que fala
e ninguém lhe dá bola
e chato que bebe
e fica meio boiola.”

 

Se fosse só isso até estaria bom, são apenas chatos, alguns até inocentes.

 “Tem chato que é duro,
mas banca o riquinho
e chato metido
a entender de vinho”

“Tem chato ex-fumante
que odeia fumaça
E tem meio chato
que é até boa-praça”

 

O problema maior, na minha modesta opinião, é o chato metido a sério e que se leva a sério.

É o chato que vai ao boteco pra defender as idéias impressas naquela revista semanal que, num descuido de ética, pede na capa para que o leitor VEJA, deixando em minúsculo leia, admissão de culpa por saber que é um instrumento de propagação de imbecilidades e dirigida a notórios boçais juramentados, que se transformam em chatos irreversíveis, entra eleição, sai eleição, e o pior, nos intervalos entre as eleições.

O samba resvala nessa passagem quando evoca o chato-informado, que vai do esquerdo-anarquista que paga impostos ao direitista-hidrófobo que veste a fantasia de Gêngis Khan...

 

“Tem chato de esquerda
 que quer discursar
e tem de direita,
que manda matar”.

Não poderia terminar essa chatice sem voltar ao nome do autor do Tratado original. Não sei se era um chato, não o conheci pessoalmente, mas deve ter sido chato pra ele, depois de velho, ter virado irmão do ditador João Batista Figueiredo, o general chato-de-cavalo.

Aquele de quem foi porta-voz Alexandre, não o Grande, também general, mas o Garcia, que é o chato que fracassou na carreira de artista pornô em capa de revista daquele tempo. Mas tem gente que jura que o Alfredo Machado, que entende de vinho, é mais chato que ele. Não sei, não conheço pessoalmente nenhum dos dois.

Ainda bem.

Quando entram na minha casa, pelos ares, aperto o botão e vou procurar outro chato.

Belo Horizonte, 27/02/2011.

Paulinho Pavaneli, um chato-silencioso.

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