terça-feira, 29 de setembro de 2015

EDIÇÃO Nº 135: NA CANTINA PAVANELLI: PARTE 1




O Autor conta uma experiência dividida com parentes e amigos que se reuniram para celebrar a vida.

Constará de duas partes: PARTE 1 sem fotos e PARTE 2 com fotos.

Foi em São João Nepomuceno, na residência dos anfitriões Narciso Lanini e Ângela Maria Sachetto Pavanelli Lanini, a quem todos agradecemos pela acolhida carinhosa.

Ano que vem tem mais!
 

29-09-2015



COMEÇO DE CONVERSA


Com a intenção de juntar os distantes que a vida foi ao longo do tempo, separando e espalhando por aí, pela segunda vez a Família Pavanelli, em seu ramo descendente do italiano Giuseppe Rinaldo Pavanelli, nascido em 13 de maio de 1879. Transformado no brasileiro José Pavanelli, o inesquecível Vovô Popó, reuniu-se em festa no dia 05 de setembro de 2015. A primeira tinha sido em 07 de setembro de 2013.  

Como em toda família, as novas e crescentes exigências da sobrevivência obrigam cada um seguir seu rumo, suas aptidões, suas certezas, seus destinos, atravessando seus percalços, driblando obstáculos, enfim vivendo as vidas como elas são para cada um de nós, com o tempo ficando cada vez menor para as coisas boas...

Ficou claro para todos que dois anos de distância é muito tempo... Incomoda muito, aos que se querem bem, ficarem tanto tempo sem se encontrarem... As novas tecnologias de comunicação mitigam um pouco, mas não bastam para saciar as saudades, daí a ideia do encontro físico, cujo único local, por obrigação que não precisa nem de estatuto, nem constituição, tem que ser São João Nepomuceno, o berço. E é lá que retomamos o fio da história, lembramos os tempos felizes e choramos nossas perdas queridas.

Desta vez contamos com a colaboração de um descendente (*) cuja esposa traçou uma árvore genealógica da Família Pavanelli, fato que nos anima a contar as coisas como se fosse uma história que começa assim...
(*)     Luis Celso e Maria José Lara de Bretas Pereira



ERA UMA VEZ...


Era uma vez uma pequenina cidade (comune) italiana chamada Papozze. Cabia num quadrado de pouco mais de 4 km de lado, área em torno de 2 hectares, na província de Rovigo, região do Vêneto, a leste da Lombardia, norte da Velha Bota.

Vivem lá atualmente pouco menos de duas mil pessoas. Ao longo da História, sua maior população alcançou pouco mais de cinco mil habitantes, variando pouco em torno desse patamar entre 1911 e 1951, quando começou sua trajetória de queda.

Lá nasceram tetravós Battista Pavanelli e Magdalena Giovaninni, trisavós Settimio Pavanelli e Maria Luigia Nolli, e bisavós Carlo Pavanelli, nascido em 08 de novembro de 1851, e Ginevra Biolcati, nascida em 06 de setembro do mesmo ano.

Carlo e Ginevra casaram-se em primeiro de agosto de 1874, na mesma cidade, e seguindo os preceitos da Lei de Deus e da Mãe Natureza, multiplicaram-se, gerando 10 filhos, sendo oito ainda quando residentes em Papozze, entre as datas de 08 de junho de 1873, Emma Catterina, antes do registro civil do casamento, e 23 de abril de 1888, Igínia Maria (Malvina). Dos outros seis de nacionalidade italiana, Ugo Giuseppe e Vicenzo morreram ainda crianças.



FUGINDO DA FOME


A combinação de alguns fatores, como as dificuldades econômicas vividas pelos italianos, uma política oficial de imigração do Brasil para substituição da mão-de-obra escrava cafeeira, com a intenção não declarada de mistura racial, resultou num movimento populacional que pode ser classificado como um quase êxodo.

O processo de imigração italiana para o Brasil, entre 1876 e 1920, contabilizou a entrada de 1.243.633 pessoas, das quais 365.710 provenientes da região do Vêneto, o que significa quase 30% do total. Entre 1884 e 1913, por outro lado, entraram no Brasil 1.244.838 pessoas, das quais 510.533 no período entre 1884 e 1893, perfazendo 41%, e nesse período a média anual foi de 51 mil pessoas.

