DATAPAU: INSTITUTO DE PESQUISA DO
PAUCOMEU
É mais uma secção
criada neste blog radicalmente democrático... No DATAPAU não tem essa conversa
fiada de “margem de erro”... É pau, é pedra, é o fim do caminho... Tão exato
que nem tem essa coisa de casa decimal... é tudo inteiro... É jogo duro do Pau,
pesquisa realizada nos botecos da cidade.
Nessa primeira pesquisa
o pessoal foi perguntado o que achava desse nome FULECO para batizar o mascote
da Copa de 2014... O simpático TATU-BOLA, que seria assim autodenominado, foi
tratado como se fosse um imbecil e de tal maneira batizado... pasmem!
Nos botecos que eu freqüento com trema, a pergunta foi feita assim:
“O QUE VOCÊ ACHA DE CHAMAR O
TATU-BOLA DE FULECO?
Pois bem, o
resultado foi o seguinte:
65% responderam que
“FULECO é o caralho!”;
20% responderam que
“FULECO é você, filho da puta!”;
14% responderam que
“FULECO é o amante da senhora sua mãe!”; e
01% foram
desclassificados porque responderam com palavras de baixo calão, do tipo “achei
lindo” ou “achei o maior barato”.
BOOMERANG
>>>>>>>>
De Augusto Nunes, da Grande Imprensa: “Rose é amante de Lula”.
<<<<<<<<
Do Pau Comeu, da Minúscula Imprensa: “Miriam Dutra era amante de Fernando
Henrique Cardoso” e “Dona Lúcia Flecha de Lima era amante de Antonio Carlos
Magalhães Avô”.
>>>>>>>> Quem diz é
o jurista Celso Bandeira de Mello, responsável pela indicação de Carlos Ayres
Britto ao STF; ele afirma que, nos próximos casos, a suprema corte não
permitirá a mesma "flexibilização de provas".
<<<<<<<< Do Pau Comeu, responsável pela
indicação de Ninguém: “Tucanos comemoram pois não serão indiciados em crimes
semelhantes aos do mensalão, apesar de serem os criadores da sacanagem.”
POLITICANALHAGEM
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O Jegue Envernizado
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Devo ao meu filósofo de plantão, Níveo Roberto, natural de
Ouro Preto e Lavras Novas, o uso de tal expressão absolutamente feliz.
Temos em comum, eu e ele, o gosto pelos inteligentes.
Gostamos muito, por exemplo, de José Saramago. Quem não leu a crônica em que
José homenageia sua avó Josefa, após ganhar o Premio Nobel de Literatura,
perdeu talvez a mais bela escrita que alguém possa ter feito algum dia na vida,
com uma simples complexidade jamais lida. Quem não leu, entre na internet e
procure. Sairá, certamente, enriquecido após a leitura. A não ser que seja um jegue envernizado.
Jegue todo mundo sabe o que é. Animal de quatro patas, duas delas em vez das
mãos. Verniz é tudo que encobre,
dizem que dá consistência ao que tenta esconder.
Mas o jegue aqui
tratado é um ser humano, ou assim se acha.
Não é um ser humano como outro qualquer. É especial pela estupidez
intrínseca.
Sem profissão definida, há quem jure que a maior parte de
seus exemplares mais famosos sejam engenheiros. Ou, para melhor situar o
conceito de jeguice, engenheirões.
É aquele cara que, por ter obtido uma graduação dita
superior, por fazer certo algumas contas e não saber interpretar quase nenhuma,
acha que tem a verdade absoluta do seu lado, mesmo que a verdadeira passe a
léguas de distância daquilo que ele, o jegue,
julga pensar.
O verniz é o
diploma que o jegue carrega com o
maior orgulho, é aquilo que ele pensa que lhe dá o direito de dizer
imbecilidades impunemente.
O verniz é uma
substância que, para o jegue, serve
como capa, enfeite, adorno que ele acha que o torna menos estúpido do que
realmente é.
O jegue envernizado
não é digno de pena.
É digno de dó.
Existe uma sutil diferença entre pena e dó.
Pena é algo que diminui, dó é algo que vem do coração.
Quando encontro um jegue,
tenho respeito, por sua condição animal. Tenho dó.
Quando sou surpreendido por um jegue envernizado, me assusto, por sua condição irracional, oculta
sob sua capa humana. Tenho até certo receio de topar com um exemplar.
Freqüento botecos, faz tempo. É um local para ouvir muito,
muito mais do que falar.
Boteco que se preza não precisa expor na porta o nome
“boteco”, “buteco”, “botequim” ou “butiquim”. Quem sente necessidade de fazer
isso para dizer a natureza da atividade, não há a menor dúvida, trata-se de um jegue envernizado, empresário de
botequim e não dono de boteco.
Então, jegue
envernizado não se refere somente a engenheirões.
Proliferam nas mais diversas atividades e profissões.
Jegues envernizados podem ser até jornalistas...
Exemplos não faltam. São os que manifestam suas raivas em relação aos que não
foram envernizados pelos diplomas.
Arnaldo Jabor, Merval Pereira,
Ricardo Noblat, entre outros, são jegues
envernizados, para todo o sempre. Outros exemplares nem merecem a
classificação, pois que são apenas jegues,
é o caso de Diogo Mainardi, que será apenas agraciado com essa única inserção.
E daí para frente solenemente ignorado, pois não pertence nem ao menos à
categoria de seres humanos. É, tão somente, um jegue que um dia se arrotou o direito de chamar de anta o que era
um simples molusco. Molusco cuja carne é muito apreciada no mercado,
principalmente nos restaurantes da elite econômica e financeira. Todos os ricos
querem comer lula.
Podem ser médicos, os jegues
envernizados.
Podem ser até escritores e poetas, músicos até, por que não?
Professores universitários, que ilustram com verniz os jeguinhos de amanhã.
Até humoristas que não conseguem fazer graça se não colocam,
como sub-título de coluna, na última página de domingo, a palavra HUMOR. Ou
colocam para insultar com a desculpa de que estão brincando de fazer graça, sem
graça. E que deram, sem querer, uma dica para a primeira página do jornal do
qual recebem seus proventos:
|
“O GLOBO
“
“HUMOR”
|
Jegues são todos aqueles que se vendem, às
vezes por fortunas, às vezes por preços de bananas, que os mais jovens reconhecem
pela expressão “merrecas”.
São, por exemplo, os que teimam em dizer que um presidente da
república tem que ser PHD em alguma coisa. Não escondem a inveja que sentem dos
menos graduados mais bem sucedidos.
Inveja e preconceito: é o que sentem, o que até seria um bom
nome de filme, não fora o orgulho tomar o lugar da inveja.
Geralmente, mas não absolutamente, são aqueles que odeiam
pessoas que falam coisas simples que eles, jegues
envernizados, não querem ou não conseguem compreender.
Tenho encontrado jegues
envernizados aos borbotões. Nas esquinas, nas bancas de jornais, geralmente
seres de classe média que não se conformam em ter como Presidente da República
um indivíduo que eles acham que não sabem falar a língua pátria.
Poucos minutos de papo são suficientes para perceber que dois
sentimentos dominam a mente e o coração do jegue
envernizado: o preconceito e a inveja.
O preconceito só não é mais grave que a inveja por não ter
sido agraciado com o título de “pecado capital”, pois é uma palavra relativamente
nova.
Preferem,os jegues
envernizados, os que dominam 18 idiomas, dizendo “sim, senhor”, em todos
eles. Não aprenderam a dizer NÃO aos poderosos. Por isso ostentam,
gloriosamente, a faixa de ENTREGUISTAS perpétuos.
Pra não cansar o leitor citarei onze dos dezoito idiomas nos
quais Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, desfila o “sim, senhor”: em
inglês (yes sir), francês (oui monsieur), alemão (jawohl), italiano
(sissignore), espanhol (si señor), turco
(evet efendim), norueguês (ja sir), húngaro (igen uran), em esloveno (da,
gospod), e por aí vai, até em chinês (是的,先生) ou
árabe (نعم سيدي).
Não preciso perder tempo em denominá-los, ou preciso?
Nunca vi uma imprensa tão repleta de jegues envernizados defendendo jegues
envernizados como atualmente, e olha, venho de longe.
Acho que toda pusilanimidade é possível.
Meus amigos, observem: os jegues envernizados são capazes de tudo.
José Serra que o diga.
Embora digam que nem diploma tem.
Mas tem outro tipo de verniz.
Para lustrar sua cara de pau.
Pensou que se casou com uma Allende.
Que se revelou uma pinochet.
Belo Horizonte, 16/10/2010.
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