Curiosamente, a pequena Papozze viu crescer sua população no período entre 1881 e 1901, passando de 3.565 para 4.263 habitantes, quando Carlo Pavanelli e Ginevra Biolcati resolveram emigrar com a família. Quem sabe, nessa decisão de caminhar na contramão, esteja a primeira e mais remota manifestação da forte personalidade que iria marcar os Pavanelli com o estigma da teimosia...


TRAVESSIA


Embarcaram no vapor Pacifica: Carlo, Ginevra, ambos com a idade de 38 anos, e seis filhos, sendo que Ugo Vicenzo, batizado com os nomes dos dois irmãos mortos, faleceu durante a travessia, com pouco mais de três anos de idade.

Acompanharam os pais, rumo ao Brasil, Emma Catterina, 15 anos, Guglielmo Giovanni Cesare (Cesar), 11 anos, Giuseppe (Popó), dez anos, Catterina Alvisa (Elvira), cinco anos e Igínia Maria (Malvina), nove meses.

Em 18 de janeiro de 1889 chegaram ao porto do Rio de Janeiro, de onde foram encaminhados pela Imigração à Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora.

De lá foram para São João Nepomuceno, no dia 21 de janeiro, no início do ano da Proclamação da República, pouco depois da proclamação da Lei Áurea pela Princesa Isabel. A família cresceu ainda mais, com o nascimento de Hugo, em 1891, e Maria Rosa, em 30 de agosto de 1895.



A FAMÍLIA DO POPÓ


Giuseppe Rinaldo Pavanelli, o José Pavanelli, o Popó, casou-se com Maria Francisca de Oliveira, a Maria de Oliveira Pavanelli, a Mariquinha, descendente de índia, nascendo da união os seguintes sete filhos e filhas, todos já falecidos: Ivone, Irene, Rubens, José, Gilone, Remulo (Rômulo) e Odone.

Nós, remanescentes, estamos providenciando a continuação da árvore genealógica a partir da união entre José e Maria, cabendo a um representante de cada ramo anotar os nomes completos dos descendentes, cônjuges, filhos e demais, com datas de casamento, nascimento e óbito.


Quem sabe na próxima festa já tenhamos o desenho pronto?



O BERÇO

São João Nepomuceno marcou profundamente as vidas de todos nós que a tivemos como berço natal.

Procurando descobrir em mim o que significava, escrevi uma crônica há muitos anos, com os acertos e equívocos naturais de quem fala com o coração...


TERRA NATAL

São João Nepomuceno (**), santo importante importado, tcheco ou eslovaco, junto ou separado, com tempero italiano. Não tomou em vão quem batizou com teu nome aquela pequena cidade, única entre tantas parecidas.

Gosto guardado no canto da língua, caçarolas, queijadinhas, bombocados, picolés e sorvetes, tudo feito com as mãos do avô padeiro que venceu o oceano fugindo da fome.

Casas centenárias: poucas ficaram, tantas tombaram. Árvores bisavós teimosas a desafiar a chaminé da fábrica que vivia de abrir e fechar. O coreto que estava ali, um prefeito comeu: carros e carros chegando, a praça atrapalhando, o sinal abriu, a praça fugiu, escondeu-se num canto.

As igrejas nas difíceis colinas: Fé, Esperança e Caridade. Mais fácil curar a ressaca no bar que os pecados na missa do domingo: trauma menino do tapa da Crisma. O Cristo no hospital lembra o Corcovado da capital, só que mais perto: braços abertos, olhos fechados, queixo caído.

Vejo meu pai que a amava, cidade querida: morria de saudade e morreu de verdade no dia do Santo, num dezesseis de maio que me custou largar.

O trem viajou.  Desconfio que atrasou.  Nunca mais voltou.

Tuas datas, teus costumes: clubes e igrejas, Carnaval e Paixão, Momo e Deus, passeata e procissão. Bêbados e beatas, desvairados e desesperadas. É hoje só. Amanhã não tem mais. O torturante encontro da quarta-feira. Estandartes coloridos, desfigurados... Cinzas.

Cidade gostosa. Cidade garbosa. Ainda te amo de longe... mas nossas rugas são cruéis.



(**) A vida de João Nepomuceno, o homem antes do santo, é motivo de orgulho para seus devotos. Padre, pressionado pelos poderosos a revelar segredos de confissões para punir adversários, recusou-se, sendo condenado à morte e executado. É padroeiro de Praga, onde sua imagem pode ser vista em diversos logradouros.



FOI BONITA A FESTA PÁ...




Tomo emprestado de uma música que homenageia a revolução portuguesa, cuja bandeira também é vermelha e verde como a italiana, para entrar no assunto da festa batizada CANTINA PAVANELLI...


Foi bonita a Festa Pa...vanelli!!!


Não é simples descrever a emoção do encontro-reencontro com palavras, pois talvez não estejam à altura dos fatos. Em alguns casos até, foi encontro. Pessoas que nunca tinham se visto antes. 


Ver, nos mais novos, traços dos mais antigos, confirmando aquilo que se falava “puxou o pai”, “puxou a mãe”, o que hoje foi substituído pelo modernoso DNA cheio de ciência e vazio de poesia...


Constatar que a arte da família está no sangue, seja na música, nas palavras, nas fotografias, nos vídeos, nas artes plásticas... Manifestações que extravasam os sentimentos mais profundos, escondidos debaixo de uma capa aparente de fortaleza que tenta barrar, mas não resiste às emoções que desaguam em cachoeiras de lágrimas de tristeza, saudade e alegria, mistura de sentimentos que são as diferentes formas do amor...

Quando a festa ameaça esmorecer, nada mais indicado que pedir à banda para atacar com o Hino do Novo Clube Trombeteiros de Momo. Nos primeiros acordes, a faísca que põe fogo na festa, Pavanellis se multiplicando e cantando a plenos pulmões...


“Vermelho e Verde é a nossa bandeira que nos conduz sempre à vitória/ O nosso clube com amor defenderemos, Trombeteiros sempre fomos e seremos/ Cantemos todos com são entusiasmo/ E para frente vamos a marchar/ Glória e aplausos, flores e carinhos, vamos conquistar...“





A DEMORA...

...em escrever essa primeira narrativa explica-se por vários motivos. A necessidade de um pesquisa mínimamente factível para detalhar um pouco mais a saga dos emigrantes originais foi uma delas.

A principal razão, porém, foi que, a partir do dia 05, o estado de saúde de um querido irmão foi se agravando até ocorrer o desenlace em 21 de setembro. Envio um abraço aos familiares diretos de José Wenceslau Pavanelli Moura, e agradeço a solidariedade dos que se dedicaram com muito amor para tornar menos angustiantes seus últimos momentos de vida... A solidariedade é o bem mais importante entre todos e o melhor traço do caráter de um ser humano.


PARTE 2

Contará com fotos de pesquisas na internet e, especificamente da festa, de Ana Paula Hingel, uma Pavanelli que deixou o nome, mas continua Pavanelli no sangue.

Solicito aos que compareceram e lerem este blog, que mandem por e-mail ou facebook as impressões sobre a festa para constarem da Parte 2.

Um grande abraço para todos!


2 comentários:

  1. Meus Bisavôs Paternos Vieram de Papozze, meu avô PAVANELLI, CARLO (ANTONIO nome do meio, nasceu em Papozze, temos a Dupla Cidadania registrada em Papozze, Inicialmente residiram em Santa Cruz das Palmeiras, em seguida Casa Branca, minha Avó Carolina Fachinni, enviuvou, casou-se novamente em Casa Branca com Sétimo Fracallosi e vieram a residir em Limeira - SP, onde resido até a presente data, 18/01/2017. Gostaria realmente, que pelo sobrenome e o Lugar (Papozze), pudéssemos ser parentes.
    Obrigado, Saudações.
    Renato Carlos Pavanelli
    Limeira - SP.
    rcpavanelli@gmail.com
    (19) 9-8116-2070 - WhattsApp.

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  2. Para Informação:

    Pessoal, Papozze é uma Graça de Uma Pícola Cidade e fácil de Chegar, leva em torno de 40 minutos de ônibus saindo de Rovigo. Aliás em Rovigo existe a Livraria Pavanelli, muito legal.

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